quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Por mais que esteja triste, uma lembrança feliz te fará sorrir!

Boa tarde, digníssimos senhores.

Hoje estava no consultório dentário, esperando a minha hora de entrar - e claro, torcendo para que aquela fosse a vez em que a doutora finalmente fosse tirar esse maldito aparelho que já encheu e já deu o que tinha que dar há muito tempo - e estava lendo A república, do nosso senhor Platão.

E logo no começo tem a clássica discussão que Sócrates SEMPRE faz com alguém, parece até uma peça de teatro, mas comparações á parte, ele está falando com um senhor já de portas com a morte chamado Céfalo. E ele diz algo que, como sempre várias coisas que eu leio sobre Sócrates, que me faz simplesmente fechar o livro e parar um tempo. Sim, porque eu tenho que parar senão sinto que irei sofrer um colapso nervoso por ver tanta coisa profunda junta. Pra ser sincero, ainda estou receoso em reabrir o livro, mas vamos lá: O que diabos te deixou tão consternado, Sir Alain?

"'Qual tua opinião a respeito do amor, Sófocles? Ainda te julgas capaz de amar?' - E ele respondeu: 'Falemos baixo! Libertei-me do amor com o prazer de quem se liberta de um senhor colérico e truculento.'" (...) "Porque é bem verdade que a velhice nos proporciona repouso, livrando-nos de todas as paixões. Quando os desejos diminuem, a asserção de Sófocles revela toda a sua justeza."

Pensei na hora, "Será que é isso?". Já falei, não tenho milhares de hábitos que os jovens tem hoje em dia. Primeiramente não bebo. Uma que eu não acredito é que se eu estiver com um nível de alcool no sangue mais elevado eu irei ser mais legal. Eu só vejo um único estereótipo de pessoas que bebem: Pessoas tímidas. Ou pessoas que se acham tediosas. Quando bebem, nossa... Como se injetados de um alucinógeno potente mudam de água pro óleo (não... Vinho não!). Não acredito que tampouco traz respeito e nunca que uma pessoa vai beber álcool pra "matar a sede". De fato, se eu sei que a pessoa tem o hábito de beber já cai - e muito - no meu conceito pessoal. Belo motivo pra eu sempre manter-me longe de relacionamentos com mulheres que têm o hábito de beber.

Outro motivo claro, esse é mais pessoal mesmo, afinal meu pai é alcoolátra, embora ele nunca assuma isso. Mas fazer o quê, ele em breve vai acabar morrendo mesmo... Talvez a morte traga a sensação que ele tanto desejou de se libertar - tão potente quanto a dele ir ao bar afogar-se em cachaça.

Outra que não sou volátil em relacionamentos. Não gosto de namorar, embore eu seja mais adpeto ao "amar". Na verdade o que eu talvez não goste é de ficar. Ou talvez esteja com tédio disso também, afinal só tive relacionamentos com "mulheres cachorras" na minha vida, quando eu queria algo sério era elas que não queriam. ¬¬ Outra é que eu não me incomodo em viver me sentindo mal. Sejam dores de caráter psicológico ou fisiológico.

Logo, vejo porque eu me sinto como um velho. Lembro-me uma vez há alguns meses quando fui a uma balada. Pra ser sincero, não sabia bem o que fazer. Olhava pra um lado via uma fumaça densa de cigarros. Do outro, vários casais se beijando. A música tava ótima, bom e velho Rock n' Roll, aí comecei a dançar. Mas eu me perguntava "Porque diabos eu tô dançando? Ninguém tá me vendo, afinal está bem escuro, meu corpo vai acabar detonado dado aos meus movimentos... Será que é pra se sentir bem enquanto eu faço esse tipo de movimento?"...

Claro, eu fiquei dançando e só depois de ficar extasiado pela fumaça e começar a ver borboletas multi-coloridas na minha cabeça aí eu comecei a ter alguma sensação boa, hahaha... Então eu me vejo hoje como um cara sem esses desejos, assim como o nosso Céfalo se auto-proclama.

Ontem eu vi uma mulher no ônibus conversando com uma provável amiga, e eu ouvi a conversa. Que fique claro que eu não sou esse tipo de bisbilhoteiro, na verdade ela tava falando um bocado alto até, e como tava sem ânimo para o MP3 Player, dei-me a prestar atenção. E ela dizia que sentia falta dos tempos de criança.

E eu pensei: "Ora, ora... Tá aí um desejo considerado normal por todos os adultos, o de volta a ser criança.". E depois eu concluí que eu não queria nunca ter esse desejo. Afinal, tenho trauma da minha infância, e diferente de muitos amigos que eu tenho que brincavam, a minha foi regada de Coca-cola, Fandangos, Super NES, TV Manchete & Cultura. O que me fez ser um moleque gordo, nerd, e ter sequelas dessa gordura precoce até hoje no meu corpo. Isso sem contar o meu pai, que desde que eu era moleque sempre fora muito ignorante. Sempre sonhei em ser grande, ter um cabelo legal (mais comprido) e magro. E hoje eu sou assim, então digamos que é um desejo dos tempos de criança, heheh...

Mas como é um tanto triste chegar nos outros e dizer que não tive uma boa infância, eu me esforço todos os dias pra fazer a infância de outras crianças felizes. Primeiro que: eu não trato criança igual a um débil mental. Eu consigo conversar perfeitamente com elas, de igual pra igual. E até gosto. Tenho ótimas lembranças dos meus aluninhos do CNA que mesmo naquele pouco tempo eu brincava com eles (mesmo esquecendo de dar as lições muitas vezes). Como é impossível eu voltar e fazer a minha infância feliz, o que seria deveras egocêntrico de minha parte, vou usar o meu presente pra fazer as crianças felizes. Pra que elas quando tiverem a minha idade lembrem que lá atrás elas foram felizes, nem que seja por um bom tempo.

Tem um aprendizado que eu levo comigo e sempre penso nele quando estou triste: "Por mais que uma pessoa esteja pra baixo, ela sempre terá conforto em uma boa memória". Mesmo que eu esteja essencialmente mal, eu ainda abrirei um sorriso, pois eu sei que lá atrás eu tive um momento de felicidade. ^^ Com qualquer um isso funciona.

Jovens tem o desejo de sempre não apenas quererem mais, mas quererem agora e do jeito que querem. A vida não é bem assim. É por isso que eu não choro. Lágrimas podem ser um símbolo de honra e toda a baboseira infernal que todos falam, inclusive homens, pra chorarem e não serem taxados de homossexuais. Mas elas não passam de uma reação das nossas glândulas lacrimais que jorram líquido em excesso quando passamos por momentos que ativam hormônios em nós que nos tragam alguma emoção repentina. Em suma: Lágrimas não mudam nada. E nunca vão mudar. Então pra que chorar? Pra demonstrar sentimento? Me conta outra. ¬¬

Já cansei de chorar. Ano passado ainda mais na época em que passei depressão. Por mais que eu chorasse, por mais que eu pedisse desculpa, por mais que eu me sentisse um lixo, ela nunca quis falar comigo, olhar pra mim, sequer ouvir o que eu tinha pra dizer... Chorei? Muito. Mas nunca as lágrimas mudaram nada. E jamais mudariam, meus senhores. =)

Mantenham isso em mente. Especialmente os emos malditos.

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