terça-feira, 12 de agosto de 2008

Turistas de São Paulo em sua própria cidade.

Minha mãe enquanto dava aula perguntou pros alunos dela se conheciam a Avenida Paulista - famosa pelo seu reveillon e nada mais. Numa sala de cinquenta e tantos alunos (valeu pela educação pública, Lula!) apenas alguns gatos pingados levantaram a mão. Quando perguntou então se conheciam a Sé - que fica no marco zero de nossa cidade, ninguém levantou a mão.

Mas quando perguntou quem conhecia Santo Amaro e o Largo Treze, todos levantaram. =P

A cidade de São Paulo é engraçada. Eu falo isso pra vários amigos que não moram aqui e muitos não acreditam que uma cidade tão rica e tão desenvolvida, responsável por um décimo do PIB da terra das bananas seja tão ruim de se morar. Amo minha cidade, mas criticar é mais do que necessário, senão não muda e todos pensarão que está tudo bem. Mas não está nada bem. Quem mora em São Paulo vive isolado, isso é fato. Somente consegue fazer o caminho periferia/centro, o máximo que você pode fazer é sair do Terminal Jd Angela e ir pro Centro e voltar. Se você mora na Zona sul e quer ir pra, sei lá, Tatuapé (diga-se de passagem, tem muito mais japonesas lá do que na Liba inteira ou na Vila Mariana, e o bom que são as pobres, pq tem cada japones filho-da-puta e podre de rico que vou te contar... hehe) você pra ir pra lá tem que ir pro centro e do centro pegar mais uma condução pra ir pra lá.

Logo, as pessoas que moram no angelical Jd Angela conhece, no máximo, Santo Amaro ou Brooklin. Se jogar eles no meio da Barra Funda, ou na Parada Inglesa, bom... Eles morrem, hehe. Há várias questões pra isso acontecer, e isso claro, dá uma mega desvantagem pra mim que curte uns olhinhos puxados pra conseguir namorada (ver japonesa aqui é fenômeno, todos na rua param pra ver, ehauheau...). É engraçado ver pessoas de São Paulo que cada vez mais se isolam em seus bairros.

Um grande exemplo de isolação nesse sentido é uma marca de roupas/acessórios lançada na área do Capão Redondo, chamada de (nem te conto!), pra mim é marca de traficante, pois fui assaltado por um que vestia tanto coisas dessa marca que se vacilar tinha até as ciroulas dessa pseudo-grife. É algo como você vestir o orgulho do Capão, embora pra mim o cara que me assaltou seja o orgulho do Capão vagabundo, não do Capão trabalhador e direito.

Existem tantos pontos turísticos nessa cidade, e mesmo eu a conhecendo bem, cada dia que passa descubro algo novo. Um que eu babo muito quando vejo é o Hotel Unique, na Faria Lima, uma obra de um dos maiores arquitetos do Brasil que carrega um sobrenome pesado no cenário internacional: Ruy Ohtake. Eu pelo menos quando estudava arquitetura eu estudei por conta própria algumas coisas dessa obra que mesmo sendo um Hotel (alguns chamam de melancia, outros de barco viking, enfim...), pra mim vai além do Niemayerismo que o país é mergulhado nas formas quadradas e exorbistantes do arquiteto de Brasília. Muito lindo mesmo (vide foto).

E é isso, São Paulo que cada dia literalmente pára com os carros deveria investir no transporte público pra fazer que o paulistano conheça sua cidade. Acredite, conheço muita gente que mora nas cidades da Grande SP, muitos de Mogi, São Bernardo, Santo André e até de fora, de Socorro até, que conhecem mais São Paulo do que quem mora aqui.

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