quinta-feira, 7 de junho de 2007





Making of & Comentários do autor

Uau! Isso que é o cúmulo da frescura. Sinceramente não sei qual será o signo que as pessoas que virem meu Audiovisual darão a ele, mas hoje, que estou escrevendo isso, tenho minhas sérias suspeitas. Acho que de inicio as pessoas darão MUITA risada, embora sendo algo essencialmente e puramente trágico. Digo isso porque já foi atribuída a minha pessoa a alcunha de palhaço da sala, então já viu né?

Brincadeiras de lado, quando eu fiz o trabalho eu lhe atribui um significado em todas as fotos, textos e vídeos. Tudo lá tem um porque e tem apenas o objetivo de fixar a atenção do espectador e claro, contarem uma estória com inicio, meio e fim. Além de explicar o motivo de cada foto, e dar a oportunidade pra quem não viu, quem dormiu, quem falava com o amigo ou quem tenha se distraído mais com a entrada dum carro no estacionamento do que na música um tanto, calma do trabalho multimídia, aproveitem e vejam acima. Se já viu, pode começar a ler embaixo. Não deixe de comentar no final da postagem, dizendo se gostou o que sugere o que mudaria.

De longe isso não é perfeito. É o primeiro. Mas quem sabe com o direcionamento certo, será o primeiro de muitos.

O título é sexual.Disgrace. Porque diabos esse título? Literalmente, é desgraça sexual, mas o que está sendo citado não é exatamente o que está explícito, mas também fazendo uso da fala feminina que em muitas vezes do clipe aparece. A música é Filth in the beauty, da banda japonesa de rock the Gazette. Ah, não sabia que o Japão fazia rock? Pra você o Japão é a terra de gente de olho puxado, que come sushi, bebe saquê, mora em Tóquio e todos andam de quimono? Sim, graças aos deuses o Japão evoluiu, mesmo perdendo um pouco de sua cultura, eles fazem rock como ninguém, e diria até além.

A idéia inicial seria passar uma idéia de narcisismo. E foi essa a idéia final também, ora bolas! Não foi vaidade e tampouco metrossexualismo. Narcisismo é, além disso, é quando você só pensa em si mesmo além de sempre achar-se o melhor e pronto para humilhar alguém, além de ter uma vaidade acima de nível aceitável. O tema auto-retrato encaixa-se exatamente nesse ponto. Não tenho medo de admitir isso de mim, sou assim e odeio, embora não viva sem. É meio que o professor Fábio, que fuma sabendo que em questão de anos morrerá, pois suas células não conseguirão mais eliminar o tabaco e seu metabolismo acelerará, ocasionando um belo câncer. Sobre o narcisismo, eu tento controlá-lo, mas acho que traumas são sempre ligados a coisas do passado, e como não estou aqui pra ficar falando do meu passado, que eu odeio falar sobre isso, vamos a explicação das cenas!




As fotos [ sexual.DISGRACE ]
Sempre que no clipe aparecer uma tarja com apenas uma foto minha e com a fala sexual.DISGRACE no topo significa que o personagem que eu interpreto sofre uma mudança. São três as mudanças no clipe, uma no pré-narcisismo, uma no narcisismo, e uma no pós-narcisismo.

Cores
Sim, o vídeo é todo rodado em tons de cinza. As poucas cores, que recebem um maior destaque, não por acaso, significam várias coisas. O branco do inicio do primeiro vídeo, é a pureza, é o pré-narciso. O vermelho é a corrupção, e quando o ser torna-se corrompido e vira narcisista. O preto é a morte do anterior e a ressurreição do próximo (o não-narcisista) e por último o amarelo é ser não-narcisista completo.







Seqüência fotográfica 1
Uma natureza morta. Ta, mas e daí? Elas significam o ideal de beleza. Elas são a beleza em si, vinho, duas taças, livros, até uma vela pra dar aquele quê de harmonia. Porém, existe algo de imundo que os corrói. E está em destaque, uma marca de batom vermelho. Isso ilustra a primeira fala da cantora (o Gabriel Camelo disse que é a Beyoncé) dizendo que "O lado reverso da beleza tingiu-se por uma amada imundice", onde a imundice seria o batom.

Seqüência de vídeo 1
Pra quem viu o clipe (se não viu, clique aqui) da própria banda, encontrarão uma similaridade. Ok, não plagiei, mas o meu tem um significado que não é "balançar a cabeça porque a música ficou mais frenética", e sim porque a bagunça significa a mudança, deixar de lado o que há atrás e simplesmente mudar. Simples, fácil e rápido. Aqui o branco tem papel fundamental, pois ele ainda não é narcisista. Branco significa a pureza, o nascimento. Reparem também na violência da dança. E por favor, não reparem no cortiço onde moro... Já falei que moro no Capão Redondo.










Seqüência fotográfica 2
Aqui é o ser tornando-se narcisista. Pra quem não conhece: basicamente a lenda do Narciso de Ovídio, filósofo romano é o conto do garoto mais belo que faz com que Eco, uma ninfa, apaixona-se por ele. Ele, desprezando-a acaba recebendo uma maldição de que se olhar seu reflexo irá se apaixonar. As fotos mostram exatamente essa interação entre a água e o Narcissus. Coloquei muitas fotos, pra literalmente esfregar na cara do pessoal qual é a idéia do filme, porque não imaginava que tão poucas pessoas conheciam essa lenda (isso é parte de uma pesquisa pessoal).








Seqüência fotográfica 3
Opa, agora sim o cara virou narcisista total! Ou ao menos está virando. Aquele que conheceu o reflexo conhece o, digamos, upgrade do seu layout. Em outras palavras fora do design, ele vira vaidoso, por ser belo igual aquilo não o satisfaz, e começa a fazer mudanças em seu corpo, como depilações, máscaras de lama, maquiagem, tingir o cabelo, barbear, e até passar delineador nos olhos, e por último cortar o cabelo. Ele procura um ideário de beleza.






Seqüência fotográfica 4
Seqüência pequena, se apenas quatro fotos. Quem não conhece, é a Naiara Alexandre, uma grande amiga minha que cedeu casa, paciência, maquiagem, tempo e até a mãe dela pra bater as fotos. Agradeço pela milésima vez aqui! Ela é o ideário de beleza que ele procura, porém ela está num degrau muito acima dele e o humilha de várias formas. Ela aqui faz um papel diferente, mas continua sendo a Eco, pois foi ela que o corrompeu só que é depois dela que ele aprende a se valorizar a procurar a sua beleza própria.




Seqüência fotográfica 5
Rápida, apenas um sentido único: solidão. Pode ser bonito, pode estar o que for, mas está isolado, jogado ao chão, sem ninguém. Não conseguiu sequer chegar aos pés da beleza que buscava então a única opção é tentar superar, e achar um significado para tantas coisas.

Seqüência de vídeo 2
Agora, ele está ao contrário, veste preto. E se bagunça novamente. O preto, como foi dito, significa o luto por não ser mais narcisista, além de tudo a transição. Vê-se a violência a tristeza singela em seu rosto. Ele sofre, novamente.

"A eternidade nessa beleza não existe."

Parece um pouco coisa de Padre Quevedo, algo como "La eternidad nessa belezza non ecsiste!!", mas brincadeiras a parte isso ilustra bem. Porque ser sempre belo, bonito, vaidoso se todos um dia envelheceremos, morreremos e não seremos mais belos igual ao que somos enquanto jovens? Exceto que faça igual Dorian Gray, isso acontecerá, inevitavelmente, e ele descobrirá isso.





Seqüência fotográfica 6
Na primeira foto ele abandona o traje vermelho, trocando-o pelo preto. Mais pra frente, todos os cosméticos e coisas do tipo que o faziam bonito ele também abandona e pisa neles. Não estão mais no melhor lugar (na altura do rosto), mas agora sim é algo desprezível, (na altura dos pés) chegando a pisar nelas que mesmo assim continua com a cor corrompida, a cor vermelha.

"Antes, apenas a amada imundice."

Quem lembra da fala do começo do vídeo? "Existe um lado da beleza que está tingido por uma amada imundice.", então nesse ponto em diante não há mais a imundice. A imundice é o narcisismo, é a beleza do sentir-se belo e sempre procurar ser o mais belo.




Seqüência fotográfica 7
Como não dá pra ser bonito a vida inteira, nosso herói demonstra isso não com a idade, mas com acidentes. E se ele perder um olho? Se ele sofrer cicatrizes profundas no rosto? E se ele começar a ver-se distorcido? É exatamente esse significado das fotos, só que de uma forma bem trágica. Seu olho fica branco, as cicatrizes tecem seu rosto com tal nitidez que se torna algo forte, e o olhar-se no espelho não tem o mesmo sentido.





Seqüência fotográfica 8
Na primeira, ele deixa de usar os trajes vermelhos e os substitui por novos, amarelos. O amarelo, como dito é o pós-narcisismo, ele não é mais o vaidoso de antes, e agora de uma forma bem cruel, aprendeu que a verdadeira beleza não está no que moda, tendências e outras coisas dizem, mas sim no seu próprio ideal e o que você mesmo acha belo, intuitivamente. Pode o espelho quebrar e pessoas tentarem zombar (segunda e quarta fotos, respectivamente), mas o importante é ter personalidade (terceira foto).

"Agora a verdadeira beleza. A personalidade."

Eu gostei do grito da cantora. Como não tem o que explicar aqui, vou falar que, a voz da mulher não é da banda. Pelo menos até onde eu sei é uma mulher convidada. A banda é toda formada de homens, embora eles seguindo o estilo Visual kei (herança visual, estilo visual no original) acabam tendo um visual um tanto andrógino. Portanto, são todos os homens, apenas suas fantasias é que remontam do que as pessoas comumente chamam de punk japonês.







Seqüência fotográfica 9
A exibição do novo personagem. O novo Narcissus, sem o olho, rebelde, mostra-se uma nova pessoa. Na primeira foto a idéia é passar uma nova foto do novo, só que agora de um ângulo dando prioridade a ele, a mudança da foto não mais simétrica, o novo tira até fotos diferentes. A segunda destaca o olho perdido pelo excesso de cuidados, a terceira ele está de costas ao espelho, e ele não liga mais para o que ele reflita. A quarta ele está queimando uma foto onde ele está ainda com a roupa vermelha, corrompida. Queimando seu próprio passado. Mostrando o dedo numa cena tórrida, com a sua rebeldia, e logo após a última dessa seqüência onde ele zomba de um quadro dele que a mostra como era antes. Atenção: o fato de o dedo estar no pescoço é intencional, e não é de forma alguma uma mensagem subliminar de que o outro morreu. De fato, o narcisista do quadro morreu, dando lugar a um novo, esse detalhe foi intencional.




Seqüência fotográfica 10
Cemitério. Sim, foi engraçada a ida no cemitério! Mas piadinhas de lado, agradecimentos à lápide e aos fantasmas por não me ter importunado, a primeira foto apenas destaca a camisa e a flor amarelas, a nova cor do anti-narcisista, e ao mesmo tempo sua expressão não é mostrada. Quando a segunda foto aparece, é possível ver um sorriso no rosto do personagem, e na terceira mostra o motivo da risada e o presente: escrito em vermelho que o narcisista está morto e enterrado, e a única coisa a entregar a ele será uma flor amarela, para que ele descubra qual o real significado da beleza.

Seqüência de vídeo 3
Agora ele balança a cabeça feliz e mais lentamente. Ele se bagunçará pra sempre agora, pois é do caos que ele se achou, e se a bagunça que o mudou, porque permanecer o mesmo? Porque o estilo sempre ser o mesmo? Sempre mudar, mas a regra é não voltar a ser narcisista.





Seqüência fotográfica 11
Todas elas tiradas no Parque da Luz. Na primeira, uma vista dele num local público zombando dos outros, depois ele tomando um banho de cachoeira, e agora dando valor a ele (se ele fosse narcisista NUNCA faria isso. Estragaria a maquiagem! Se bem que hoje em dia existe maquiagem a prova de água, mas...). Por final uma foto dele zombando do estilo certinho das pessoas transeuntes e a penúltima foto ele perto de um lago, agora mais o encarando igual ao narcisista, mas sim perto dele, sem medo, mas mostrando-se superior a ele.


Foto final
Essa foi uma das fotos que eu mais gostei. Em rápidas palavras: à esquerda, o antigo, o corrompido, o vermelho, o narcisista. À direita, o novo, o estiloso, o amarelo, e anti-narcisista. Sem contar a expressão na face deles, o da esquerda, tristonho. O da direita, feliz e delirante.

Considerações finais
Agradeço do fundo do coração a todos que ajudaram, seja filmando, tirando fotos, cedendo tempo, atuando, maquiando e acima de tudo sugerindo. Foi um longo trabalho, a primeira foto eu tirei no dia oito de março, e a última no dia seis de maio, mesmo com essa folga não foi algo fácil, mas resolvi fazer devagar pra que saísse do jeito que eu queria.

Cem por cento igual ao que eu queria, não saiu. Talvez por complicações técnicas do próprio Windows Movie Maker, mas tenho que admitir que saísse algo bom, planejado igual a minha primeira idéia, mas não exatamente igual. Teve fotos que foram desperdiçadas, fotos que eu queria fotografar, mas não foi possível, enfim... Ao total eu tirei 349 fotos, totalizando 80 MG só de fotos em VGA JPEG. Utilizadas apenas 72 e com o peso bem inferior, menos de 5 MG.

Mas valeu a pena, e esse estilo, essa maneira de passar uma mensagem me atraiu muito. Acho que vou retomar muitas idéias que nasceram junto do sexual.DISGRACE que foram abandonadas, sendo apenas essa concluída.

Mais uma vez meu muito obrigado, e até o próximo, o "Under the name of justice". Aguardem!

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