quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Número confidencial chamando.

Lá estava eu. Na verdade desde a mensagem dela dizendo que queria falar comigo, eu estava nervoso. Dei o número do celular do meu irmão – meu celular havia sido roubado, e sabia que provavelmente se alguém atendesse e soubesse que era ela não gostaria muito, embora sabia que ninguém faria nada além disso. No dia anterior não havia desgrudado do aparelho, andei com ele pra cima e pra baixo e nada por parte dela. No dia seguinte o deixei do meu lado enquanto usava o computador. Até o momento que recebi uma nova chamada.

Dizia ser um número confidencial. Minhas mãos começaram a tremer. Essa seria a ligação que eu esperei arduamente desde o último “Olha, eu te ligo mais tarde, pode ser?” de outubro. Sete meses então haviam se passado desde o "mais tarde". Sete meses de sumiço, mais da metade de um ano, e lá estava eu novamente prestes a falar com ela, que havia vaporizado literalmente há tanto tempo.

“A-alô?”. Atendi meio gaguejando. Reconheci o “Oooi” do outro lado. Era a mesma voz, a mesma saudação da pessoa que fazia questão de me acordar quase todo santo dia, e embora eu dissesse que odiasse aquilo, eu na verdade adorava, e sempre o dia parecia raiar de um jeito diferente quando falava com ela logo pelas manhãs. A conversa se estendeu por pouco mais de uma hora. E fiquei sabendo de tudo.

Descobri que pra ela eu não era um nada. Era apenas mais um na lista, alguém descartável que depois de um mês juntos iria pra lista dos retardados, ou apaixonados sem noção. Não apenas me deixou como me trocou pelo outro antigo. Pensou que eu não correria atrás, ponderou que ela também pra mim não significou nada. Mas significou. Afinal era ela a primeira chance que eu tive de dizer que eu não era feliz sozinho, mas era feliz ao lado de alguém. Alguém pra compartilhar, alguém pra se doar e receber doação. Alguém para amar, e ser amado. Simples. Mas para ela, não. Penso que pra ela nunca existiu nada. E tenho quase certeza disso.

Segurava as lágrimas com todas as minhas forças. Mas teve uma hora que eu não agüentei. Se ela soubesse que ao ser assaltado eu quase arrisquei minha vida a não dar meu celular exatamente pois nele estavam todas as mensagens que trocamos, todas elas tão pequenas, poucas palavras, mas que tinha dias que eu lia aquilo apenas para relembrar a emoção, a felicidade de um dia distante que sequer retornou ou retornará...

Conversamos sobre várias coisas. Entre elas apenas a fiz prometer uma coisa, que jamais fizesse isso com mais ninguém nesse mundo sob nenhuma hipótese. Acabe relacionamentos da forma mais grosseira possível, mas não suma. O sumiço tem um símbolo, não é apenas o de abandono, mas de a pessoa estar num nível tão desprezível que sequer merece ouvir um não, apenas ele deve viver com sua esperança infinita de sua parte perante um destino na sua frente com chance ínfima de sucesso. Magoe a pessoa, xingue, diga que é um nada, mas ao sumir você sem palavras diz que ela significou absolutamente nada. Que todas as ligações, palavras de carinho, amizade e paixão foram esquecidas, foram coisas lançadas ao vento perdidas entre um mar de brumas onde vagam sem rumo até um dia morrerem no eco dos sons mundanos. Que toda aquela emoção, a dedicação era um mero artífice para algo maior, que era absolutamente nada, um gigantesco vazio.

Ainda hoje a vejo. Seja em sonhos, seja virtualmente. Ela está lá, mas não tenho coragem de falar nada. Mas aos poucos tudo perecerá. Provável que eu me desligue cada vez mais, que não a queira ver, que fuja. Pois fugir eu sempre fui bom e tive talento pra coisa. E sei que fugir é algo que faço pra não ter que encarar a realidade.

Muitas coisas aprendi e reforcei conceitos meus já existentes. Uma das coisas, porém, nunca acreditarei que é correto abandonar as pessoas. Nunca. E nunca acreditarei.

Texto escrito originalmente em junho 16, 2008

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