segunda-feira, 17 de julho de 2006

Era um dia ensolarado. Eu era pequeno.

Estávamos na casa da minha avó, era um dia comum. Talvez eu nem tivesse quatro anos, logo nem havíamos mudado para nossa atual casa, e ainda morassemos no casebre que minha avó havia cedido pro meu pai e mãe morarem até acharem algo melhor. Eram recém-casados, e haviam tido seu primeiro filho.

Dizem que o medo é algo que temos que enfrentar, por pior que seja. Sempre ouvimos em todos os lugares que temos que enfrentar de frente o que temos medo, temos que vencê-lo. "A cada dia enfrente pelo menos uma coisa que você tem medo", já dizia o grande clipe do Use filtro solar. De fato, tento isso. Como todos nós, eu tenho medo de várias coisas.

Mas o que fazer com traumas?

Traumas não são esquecidos. Não são enfrentados. E sempre dependendo da idade, aquele mesmo trauma continua perpetuando, como se fosse uma cicatriz que não houvesse maneira alguma de consertá-la. Uma cicatriz feita de rancor, que nem mesmo o tempo faz sumir. Foi o que me aconteceu nesse dia. Não lembro das palavras exatas, mas meu pai me pegou no colo e me colocou numa mureta na casa da minha avó.

Essa mureta tinha uma altura de uns seis ou cinco metros até o chão. E lá ele ficou, me balançando. Eu era muito criança, praticamente um bebê. Experniei, gritei, chorei. Tudo foi válido para que o meu pai me tirasse de lá. O medo de cair e morrer, me despertou pra sempre algo que eu tenho até hoje: acrofobia.

Popularmente conhecida como medo de alturas. Tem gente que gosta de brincar, dizendo que eu sou covarde de ir em parques radicais, não andar em avião, não frequentar prédios altos, e jamais olhar pra baixo. Outros ficam estranhos ao ver que eu (tendo mais de 1m80) tenha um medo doentio por altura. Infelizmente talvez eles não tenha passado pelo que eu passei. Não tenham presenciado meu terror de cair quando meu pai me soltava, os pesadelos que tenho até hoje daquela cena, e a tenra idade que eu tinha.

Não... Talvez jamais entendam. Medos despertados quando somos crianças jamais se perdem. Esse é apenas um dos muitos medos que meu pai me colocou. O que resultou? Em mim. Alguém narcisista, esnobe, covarde, idiota, atrapalhado, e extremamente burro.

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