quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Fico com a pureza da resposta das crianças

Hoje estava ouvindo rádio e quando eu estava cansado de ouvir notícias, principalmente pelo fato do São Paulo acabar sendo o com mais chances de levar o brasileirão esse ano que me deixou logicamente nada animado, e fui ouvir uma rádio qualquer. Passou umas duas músicas e tocou a famosa música do Gonzaguinha, a "O que é, o que é?", uma música que uns quatro, cinco anos atrás me fazia chorar pra caramba, mesmo sendo uma música tão bonita, simples e pura, mas eram uns motivos pessoais.

Mas um dos refrões que ele fala mais impactantes na minha opinião é exatamente a que vem logo no começo: "Eu fico com a pureza da resposta das crianças". E de fato, todos um dia acabam crescendo, ficando maiores e tudo mais. Existem ainda os que fazem mais estilo das mulheres, que acham que qualquer passo fora de sincronia é motivo de falsidade (sim, nesse aspecto eu falo: odeio as mulheres. E acho que elas cresceriam muito mais como pessoas se deixassem isso de lado, fossem mais como nós,  homens que não tem essas frescuras de "falsidade") e a vida adulta é uma coisa complicadíssima, onde pessoas não entendem as outras, são mesquinhas e não sabem se expressar. E não entendem quando outros se expressam também.

A pureza portanto que morou conosco, e pelo nosso meio social tivemos que abandoná-la lá atrás.

Quando dava aula pra criancinhas era engraçado o meu convívio com elas. Sim, eu admito que sou um crianção porque se tem uma balada, ou se tem uma festinha infantil com cachorros eu acabo escolhendo a segunda opção, hehe... Fazer o quê? Não tive infância, e acho que na minha cabeça eu tenho a estranha idéia de tentar fazer as crianças que eu tiver chance de encontrar felizes ao menos aquele tempinho, fazê-las se sentirem crianças. Criança tem mais é que pular, brincar, jogar videogame e comer Trakinas. A minha infância foi regada de gordura, médicos falando pra eu emagrecer senão vou morrer com dezessete anos e amiguinhos da escola dizendo que eu era a bola de futebol e muitos infelizes casos de bullying... Enfim. Isso não vem ao caso.

Se você perguntar pra uma criança por exemplo o que é "saudade", essa palavrinha única no nosso dialeto e tão complicado de se explicar. Engraçado é ver como o pessoal de fora define "saudade", que é uma coisa tão simples pra nós, mas eles lá fora vivem no dilema de "sentir falta de algo que está pra vir", ou "sentir falta de algo que jamais voltará". Mas se perguntar pra uma criança o que ela sente sobre o que é saudade, elas não falarão como adultos nesses dialetos complicados, mas falarão apenas: "É quando eu sinto meu coração apertado!".

Tão simples que acho que cabe como definição até em dicionário. Sabe, essa pureza que as crianças sempre tem e terão, menos as que apresentam o Bom dia & Cia (Weee! Pleisteichon! Pleisteichon! Pleisteichon!! Hahah... Brincadeira!!). Sim, adoro mesmo. Sabe, vamos deixar essas definições de lado um pouco. Vamos acreditar que saudade é aquele aperto no coração, que nervosismo é aquele frio na barriga e amor, bom... O amor é quando a nossa cara fica vermelha e o coração começa a pular.

Nada mais simples e tão puro.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Cheirinho de fósforo queimado.

Existe uma teoria, coisa científica mesmo, que o universo é na verdade algo como "multiuniverso". Isso é, eu Alain posso estar aqui escrevendo num blog e ao mesmo tempo posso estar num planeta como esse do outro lado do universo sendo um executivo de sucesso, um mendigo ou quem sabe eu mesmo. Isso ganhou mais força depois de estudos feitos em buracos negros, que são pontos onde a gravidade é tão forte que consegue atrair até mesmo os fótons, que são as partículas elementares da luz, e não um golpe do Aiolia de Leão (que aliás, é MUITO foda *_*).

Acredito em umas coisas que eu comecei a acreditar ao começar a andar com, vamos dizer, más companhia no colegial. Filosofávamos sobre até o DNA, que somos tudo parte de algo superior e tudo que irá acontecer conosco está escrito em nosso DNA, quem serão nossos amigos, como será nossa personalidade e qual será nosso destino. Teve outras coisas que eu comecei a acreditar depois, como, sim todos vão dar risada, que é de eu acreditar que não sou desse planeta. 

Agora que vocês já deram risada vou continuar. =P

Ainda mais depois que eu descobri que pessoas dizem que os greys tem cheiro de fósforo queimado e poxa... Adoro o cheiro de fósforo queimado! Será alguma ligação que eu tenho com extraterrestres? Ou quem sabe o fato de eu adorar e sempre querer estudar astronomia, e meu passatempo favorito ser ficar olhando pro céu noturno durante horas e horas a fio? Hehe... Já falei, é hilário, mas tem muitos momentos em que minha vida é um déja-vu, ou seja lá como escreve essa birosca, em que eu cruzo os braços e vejo tudo acontecer, as mesmas falas, as mesmas ações e ninguém acredita, pois de alguma maneira eu já tinha visto exatamente a mesmíssima coisa! Isso sem contar as horas que tudo parece irreal, que tudo é uma ilusão, e eu nem tomei drogas.

É engraçado como eu sou uma mistura de tudo né? Acredito em Deus, em Jesus Cristo, em Buddha e... Extraterrestres. E tenho sangue italiano, indígena, espanhol, ingl... Ah, vocês entenderam.

Nunca vi UFO nem nada, mas sei lá... 2012 promete! Quem sabe? Tomara que até lá Stephen Hawking vire "sir". Como eu posso ganhar o título e ele não? Que mico.

Mudando totalmente de assunto, estou me viciando em Alice da HBO. Sério mesmo, não gosto de ver coisas mais alternativas pq ou eu me vicio completamente ou odeio até a morte, mas esse aconteceu o primeiro. Quem tiver o interesse em ver um seriado brasileiro não-global assista. É o tipo de seriado que eu vou assistindo e eu paro pra pensar: "Poxa! Pior que querendo ou não essa também é a minha São Paulo!", hehe... Adorei a trilha sonora também, pra variar. Assistam!

domingo, 23 de novembro de 2008

Tenpo

É um tanto bizarro, mas acreditem, esse ano marcará com o primeiro ano da História do mundo em que a quantidade de pessoas vivendo em cidades superará a de pessoas vivendo no ambiente rural. Isso sem contar as café-com-leite, que moram no campo mas trabalham na cidade. Pode parecer extremamente bizarro, mas isso é fruto de pesquisas da UN.

Parece que a população urbana ser maior que a rural é uma coisa antiga né? Nem de longe. Significam que mais pessoas vão respirar gás carbônico, fazer curso superior, terão potencial para serem bandidos e matarem você ou virarem bem sucedidos executivos pra sequer ouvirem falar de você. Tirando as consequências ambientais e socio-políticas tem lá seu lado ruim e lado bom, como muita coisa na vida.

Mas também existem as coisas desconhecidas. Existem dezenas de tribos indígenas que desconhecem a civilização a ponto de serem tão isolados floresta adentro que muitas ninguém sequer conhecem. Seres humanos são os animais dominantes no planeta: em todo lugar tem. E em todo lugar eles se multiplicam pra mais e mais. E não vivem pouco. E nesse mundo globalizado talvez o único bloqueio cultural de fato seja a língua, caso você saia da América Latina e vá parar num lugar onde aparentemente a cultura é extremamente diferente, como a Papua Nova Guiné por exemplo, você encontrará seres humanos normais, que se comunicam, vivem em sociedade, tem tarefas e deveres.

Infelizmente nem mesmo esses índios isolados estão lá tão protegidos, com as derrubadas constantes das florestas amazônicas, infelizmente não sobrará muita coisa nem mesmo pra eles. Mas é interessante, veja bem: vivemos um momento. Paro pra pensar e vejo que nossa vida é um ínfimo espaço de tempo, pequeninho, fugaz. Estamos no ano 2008, não vimos Roma cair em 476, tampouco Constantinopla cair no domínio dos árabes em 1452 e tampouco a Revolução Industrial dada por volta de 1850. Vivemos num pequenino período que vai da onde você nasce até você morrer.

Verá acontecimentos, verá pessoas que irão vir e ir embora, mas isso tudo se deu pois durante esse pequeno tempo essas pessoas fizeram parte do seu universo, sua visão do mundo, pois nem mesmo o mais sábio ou mais popular conhece a todos. Vi a vitória do primeiro afro-americano na presidência estadosunidense e meus descendentes não viram. Mas eles verão coisas que provavelmente não verei.

Assim como aqueles índios em suas tribos fora do alcance até mesmo terrestre dos brancos. Vivem em outro tempo, mantém tradições provavelmente seculares, tem uma própria ética, amizade, companheirismo e ao mesmo tempo estão lá, vivendo e criando seu universo. Não sabem provavelmente que uns caras de um país longe chegaram aqui há quinhentos e oito anos e instalaram cidades e graças a essas cidades pessoas de todas as partes do mundo vêm pra cá.

As coisas que você ver hoje ninguém de antes, nem de depois verá. Eu gosto muito de ler o mangá Samurai X, é um dos meus favoritos, mas é uma obra tão recente, é uma coisa tão nova que uma pessoa de trezentos anos atrás entenderia nada, e é provável que uma pessoa daqui a cem anos sequer a conheça. É uma coisa específica do tempo atual, do hoje, do agora que é exatamente o que estamos vivendo. O tempo não é rápido, nem lento, ele apenas sempre passa e sempre está por vir ao mesmo tempo, e no meio, bem no centro tem uma linha minúscula que é o agora. Que acabou de passar.

Tempo é coisa como o amor. Ninguém explica, mas todos entendem.

sábado, 22 de novembro de 2008

Para enfrentar até o desconhecido.

“Está... Escuro. Ligue a luz”. “Acorda vai... Levanta. Acende a luz”.

Olhei no relógio no pulso. Três e um da madrugada.

“Tô indo... Já ouvi...”

Apertei o interruptor. Nada. Aí sim que entrei em pânico.

“Não... Não está acendendo!”

Silêncio. Tentei me localizar e ia palpitando as paredes pra voltar ao sofá.

“Cadê você? Não consigo te ver!”

Ouvi então uns murmúrios ao fundo. Ao prestar atenção percebi ser um choro.

Fiquei mudo por um momento, fui chegando perto de onde saía o som e encostei-me a ela.

“Ai, meu Deus... Vem cá, vem.”

Ela estava encolhida num canto da parede com a cabeça abaixada chorando, e ao mesmo tempo tentando engolir o choro.

“Nossa... Nunca vi você expressar nada. E vejo você chorando. Chega a ser irônico.”

Eu morro de medo de escuro. Mas ao lado dela, abraçados, o medo de alguma forma era deixado.

“Calma, calma. Eu estou aqui. Não precisa chorar, não vai acontecer nada.”

Na hora eu lembrava que meu irmão mais velho dizia que o escuro era igual a luz. A única coisa que não podíamos enxergar.

“Agora vamos... Vamos sair dessa parede gelada e pegar um cobertor”

Todo o meu pânico também era deixado de lado. Como se de alguma forma eu tentasse criar coragem para confortá-la. Logo ela... Uma mulher tão forte, tão fria e calculista, chorando de medo do escuro.

“Vem. Espera aqui que eu vou acender uma vela.”

Deixei no sofá onde dormia. Levantei e comecei a andar, ou tentar andar, até a porta do quarto. Ouvi uns sons estranhos, como se alguém caísse no chão e virei. Ela havia agarrado com as duas mãos minha perna esquerda.

“Ai meu Deus... É rápido, é aqui do lado! Não precisa ficar com medo”.

Admito que eu fosse meio ignorante. Coisa dos vinte anos. Ela parecia me puxar. Não queria que eu fosse para a cozinha de jeito nenhum. Levei de volta pro sofá.

Ela então me agarrou num forte abraço, sussurrando um pedido.

“Fica aqui comigo. Por favor.”

Claro que eu não dormi nada. E nem sei se ela dormiu. O dia começou a raiar, e o Big Ben começou aquele som ensurdecedor logo na manhã que eu odeio. Olhei pro lado, ela estava dormindo igual a mim, de boca aberta e babando.

Peguei pelos braços e a levei pra sua cama. Cama nada, era um sofá improvisado mesmo. Mas mesmo assim a energia elétrica só foi voltar depois do meio-dia. Aí, já era meio tarde...

É mais do que óbvio que o escuro me fez praticamente entrar em pânico àquela hora. Sim, um marmanjo ter medo de escuro é bem estranho, admito. Mas ver que ela, mulher tão forte e determinada estava num canto chorando com bem mais medo que eu de alguma forma me deu forças pra enfrentar isso e acima de tudo confortá-la, já que não consegui pregar os olhos durante a madrugada. Sabe, amor também é isso. É uma pessoa que nos dá coragem pra encarar o desconhecido e proteger quem mais gostamos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Código da vulgaridade

Baixei o DVD inteiro do Dir en grey, o famoso, e um tanto velho, Code of VULGAR[ism], que é de performance ao vivo e ainda não tive tempo pra ver. Também pudera, são 4 horas de performances ao vivo. Mas baixei o Family Values Tour, que pra quem não sabe é uma turnê que começou com o Korn e de valores familiares não tem é nada, pois é regado por rock 'n roll, malandro!

Aliás toda hora que vou assistir eu me assusto com uma cena inicial do Disc II. É uma perfomance, que lembra bastante uma video-art com uma japonesa, de apenas roupas íntimas, vendas e presa numa cadeira sendo torturada, e aí ela vai tentando se soltar e tal... Não é tão forte, mas a maneira que o vídeo passa é tão única que você sente perfeitamente o que a donzela sente. É bem louco, hehe!

A linguagem dos clipes também é bem bacana. Um famosíssimo é mazohyst of decadence, que é bem forte e tem que ter estômago pra assistir. É um PV que trata da temática do aborto, embora ele não diga o que é certo ou errado. Aliás eu acho que preconceito sobre aborto é uma coisa que vai cair sobre terra tão rápido como preconceitos mais antigos. Minha opinião? Bem... Outro post eu falo.

Tem um que no Youtube normalmente pra assistir você tem que colocar a idade, pois tem cenas de sexo explícito. Não é bem sexo, sexo. É sexo levado a bizarrice, mas não quer dizer que seja lá ruim. São mulheres vestidas de geishas transando com um homem com o "aquilo lá" de ferro e bem grande (o que claro, convenhamos, ele não deve ser japonês... haha.. Brincadeira!). O título ainda é OBSCURE, e a música é uma das minhas favoritas.

Um que é em animação e é mais atual é Agitated Screams of Maggots, que está no último álbum deles (o Decade não conta, é coletânea) que eu particularmente gosto muito. Kyo, o vocal fica gritando que irá "estuprar sua filha" (I'll rape yout daughterrr, hehe) e a menina vai exatamente fazendo de tudo pra escapar de uns vermes gigantescos que querem exatamente isso: estuprá-la! Isso abre discussões imensas, como "aonde acaba a inocência infantil", "qual influência que corrompem as crianças" e até sobre sujeira na comida. Ok, esse último eu forcei.

Como eu estou sem assunto e faz anos que não falo sobre minha banda favorita, aqui vai! Aliás, lançaram no último dia 11 o novo álbum, Uroboros. EU QUERO. *_* Estou baixando e ouvindo, mas queria os Cds originais também... Buááá... Só fiquei meio triste porque não colocaram a música  -undecided- no álbum. Poxa, ela é simplesmente linda. Agora só falta baixar o It withers and withers.!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

It withers and withers

Tava lendo um texto sobre como viviam as pessoas na França na época das Cruzadas (séc XI até praticamente hoje em dia, hehe... Brincadeira). Praticamente não falavam, era um cultura bem diferente prezando o silêncio da sociedade mesmo. É meio estranho, mas uma edição dominical de um jornal hoje em dia equivaleria a quantidade de informações que alguém daquela época receberia por uma vida inteira, dados esses retirados das Super Interessantes que eu ando lendo ao ir na biblioteca da faculdade, hehe (não tenho dinheiro pra ficar comprando todo mês!).

Os modernistas pregavam uma total quebra de fronteiras anti-individualistas de cada cultura. Que o mundo deveria respirar um único ar, de uma única maneira e por um único motivo. Aí vem os pós-modernistas e falam que isso é uma inutilidade e que você preservar o individualismo e ao mesmo tempo o coletivo. Um grande exemplo é ver um significado além daquelas atitudes da revolução cultural de Mao Ze-dong como por exemplo imaginar aquilo como alegoria para trazer a China para mais próximo do Ocidente.

Claro que ouve consequências interessantes. Movimentos artísticos por exemplo é o que acho mais interessante. Se no modernismo as coisas que mais permaneciam eram coisas como "Conceito" e "forma", hoje permanece muito mais o "conceito". Como nos tempos atuais as coisas terem muito mais um aspecto de sustentável, que envolve um pensamento, uma vontade global, aliada a criatividade individualista de cada um.

Eu ainda imagino um mundo com bem menos gente que nos tempos atuais, e sem nem mesmo um "conceito" artístico, mas uma arte muito mais livre do que qualquer coisa. Sei lá... Estava lembrando de algumas discussões que tinha com amigos atores. Particularmente acho que atuação cênica uma das artes mais limitadoras do mundo. Já fui ator, e acredite, eu sempre achei a coisa mais limitada do mundo você demonstrar tristeza com a clássica face com as sombrancelhas arqueadas e a boca pra baixo.

Sério mesmo, e é díficil ver atores, principalmente esses de novelas ou filmes fazerem um personagem convincente. Normalmente eles conseguem fazer quando estão bem mais maduros, como Paulo Altran, que acho que foi um dos melhores atores do mundo em geral. Mas outras como Suzana Vieira parece que quanto mais tempo passa pior fica. Por isso eu acho que atuar é uma coisa que vai além daquela horinha que você passa na frente da telona ou do teatro. Acho que atuar deveria ser como você conhecer uma pessoa. Um dia você vê ela, no outro você vê de outro jeito e depois novamente de outra maneira e assim por diante. Você construiria a psique dela, não o contrário.

Música também, embora eu não entenda muita coisa. Música eu acho uma das artes mais limitadas embora ela seja tão velha como a escrita - que se aperfeiçoou, evoluiu, tentou novas linguagens - mas somente vejo pouquíssimos que saíram do clássico: Verso 1 - Ponte - Coro - Verso 2 - Ponte - Coro1 - Coro 2 - Fim. Há suas exceções. Dois que adoro são Tom Zé, que indiscutivelmente é o único da Tropicália que continuou inovando e não ficou parado na época Flintstoniana e um que já faleceu, John Cage, que tocava pianos modificados com até latinhas e ferros de passar dentro. Contava histórias com música de um jeito que deixaria qualquer DreamTheater de queixo caído.

Ainda mais hoje em dia que temos ferramentas que pintores de antigamente adorariam usar e provável que usariam sua criatividade a mil mas a sociedade às vezes parece permanecer assim. Letárgica e munida dos mesmos signos, dos mesmos paradigmas e do mesmo comportamento. Já estamos congelados! Que fria...

E então murcha... E murcha.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Japoneis é tudo igual!

Hahah... Começando com uma sábia fala de minha avó, haha! Claro que não são iguais, tem como diferenciar japoneses, chineses e coreanos. Não apenas por detalhes fisionômicos, como o clássico truque do U-O-V, onde coreanos tem o rosto em formato de U, bem quadrado, chineses tem o rosto em formato de O bem redondo e os japoneses tem rosto em formato de V, pontudo (isso aliás é um clichêzão imenso, e claro, como toda teoria, existe sua discrepância!).

Tirando claro as óbvias diferenças culturais e o número de Olímpiadas sediadas, a música são comos eles: todos tem olhos puxados, mas existe singelas e ao mesmo tempo aterradoras diferenças. AH-HA! Você pensando que japão só era mangá e anime agora se engana (eu sei que muita gente que acessa aqui conhece sobre música do outro lado do mundo, mas sei também que muita gente pensa que China é só China in Box, por isso como cultura nunca é demais, vamos lá).

Ultimamente de chinês estou começando a me aventurar. Duas que me chamaram muito a atenção foram: Kelly Chen, e Jolin Tsai. Primeiramente as duas são lindas, a Jolin é a menina da foto da postagem acima. Kelly Chen é atriz, de Hoeng Gong, fala cantonês (seu último filme, An Empress and the Warriors é simplesmente lindo e... trágico!) e meninos, tirem o olho. Se casou no último dia três de outubro com um chinês feioso lá que pouco importa quem é. A segunda é Jolin Tsai, com seus 32 de busto, 24 de cintura e 32 de quadril e 26 aninhos, não fala cantonês, e sim Mandarin (afinal, é de Taipei! Inclusive era chamada de Britney de Taiwan, embora hoje em dia seja duvidoso encarar isso como elogio... né... Né...? NÉ? NÉ????!!!!) e joguei algumas músicas dela no meu celular e fui ouvindo durante a última viagem que fiz no sábado. Ah, o nome dela se fala algo como "Yô-lin Tsai". Maldito pinyin dos infernos.

Coreanos infelizmente vou ficar devendo. Vou usar o exemplo que todo mundo conhece e tá cansado de ouvir. Mas sou admirador convicto dela (ela é só dois anos mais velha que eu, haha), BoA Kwon, ou apenas BoA. Menina produzida para a fama, literalmente! Foi achada por uma gravadora e passou anos treinando para aprender a falar inglês, japonês, cantonês para aí sim, começar a cantar. Os álbuns dela eu gosto mais dos de comecinho da carreira (quando ela tinha sei lá, uns seis anos, mas na verdade tinha doze. Alguns dizem que ela é algo como a Maísa Silva coreana) e os últimos dela, principalmente OutGrow.

Japonês, bom... Como só estou falando de mulher, vou continuar só falando das garotas que tanto amo. Hamasaki Ayumi, com seus 80 de busto, 54 de cintura e 82 de quadril e trinta... Trinta anos. Ok, todo mundo fica falando que eu fico de perseguição com a idade dela, então vou ficar é quieto agora. Ultimamente está sim se aventurando em cantar em chinês, com a dificílima de cantar Who..., que é uma das minhas músicas favoritas dela.

Existe também o quesito e o jeitão que cada uma fala inglês. Pra quem não sabe, é quase um dilema ver asiático falando inglês e falando bem. Claro, estão do outro lado do mundo e existe até cirurgias que ajudam um pouco a malear a língua, pois pra eles não é fácil. Cada uma fala de um jeito diferente. Entre todas, acho que ainda a que fala mais impecávelmente é a coreana BoA. Sério mesmo, nas músicas em inglês dela até os vícios de linguagens porcos que os americanos têm ela consegue imitar perfeitamente. Jolin Tsai lançou ultimamente um álbum chamado Love Exercise que vale a pena ser baixado. Tem até Lady Marmalade, porém ela desliza, e muito nos "a", principalmente no verbo "can" (coisa de professor de inglês chato como eu que pega em cima de pronúncia, não reparem), e a Ayumi, bom... Tem um vídeo famoso dela falando em inglês num show (que não estou achando, pra variar), então podem ver ela falando em inglês aqui, numa entrevista de divulgação do álbum Secret pra CNN. São falas regadas de "because" estranhos, muitos e muitos "ahnnnn" e é claro, a voz do guetto com "y'know". Faltou só um "what da fuck you doin', brotha?".

Hahaha... Adoro elas. Todas. Sou fã convicto. Mas não quer dizer que não me divirta com elas também, hehe!

domingo, 16 de novembro de 2008

Enquanto isso, no inferno...

Dias atrás estava revendo o filme Fim dos Dias, um filme de ação de terceira categoria de Arnold Schwarzegger (sim, eu fiquei digitando praticamente cada letra pra escrever certo, e não uns "Scharnegger" da vida. =P) onde fazendo um resumo básico da sinopse pra quem não viu resume-se a: o nosso amigo Arnoldo é um cara que tem que impedir o diabo a transar com uma mulher e fazer seu filho. Simples, básico e rápido.

Existe algumas coisas, um tanto filosóficas, no mínimo reflexivas, que dá pra se tirar do filme. Acho que é nesse filme (não lembro bem ao certo pois não o vi todo, pra variar) que tem uma cena muito interessante, que se assemelha muito inclusive ao famoso conto Fausto, do grande amigo dos designers, Goethe, que pra quem não sabe é só se lembrar do episódio do Chapolin Colorado que mostra aquele homem rico do Chirrin Chirrion do diabo. A cena que eu estou falando é bem rápida até, onde o Arnoldo está no chão ferido e o diabo vem, andando normalmente até seu lado. Seria uma cena normal se não tivesse uma nuance: está chovendo, e apenas o protagonista (o Arnoldo) está se molhando. O diabo não.

Acho que é Nietzche que dizia que o bem, ou bonus é nada mais que o vencedor. Se a filosofia de alguém vencer é porque ela é significamente boa. É algo do tipo, e Nietzche não gosto muito de ler pois é extremamente ateísta, embora eu morra também de curiosidade de saber o que se passa na cabeça de alguém que lembra a mim em MUITAS coisas. Mas irei um pouco além nesse texto.

Porque existe tanta diferença entre o reinado de Deus, o Senhor todo poderoso, e o diabo, caso seus ensinamentos fossem levados ao pé da letra? Acho que uma resposta bacana está exatamente no filme Fim dos Dias. Desconsiderando que não exista essa polaridade, analizaremos do ponto de vista prático. De um lado temos papai-do-céu, sentado em seu trono, com sua barba de papai-noel que diz: "Você tem que trabalhar, tem que lutar e tem que fazer merecido por tudo que você tem. Deves agir com honra, com despeito e mimimi". Do outro lado temos o Mr. Evil que prega: "Tudo o que você quiser eu posso conseguir fácil fácil! Não precisa lutar pra conseguir, só me arranjar um pouquinho da sua alma aí que fica tudo elas por elas!".

Hahah... Tirando o humor entre as duas (que fique bem claro que eu respeito ambos, desde cristãos, judaistas, islãs e claro, respeito bastante os satanistas. Aliás é um estudo muitíssimo interessante a religião deles, quem tiver curiosidade sugiro algumas leituras) as duas por sua vez criam ambientes cada um com sua peculariedade.

Para exemplificar, usarei o exemplo da CDHU. Primeiramente: dar coisa pra pobre, principalmente se ela é fabricada por um carinha chamado "estado" e dado de graça não dá certo. Existem programas urbanísticos antigos que mostraram não dar certo por isso. Agora, se você pede, sei lá, uma contribuição mensal pequena pro pobre pagar, de acordo com suas despezas, ele vai tratar aquele lugar com lustra-móveis até na pia do banheiro. O pagamento não importa: o governo já pagou tudo, até o tio eletricista há muito tempo. Mas aqui o pagamento tem um caráter simbólico, pois o pobre está lutando pra quitar aquilo, mes a mês e já está vivendo lá pra manter isso. Claro, existe lá seus exageros, como levar mais de dezessete anos pra se quitar, mas enfim...

Bonus não está tão ligado a se eu vencer vocês jogarão nas minhas regras agora, mas sim que se deve lutar, e se você lutar, ganhará o título de "bom". O diabo escapa da chuva no filme, nenhuma gota o molha. Mas o Arnold ele se levanta e enfrenta a chuva, e exatamente por isso é chamado de "bom", pois a enfrenta, enquanto o diabo apenas escapa, foge. E isso é bem comum... As vezes pessoas no desespero fogem de seus problemas, mas mesmo sendo difícil o ideal é encará-lo de frente, de preferência com a cara feia como o Schwarzegger para meter mais medo no coisa-ruim e conseguir mostrar que enfrentar é sempre melhor que correr. Sempre.

Lálálálá... Se vier alguém comentando que "Quem é você pra falar disso?", já vou avisando: sou ótimo conselheiro, mas não sou, nunca fui e pelas coisas que já fiz na vida até hoje acredito que nem mesmo no futuro serei um exemplo a seguir. Faça o que digo, não faça como eu faço. =P

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

"Fazer o quê? É o Brasil né"

Começando com uma frase que eu vi de pessoas pobres que vivem debaixo da ponte na TV. Aliás ontem foi um dia deveras engraçado. Estava eu chegando em casa depois de mais uma sessão da psicóloga e indo almoçar. Como a mamãe estava cansada pois eu não tinha arrumado a casa como de costume, resolvi então deixar ela lá relaxando e ir preparar algo pra comer (acabei acordando atrasado, enganado pelo tiro pela culatra dos "só mais cinco minutinhos...").

Enquanto assistia o jornal, a única coisa que eu assisto na TV a não ser o CQC e Toma lá dá cá (minha imitação da Dona Álvara é a melhor. ;D) resolvi passar os canais, deixei na Record que tinha o único programa jornalístico do horário: Balanço Geral. Antes eu assistia mais, mas antigamente quando começaram a falar de uns assuntos entediantes e quando vi, já estava dormindo, percebi que tinha perdido o clima pra assistir. Mas ontem resolvi assistir. E fiquei vendo um rapaz que me era de alguma forma bem familiar. Quando ele disse o nome dele então, na lata.

Bom, ao contrário de muitos amigos meus da faculdade e de outras áreas mais, vamos dizer, refinadas, eu vim de escola pública. Muitos dos que eu conhecia na época hoje estão presos ou mortos, rendidos pelo tráfico. Já falei sobre isso numa postagem antiga. As garotas, bem... Grávidas. Algumas de presidiários, outras de vagabundo mesmo. O resto estão trabalhando, porém apenas isso. Uma grande parte virou motoboy ou atendente de telemarketing. Uns cinco cursam faculdade. Entre esses cinco, já conheço um que tá até financiando um carrinho já. Considerando que eu conhecia quase todos das redondezas, ou das "quebradas" como aqui falam (embora eu odeie falar usando gírias), vamos chutar aí umas trezentas pessoas, e apenas um que se deu bem até agora (nem eu me coloco nesse grupinho, hehe).

Pois é! E na TV passou alguém que eu conhecia. Francisco, um cara que estudou na minha sala, gostava de Pokémon igual a mim, pessoa bacana, do bem, mas teve alguns problemas familiares, apareceu na TV dando entrevista. Claro que eu dei um pulo do sofá. Vivendo embaixo de uma ponte alí próximo da Praça da Bandeira. Bem vestido até, falando do mesmo jeito de antes e até andando do mesmo jeito.

Continua um cara com fé. Com um rosário da mão direita. Eles estavam vivendo embaixo de uma ponte, um grupo de umas trinta pessoas com mulheres e homens e eles gerenciando tudo. A prefeitura entrou claro, com uma ação de despejo. E eu claro, não vou tirar o direito da prefeitura. Aquele terreno é dela, e acima de tudo oferece risco grave aos moradores lá por não ser uma coisa lá muito sanitária e segura. Mas ao mesmo tempo, a prefeitura do sr re-eleito Gilberto Kassab (tinha que ser são-paulino...) irá despejá-los nas ruas.

Na parte que eu deixei de assistir, a câmera estava focada no meu amigo Francisco, que fazia anos que não o via, e ele dizia as palavras de indignação de grande parte do tal povo brasileiro: "Fazer o quê? É o Brasil, né?".

90% das pessoas que conheço, que se dizem "patriotas" tem uma renda mensal acima de dois mil reais. Tenho uma amiga que trocou de carro duas vezes em menos de dois anos, coisa que meu pai coitado, teve seu primeiro carro zero km esse ano depois de décadas batalhando e juntando grana. As pessoas que se adoram dizer patriotas aparentemente vivem num mundo de novela das oito e o pior: se você não é patriota, caem em cima de você. Eu já disse, não sou nem um pouco patriota, e acho que nenhum brasileiro deveria lutar por um bandeira como essa de intensa desigualdade.

Sabe, essas coisas me deixam muito revoltado. A desculpa do coitado do Francisco não é Deus, nem Diabo nem Santa Aqueropita. É "Brasil" mesmo, esse país que joga pobres na rua para morrerem, o mesmo país que dá um salário mínimo de merda e é uma das maiores economias do mundo. Maldito país que incentiva indiretamente pessoas entrarem na vida do crime, país que isola os pobres, ou você pensa que o Terminal Jardim Angela ajuda alguma coisa? Ajuda nada. Só isola ainda mais nós que moramos aqui. Gostei de ver a indignação dele. Brasileiro pobre só sabe ser patriota na hora do gol sobre a Argentina na Copa, e estão mais do que corretíssimos e tiro o chapéu. Dizer que tem orgulho dum país que prefere acabar com os pobres e ascender ainda mais os já ascendidos ricos, bem...

"É o Brasil, né?"

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Correr, até que seja impossível.

Correr. Lutar. Quando acredito em algo eu luto até o final. Antes disso acontecer, acreditava que sempre que lutasse, que eu gastasse todas minhas energias eu conseguiria tudo no mundo. Tudo na vida que eu sempre lutei e desejei do fundo do coração eu consegui. Porém essa corrida iria provar que mesmo por mais que eu corresse, jamais conseguiria chegar no final. Seria algo que por mais que eu lutasse, nada mudaria o fato determinante e inexorável.

Acordei aquele dia bem cedo. Às sete da manhã lá estava eu tomando café. Avisei a minha mãe que sairia pra encontrar "ela", e provavelmente ficaria fora do dia inteiro. A verdade porém, ela só ficou sabendo meses depois. Não iria sair com ela pois reatamos. Ela havia sumido da minha vida, exatamente no momento em que parecíamos estar engajando um relacionamento juntos. Peguei o carro e comecei a longa viagem. Sabia que não seria breve, mas também não imaginei que duraria tanto. Marginal Pinheiros. O tempo começava a fechar, e olhava ao lado, naquela sacola vermelha estava o presente que havia comprado com todo o cuidado próximo da véspera de fim de ano. Acelerei, e entrei na Marginal Tietê.

Quando vi aquelas placas da rodovia um pânico subiu na mente. Comecei a pensar: "O que estou fazendo? Meu Deus... É apenas uma garota! Estou me deslocando tão longe de casa apenas por causa de uma mulher!". Já era tarde. Vi do lado direito uma placa, onde apenas li o nome em destaque: Castello Branco. Já estava naquele momento deixando São Paulo.

Em Guarulhos, o tempo começou a fechar. Pensei eu: sequer conheço aquele lugar. Provável que eu chegue lá fique perdido, ou pior, que me perca durante a ida. As nuvens ao longe ficavam cada vez mais escuras, e parecia por um momento que eu mesmo me dirigia até elas de alguma forma. Não escutei música. Não conversei com ninguém. Tudo que eu via era o que estava na minha frente, o destino pelo qual eu estava lutando. A esperança nos últimos suspiros. Talvez... Amor.

Rodovia Ayrton Senna. Via uns ônibus que nunca vi na vida, todos eles eram amarelos... Na época lembrei de quando fui na Barra Funda, próximo ao grande terminal que tem lá e vi os estranhíssimos ônibus verdes no Terminal igualmente verde. Ermelino Matarazzo. Lugares que eu só ouvia falar no rádio, ou quando assistia ao SPTV. Antonio Marques Figueira. Meu Deus! Onde estou. Lembro que vi um mendigo morto na rua, já estava cheio de mosquitos e crianças chutavam o cadáver pensando que estaria vivo.

Cheguei então na cidade. Vi uma grande placa na rodovia velha. Algumas fábricas, muitas subidas que seguiam para a direita. Achei tantas que por um momento pensei andar em círculos. Vi no relógio: quase 14h. Tinha saído de casa às 9h da manhã, e eram cinco horas de viagem, que eu gastaria apenas tanto tempo se fosse pra ir pra casa de meus avós, no interior do estado. Aquela cidade era estranha. Os nomes das ruas sempre tinham um Francisco no meio. Até hoje não entendo. A paisagem era linda, a cidade quase não tinha morros, extremamente presentes onde moro, na periferia de São Paulo. Dá vontade de inclusive andar de bicicleta. Não. Bicicleta me lembraria "dela".

Vi que estava próximo do local quando vi um grande terminal, Geraldo Scavonne. Estacionei ali perto, e decidi ir a pé. No mapa parecia uma distância pequena. Resolvi arriscar. Via as pessoas me olhar na rua como se fosse um estranho. A cidade poderia estar na região metropolitana de São Paulo, mas tinha um ar de cidade do interior mesmo. Bem arborizada, pouquíssimo transito, orientais em demasia... Vi vários boxes numa rua, que via satélite pareciam muitos quadradinhos, próximo da Wertheimer. Virei a rua. Lá estava eu.

Juro que o pensamento de desistir veio novamente na minha mente. Vi o tempo fechado do jeito que estava, do lado direito aqueles montes cheios de árvores, como aqueles que se vê quando se vai ao interior, na frente uma grande avenida que parecia não tem fim. Continei caminhando, mas não achava o número. Fiquei pensando que se não achasse poderia ir embora. Um latido forte de cachorro pequeno, um Pincher, me chamou a atenção. De alguma forma mística aquele cãozinho parecia me chamar, gritar por mim. Quando vi o número da casa, era aquela. O número estava escrito com pincel, era azul e o portão de metal. Parecia um puxadinho. O cachorro continuou latindo, e na hora pensei: "Ela mentiu. Disse que morava em um apartamento, que tinha uma vida estável, mas mora aqui?".

Vi o interfone. Antes de tocar porém, com meu dedo no ar, retraí. Com o presente na mão, aquela agenda, pensei muito. Pensei nos raros momentos felizes que tivemos juntos. Pensei no seu sumiço repentino. Pensei na época, que culpa eu teria, se ela me receberia, pois durante todo o caminho pensei no que falar a ela, se abraçaria, se teria raiva, se choraria, mas no momento tudo o que fiz foi ficar lá, estático, sem movimento.

Olhei pro céu. Perguntei a Deus porque ele é tão injusto. Porque eu a amo do jeito que a amo e ela sequer sente dez porcento do que sinto por ela. Porque eu estive do lado dela durante todo o tempo e ela sequer olhou pra mim. Porque eu fui fiel pra ela, mesmo ela sumindo como se eu fosse um ninguém em sua vida. Na minha mente veio questionamentos. Me vi como um lixo. Havia encarado uma viagem de cinco horas passando por cinco cidades, a mais de cem quilômetros de casa e novamente lá estava eu. Com fome, sede, cansaço. Sem saber o que fazer. Sem coragem de sequer tocar uma campainha e perguntar se a chinesa estava lá.

Sentei na calçada. Tinha alguns moradores de lá, imagino que deviam estar pensando de mim: um marmanjo de vinte anos na calçada chorando igual a uma criança exatamente por não ter coragem de tocar uma mísera campainha e chamar por "ela". Foi então que mais um sinal dos céus apareceu, um carteiro tocou a campainha pra entregar algo naquela casa. Aproveitei a deixa. A empregada me atendeu. "Por gentileza, a senhora sabe se a senhorita An***a se encontra?", ela disse que sim, com muita simpatia. Acho que até ela deve ter ficado com pena de mim por me ver com aquela cara de cansaço e os olhos molhados.

"Então a senhora pode entregar pra ela, por gentileza, esse pequeno presente? Diga que o Allain esteve aqui". Ela respondeu com um sorriso. Uma voz na mente dizia que estranhamente ela me conhecia de algum lugar. Vi ela fechando a porta e saí. Duas casas adiante parei, uma falta de ar bateu em mim. Sentei próximo a um portão, duas casas de distância da casa dela. Tomei fôlego, e percebi que finalmente depois de cinco longas horas eu havia finalmente respirado. Como antigamente: tragando o ar forte, soltando pela boca.

Um minuto depois a empregada dela saiu. Disse que ela não poderia me atender pois estava em uma reunião importante. Dei um risinho cínico: sabia que era mentira. E sabia também que ela não teria nem um pouco de coragem de sequer olhar pra minha cara depois do que fez. Disse obrigado e me dirigi até uma padaria onde bebi uma água bem gelada, fui ao banheiro e olhei pra cima: o tempo estava fechando. O dia parecia se transformar numa noite. Enquanto caminhava para o carro senti pingos gelados sobre minha cabeça. Chuva.

Via meus olhos lacrimejar. Mas sabia que ninguém ligaria se eu estivesse de fato chorando. Pois a chuva já havia molhado o suficiente o meu rosto e a mim pra ninguém conseguir diferenciar. Quando vi, minhas lágrimas se confundiam com a chuva que caía na minha face, e uma dor no coração eu senti, como se uma agulha penetrasse lentamente. E no final das contas, já estou há dez meses¹ sem sequer ver o rosto dela. Nem mesmo uma vez.

¹ - Texto originalmente escrito em julho de 2008.

domingo, 9 de novembro de 2008

Se não tocarmos no coração das pessoas.

Ok. Estou sem o Opera e estou sendo obrigado a postar no Firefucks. Quando eu descobri o Firefox pensei que ele fosse O browser, mas aí eu descobri o Opera e vi como a vida pode ser simples e muito melhor. Vou postar rápido porque não é tanta questão de tempo, muitos posts meus eu escrevo com semanas de antecedência, tempo pra postar eu tenho, só não tenho idéias. Mas acho que achei uma legal aqui:

Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar

Da outra vez falei do stand by me, e hoje vou falar um pouco das coisas desse país. Esse poema é de uma famosa poetisa goiana, em homenagem a minha amiga Fátima que no momento está no interiorzão de São Paulo acompanhando o casamento do sobrinho dela. Ela que é de Goiás deve conhecer como ninguém essa famosa poetisa.

É bem bonito esse poema. E adoro a simplicidade dele. Esses sentimentos mais romanceados são sempre um misto de coisa simples com uma coisa extremamente complexa. Lembro que eu conheci algumas coisas de Coralina foi há um bom tempo, e revi esse ano graças a minha mais digamos, nova amiga que eu não vou falar o nome, hehe... (mas ela sabe que é ela. =X)

Conheço pessoas que dizem que ninguém é substituível. Mentira. Até namorado hoje em dia se troca como se troca de camisa. Se fosse tão insubstituível o mundo com certeza estaria um caos. Estaria um caos pois todos dariam valor a todos, desde o executivo da Avenida Paulista diria que o mendigo da Praça da Sé é importante. Não haveriam assassinatos, pessoas se amariam, pessoas se completariam sempre pensando como um todo.

Porém a vida assim seria completa demais. Seria perfeito demais. Estaria fora da realidade fria da Grande Metrópole.

Querendo ou não você terá que substituir pessoas. Quem não tem os pais cria figuras paternas. Quem não tem amigos, prende-se a poucos e bons. Porém, sempre dentro desses pequenos círculos que se criam, são exatamente essas pessoas que "existem" diante da multidão. Você só existe pra alguém se consegue tocar no coração dessa pessoa. Se você não toca no coração de ninguém você torna-se "apenas mais um", uma pessoa-sombra, inexistente.

E é exatamente isso que te faz existir. É uma palavra amiga, de consolo, de briga, de desilusão. Gestos, ações, atitudes. Você só consegue também ter alguém que te ame se você for essa pessoa especial pra ela. Caso contrário será um mero transeunte, e assim que muitas pessoas que poderiam ser felizes deixam de ser. Por mera falta de empenho, ou a estranha sorte humana, que une as engrenagens nossa com a de outra pessoa, e num momento se aceleram juntas, adquirindo uma velocidade insana.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Change can happen.

Mudanças trazem evolução. Nunca uma coisa pode acontecer sem a outra. Seres humanos podem não ser seres suscetíveis a mudanças, mas a mudança sempre está aí, de uma forma ou outra. Foi assim em todo o percurso da História da Humanidade. Se os gregos não pensassem em mudar seu estilo de governo jamais criariam a democracia, se os romanos não conquistassem a Europa jamais implantariam de tal maneira a res publica. Se o povo não pensasse em usar sua força para lutar pelos seus direitos jamais as ditaduras latinas cairiam, a bastilha, e a opressão.

"Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais."

Martin Luther King Jr tinha um grande sonho. Claro, há implicancias políticas, pois lutar pelo que se acredita sempre é bom ter um apelo emocional. Assim como a eleição de Obama nada mais é do que uma alegoria para melhorar a aparência dos Estados Unidos internacionalmente, que com Bush tornou-se odiado não apenas pelo companheiro venezuelano, mas pelo mundo. Mas é bom ver como o mundo hoje acorda mais esperançoso do que ontem.

Os Estados Unidos quebraram o tabu do preconceito. Pois mesmo sendo a maior potência do planeta ainda é lugar de grande racismo, assim como o Japão e Alemanha claro. Aparentemente países que são fortes carregam juntos um estranho nazismo consigo. Que digam os japoneses, que aceitam apenas descendentes de japoneses para se morar lá, e inclusive os próprios japoneses carregam uma veia de racismo com eles. Não são poucos os que conheço que são japoneses e apenas querem relacionamentos com orientais. Racismo puro.

Mas um primeiro tabu caiu por terra. Um presidente com um "Hussein" no nome do meio, um presidente negro, um presidente democrata depois de oito anos com a república Walker Bush. Eles deram uma chance para ele, mostrar seu trabalho, assim como os ingleses ao darem uma chance à Margareth Thatcher, ou a república bananal dar uma chance ao Lula. Uma chance que claro, é, e sempre será uma grande incógnita o amanhã.

Isso é o importante. Dar uma chance para ver o outro lado. Existem pessoas tão capazes, pessoas com tamanha vontade de fazer algo mas exatamente por receber um "não" são deixadas de lado. Pense nisso. Dê chances você também para as pessoas, aposte nelas.

Existe uma frase que eu carrego comigo. Não sei da onde eu tirei, então digo que é minha, hehe. "Não acredito seja correto que as pessoas deviam abandonar as outras". Enquanto nem que seja apenas eu acreditar em mim mesmo, acredito que jamais desistirei, mesmo que esteja sozinho, como sempre grande parte da vida estive devido a várias coisas que escolhi durante a vida.

Uma vez pelo menos o destino parece que sorriu. Um sorriso de bochecha a bochecha. Que seja bem vindo, Barack Obama, o primeiro papa negro e... Mister President!

domingo, 2 de novembro de 2008

Quando o inglês ganhou do brasileiro

Bom, não gosto muito de esportes, e como a vida inteira sempre foi bem gordo e sempre era descartado nas aulas de Educação Física, odeio qualquer esporte. Mas como todo bom inglês, gosto de futebol e agora... De corrida!

Grande Prêmio do Brasil em Interlagos. Decisão de campeonato, aliás de quem já estaria praticamente com o campeonato em mãos. Meu próprio nome inspira velocidade, e acho que talvez haja uma ligação entre a minha paixão por velocidade com a homenagem que meu pai fez ao lendário piloto de Fórmula 1, Alain Prost (sim, com i mesmo! Igual ao Alain Delon) grande rival e amigo de Ayrton Senna, o maior expoente aqui da república bananal.

Mas gostei da corrida! E não tem como não ficar contagiado com a energia desse povo, até eu estava torcendo pra um deslize do Hamilton. Convenhamos: Hamilton não corre nada. Pra mim, ele pilota um formula 1 da mesma maneira que ele pilota um Mario Kart. Vide as curvas que ele faz que sempre acabam resultando numa penalidade pra ele, os atropelamentos e claro... A falta de carisma dele me irrita muito. Ainda bem que a McLaren ainda tem o Kovalainen.

Valeu a pena, Massa! Fazia tempo que um piloto não vencia aqui. Aliás, o cara é uma simpatia, tinha que ser de família de italianos, hehe... Meu pai nem tava torcendo tanto pra ele, hehe (ainda acho que ele gostava do Senna porque era Corinthiano), e no final perdeu o campeonato por um mísero ponto.

Depois vem jornalista dizendo que brasileiro não se contenta com derrota. Poxa, as olímpiadas eu já falei, teve atleta daqui que teve que pagar sua passagem fazendo vaquinha na comunidade, enquanto os rapazes do vôlei foram de primeira classe e perderam pra equipe estadosunidense. Foi um primeiro lugar com gosto de mais um segundo na classificação geral, mas foi suado, liderou a corrida do início ao fim e no final, pena que o Glock na última curva deu o vacilo. Mas acontece. Ano que vem é contigo de novo, Felipão!

Odeio a McLaren. E o Hamilton também. Ainda acho que ele se daria muito melhor no Mario Kart do que o Raikkonen ou Massa que correm igual profissionais. Tinha que ser moleque... =\

sábado, 1 de novembro de 2008

Meras definições

As palavras tem energia. E acho que uma das mais belas de se ouvir e falar é exatamente ela, amor.

Muitos maridos e esposas chamam seus conjuges assim. É a palavra dita, ou que tenha relação direta por 98% das músicas e 100% das novelas. É bonito, soa bem. Pequeno, mas significa uma grande coisa. Existem pessoas que conseguiram definir bem nas próprias músicas, e não é tão necessário uma definição Shakespeareniana para tanto, embora nosso amigo inglês que não é sir seja mais que essencial para entendê-la.

Grande Ben E. King! Mas prefiro a versão do John Lennon:

Stand by me. Teve um filme chamado Conta comigo, mas é muito velho, muitos dos que estão lendo nem eram nascidos na época (1986, salvo engano!). No final do post tem a letra original. Mas antes vamos fazer uma reflexão.

Pessoas precisam de um porto seguro. Imagine que todos somos donos de uma embarcação, que diferencia cada um de um jeito. Os de menos poder aquisitivo tem uma jangada, os ricos podem ter até seus transatlânticos. Os aventureiros têm seus barcos com motivos radicais, os românticos por sua vez cheios de babados. O mar é traiçoeiro, pode parecer que tudo está bem, mas ele oscila entre o topo e o ponto mais baixo pelas ondas. Onde o mais pobre pode ir pra cima, e ao mesmo tempo o mais rico ir para baixo. Isso é a vida.

Viver é temer. Pois viver é um constante vai e vem, cima e baixo, estamos bem ou estamos mal. Subimos uma montanha e ao chegar lá em cima ficamos sabendo que há logo ali do lado uma maior. Pode ser que consigamos. Pode ser que logo na primeira alcancemos o topo. Pode ser que levemos mais de dez anos para alcançá-la. Pode ser que sequer nunca vivemos para alcança-la. Pode ser que resolvemos esperar um tempo para tentar de novo. Mas a montanha sempre estará lá. Não irá descer pra pegar você. E se você cai, a única pessoa que pode te levantar é você mesmo. Ninguém mais.

Não somos porém seres dotados ligados na tomada, onde se cairmos levantamos automaticamente. Até mesmo a corrente elétrica demanda de uma energia. O mundo é um caos, viver é um caos. Porém é apenas em um lugar onde encontramos a paz, um único lugar onde nada mais importa, algo que por um único momento signifique algo tão mágico quanto a magia que a mágica traz. Nosso porto seguro pode ser uma pessoa.

É aquela que você fica olhando e não se cansa de olhar. Aquela que você pensa durante o dia, aquela que ao abraçar você sente invencível, capaz de proteger sua felicidade a todo custo. O mundo pode desabar, mas é essa pessoa que é seu porto seguro que lhe dará forças para que vocês dois enfrentem o mundo lá fora.

Amor é uma via de duas mãos. Quando estamos sozinhos, permeamos a andar numa rua de mão única, apenas nos importamos demais conosco, ou apenas demais com outrém. Porém quando se ama você doa amor, e recebe também ao mesmo tempo em troca da pessoa que ama.

Ok, quem sou eu pra falar disso. O máximo de tempo que consegui sentir isso foram poucas semanas...

Mas são coisas tão simples que muitas pessoas mesmo com anos de relacionamentos sequer percebem. Abrace a pessoa que você mais ama. Não há sensação no mundo que esse gesto que você se entrega a pessoa e ao mesmo tempo é retribuído.

E... Stand by me. =)

Stand by me

When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see
No I won't be afraid, no I won't be afraid
Just as long as you stand, stand by me

And darling, darling stand by me, oh now now
Stand by me
Stand by me, stand by me

If the sky that we look upon
Should tumble and fall
And the mountains should crumble to the sea
I won't cry, I won't cry, no I won't shed a tear
Just as long as you stand, stand by me

And darlin', darlin', stand by me, oh stand by me
Stand by me, stand by me, stand by me-e, yeah

(guitar) 

Whenever you're in trouble won't you stand by me,
Oh now now stand by me
Oh stand by me, stand by me, stand by me

Darlin', darlin', stand by me-e, stand by me
Oh stand by me, stand by me, stand by me.

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