sábado, 7 de junho de 2008

Incentivar a cidadania e seus direitos, mesmo que sejam crianças.


Estava hoje, esperando meus amigos entrar no MSN pra combinarmos um trabalho, só que eu fiquei na moita (leia-se Aparecer Offline), minimizei o Messenger, abri a Radio Banzai pra ouvir um pouco de J-Music quando uma propaganda do nada apareceu e eu fiquei branco, pensando que algo tinha acontecido. Era uma daquelas janelinhas do banner que fica no canto inferior esquerdo da janela do software de mensagens instantâneas.
Uma propaganda inglesa (eu não registrei meu e-mail como sendo brasileiro. Aliás, praticamente tudo eu registro como sendo britânico, não brasileiro) e apareceu uma propaganda onde mostra uma criança, com os desenhos no mesmo estilo que estes do lado, passando por situações ruins na família, principalmente relacionadas ao pai, onde na propaganda a criança fala que o pai, que nunca chega em casa, quando chega bate nela. A criança vai falar com a mãe, só que ela não faz nada, e diz apenas que seu pai está nervoso.

A propaganda termina com a criança falando que ela tem um serviço onde ela pode ligar e pedir assistência, pois há um serviço agora chamado ChildLine, na Inglaterra.

Não vou falar em estatísticas. Estatísticas não é uma coisa que acredito estar certa. Ficar vendo algo da perspectiva global da coisa não dá uma idéia de onde o problema de fato está: na relação de pessoa para pessoa, não de pessoa para o mundo. Ok, ok. Não é pra neguinho nenhum ficar com pena de mim. Acho que grande parte dos meus distúrbios e problemas de ordem psiquica vem exatamente dessa minha infância tumultuada que tive com meu pai me criando da forma rígida e raivosa que me criou.

Pra ser sincero, eu cresci com isso. Porém não tem nada pior do que você falar com os amiguinhos na escola e todos dizer que seus papais brincavam com elas tanto quanto suas mamães. Que participavam, que fazia isso ou aquilo. Não estou cuspindo no prato que comi, meu pai nunca me deixou faltar nada material. Tinha N64 que meus amigos não tinham. Não tinha permissão de sair de casa, logo fiquei em casa jogando videogame, comendo guloseimas e o que resultou em obesidade infantil.

Mas desde pequeno entendia que mesmo que viesse muitas coisas boas, jogos, coisas materiais, a cobrança vinha sempre maior. Não podia tirar uma nota abaixo de 8 na escola, senão era chibatada. Nenhum dos meus amiguinhos tinham isso, mesmo que tirassem notas ruins. Pra ser sincero, só fui despertando aos poucos que muitos tinham esse problema talvez. Porém, apenas uma vez uma história de fato me tocou.

Não vou citar nomes.

Já trabalhei no CNA dando aulas de inglês. Dava aula pra crianças. Admito: simplesmente adoro crianças. Sei que muitos odeiam, não tem paciência, mas sempre me identifiquei muito com elas. Ontem, quando estava indo pra faculdade, e caindo de sono por varar a noite fazendo trabalho, tinha uma mulher no microônibus que pego (MICRO? pra mim é MACRO! KASSAB FILHO DA PUTA INCOMPETENTE FAZ VANS MAIORES PRA QUEM TEM MAIS ALTURA QUE A TUA MÃE, FILHO DUMA PUTA DESGRANHADA!), err... Voltando, a mulher tinha um bilhete daqueles especiais, e acredito que tinha deficiência mental pois ficou um bom tempo falando nada com nada. Mas teve uma hora que o motorista, com talvez problemas mentais piores, freiou bruscamente e eu meio que voei pra frente, aí a mulher, já meio velha, olhou pra mim e disse "Olhos de criança... Corpo de adulto!!".

Não entendi. Ou fingi não entender. xD

Mas como disse, sempre me dei bem com crianças. Não é por eu ser paciente. Não sei porque diabos sempre consegui conversar com elas normalmente, falando igual falo com adultos, elas me compreendem e eu as compreendo. No CNA, convivia com muitas crianças, era o único homem talvez dava aula pra elas, e devo admitir que é um emprego tão gratificante que passaria a vida inteira fazendo isso. Uma vez, uma delas, uma menininha de uns 9 anos apareceu machucada no rosto.

Pensei eu que fosse apenas um machucado de brincadeira. Mas não era.

A tia dela havia batido nela.

Resumindo tudo, a tia dela que cuidava dela. Não tinha pai. A mãe dela trabalhava o dia inteiro, e a tia dela que supostamente deveria cuidar dela, passava o dia inteiro com o namorado. Quando aparecia era pra checar se tudo estava arrumado em casa: chão varrido, pó tirado, roupa lavada e louça feita. Se não fizesse, era pau. Se ficasse machucado, era pra dizer que caiu. Somente isso já me deixou muito abalado, mas segurei ao máximo as lágrimas. Querendo ou não, eu era o professor dela. Nada mais tava fazendo que prestando um serviço, era o protocolo da empresa.

Mas nada. Absolutamente nada me tocou tanto do que quando ela disse: "E agora? O que eu faço?"

Engraçado né... Quando eu era pequeno eu sempre me perguntava: "E agora? O que eu faço?". Minha mãe dizia que meu pai ficava nervoso e era pra eu não piorar a situação, pois se eu não tirasse boas notas e não fizesse encrenca as coisas iriam melhorar. Mentira. As coisas nunca melhorariam.  Notas? Agradeço pelo meu conhecimento que tenho hoje em dia graças aos estudos, sou uma pessoa de opinião própria, consigo escrever algo que preste aqui e não sou daqueles blogueiros ridículos que ficam falando de seus dias ou vidinhas fúteis. Porém faltou algo importante também.

E tá no coração, meus caros. =)
Acho que é por isso que sou um bocado frio..

Parabenizo à Inglaterra pela iniciativa. Espero que um dia isso chegue nesse país da Idade Média chamado Brasil. Coisas tão elementares e tão raras.
Mais informações acessem: http://www.childline.org.uk/

0 comentários:

Postar um comentário

Arquivos do blog