domingo, 30 de setembro de 2007

Lutar.

Última postagem de setembro!

E o ano vai acabando, gente bonita. =)

Setembro este foi marcante, heheh... Setembro pra mim sempre teve um aspecto um tanto... Místico, e meio que eu não sei bem o motivo. Enfim... Vamos lá para a reta final.

Nesses dias eu estava refletindo sobre algumas coisas, e parei num assunto um tanto intrigante. Já me questionei já como o eu enfante veria agora o eu varão, e como já foi dito o resultado final foi bem satisfatório. Mas gosto de ir dedilhando os caminhos da minha vida pra ver onde estou e como parei e sou o que sou hoje.

Primeiro que tá uma moda na comunidade do Orkut colocar frases no lugar dos nomes. Tenho um, vamos dizer "colega" do colegial que colocou uma sem noção, talvez expressando o atual estado de espírito dele. Tenho um outro amigo dos tempos de teatro que colocou que "A vida é feita de escolhas". Mas caiu bem, pois estava matutando sobre isso e a frase caiu bem como uma luva.

Eu me pergunto o que seria de mim hoje se eu continuasse lá no Octalles. Pra quem não sabe: Octalles é a minha antiga escola. Primeiro que meus pais nunca tiveram condições financeiras de me por numa escola particular, e devo dizer que isso nunca me limitou, pois mesmo num ambiente onde todos estão lá por simples obrigação, eu estava mesmo era querendo aprender. Eu não nego, sempre fui CDF, mas nunca me considerei um nerd. Sim! Há diferenças, caros senhores. CDF é mais o indivíduo que aprende com facilidade, enquanto o nerd muitas vezes não apenas por saber demais, mas por viver exclusimente daquilo. E eu nunca vi isso, pois de ano em ano eu sempre mudava de "ramo"... Mas ao mesmo tempo era divertido, bom de dança, e não era (tão) feio...

Mas voltando á escola antiga, bom... Eu faço um paralelo do que eu era antes e o que eu virei depois. Primeiramente que essa escola já era ruim na minha época, e hoje eu passo por lá e vejo que apenas piorou. Porém sempre por eu ir aprender por obrigação, os colegas e a atmosfera do local me impedia de refletir. Foi quando eu mudei pro Leopoldo, outra escola pública, mas diga-se de passagem uma das mais bem-conceituadas da área aqui do Capão Redondo, foi que eu comecei a refletir mais. Conhecer pessoas novas, enfim. Não eram pessoas que apenas estavam afim da boa e velha baboseira colegial, mas queriam acima de tudo raciocinar e chegar a uma resposta mais refinada possível.

E foi convivendo com tais pessoas que lá que eu vi que tomei um rumo diferente. Algo como uma bifurcação, que o resultado grande parte é do que eu sou hoje em dia.

Mas me pergunto se eu tivesse me formado lá. Se provavelmente continuaria o mesmo garoto gordinho, de piadas decoradas, cabelo baixo e cabeça quadrada. Lembro que morria de medo de pessoas homossexuais, mas quando os conheci no colegial no Leopoldo Santana (inclusive vários e várias se tornaram meus amigos) vi que não era daquele jeito.

Acima de tudo aquele garoto que não sabe se expressar e tampouco sabia se manifestar. Abaixaria a cabeça pra qualquer coisa e qualquer pessoa. Acho que foi lá que a sementinha da revolução foi plantada, pois lembro de ter tido as primeiras brigas feias com meu pai foi depois de ter saído do Octalles.

Lembro-me até hoje da primeira vez que discuti feio com meu pai, inclusive o ridicularizando...

O dia estava abafado. Eu estava em meu quarto jogando 007 - Agent Under Fire no Gamecube. Meus nervos estavam subindo, afinal não conseguia terminar uma bendita missão (diga-se de passagem, até hoje não consegui...), e o Bidu, o poodle anti-social aqui de casa havia mordido meu pai naquela manhã, foi os dedos de uma mão, mas ele não revidou. Eu estava sozinho como sempre. Nunca tive problema com solidão, até porque eu me isolo do resto da família, mas aprecio o convívio a sós no sentido mais literal da palavra, sem contato humano mesmo.

Até que o meu irmão gritou e disse em voz alta "Bidu! Você me mordeu!". Provavelmente caso a história terminassem aqui vocês diriam que o coitado do cachorro mereceu o que veio a seguir. Porém, meu irmão mesmo sendo um bom irmão, com animais ele faz o tipo da Felícia, do Tiny Toons. A Felícia pra quem não se lembra, ou não conhece, é a menina que adora fazer carinhos extremos nos animais, chegando a maltrata-los inclusive! Só que ela sempre age na maior inocência (há controvérsias!), e os bichos sempre fogem dela. Logo, dá pra imaginar porque o cachorro é traumatizado, em parte pelo meu irmão, em parte por causa do próprio temperamento de poodles machos.

Só sei que ouvi o cachorro gritando e um som abafado. No segundo que eu constatei: abaixei a TV, dei pausa no jogo e ouvi uns sons de chute em algo. O cão ladrava indefeso e corria pela casa, e eu podia ver na porta entre-aberta a cara do meu pai: parecia um animal, um fio de saliva descia pela boca, e seus olhos estavam fechados com raiva, e sua testa uma veia saltava. Sem contar no arqueamento no corpo dele segurando um chinelo numa das mãos. Meu irmão, ficou parado na sala, e eu me levantei. Minha mãe entrou na hora no quarto.

"Pára! Pára! Deixa o cachorro!". Na hora que eu gritei, minha mãe entrou no quarto e fechou. Ouvi os sons indo agora pro quarto do lado, onde meus pais dormem. Minha mãe olhou pra mim e disse: "Deixa ele. Deixa seu pai, não vai lá senão vai sobrar pra você!". Eu empurrei ela, e abri a porta num salto. Vi o cachorro correndo de novo para o cantinho dele, e meu pai de novo com seus olhos esbugalhados e as sombrancelhas arqueadas caminhando em passos pesados atrás dele. Eu fitei eles nos olhos com raiva naquela hora, e quando ele estava indo eu gritei com todos meus pulmões: "Deixa o cachorro em paz! Você vai acabar matando ele de tanto bater!".

(imagino a cara da minha mãe nessa hora...)

Ele bufou algumas vezes (sim, ele quando está com raiva bufa muito...), e virou pra mim "Vai sobrar pra você! Sai da frente!". E eu olhei ele nos olhos e disse em um tom claro e decidido: "Não.". O cachorro coitado, foi correndo pra debaixo da cama, e fiquei lá na cozinha só vendo pra onde ele iria. Deitou no sofá e adormeceu depois de alguns minutos.

Sequer olhei pra minha mãe naquela hora. Alguém como ela não merecia sequer que eu a olhasse naquela hora. Talvez vocês digam que eu seja o cara mais desnaturado na face da terra por ter empurrado sua própria mãe e não ter sequer a encarado depois disso. Mas meus caros senhores, quero que me classifiquem de tudo, menos de inconsciente. Aquele homem havia bebido, como sempre, e juntando com estresse não duvido nada o que ele faria.Meses depois brigamos, e ele chegou a me jurar de morte, o próprio filho...

Não conto isso pra que sintam pena de mim. Eu não quero que sintam pena. Apenas não consigo compreender como pessoas continuam por abaixar a cabeça pra certas coisas e continuar na de vocês. Absolveram o maldito do Renan Calheiros e daí? Um bando de jornalista ficou falando um monte de coisa e todos continuam por abaixar suas cabeças, acordarem todo dia e tomar seu café com leite com pão amanhecido com manteiga, ir trabalhar no mesmo ônibus cheio, almoçar o mesmo arroz com feijão, voltar pra casa e ver a novela, fazer sexo com sua esposa e depois de um gozo virar-se e dormir. E no outro dia começar tudo novamente, como se a vida fosse apenas esse tédio, enquanto políticos fazem o que querem fazer e esse povo maldito fica ainda nesse come-trabalha-dorme, come-trabalha-dorme...

Depois vêm uns idiotas que quando eu falo e boto o pé no chão dizendo que eu não sou patriota nem na copa do mundo (tava torcendo pra Inglaterra na última copa... Odeio futebol, mas torço pelo Beckham, Rooney e o Owen!) e eles ainda acham ruim, dizendo que eu devia ser patriota, enfim...

Nessas horas que um homem tem que ser um Homem, caros camaradas...

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