terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Força para transformar qualquer ato em justiça.

Estive nesses dias lendo (novamente) Saint Seiya - Episode G, os volumes que tenho em casa. Não é um dos meus favoritos, mas gosto dele. Gosto de ver a maneira dele pensar também.

Na faculdade, um professor, um português meio desmiolado (lerdo também) que além de nos chamar de ignorante, falou que seres humanos trabalham com "acordos", algo como "se eu digo que tal coisa é certo, é correto, vamos todos nos abraçar e concordar com isso". Como por exemplo eu dizer que o cabelo do Mask aqui do lado é azul, mas alguém pensar em roxo, porém eu crio um acordo de pensarmos que se trata de um azul.

A filosofia do nosso amigo aqui do lado, é bem interessante. Basicamente, é o título deste post. Se você tiver uma força absoluta, você pode transformar qualquer ato em justiça. Afinal, você detém tal poder, logo o que você fizer será o certo. Claro que ele é um extremo, é a filosofia de um assassino aplicada a justiça ateniense, pois ele não tem o nome "Máscara da Morte" a toa (pra quem não teve infância, ele matava pessoas e gravava rostos com expressões de sofrimento de cada uma de suas vítimas na sua própria casa, inclusive crianças e mulheres).

E fiquei pensando que esse conceito de justiça não se aplica somente no nosso vilão, o Mask. A própria justiça que temos nos tempos de hoje compreende nada menos o fato de nós termos de aceitar, e caso a resposta seja contrária, você irá pagar por isso, pois há um consenso social do que essa justiça seria. É a lei dos acordos.

Por exemplo, se eu matar a primeira pessoa que eu encontrar na rua, pela justiça dizer que isso é errado, eu terei que pagar com a reclusão social, para que nenhuma outra pessoa passe pelo que a família do defunto passou, e para que eu pague com a liberdade, que a justiça me dá, que acaba entrando em contradição, pois esta não existe.

Digo, é meio dificil de entender a idéia. A justiça me dá a liberdade para eu fazer o que eu quiser, mas não posso fazer, desde que isso não acarrete a liberdade de outrém. Isso se tornará mais difícil ainda pois esse conceito está exprimido, nem que seja por instinto, dentro de nós. Pois é um emprego de uma filosofia que caso seguirmos, seremos direitos e justos. Apenas peço que tentem pensar com exatamente o contrário, um pensamento não-humano para entender o pensamento humano.

Isso irei retomar a discussão mais pra frente. Quero deixar vocês pensando nisso.

Acho que isso é muito da visão política, um tanto extremista, que eu tenho. Não acredito em democracia, pois acho que na política não deve existir um meio-termo. Acredito sim em ditadura, e ao mesmo tempo na anarquia. Agora com a morte quase oficial de Fidel Castro, o mundo enche-se novamente com os pensamentos anti-comunistas como nos tempos da Perestroika e Glasnost. Mas ninguém vê não apenas no aspecto social, de melhores serviços prestados ao povo por exemplo que o regime trouxe, ou ainda melhor, chega a ser utópico nos tempos de hoje ver um povo que apoia tanto um político. Com a democracia, governar virou uma atitude deveras econômica. Pois de o Partido X fizer um bom governo, poderá garantir uma boa fama ao seu partido, mais dinheiro, mais credibilidade do que o Partido Y ou quem sabe o partido que iniciou bem depois, o Partido D jamais chegará ao cargo.

Pessoas não governam mais para o povo. Vejo em Cuba um povo que ama Fidel. Todos jogam pedras em Stalin, mas além das grandes mudanças econômicas que ele fez, ele virou um ícone para o povo soviético. Tanto que, quando ele morreu, o país teve um grande número de pessoas que se suicidaram pois não imaginavam um mundo sem o secretário da PC da União Soviética.

Ao mesmo tempo acredito muito na anarquia, aqui graças a minha irmã, mas acredito que o ser humano não pode ser humano se quiser ser anarquico. Digo isso porque sou artista e admito, as artes em si são o meio mais anti-anarquista que eu conheço. Acredito nisso pois as artes, principalmente o caráter moderno e pós-moderno existem para tirar o homem de sua letargia. Acredito num anarquismo meramente mecânico, onde as pessoas não iriam opinar, não iriam se meter na vida dos outros, não iriam perder tempo com besteiras e sim se dedicar ao crescimento da sociedade em si onde todos fariam a sua parte.

Mas como muitos estudiosos já afirmaram, o homem só poderá ser isso quando deixar de ser humano. Quando deixar de depender do próximo e ser seres precisos e diretos. Vejo que por um lado estamos quase lá e por outro estamos bem longe disso. Se chegaremos lá um dia? Francamente, não sei. Mas isso não quer dizer um "não" ou um "sim", apenas um não sei.

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