quinta-feira, 10 de abril de 2008

Signos da infeliz sociedade

Não vou dar uma de Luciano Huck aqui. Consigo definir apenas como hipócrita uma atitude de ficar todo sentido por ter o relógio Rolex roubado e usar a mídia para expressar sua indignação. Se eu fui roubado, ora ora, é porque eu ostentei. Sim! Ver a questão por outro lado diminui um pouco os flashes e pesadelos sobre o assunto.

Até porque pra alguém como eu, que odeia celulares e falar no telefone, foi deveras vantajoso eu ter sido roubado. Claro que teremos que continuar pagando ele, mesmo sem usá-lo, mas usar um Motorola RAZR², popular V8 é ostentar até demais. Digo isso pois há muito um celular deixou de ser um ícone de comunicação e virou um de status social. O próprio imbecil que me roubou tinha um tão bom quanto o meu (desculpe, mas sou um fã do Design dos Sony Ericson), talvez um celular daquele, caso ele não use para outros fins, trará alguns status, embora na hora que eu o escolhi, foi mesmo pela memória de 2 GB pra guardar minhas parafernalhas. Coincidentemente a memória extendida dele tava dando muito problema dias antes de eu ser roubado, enfim. Mas isso é outra estória.

Ele tinha MP3 Player, mas não usava. E coloquei até MP3 da Ayumi Hamasaki lá, mas ouvia pelo meu MP3 player. Carregava ele, mas não ligava pra ninguém, e ninguém me ligava também. A câmera foi útil porque com ela consegui tirar novas fotos pra mudar o profile do Orkut. Talvez o maconheiro de merda que me roubou faça um melhor uso dele de facto. Mas com certeza é a ostentação do signo de ter um celular como aquele modelo que o atraiu. Ainda tem muita gente que pensa que pessoas periféricas roubam para comprar drogas. Para esses eu apenas digo uma coisa que aprendi com a vivência no meu meio, que pobre não é usuário. Pobre trafica, porque há muito tempo, são os de maior renda que procuram esse tipo de infeliz negócio.

Acredito que apenas estou cansado de ouvir todos na minha volta dizer que meu celular terminará nas mãos do bandito financiando algum baseado pra ele. Fico falando pra todos que dificilmente será isso. É mesmo o fato de exibir pra todo mundo um aparelho de última geração, e como ele tem "proteção" para tal, pode exibi-lo por aí sem correr o risco de perdê-lo. Ou não!

Prometo parar de falar por aqui (ordens da psicóloga, hehe).

Ainda mantendo a vertente nos crimes, mas que polêmica essa menina de cinco anos tá causando, huh? Eu não vou fazer nenhum comentário sobre o caso. É necessário a imprensa não saber de nada, ou saber quando as informações forem distribuídas com aval da própria polícia, isso é um fato e não pensem que a fita do supermercado ser veiculada em várias mídias possa ser algo relevante, pois informações relevantes nunca são postas em público.

Quero apenas fazer um comentário que nunca ninguém fez. Primeiramente quero falar como procede-se investigações, e como eu procedo quando quero descobrir algo sobre alguém (pelo menos, sempre funcionou, heh). Não se trabalha com o "eu acho que foi ele". Numa investigação você deve apontar pro cara e dizer que foi ele, muitos chamam isso de capacidade de insight, e quando isso é dado como certo, você deve provar sua afirmação. Não pode ficar no "eu acho", e sim no "foi ele com certeza". Se a investigação porém dizer o contrário, nada mais óbvio do que pedir desculpas e ir por outra vertente.

Quando o nosso conhecido Alexandre Nardoni foi acusado do crime, não sei se pela situação financeira dele que entra em contradição da infeliz população brasileira que sequer tem um endereço fixo, renda fixa e sequer faculdade, desde o início a impressa não afirmou que foi ele, embora tenha afirmado de facto. Todos os noticiários falaram que ele era suspeito, e que as investigações iriam dizer o rumo da condenação. Mas em outros casos, quando uma pessoa de menor poder aquisitivo é acusada, dificilmente dão essa afirmação de "ele não é culpado, não foi provado ainda".

Claro que há uma indignação pela sociedade, de ver um pai matando a própria filhinha, que além de tudo parecia uma menina feliz. Mas não acham que do mesmo jeito que a imprensa não o condena expressamente, dizendo que as investigações irão provar sua culpa ou não, será que se um pé-rapado estivesse no meio disso teria tal crédito? É mais um exemplo dessa diferença de renda de merda desse país, onde ricos "tem a chance de não ser", embora o pobre acabe sempre sendo acusado do crime. Peguem os noticiários antigos, eles sempre falam nesse tema.

E pra ser sincero, essa investigação nem me atraiu. Apenas quero dar uma "dica" aos detetives: o cara é inteligente. Eu tenho uma excelente dedução quanto a isso apenas de ver o rosto das pessoas, tem gente que se finge de inteligente, que se finge de burro, e outros que são inteligentes ou burros, portanto não fiquem apenas objetivando. Subjetivem a coisa toda também. ;D

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