segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Verdadeiros Mestres.

Como um professor (mesmo desempregado, mas ainda um professor) devo admitir que sempre no nosso estilo de aula acabamos pegando estilos ou influências de outros da nossa área que são igualmente queridos. Uma menina há muito tempo me disse uma vez que chega a ser um pouco engraçado o fato de quase todos os meus maiores ídolos serem professores - ou gente morta. Mas os que ainda estão vivos são em grande parte meus mestres.

Afinal eles passaram do âmbito de apenas professores. São pessoas com exemplos de vida que ou se tornaram amigos ou exemplos pra mim não apenas na profissão, mas na vida pessoal. Mesmo nos tempos de hoje eu sinto falta de dar aula. Hoje como é de praxe, vários programas de TV passam reportagens sobre o dia. Numa delas, n Hoje em Dia da TV Record, vi uma que eles analisam uma triste realidade, que exatamente por serem mal-remunerados os professores querem ser professores mais pela paixão da profissão do que por ganho salarial. De fato, até hoje minha mãe tem o sonho de ser professora, que ela conseguiu, e creio que esse hábito eu devo ter herdado dela como várias outras coisas.

Infelizmente não tenho fotos deles. Mas também não é ruim. Todos eles continuarão a viver no meu coração. =)

Olga [professora de língua portuguesa] - 3º Colegial
Vamos começar por uma no ranking das que começou odiadas e terminou amada. Imaginem uma mulher já nos seus trinta-e-muitos anos vestindo roupas um tanto... Calientes. Porém não se engane com a sua aparência jovial, ela sempre teve verdadeiros punhos de ferro. Logo no primeiro dia nos mandou definir grupos, com o qual iríamos conviver e fazer os trabalhos durante todo aquele semestre (sim, no colégio mesmo sendo escola pública tinha uma metodologia de semestre, onde tínhamos dois módulos, o de português e o de matemática).

Foram nove longos trabalhos. Não lembro-os exatamente. Mas pela densidade dos trabalhos e a complexidade ser sempre um digamos, requisito mínimo, tivemos que produzir coisas um tanto complicadas. Lembro-me de ter que aprender até a dançar frevo. Sim... É uma das muitas partes humilhantes do passado, mas eu até que dançava bem, modéstia a parte. Com toda a velocidade nos pés, a sombrinha e o clássico abaixa-sobe. Sim, foi um tanto hilário, e tivemos que dançar na frente da sala inteira.

Cantar também. Lembro-me que tive que decorar Pra não dizer que eu não falei das flores, do grande Geraldo Vandré, e eu cantei na frente da sala, pois nosso grupo tinha pegado dois artistas brasileiros importantes: Vandré e Jair Rodrigues (sim! Deixa que digam, que pensem, que falem, deixa isso pra lá, vem pra cá, o que que tem...). Até mesmo novela tivemos que fazer. Essa, foi gravada baseada na obra de Graciliano Ramos, Vidas Secas. Até hoje tenho a fitinha aqui!

Enfim... Tivemos muitos problemas, e foi aí que eu era o "ditadorzinho FDP" do grupo. Mas devo dizer que se não fosse pelo meu punho de ferro e as cobranças não teria saído nada... =\ Bons tempos em que todos me obedeciam sem reclamar ou opinar (na faculdade agora estou tendo muitos problemas exatamente por ser "democrático"...).

Kiss [professor de inglês no CNA] - Advanced II até High Advanced II
Esse é alguém que eu tenho foto! Grande Kiss. Devo admitir que no começo tinha medo dele. Devo admitir que ele é uma das pessoas mais hilárias e mais sem noção que eu já vi na minha vida.

Antes eu só o conhecia por "Hello, mister" e "Hi, sir", pois sempre quando tinha aula com outros professores eu ouvia a porta dele bater de forma bem brutal, e eu sempre que perguntava todos já tinham a resposta: era o Kiss!

Ele pode ter pinta de jovem, mas é BEM velho, heuaheuhaeau... Ainda sinto muita falta desse mané hoje em dia. Primeiramente, ele sempre foi um verdadeiro dicionário ambulante, e mesmo hoje eu sendo professor de inglês como ele, ainda gostaria de saber um terço do que ele sabe. Acreditem, ele sabe muito de inglês, é algo fora do normal, e quando eu perguntei onde ele aprendeu tanto - uma vez que ele só foi pra fora numa rápida viagem ao Paraguay - ele disse: "See the movies!". Apenas em filmes, mas depois que eu comecei a ver os filmes eu vi que é bem por aí mesmo.

Não apenas isso, mas ele sempre foi muito engraçado. Tinha tiques como ver moscas voando pela sala, só pegava salas com janela (logo eram bem quentes), cumprimentava as pessoas de forma engraçada, dizia pra fazermos os trabalhos "Togedinhos" (em alusão ao together, em inglês), ou dizer "Oukie doukie, children", além de falar de seus hábitos como por exemplo o de comer meia dúzia de ovos crus ao dia.

Além de tudo é um homem que batalhou a vida inteira. Foi perueiro, e um belo dia decidiu dar aulas de inglês. Aprendeu inglês sozinho vendo filmes (claro que ele depois frequentou cursos, porém como ele diz, não adicionou muitas coisas), além de ser um fã de rock das antigas, principalmente da banda KISS! Sabe ouvir as pessoas, dar conselhos, e é inteligente em tudo. Leitor ávido, sempre está com um livro diferente indo de cima pra baixo. E grita, e muito. Sabe prender a atenção da sala e ensinar bem o que deve ser ensinado. Além de ter virado um grande amigo meu, que eu tenho muita estima.

Herta [professora doutora de História da Arte] UNIb Architectura 2006
Essa aí sem comentários. Devo dizer que eu sempre amei história, desde criança mesmo, foi a matéria que mais me fascinava. Acho que é daí que vem a minha mania de sempre olhar pro meu passado tentando ver algum futuro (o que muitas vezes ou acaba me deixando em depressão horrenda ou com pouquíssimos orgulhos... Mas como eu sempre digo, o meu passado é a única coisa que eu tenho de preciso, pois o presente já irá virar passado e o futuro ninguém sabe...).

Num curso onde eu odiava todas as matérias, era exatamente na história da arte que eu me sentia bem. Fazia questão de ir toda santa segunda-feira para a faculdade, e lá sentar-me nas primeiras fileiras e ir questionando tudo sobre desde Giotto di Bondone até o meu amado Gian Lorenzo Bernini. Excelente teórica, até hoje eu tenho memorizado falas dela.

Sem contar a formação dela que é sem comentários. Doutora pela USP em História! Ainda é um sonho distante pra mim, mas adoro história e ainda sonho em fazer. Dona Isa, minha atual professora de história de Arte no Senac que me perdôe, mas igual a senhora Herta não tem e duvido que alguma seja como ela. Pra sempre carregarei ela, que sempre fora simpática, atenciosa e mulher muito sábia.


Acabei absorvendo então hoje três conceitos diferentes. Uma a de inovação na sala de aula, que eu aprendi com a Herta. Afinal, com trabalhos mais diferentes as pessoas se interessam mais e logo farão trabalhos melhores. Acreditem, NINGUÉM na matéria dela na época ficou de recuperação isso porque todos a xingavam e queriam matá-la, heheh... Com o Kiss, aprendi a como ensinar com bom humor e prender a atenção dos alunos tornando-se amigos deles. Com a Herta, aprendi a não ensinar no modo lógico, mas sim que se você der um estrutura e explicar os elementos e como eles aconteceram, isso ficará mais na mente das pessoas impregnada, logo eles demorarão a esquecer as informações obtidas.

São apenas três e muitos. Mas pra esses três eu quero prestar uma homenagem no dia deles e dizer um imenso Muito thank-you por tudo, ontem, hoje e sempre!

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