sexta-feira, 25 de maio de 2007

Sim já se passou um ano. Hoje completou um ano. Um longo ano.

Um ano sem mais ingenuidade. Um ano de sofrimento quase que diário. Um ano em que eu preferi à morte, mas que teve suas vantagens, porque conheci a morte de perto e aprendi a não temê-la. Um ano que cultivei um desejo, e ainda cultivo, o qual eu o fechei no fundo do meu coração e não o tirarei, pois é esse desejo que me faz viver, porque é a única coisa que me faria feliz.

Ano de uma história que começou bem, terminou de uma forma terrível, que eu nem mesmo imaginara que chegaria a tal precedente. No dia 25 do ano passado fui ao cabeleireiro e pedi apenas para que aparassem as pontas e tingissem de vermelho. O vermelho, a cor da conspiração, a cor de algo que eu queria ver que saísse do meu corpo, e que logo depois visse meu próprio reflexo, morto, caído no chão. Não teria então coragem de me ver novamente no espelho, pois apenas um único dia foi o bastante para que tudo mudasse. Pra pior.

Então me engrenei numa espécie de cruzada, em que procurava apenas o perdão, de apenas uma garota, que há muito tempo me fez triste. A busca foi maçante, anos de caminhada por entre pedregulhos e lutando contra mim mesmo. No caminho, conheci a morte de vários ângulos, mas não desistia, meu objetivo seria chegar a Jerusalém, e lá encontrar a princesa que me salvaria.

Sim, porque não ia até lá querendo salvar alguém, mas sim procurando salvação. Quando cheguei perto dela e me ajoelhei, ela apenas balançou a cabeça ao longe e num olhar rancoroso mandou-me embora. Eu estava vestindo preto, e desde então nunca mais deixei de vestir, afinal era essa cor que significava meu luto, minha tristeza. Afinal o antigo havia morrido e o novo deu lugar a ele.

Mesmo depois de ter ido algumas vezes e tentado inutilmente enviado cartas à princesa, nada consegui. Quando voltei então a Jerusalém, atrás de sua benção, fui recebido pela rainha, que me aconselhou a voltar à minha terra e esperar. Dias depois recebi uma carta, em que a princesa me humilhava, diretamente, mais do que todas as negações que ela havia me mandado nesse meio tempo.

Sofri. Sofri como nenhuma pessoa merecia sofrer.

Tinha apetite pela minha morte, mas descobri depois de várias vezes incapaz de me suicidar, vi que esse não era o meu desejo. O suicídio é um ponto final, e o que eu queria eram reticências. Suicídio apenas cessará minha tristeza, o que eu realmente queria além de cessar a minha tristeza era ter um único momento de felicidade antes da morte. E num sonho essa resposta veio. O que eu mais desejava não era morrer, mas sim ser morto por ela.

A felicidade que tomou conta de mim quando tive o sonho, que mais parece um pesadelo, foi incrível. Porém já era tarde. Para a princesa, eu era apenas um plebeu. Um pobre ser sem-nome que sequer merecia olhar a ela, tampouco pensar nela. Sua carta em que me desprezava, eu carrego até hoje, e é essa carta que me faz criar uma espécie de ódio, que me ajuda a esquecê-la.

Mas não posso nunca negar tudo o que passamos e as emoções boas. Ainda sonho em revê-la em apenas um dia, em que aproveitaríamos uma grande história de amor que sequer saiu da especulação, apenas um único dia seria o bastante. Mas isso eu sonhei, não deixa apenas de ser um sonho...

Hoje, o lacre acabou, mas a memória ainda perpetua. O cabelo não está mais vermelho, porém o desejo ainda continua, até que eu encontre alguém a altura para o qual eu possa dedicar meu maior desejo.

E apenas um ano passou uma história que poderia continuar por uma vida inteira...

"Não há felicidade maior no mundo do que ser morto por quem mais ama."

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