domingo, 2 de março de 2008

Anti Carpe Diem

Amanhã irei ao psiquiatra. Direi que a medicação anterior está me deixando pior do que estou. Mas não sei se terei coragem de pedir por mais um. Gostaria de começar uma conversa aqui sobre vícios, e desmestificar algumas coisas (ou ao menos começar a), pois talvez por eu morar onde eu moro, alguma vantagem devo ter sobre isso.

O que seria o vício? Podemos definir como a sensação que temos ao usar algo que nos faça sentir bem, queremos sempre repetir essa sensação, tornando-nos dependente disso. Existem graus, e graus disso. Vou começar pelo meu já liberta mania de roer unhas. Quando mais jovem, quando acabava as das mãos, eu ia roer os dos pés. Mas era a sensação e o conforto, era como uma válvula para de alguma forma escapulir do estresse do dia. Era bom, sentir o gosto da unha quebrada na sua boca (por mais nojento que isso aparente, estou com vontade de roer agora!), aquele pó de sujeira salgado, e quando nervoso eu estava, rapidamente isso passava.

Quando comecei a sair com a Angela, no mesmo dia resolvi por meio de providência divina (talvez seja porque ela foi a única que ficou mais de uma semana comigo... Mas depois de duas simplesmente sumiu, enfim...) parar de roer. E parei mesmo, tive apenas uma recaída no polegar e no mindinho mês passado. Se sinto ainda vontade de roer unha nos dias de hoje? Sinto. Tem dia que mesmo sem querer eu levo as unhas aos dentes e quase mordo, rapidamente os separo e lembro "Não, eu não rôo mais unhas, porque estou com vontade ainda?".

Eu odeio essa filosofia do "seja feliz não importa como". Acho que desafios e coisas ruins devem existir sim. Lembro-me uma vez quando ouvi Ana Maria Braga no programa dela, depois de ouvir algumas previsões sobre I-Ching dizendo que ela ainda teria muitas montanhas que ainda teria de escalar na vida, e ela disse "Mais ainda?". Digo, alguém que já superou o câncer e tantas coisas ainda pensa dessa maneira? Pode ser que ela tenha escalado o Everest, mas ali do lado ainda teria um K2 da vida, mas pra quem foi no mais alto da Terra, o K2 é fichinha.

Ela caiu muito no meu conceito depois disso. Digo, é um desafio diário pra mim ficar sem roer unhas. É um desafio diário eu diminuir meu consumo de Coca-Cola. É um desafio diário eu fazer os trabalhos da faculdade, me dedicar ao Ragnarok, ser saudável, inteligente e tudo mais. É um desafio diário por exemplo eu desencalhar (tá foda! xD Eta mulherada cachorra do século XXI...).

Porque eu me ater apenas a querer sentir coisas boas? Sentir coisas ruins nos faz dar valor aos momentos e as coisas boas. Sabe, é bem verdade que o ser humano tem o dom pra achar alguma coisa de errado: Nunca nada está bom. E de fato, sempre me fodo! 8D

Mas depende do seu ponto de vista. Já não gostava de Paulo Coelho, mas uma vez li um texto dele dizendo "Pessoas dão mais valor ao que conseguem com suor e lutando, se bem que depois davam conta que existia um caminho mais fácil que dava no mesmo". O ser humano gosta é do desafio, da superação. Vejo esse semestre da faculdade, com todas as matérias diferentes, difíceis até com outros olhos do que o pessoal vê. Vejo todos reclamando, dizendo que está horrível, que irão todos se dar mal. Mas eu olho pra trás e vejo quanta coisa, pelo menos o meu grupo, nos demos mal ano passado e digo.

Que isso comparado com aquilo, será fichinha.

E assim continuo a seguir. E mesmo que seja mais difícil, talvez eu superer sem perceber, e lá na frente quando me deparar com algo difícil, direi de novo.

Que comparado com aquilo outro, será bico!
Força meus jovens. =)

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