domingo, 23 de novembro de 2008

Tenpo

É um tanto bizarro, mas acreditem, esse ano marcará com o primeiro ano da História do mundo em que a quantidade de pessoas vivendo em cidades superará a de pessoas vivendo no ambiente rural. Isso sem contar as café-com-leite, que moram no campo mas trabalham na cidade. Pode parecer extremamente bizarro, mas isso é fruto de pesquisas da UN.

Parece que a população urbana ser maior que a rural é uma coisa antiga né? Nem de longe. Significam que mais pessoas vão respirar gás carbônico, fazer curso superior, terão potencial para serem bandidos e matarem você ou virarem bem sucedidos executivos pra sequer ouvirem falar de você. Tirando as consequências ambientais e socio-políticas tem lá seu lado ruim e lado bom, como muita coisa na vida.

Mas também existem as coisas desconhecidas. Existem dezenas de tribos indígenas que desconhecem a civilização a ponto de serem tão isolados floresta adentro que muitas ninguém sequer conhecem. Seres humanos são os animais dominantes no planeta: em todo lugar tem. E em todo lugar eles se multiplicam pra mais e mais. E não vivem pouco. E nesse mundo globalizado talvez o único bloqueio cultural de fato seja a língua, caso você saia da América Latina e vá parar num lugar onde aparentemente a cultura é extremamente diferente, como a Papua Nova Guiné por exemplo, você encontrará seres humanos normais, que se comunicam, vivem em sociedade, tem tarefas e deveres.

Infelizmente nem mesmo esses índios isolados estão lá tão protegidos, com as derrubadas constantes das florestas amazônicas, infelizmente não sobrará muita coisa nem mesmo pra eles. Mas é interessante, veja bem: vivemos um momento. Paro pra pensar e vejo que nossa vida é um ínfimo espaço de tempo, pequeninho, fugaz. Estamos no ano 2008, não vimos Roma cair em 476, tampouco Constantinopla cair no domínio dos árabes em 1452 e tampouco a Revolução Industrial dada por volta de 1850. Vivemos num pequenino período que vai da onde você nasce até você morrer.

Verá acontecimentos, verá pessoas que irão vir e ir embora, mas isso tudo se deu pois durante esse pequeno tempo essas pessoas fizeram parte do seu universo, sua visão do mundo, pois nem mesmo o mais sábio ou mais popular conhece a todos. Vi a vitória do primeiro afro-americano na presidência estadosunidense e meus descendentes não viram. Mas eles verão coisas que provavelmente não verei.

Assim como aqueles índios em suas tribos fora do alcance até mesmo terrestre dos brancos. Vivem em outro tempo, mantém tradições provavelmente seculares, tem uma própria ética, amizade, companheirismo e ao mesmo tempo estão lá, vivendo e criando seu universo. Não sabem provavelmente que uns caras de um país longe chegaram aqui há quinhentos e oito anos e instalaram cidades e graças a essas cidades pessoas de todas as partes do mundo vêm pra cá.

As coisas que você ver hoje ninguém de antes, nem de depois verá. Eu gosto muito de ler o mangá Samurai X, é um dos meus favoritos, mas é uma obra tão recente, é uma coisa tão nova que uma pessoa de trezentos anos atrás entenderia nada, e é provável que uma pessoa daqui a cem anos sequer a conheça. É uma coisa específica do tempo atual, do hoje, do agora que é exatamente o que estamos vivendo. O tempo não é rápido, nem lento, ele apenas sempre passa e sempre está por vir ao mesmo tempo, e no meio, bem no centro tem uma linha minúscula que é o agora. Que acabou de passar.

Tempo é coisa como o amor. Ninguém explica, mas todos entendem.

2 comentários:

Anônimo disse...

verdade...

'antes do teu olhar não era, nem será depois, Primavera.'

boa viagem pelo tempo, sir.
e pelo amor, também.

Maria Kraô

Sir Alain de Paula disse...

Valeu. ^^
Pode deixar que devolverei o poema. =) É lindo, Cecília Meireles.

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