sábado, 30 de agosto de 2008

September, 1st

Era uma vez um rapaz que não havia conhecido o que era "amor". Relacionamentos com garotas não passavam de coisas de algumas noites, ou quem sabe semanas. Sonhava ainda em talvez encontrar alguém, em algum lugar, de alguma maneira.

Um belo dia adoeceu gravemente. A doença veio gradativa, devagar, acabou adquirindo isso de uma garota qualquer. Essa doença, não tinha cura. Não era contagiosa, porém isso poderia matá-lo. Essa enfermidade atacou seu coração, que antes era frio, e por um raro momento na sua vida viu que "viver" poderia ser algo bom, e que viver ao lado de alguém, mesmo pelo pouco tempo de vida que tinha, seria o presente que ele precisava. Pois há muito já estava num caminho escuro o sombrio, embebecido por um torpor estranho onde via todos acordados, e ele em seus sonhos estranhos.

A garota lhe dava vontade de viver, vontade de lutar contra aquela doença. Quando ela não estava, porém, a doença se agravava. Não havia medicamentos que conseguisse estabilizar aquilo - o remédio era ela. Encontrava com ela poucas vezes, e nos sonhos ela sempre estava lá. Era ainda uma pessoa de carne e osso que era seu remédio, até o dia em que ela simplesmente sumiu. E nunca mais apareceu.

O rapaz encarnou um estranho sorriso em seus lábios. Um sorriso de "não se preocupe comigo. Não saibam dos meus problemas, não saibam da minha vida". No fundo, acreditava ser forte, acreditava que conseguia passar uma despreocupação para as pessoas que estavam a sua volta. Jamais tocara no assunto, pois sabia que se tocasse no assunto aconteceria a mesma coisa que sempre acontecia todas as noites: de virar de cabeça com o travesseiro e molhá-lo de lágrimas que não conseguiam nunca parar de jorrar de seus olhos, e sempre terminava por dormir exausto, ouvindo as músicas que sempre remetiam à ela.

A doença atingiu um estado crítico. Sabia que, mesmo que estivesse num estado avançado e desenvolvido de acordo com os médicos e nenhum remédio o curasse era exatamente ela que era esse remédio, mas ao mesmo tempo era ela que o fazia enfermo.

Começou então a amar a sombra da garota. Via ela várias noites em sonhos, lá eles eram felizes. Lá ela o amava, ela não tinha compromissos, não haviam rivais, era um mundo puro e sadio, onde ele sentia ela em seus braços quando abraçava. Porém, toda vez que acordava, seu coração por um momento parava. Sua visão ficava embaçada até as primeiras lágrimas caírem. Tudo era apenas uma ilusão - e mesmo ele vivendo nas ilusões com várias garotas, era naquele momento que ele mais desejou que aquilo tornasse realidade.

Realidade.

Muitos sugeriam. Muitos diziam. Mas ninguém falou alto o bastante para ele ouvir, e jamais conseguiriam isso. Sentia que havia apenas um limite: o fundo do poço era a única escolha, e o único limite tangível. Mergulhado em um torpor durante o dia, acordando apenas durante a noite. Um sorriso disfarçado, ninguém sequer sabia o que se passava em sua mente. E jamais saberão.

Um misto de coisas que ninguém entenderia.

Com um punhado de coisas que compreenderiam.

Porém ninguém jamais entederia, pois nunca passou pelo mesmo.

Vá embora. Meu lugar, não é com você. Mas você não consegue ir embora. E sei que você somente me deixará quando eu tiver um outro alguém para lhe por no lugar, e assim minha doença regredir. Pessoas são substituíveis, isso é lenda. Vivemos num planeta onde há sete bilhões de pessoas, haverá sempre alguém similar e igual a você. É um estranho bloqueio nas mentes que as fazem pensar que são únicas, mas não são. Vá embora.

1 comentários:

Gabriela disse...

Se eu entendi bem...força aí menino! Pessoas relamente não são substituíveis, mas as lembranças...bem essas temos que aprender a encarar da melhor forma possível, para que não nos magoemos cada vez que olhamos para trás. Por tanto, faça desse seu passado uma boa época que foi, pois agora é hora de olhar pra frente! Tem alguém esperando por você também, tenho certeza! ^^

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