sexta-feira, 30 de maio de 2008

Fim de mês... Nossa.

Começando com uma imagem do Mello, o meu personagem favorito do Death Note!
Na verdade é algo como "vi que ele é igualzinho a mim (personalidade, dã...) e por termos tanto em parecido eu acabe adorando ele", hehe... Impulssivo, emotivo, instável sentimentalmente e que faz várias caretas (leia-se expressivo).

Hoje vou falar de Design, com D maiúsculo mesmo.

Dias atrás li um artigo de um famoso estilista brasileiro falando sobre o preconceito que a moda tem no Brasil, onde muitas pessoas julgam que a moda é algo inútil e num país que ainda luta contra uma grave desigualdade social e ainda tem pessoas passando fome, isso é inadmissível pra um país ainda com essas infelizes características. Ele citou em contrapartida que eventos como a famosa SP Fashion Week traz pessoas de todos os cantos de mundo, e a moda emprega muita mão-de-obra, em grande parte feminina, que cada vez mais a realidade pras mulheres é difícil de se arranjar emprego.

Eu irei além disso.

Vocês vivem num país atrasado. Um país dos mais corruptos do mundo. Vivem num país que pessoas morrem de fome. Quem sabe um país onde a violência e a falta de cultura imperam, onde o povo não sabe estudar, apenas trabalhar. A imagem do Brasil lá fora sempre foi do grande celeiro mundial, onde enviamos alimentos e trocamos bananas por celulares, que embora eles queiram fazer isso parecer vantajoso pra nós, somos exatamente nós que continuaremos apenas a trocar bananas por celulares, e jamais saíremos disso. Pois podemos enviar bananas, eles no começo nos darão celulares, depois iPhones, computadores e DVDs.

A maior prova de que investir em conhecimento é muito mais favorável do que se investir em emprego é a prova do Etanol. No começo foi uma decisão mais política do que de fato voltada à produção do conhecimento - a crise da OPEP, onde o preço do barril do petróleo disparou. Quem viveu, viu - fez o país das bananas investir não apenas na banana, mas na cana. Não por serem cachaceiros, mas por tentar escapar da crise. Evoluíram, descobriram como poderiam produzir mais, colocaram e investiram na tecnologia, que por sua vez teve que receber conhecimento por detrás disso.

Hoje Brasil é um dos países em que um mundo onde as pessoas morrem de medo do gelo do sul derreter mais desejam amizade.

Senhor presidente, não queira investir apenas em emprego. Acredite, pessoas não precisam de emprego. Pessoas precisam de estudo. Tenho muitos amigos, hoje com seus vinte, trinta anos, que cresceram comigo e suas formações acadêmicas limitam-se ao clássico "Ensino médio completo". Têm filhos, alguns desempregados, mas mesmo assim quando ganham seu dinheirinho querem investir em comprar a bendita casa própria - outra mania de brasileiro e do Silvio Santos.

Nós podemos nos destacar em produtores de conhecimento além da cana. Como um país onde só tem gelo e alguns poucos milhões de habitantes hoje têm a maior produtora de celulares do mundo e os de melhor qualidade? Pois não ouve investimento em emprego. Houve investimento em conhecimento. Eu acredito que uma área que este país pode desbancar o mundo é Design.

Primeiramente pois o país não têm uma tradição antiga na área. Não são como os italianos que fazem design desde os tempos do guaraná com rolha. Temos mais liberdade para a criação nesse sentido. Outro ponto é: o brasileiro é um dos que mais ficam tempo conectados na web no mundo. Claro, 90% do tempo é no Orkut ou MSN Messenger, mas fica. Vejo muitas pessoas, que cresceram nessa era digital e hoje usufruem dela querendo entrar e continuar trabalhando na área. E se for questão de segurança, nem hesitem, o Brasil é um dos países onde há o maior contigente de hackers. E dos bons!

A internet (odeio esse nome, mas tudo bem) tornou-se um meio popular, tão popular como a Televisão. Hoje os jovens usam tanto o computador como os pais deles viam TV quando tinham a mesma idade. Senhor presidente, sei que o fome zero em nada deu. Sei que um mundo de gente deseja que o senhor continue criando empregos, e sei que o PAC da Dra. Dilma está aí pra provar isso. Mas vamos investir no que se precisa investir enquanto é tempo. Acredite, seu país tem potencial.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Deep blue, giant rose.


"Deixe-me. Não quero mais nada com você. Esqueça-me".

As palavras dela ecoaram na minha mente que se negava a entender aquilo. Cheguei a ouvir, mas não queria ter escutado. Ela simplesmente virou-se e saiu pela porta, e eu permaneci lá, sem entender nada. Não sei como, mas não derrubei uma única lágrima, e não foi pelo choque. Foi porque aquelas palavras dela vieram numa situação que eu imaginava que nunca ocorreria. Desde o primeiro momento sabia que existia alguma coisa por detrás daquilo.

Estávamos juntos já havia três anos, eu com meus vinte e dois anos e ela com vinte e um. O tempo de convivência, como disse, melhorou a nossa convivência, e devo dizer que foi graças a ela que consegui amadurecer e conseguir controlar melhor a mim mesmo. Mesmo levando uma vida de casados, não deixávamos o nosso trabalho de lado, e muito provavelmente depois de tudo acabar, teria que voltar às nossas vidas normais, separados.

Por mim, não gostaria de me separar dela. Mas não sabia o que ela sentia por mim. Se formos apenas parceiros de trabalho, se de fato havia algo entre nós ou ainda se ela sentia absolutamente nada por mim, como ela sempre demonstrou com sua frieza.

Resolvi ir então atrás dela. Talvez pela sua habilidade em nossa profissão, ela conseguiu se esconder muito bem. As provas para incriminarmos a pessoa que investigávamos estavam quase que certas, faltava pouco, e em poucas semanas aquilo tudo estaria acabado.

Formávamos uma dupla bastante curiosa: ela conseguia raciocinar friamente. Porém em investigações isso apenas não é o mais útil. Claro, que com sua ausência de sentimentos, conseguem interrogar melhor as pessoas e pensar em hipóteses na questão mais fria e exata. Porém, não é apenas com a estabilidade que algo pode dar certo, muito pelo contrário.

Juntos era o cérebro perfeito. Quando se é mais expressivo e emotivo, isso é muito melhor pra desconstruir o pensamento exato e conseguir outro viés de pensamento. Não somos bons para interrogar pessoas, mas somos bons para pressioná-las. E querendo ou não, independente de ser emotivo ou não, é uma cabeça pensante, logo consegue com tanta exatidão quanto procurar suspeitos.

Encontrei depois de uma semana onde ela estava. Esperei ainda alguns dias, até adentrar no local. Porém, ela não estava lá. Estava um rosto que eu jamais esquecerei. Um dos homens que na época havia sido um dos responsáveis pela morte do meu irmão, lá, na minha frente.

"Ora, ora. Então eu tenho mais um rival." Ouvi nesse momento alguns sons vindo de baixo, como se alguns sacos pesados de areia estivessem sendo arrastados. "Você é idêntico ao tolo do seu irmão, que mesmo sendo um gênio, não se compara a mim. Morreria por uma mulher, e iria atrás dela até o fim do mundo. Estou errado?"
Meus olhos se enfureceram. Com uma .45 na mão apontei pra ele e na mesma hora vi que alguns de seus comparsas apontaram armas tão potentes quanto em minha direção. ?Homens, acalmem-se. Se quiser, pode atirar em mim. Não sabia que você teria tamanha habilidade, e reconheço quando perco. E ainda por cima, deve ter algum rancor por mim por ter matado seu querido irmão.? Sentia que a qualquer momento puxaria o gatilho, e sei que se não fosse minha convivência com a garota mais fria, jamais me controlaria dessa forma. Ela tinha me mudado, e apenas a idéia de não ter que viver com ela já era algo difícil de conceber.

"Diga-me onde ela está", perguntei e abaixei a arma. Ele sorriu e pegou um envelope em cima da mesa. "Siga o caminho subterrâneo. Talvez ainda dê tempo. Você perdeu", mostrou o envelope e tirou alguns papéis. Observei de longe, eram as provas que necessitávamos, ele as havia conseguido antes de nós. "Enfim recuperarei o que me é de direito. Você poderia muito bem viver da herança de seu irmão, mas não quis. Jamais conseguirá limpar a reputação do defunto do seu irmão. Jamais."

Empurraram-me pro subterrâneo, e vi um imenso túnel. Comecei a correr. Naquele momento nenhum papel, por mais importante que fosse, seria comparado a ela. Corri desesperadamente, e vi que o túnel terminava em uma famosa ponte. Quando saí do túnel ouvi três disparos. E um corpo, lá em cima na ponte, aparentemente caindo ainda em cima da mesma.

Ao subir, vi a imagem que jamais sairá da minha mente. Lá estava ela, olhando para mim, sorrindo como jamais havia visto. Meus olhos encheram-se de lágrimas, minha visão ficou embaçada, mas mesmo assim me aproximei e me abaixei perto dela. Tentava limpar os olhos para ao menos naquele momento vê-la de uma forma nítida, mas já era tarde. Mas eu negava a entender isso.

"Meu amor. Eu... Nunca te vi chorar assim antes. Você sempre cobria seus olhos, mas agora eu vejo..." ela parou um momento pra respirar, sem ao menos parar de sorrir, "...As lágrimas que caem são cristalinas como os flocos de neve de nossa terra natal. Espero que a Rainha nos perdoe!".

Abracei e a apertei. No desespero eu chorei, chorei como uma criança. Chorei como nunca mais havia feito na minha vida. Não tive vergonha, não escondi. Senti uma garoa fina nos banhando lentamente. Não havia ninguém mais lá. Apenas nós dois.

"Querida, eu vou te levar, você vai sobreviver, vai ficar tudo bem!", gritei. Porém, a noção de que já era tarde demais já estava mais que estampada. Ela me empurrou docemente, e acariciou a minha face. "Você não era apenas emotivo. Agora eu entendo, eu sempre escolhia pela opção mais correta, a mais segura, a mais lógica. Por sua vez, lá estava sempre você apostando no duvidoso."

As palavras seguintes dela memorizaram uma por uma, como se gravadas no fundo do meu coração: ?Você nisso sempre se deu bem, pois apostando no duvidoso, você o transformava. O que era impossível em possível. Querido, eu te amo. Arrependo-me por nunca ter te falado isso antes, mas você mesmo sendo meu oposto, me trouxe o equilíbrio.?, senti que suas energias estavam se esvaindo. Seria digno de filme, se não fosse real. Meu coração parecia parar, meus olhos cessaram as lágrimas, sequer piscava meus olhos. Foi então que ela disse a última coisa antes de morrer. "Querido... Eu te..."

Ela parou. Sua cabeça tombou no meu braço. Eu a balancei gritando seu nome. Nada.
De súbito, senti seus lábios tocando os meus. Um calor tão forte que parecia queimá-los. Foi rápido, duraram poucos segundos, porém foi uma eternidade. Fitou uma última vez em meus olhos e completou: "...amo!".
Seus olhos se fecharam.

A respiração cessou.

Porém, o sorriso... O sorriso ainda estava lá!

Dizem que as pessoas só encontram a felicidade na hora da morte. Fomos felizes antes dela, porém ela atingiu seu ápice foi exatamente àquela hora. Ela morreu, eu também. Mais uma vez. Perdi o meu mentor, quem me fez um homem, meu irmão. Perdi minha donzela, minha dama, o meu amor. Não foi apenas ela que encontrou a felicidade naquele momento. Fui eu também. Porém o fato de tentar viver e continuar essa dura jornada já é uma condição perpétua tão ruim quanto à morte.

Pois eu sei que de forma alguma ela estará novamente do meu lado.
Nunca mais...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

etiqueta? Pois é!

Começando com uma foto do Uruha, do the Gazette. Aliás, lançaram single novo. Gostei muito, embora seja meio lentinha. Bom, hoje quero falar de um assunto que domina a esfera terrestre e humana. Não sei se é pelo fato de eu ser mais sentimentalista que eu prefira talvez coisas extremas - como já expus antes não acredito em democracia. Pra mim ou é anarquia ou ditadura, o meio termo não existe, e na minha opinião apenas é um freio para a humanidade.

Outro dia eu retomo esse assunto. Lembro de um bom tempo atrás ficar discutindo com a minha irmã sobre isso por um bom tempo, hehe...

Estou roendo unhas. Sim, quando comecei a sair com a Angela em setembro senti que minha vida talvez mudaria, logo comecei a cortar algumas coisas, pois se algo tão inesperado e improvável como eu me relacionar com alguém iria acontecer, então as outras coisas seriam fáceis. Uma delas foi parar de roer unhas. No período entre início de setembro até o começo deste mês eu somente tive uma recaída!
Mas em uma semana detonei todas.

Sinto também uma dor imensa apenas no meu lado esquerdo - começa na região dos olhos e permeia até a ponta do pé esquerdo. Acho que não dá mais pra disfarçar a idade! Acho que tenho que ver um médico logo.

Nesses dias enquanto eu pegava o famoso onibus em direção ao Terminal Jd Angela pra voltar pra casa vi uma senhorita sentada num banco daqueles pra idosos, gestantes e afins com um menininho que era a minha cara quando eu era pequeno. Sério mesmo, é meio bizarro, mas o menininho lá devia ter muito de um bom e velho sangue italiano com bretão!

Tirando o fato do garoto ser a minha cara (opa! o filho não é meu! hehe), fiquei pensando como aquela donzela cuidaria daquele garoto e como ele se viraria nesse país. Hoje fui na feira aqui perto de casa comprar pastel como sempre faço toda quinta-feira. Tomar um caldo de cana com uma japonesa que eu babo MUITO por ela (desculpe... Se tem algo que me derruba mesmo é um par de olhos puxados...), mas como hoje era feriado, haviam muitas pessoas lá. Enquanto pedia, e aguardava claro, vi o quão sujo estava o local. Pra dar um tom bem ironico pra coisa, o lixo estava praticamente vazio.

Engraçado que as mães, ou responsáveis, mandavam seus filhos "deixarem por lá mesmo" seus lixos do que colocarem no lixo, que estava apenas a alguns passos dali. Enfim, educação é dada pelos pais, mas isso não significa que pais educados formem garotos com tal refinamento tão básico como esse. Do outro lado uma senhora que fazia um escândalo baixo, que queria por cima de tudo comer logo e pagar. Porém com dezenas de pedidos por minuto seria difícil. Toda hora que ela ia, a pasteleira, que não era oriental nem nada, pedia apenas um minuto pra aguardar.

Porém ela continuava lá, resmungando pelos cantos pela falta de agilidade deles, embora esteja mais do que óbvio que com aquele volume de gente a coisa não seria fácil...

Muitos dizem muita coisa pela etiqueta, dizem que trata-se de algo retrógado, algo conservador. Sempre acreditei que esse conceito fosse algo tão a frente de nosso tempo que poucas pessoas percebem a importância disso. A etiqueta não é apenas um conjunto de protocolos pra nos fazer parte da "sociedade", mas acima de tudo é a etiqueta que nos difere dos irracionais.

Via tantas pessoas jogando lixos, papéis engordurados, latinhas de refrigerante, pedaços de pastel sem recheio pelos lados que facilmente os compararia a animais do mais baixo nível, que fazem suas necessidades pelos cantos sem se preocuparem. A senhora idosa reclamando pelos lados mostrava uma indelicadeza tamanha que sua atitude equivaleria a de uma hiena resmungando.

Etiqueta é um conjunto para facilitar nossa vida. Se jogar lixo no chão, haverá doenças. Se você ser indelicado, haverá uma resposta que você não vai querer ouvir. Hoje evoluiu pra um método tão complexo que serve pra modular uma sociedade, formatar alguns conceitos. Em alguns casos, concordo. Porém não em tudo.

Ainda mais o ser humano, pobre ser, que não sabe até hoje se considera-se animal ou gente.
Bom, pela maioria que conheço e convivo, são infelizes animais. Animais  comandado por suas sensações, anseios e dogmas.

Eu não vim pra explicar. Vim pra confundir. ;D

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Nostalgia!

Nostalgia pura!

Me peguei esse fim de semana jogando joguinhos que há muitas primaveras não havia jogado. Um deles, Super Metroid, na minha opinião um dos melhores jogos já produzidos. Além de, é claro, eu ser um dos maiores fãs da Samus, dos Metroids e da Nintendo. Ainda no campo da Nintendo, me vi jogando Pokémon Fire Red, a nova versão do GBA desse que é um clássico dos clássicos. Escolhi o Charmander e ele virou já Charmeleon! E me vi jogando isso até as 6h da matina... E só parei pq achei que era tarde, não porque estava cansado.

Enfim, eu estou meio sem assunto. A Angela apareceu (sim! Todos vocês perderam feio, ehaeuhaeu... Ok, ok... Não vou me prolongar mais nesse assunto, o pessoal já está de saco cheio) e... Bom, eu to entupido de trabalhos a fazer, e sem ânimo pra fazer nenhum (legal!).

Mas hoje eu quero falar de uma outra perspectiva sobre algo que agora está saindo da mente dos brasileiros: a defunta que foi lançada pela janela. Não quero falar de culpa, nem nada. Como disse da outra vez que falei disso, usei um tema que ninguém tá discutindo (se não leu, perdeu!!! Ok, zuera...) e hoje vou usar um outro tema que ninguém anda discutindo sobre isso também.

Primeiramente que violência familiar sempre existiu. Eu mesmo sou o maior exemplo disso, mas pelo menos hoje em dia meu pai mudou, ainda bem. Porém claro, infelizmente ficaram alguns traumas que a psicóloga está me ajudando a superar. Mas sem querer falar de mim, mas esse tema é mais corriqueiro do que muito babaca na rua fica falando aí, falando da defuntinha juvenil e tudo mais.

É mais do que óbvio que a morte da menina, a repercussão na mídia e o processo da perícia e as investigação são mais um aspecto meramente político da coisa do que a tal "revolta popular". Sim, é óbvio, mas tem muito neguinho dizendo que isso é a primeira e única vez que ocorre um crime assim, porém ele é mais usual do que todos imaginam. Muitas crianças morrem nas mãos dos pais, familiares ou são violentadas, seja no aspecto branco ou vermelho deste. O que ninguém vê é que vivemos num país do tempo das cavernas, onde há uma polícia incompetente, uma apologia ao crime e a vitória com o mínimo esforço. Mas isso é da cultura desse povinho ignóbio, e disso todos nós sabemos.

Muito mais do que mostrar eficiência usando até raios modernos parecendo sair do C.S.I. o que a polícia e a justiça brasileira quer mostrar com o caso da defunta é que ela é rápida, eficiente e que sabe fazer seu trabalho. Meus caros senhores, deixe a tal menina descansar em paz, os culpados na cadeia e partem pra outro caso! Digo, há tantos crimes por aí, solucionados ou não, temos tantos ladrões no planalto, tanto desvio de verbas, o tal PAC, enfim...

Todos querem mostrar uma polícia eficiente, que faz seu trabalho, que agiliza a prisão e um habeas corpus. Mas ninguém vê que é muito mais um mero artifício político pra mostrar eficiência num momento em que a sociedade pressiona querendo respostas. Façam-me o favor, e peguem o neguinho que pegou meu Motorola V8 e deixem esse caso de lado e mostrem serviço também pra pegar os ladrões de Brasília, criminosos em geral e outras coisas. Afinal, se formos viver de cada Isabella da vida pro brasileiro ter noção de justiça, bom... Muitas crianças serão sacrificadas.

Para essa justiça lerda da terra das bananas (a.k.a. Brasil) eu faço essa cara de desdém da foto no início do post. =\

quinta-feira, 15 de maio de 2008

E tudo começou ali, e terminou.

O túmulo na minha frente não havia nada, a não ser o nome da família, "Saint-Claire". Havia uma rosa branca lá, como de costume. Do meu lado, uma outra tumba, onde era difícil ver o nome de quem se tratava. Uma donzela da mesma idade que eu na época deixou lá uma rosa vermelha, e se ajoelhou do meu lado pra começar a rezar pela pessoa que ali estava. Disfarcei e voltei a prestar atenção no túmulo de meu irmão mais velho, já morto, na minha frente. Meus olhos lacrimejaram, mas eu teimava em segurar para nenhuma lágrima cair. Sem notar, a mulher do meu lado se levantou e me dirigiu algumas palavras.

"Então aí que está seu irmão, aquele que foi julgado como um grande traidor.", disse ela, com uma frieza ímpar. Virei na hora e quase bati nela, mas parei, pois nem com o meu movimento brusco a havia assustado. "Não fale do meu irmão na minha frente!", gritei. Não sabia, mas a partir daquele momento as engrenagens das nossas vidas começariam a girar unidas, até adquirir uma velocidade insana, e então de súbito, parar abruptamente. Ela caminhou alguns passos até se aproximar de mim, e me encarou com aqueles olhos escuros e densos. "Você é realmente muito sentimentalista. Não faz muito o meu estilo, mas devo admitir que seja único e curioso.", disse ela num tom que eu entendi estar repleto de sarcasmo, embora ela não demonstrasse nenhuma emoção. "Você só pode estar brincando comigo, agora vai dizer que eu sou um babaca expressivo é?", disse eu com bastante fúria ainda.

Ela virou-se pra mim e me encarou. Eu fiquei calado, acho que de alguma forma ela me passava algum tipo de medo. Minhas mãos começaram a tremer, e eu pensei que ali algo iria acontecer comigo, afinal estava sozinho no cemitério e ela aparecera como que brotasse do ar. "Não. Estou apenas dizendo que é o seu estilo, é algo da sua personalidade, embora eu preze muito mais o racional, o seu estilo emocional é bastante interessante."
Até hoje eu não entendi o que ela quis dizer.

Eu tinha então meus dezenove anos, e havia ingressado no mesmo ramo de serviço que meu irmão fazia, assim como eu. Pra minha surpresa, ela era um ano mais nova que eu e era irmã caçula da família de três filhos da esposa do meu irmão. Eu nem gosto de lembrar o que aconteceu em 1997, mas as cenas nunca sairão da minha mente. Lembro-me do nosso antigo chefe enviando-nos para "um serviço diferente e desafiador", que se viesse à tona, abalaria muitos lugares. Até aí, tudo bem. Se não fosse o fato de eu ter que trabalhar com ela.
"Não! Não é possível!! Eu me recuso! Ela é totalmente diferente de mim, e porque diabos eu tenho que dividir glória com uma mulher tão fria e calculista como ela?!", disse eu aos berros. Observava nosso chefe com nós dois na sua frente, em sua sala de reunião, apenas fitando-a, como se perguntasse a ela o que achava disso, e ela disse calmamente "Não vejo motivos para me opor. Acho que podemos trabalhar bem juntos". Mesmo eu não querendo, fui obrigado a cooperar, afinal não era uma pergunta se eu queria ou não, e sim uma ordem para trabalharmos juntos.

Disfarçaríamos como um casal italiano visitando alguns parentes. Sem filhos, e casados há três anos. Encarnaríamos duas pessoas de vinte e cinco, embora na época sequer houvéssemos atingido os vinte. Enquanto estávamos no navio, cruzando o oceano em pleno pôr-do-sol, virei pra ela na parte de frente do navio e pude ver os olhos dela de um vermelho tão puro e lindo que eu ainda procuro essa cor por todos os cantos, embora nunca tenha encontrado. "Acredito que será difícil nossa convivência dado ao meu jeito de ser. Porém, podemos tentar. Dizem que pessoas diferentes se complementam, e mesmo com esses meses de convivência pude perceber isso. Mesmo que tenhamos que ficar muito tempo nesse 'disfarce' acho que será interessante. Até que a morte nos separe.". Até que a morte nos separe. Depois de ter dito isso eu virei de costas pra ela e comecei a chorar. Na verdade até hoje eu escondo todo meu choro.

O primeiro passo foi dado. Sequer eu havia percebido, mas a frieza dela me cativava cada vez mais. Sempre dormimos juntos, embora nunca tenha acontecido nada além disso. Passávamos a noite encostados numa parede sentados, um do lado do outro, contando estórias de nossas vidas. Via que ela sempre ouvia muito bem, mas sequer falava dela. No fundo, acredito que o nosso amor era puro como de duas crianças, recheado de intimidade e uma inocência ímpar. Éramos exatamente um o oposto do outro, eu era o sentimentalista bobo, e ela a frieza encarnada.

Nunca a vi chorar. Raras vezes a vi sorrindo. Percebia que cada vez que a nossa convivência aumentava mais ela tentava demonstrar seus sentimentos, e eu cada vez conseguia um pouco dessa frieza dela. Nada de muito exagerado, a frieza dela me ajudou a controlar melhor meus sentimentos. Sei que o meu sentimentalismo a ajudou a ser mais sociável e confiar mais nas pessoas.

Sequer imaginava como aquilo terminaria. E menos ainda imaginei que teria outro túmulo para eu visitar todo ano, a não ser o do meu irmão.
Continua...

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