quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Crepúsculo

Crepúsculos sempre me fascinaram, independente da onde eu esteja. É estranho, e ao mesmo tempo assustador olhar pro céu claro sem sol, mesmo que tal coisa dure míseros minutos, e rapidamente a noite domina o local.

Na noite do Réveillon, depois de eu ganhar meu cd do Queen da minha mãe que me tirou mais uma vez no amigo secreto, fiquei olhando pro céu e observando os fogos de artifício. Vi naquele momento as pessoas saindo nas ruas, todas se cumprimentando, mesmo quem sequer se conhecia. Disfarcei meu sorriso e deixei a rua de uma forma polida. Vestia branco, mas também tinha vermelho. Não apenas no aspecto da minha futura desencalhação, cá entre nós, estou há um bom tempo encalhado, mas nem ligo (tanto), acho que é coisa da idade avançada.

Hoje, porém, estou de ressaca. Não! Apenas tomei meia taça de espumante, que diga-se de passagem, me fez muito mal (passei o dia inteiro com cólicas... Pois é, nem meu corpo suporta álcool. Também não é um sabor que eu aprecie também. Acho o ato de beber uma coisa tão anos setenta, hehe...) e passei o dia inteiro na cama. A noite chegou, e mesmo assim eu continuei na escuridão.

Gosto da escuridão, mas não gosto do escuro. Tem que ter uma mínima luz pra que eu me sinta bem, mesmo que seja praticamente igual a nada, mas o medo de escuro é um trauma que ainda não superei. Fato é que hoje fiquei na cama o dia inteiro, e como ainda estou com esse castigo maldito, me virei pro lado e fiquei ouvindo música apenas.

Não gosto de dizer que sou de extremos, pq não sou. Eu sou de mudanças graduais e profundas, e talvez isso de hoje seja apenas um reflexo de anos e anos. Minha avó me perguntou se eu não tenho pena do que eu faço com meu pai. Eu lhe disse "Não. Ele nunca esteve presente com carinho, compreensão, amizade. Ele nunca foi um pai, foi um sustentador, sempre se preocupou apenas em trazer dinheiro pra casa. Quando eu o encontrava, ele sabia apenas me humilhar, me criticar, castigar e me ameaçar de ou me jogar no exército ou me expulsar de casa (isso, desde que me recordo, desde os quatro anos de idade)". Estranhamente ele está bem mais compreensível comigo, mas não sei.

Sei que é apenas passar uma semana que ele vai voltar a beber, fumar e se estressar. Irá tacar na cara que eu não passo de um fracasso na vida, um inútil que sequer consegue arranjar nem um emprego sequer uma namorada (nota: meus primos todos mais jovens que eu estão extremamente bem-resolvidos nessa área).

Falei pra minha mãe que estou me aproximando do meu limite, e de agora em diante eu não quero mais saber. Disse que ela deveria me internar em algum lugar, pois já estou louco. Ela me disse que vai me arranjar um psicólogo, mas o que eu quero mesmo é que me droguem e me coloquem numa cama amarrado. Não quero encontrar ninguém. Não tenho o anseio de tentar algo. São dezenove longos anos, e já estou cheio de viver nessa falsa família que já perdeu seu líder e seu revolucionário há muito. Eles admitem que erraram na minha criação. Mas é erro meu não querer continuar?

Acho que são palavras de alguém sem apego à vida.
Desligo o celular. Não estou em casa.

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