segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

E a tristeza aparece, aliada a um ardente sentimento...

Quando eu penso que consigo superar algo, esse algo sempre acaba me atacando. De novo, e de novo.

Na verdade sinto-me tão triste que pedi a minha própria mãe algo que nunca pensei que iria pedir. Pedi a ela, olhando nos meus olhos que me internasse em alguma clínica psiquiátrica, pois cada dia que passa mais eu vejo que o infeliz motivo de minhas frustrações em vida - todo aquele receio de que isso ou aquilo dará errado, o que infelizmente comigo é praticamente certo, pelas constantes cobranças de meu pai que faz desde os tempos mais infantis.

Pedi a minha mãe que me internasse, pois do jeito que estou não agüento mais. Sinto-me as vezes um Van Gogh - um fracasso em vida. Um artista além da sua época, que vive num país triste, que conhece a pintura, que é sozinho emocionalmente e que está sempre a um passo de suicídio - no meu caso, mais uma tentativa. Que sempre acaba falhando é claro, afinal até pra me matar eu sou um fracasso, e até em algo relativamente simples eu consigo falhar e errar.

Estou proibido de usar o computador. Venho postar isso numa madrugada em que olho pros lados pra torcer que o cão não ladra com o barulho das teclas. Estamos pintando a casa, e mesmo eu cansado e esgotado fisica e emocionalmente cá estou. Terminei uma pintura que disse a mim mesmo que carregarei pra sempre na minha vida: Minhas três Moiras. Sentia-me deprimido ao olhar pra ele e ver um grande erro que fiz na pintura, que pensei que jamais consertaria. Consertei, e o concluí. Olhei pros rostos das minhas três damas, e lá estão elas, eternizadas para sempre, e pra sempre as carregarei.

Mas olho pra frente e dificilmente vejo que haverá um "pra sempre". Vejo minha avó, que sofre tanto em controlar seu colesterol, e muitas vezes passa mal por apenas não ter nada mais o que fazer na vida a não ser ir pra igreja evangélica, cuidar de sua loja doces e dormir. Ela diz que quer que eu me case logo e dê a ela um netinho, mas já deixei isso a cargo de meus primos que estão bem mais resolvidos que eu.

Ela quer tato viver. Ás vezes penso em dar minha vida a ela. Pode pegar, ela não me interessa. Viva por mim e seja feliz. Muitos talvez ao ler isso diga que tudo isso não passa de chamar a atenção. Não lhes tirarei esse direito, afinal eu estou aqui pra chamar a atenção mesmo, caso contrário faria um diário daqueles femininos, e o fecharia com algum cadeado barato. Minha mãe disse que eu devo ser forte, e viver ao lado dela, pra que nós dois mesmo com todo o jeito e comportamento de meu pai pudermos levar a vida.

Falei pra ela: "Talvez eu até tente suportar, minha mãe. Mas por favor, quando chegar ao meu fim eu quero que você me interne em algum lugar". Sinto-me mais louco a cada dia. Já tem meses que não consigo sequer urinar com ele em casa. Quando estou no banheiro sinto que de alguma forma ele irá aparecer pra fazer algo comigo. Não consigo ficar do lado dele, pois penso que ele irá me bater. Não consigo sequer ficar perto dele, pois sinto aquele cheiro de álcool que ele exala de cada orifício, e penso que além dele ter metade do sangue composto de etanol, já vejo logo aquelas palavras irônicas regadas de humilhações baratas que ele solta quando toma aquela maldita bebida que jurei nunca beber.

Ás vezes passo na frente do bar onde ele toma algumas, e vejo o mesmo velho dono do bar - um senhor com mais de 80 anos com certeza que o conhece há 40 - me cumprimentando, e toda santa vez que passo por lá eu tenho vontade de dizer "Obrigado velho idiota, por ter apresentado esse descontrolado desde moleque à bebida e ao vício, e estar constantemente regando ele com essa maldição em forma líquida."

Quem sabe em alguma casa psiquiátrica por aí eu me sinta propício a começar uma vida com o uso de drogas ou algo do tipo. Talvez um dia me encontrem por aí como uma paira da sociedade, catando latinhas, pedindo uma esmola. Essa imagem que tenho é da primeira carta que recebi, creio que no meu primeiro aniversário de minha mãe.

Não sei se já contei aqui, mas minha mãe me contou que meu nascimento foi algo que quase não deu certo. Primeiro pelo fato de minha mãe ser fumante. E inclusive fumava na gravidez. Não sei como hoje não tenho problemas piores do que eu poderia ter, pois de acordo com os relatos de minha avó era pra no mínimo eu ter nascido acéfalo...

Como se não bastasse isso, minha mãe perdeu o líquido que fica dentro da bolsa, e os médicos ficaram surpresos por aquele bebê ainda estar vivo naquela secura. Sofrendo uma operação, eu nasci. Na época minha mãe havia ficado desesperada de acordo com ela: uma pelo fato de ter sido muito difícil dela engravidar. Outra, pelo fato de ela junto de meu pai serem bem pobres. Mas mesmo assim eu nasci.

É... Eu acho que eu já conheço desde moleque quem é morte.

Disse uma vez para a Angela que ela não deve se preocupar com o Exame da Ordem. Mesmo que ela sinta medo, existe algo que sempre irá superar isso: a esperança. Não posso negar que sempre quando estive de portas pra morte sempre ouve uma esperança. Hoje, minha esperança é o isolamento da sociedade, onde talvez uma internação resolva.

Sinto-me horrível. Talvez seja por ter tantas dificuldades e ainda ter tido um filho saudável que ela tenha tanto cuidado comigo. Mesmo eu sendo largado, e mesmo eu não tendo sequer nenhum apego a minha vida, o que significaria que eu deixaria tudo pra trás para apenas morrer, ela sinta portanto mais medo ainda, por saber que sou inconsequente.

Há um ano e meio conheci a depressão. Conheci também o que é disfarçar um sorriso. E creio que vivi talvez um dos piores tipos dessa doença, que talvez pelo meu estranho ideário de querer resolver tudo sozinho e não deixar ninguém preocupado, preferia passar madrugadas em prantos do que mostrar isso aos outros. Ontem, fui na formatura da minha melhor amiga. E não foi a toa que eu a coloquei no local de honra entre as minhas três Moiras.

Lá está ela, no lugar da Clotho, a fiandeira. É ela que cria o fio que origina a vida. Sempre que estive mal, lá estava a bendita Naiara. Ela, e apenas ela já me salvou de muitas enrascadas emocionais que eu acabo entrando. Ela é algo como meu porto seguro pro qual eu corro quando todo o mundo parece desabar, pois ela por mais que eu esteja ruim é com ela que eu posso brincar, fazer zueira, ou apenas pensar que a vida pode recomeçar, não importa nunca da onde.

E digo ainda mais, por ela ter me chamado pra formatura dela, foi a primeira vez que um amigo me chamou. Sempre fui na de parentes, e até acho que só devem ir os parentes mesmo. Mas ela me chamou. ^^ Fiquei na frente da casa dela esperando ela chegar sentado na rua por mais de uma hora. Mesmo debaixo de chuva tinha que pegar o convite. Não sei, sempre que penso nela, vejo aquela menina sorridente, que é viciada em Passatempo, ao mesmo tempo vejo uma mulher formada, responsável, enfim. É a Naiara, e apenas ela que me faz ficar forte e é a chama que faz que as cinzas voltem a virar o pássaro.

E não posso de deixar de agradecer ao namorado dela pela carona e tudo mais. Não sei, acho que ele não gosta de mim e não vai com a minha cara nem ferrando, sempre dá um olhar estranho pra mim quando tá junto dela... (bah, não existe NENHUM namorado de amiga que vá com minha cara. Nenhum mesmo... Parece que o pessoal pensa que eu sou comer a menina e palitar os dentes com os ossos delas... u_u~~)

É... Talvez eu não esteja (tão) ruim... =)
Em breve as duas Moiras que faltam.

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