quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Antes de sair, feche a porta.

Sei que você me deixará. Sinto isso. Vejo cada centímetro de você e essa imagem vai se congelando aqui na minha alma. Sei de sua altura, fecho os olhos e vejo até suas mãos. Penso um pouco e ouço o som dos seus passos, naqueles saltos altos. Meu coração pára e sinto aquele frio no peito, pois sei que o tempo está para terminar, e quero memorizar cada sensação. Cada fio de cabelo, cada lágrima, cada suspiro.

Você está pra sair, sua hora chegou. Antes de dar qualquer passo vire-se pra mim e toque meu rosto. Mas não dê um toque qualquer. Deslize as pontas delicadas de seus dedos por todo o contorno da minha face para que eu sinta seu calor e consiga de alguma forma absorver um pouco da sua doçura de mulher que sempre esteve lá.

Alguns passos, eu me levanto da cama. Peço-lhe que antes disso dê-me um abraço. Faça com que nossos corações se toquem na união de nossos corpos. Aperte, me aperte bastante, e faça com que esse momento tão finito torne-se eterno na minha mente. Deixe-me sentir envolto pelos seus braços e sentir que além de eu te proteger, você me protege. Encoste seu rosto no meu braço e deixe-me sussurar algumas últimas palavras em teu ouvido.

Agora está na porta. A hora é agora. Deixe meus lábios encostarem nos seus uma última vez. Deixe que eu sinta seu sabor de menina, sua pureza, sua delicadeza. Deixe que eu encoste em você num beijo que por um momento nos faça sentir como se fosse um só. Deixa eu provar sua sensualidade, me deixa sem ar nos poucos segundos que estamos num enlace tão harmonioso que apazigua minh'alma. Quero provar você menina, você mulher, você sapeca, você... Você "você", que apenas você sabe ser. Depois encoste sua testa com a minha, deixe abrir meus olhos lentamente e ficarmos nos olhando ternuramente enquanto ainda estamos envoltos.

Mas você está indo embora. Já é tarde. Mas não quero que você vá. O dormitório sobre a penumbra que eu vivo é diferente do mundo cheio de luz lá fora. Meu espírito memoriza todas as sensações, tudo aquilo que existia entre nós. Você já está longe, e eu parado. Não vou pedir pra que volte. Não vou te puxar pelo braço como naqueles filmes românticos. Sequer irei pedir para andar mais devagar. Pois quero que a vontade de voltar venha de você, e que eu vá te buscar, mas nem sequer olhar pra trás você olhou.

Ouça minha promessa. Você é minha vida e eu te amo. Antes de passar por essa porta por favor devolva-me o meu coração. Pois já não adianta, pois o meu coração não mais a mim pertence. Esperança. Ainda antes do último passo espero que vire para trás e volte. Uso de todas minhas forças para que ouça minha voz um último momento, uma última clemência antes do derradeiro fim:

"Peço apenas que antes de sair, feche a porta."

...

..

.

Luz do crepúsculo. Observo aquela porta lá na frente encostada, e um feixe de luz entrando, longe de mim. Me aproximo dessa luz, numa esperança de que um dia ao voltar me encontre no mesmo lugar, te esperando. Mas você não volta. Começo a reviver você na minha memória, lá você vive. Adormeço.

Mas por favor não me acorde.
Pois estarei sonhando com você. Sonharei com nós dois felizes, dividindo uma casa, fazendo compras juntos, eu te protegendo e você me protegendo, vivendo um amor puro e sincero juntos. Só nós dois.

E enquanto dormia sei que uma lágrima tímida caía, e que a mesma era refletida pela densa luz que entrava por aquela porta que você passou.

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