terça-feira, 17 de abril de 2007

Ontem teve um ataque de um universitário numa universidade na Virgínia, nos Estados Unidos, tendo 32 vítimas. Na verdade esse é apenas o ponto de partida da discussão que quero fazer aqui, e não vou defendê-los e tampouco culpa-los. As família desses tantos estudantes devem sofrer demais pra ter um mero blogueiro brasileiro falando mal deles ou do país deles (embora eu odeie os Estados Unidos e seu sistema de vida e de sociedade). Também não pretendo ficar dando uma de aproveitador da situação pra tentar por audiência no meu blog nem nada do tipo. Vim aqui falar de algo que remeta um pouco ao assunto depois que eu vi um jornalista falando disso na TV.

Agora já descobriram que o autor dos disparos era um Sul-Coreano, mas até ontem de noite ainda não havia ainda a certeza de quem fosse o homicida. Disseram que certos desvios comportamentais podem criar pessoas assim, e que tais problemas surgem ainda na família. Achei essa citação interessante e resolvi refletir um pouco sobre isso.

Como alguns me conhecem, tenho uma situação familiar... Delicada. Principalmente com o meu pai. Não, longe de rebeldia adolescente, até porque estou velho para isso. Não vou negar que o cara fez muitas coisas boas, foi um bom sustentador, dando-nos o de bom e o melhor em questão material. Mas pecando e muito na área emocional. Quantas e quantas vezes fui pra cama chorar por causa dele, e mais quantas vezes depois dele tanto discutir e me humilhar senti-me o mais derrotado da face da Terra, e os traumas da minha vida que foram colocados por ele ainda na minha infância, sem contar a extrema noção de perfeição libriana que eu odeio que ele tem.

Aí lembrei que isso vêm de uma estrutura familiar que não tem força para formar um ser indíviduo em sua totalidade. Meu pai é apenas um mero fantoche nessa brincadeira, e que seus traumas foram lançados há muito tempo em sua juventude por ninguém menos que o meu avô, um tirano careca qualquer, que o humilhava, o fazia fazer trabalhos e coisas afins e hoje todo esse sofrimento que ele sofreu ele ergue como um troféu.

Na minha busca pela verdade humana eu sempre vejo que mais e mais pessoas coroam o sofrimento. Mas não vêem que o sofrimento vem apenas para fazernos sofrer? Não me venham com demagogias dizendo que é o sofrimento que faz a pessoa crescer. Hoje vejo meu pai e sei de seu comportamento exatamente por isso: é uma pessoa instável, perfeccionista, de baixa auto-estima, de autoritarismo que é difícil de acreditar que exista alguém assim nos tempos de hoje, além de não educada, não cavalheiro e tampouco sabe dar o amor, o verdadeiro amor. E nos dias de hoje ao se ver velho e começando a enxergar que o dinheiro não traz felicidade tenta de alguma forma consertar um erro que vem sendo repetido em geração em geração.

Apenas três pessoas sabem pelo sofrimento que eu passei ano passado por uma certa pessoa (aqui não foi meu pai). Como apenas essas três pessoas sei que guardarão segredo, ou no máximo contarão para uma ou duas pessoas mais próximas sei que não ficaram falando por aí sobre mim. E me recuso a erguer isso como um troféu, afinal isso me trouxe angústia, frustração e outras coisas más. Se eu pudesse apagaria isso com borracha e jamais tocaria ou sequer lembraria do assunto.

É isso que eu penso. Hoje, meu pai é uma pessoa que tenta estabilizar-se e pelo tamanho de seu grande nariz não vê que o erro muitas vezes está dentro de nós mesmos, e não mudando seu filho. Eu tenho uma vivência, ele outra. Infelizmente muitas coisas da criação dele foram herdadas pelo meu avô. Eu me pergunto como ele se orgulha do pai dele ter tido o ato completamente idiota de roubar a pipa dele e segurado-o pelo braço e ter mandado ele trabalhar. Talvez tenha o ajudado a ter uma noção do valor do dinheiro, mas o que ele perdeu foi muito mais do que ele ganhou.

Afinal aí foi trabalhando que ele viu, por exemplo, que com o dinheiro dele ele poderia atrair mulheres. Afinal, foi esse motivo que minha mãe me contou uma vez há muito tempo atrás que casou com meu pai - exatamente por esse seguro monetário que ele teria. Logo ele viu que com o dinheiro ele poderia enfim dar o amor que ele nunca sequer recebeu, seja do pai, um grande carrasco ou de sua mãe, que morreu cedo. Hoje, ele vê-se num dilema comigo, seu filho, que tenta colocar na cabeça dele que dinheiro não é tudo, e que dificilmente comprará o meu amor por ele. Coisas materiais acabam, desgastam, apodrecem. São frias, gélidas, imóveis... Já o verdadeiro amor, seja materno, paterno, fraternal ou romântico é algo eterno que só enriquece com o tempo. Exatamente por ter sido uma pessoa que dava de um lado videogames e tudo mais, por outro virou uma pessoa que comandava tudo diretamente do seu trono, interferindo em nossa vida e nos manipulando ao seu bem-entender.

Até hoje tenho trauma de jogar cabelo pra trás. Além de ficar um pouquinho parecido com ele, isso me lembra uma vez que ele pe puxou pro cabelereiro e mandou o cabelereiro cortar meu cabelo pra trás, do nada, como se crescessemos de um dia pro outro.

E eu penso aqui, como ainda não virei um assassino? Como ainda não virei um maníaco? Poderia eu ser um dos assassinos da faculdade? Não sei... Talvez seja essa minha individualidade que me salvou.

(ah, a foto é do livro do Eragon. LEIAM! Vale a pena. =D)

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