segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Viva Angelina

Antoine Gelis era um abade de um pequeno vilarejo ao sul da França, em Coustaussa. Tinha setenta anos até então, até o fatídico "Dia de todos os Santos", o dia 31 de outubro de 1897. A noite virou dia, e com o dia veio o pânico. No pacato vilarejo a população acordara horrorizada ao ver que o reservado sacristão havia sido assassinado brutalmente. Imensas poças de sangue estavam espalhadas pelo local, seu corpo virado pra baixo numa posição onde os braços e pernas estavam cruzados de tal maneira que fazia referência a posição em que os cavaleiros templários haviam sido enterrados.

Seria um crime comum, exceto por alguns fatos estranhos. O ladrão não levou nenhuma quantia de dinheiro. Ladrões ao cometer latrocínio normalmente são levados pela vontade de matar e acabar com a única testemunha, que seria a pessoa assaltada, por isso acabam cometendo homicídio. Nas gavetas o dinheiro ainda estava lá, e uma boa quantia dessa. Naquele mesmo local estava uma bolsa, um porta-papéis, como os franceses viadinhos chamam, comumente usados para guardar documentos e estava arrombada, nada dentro. Um ladrão que entra numa casa, assassina o morador com mais de uma dezena de golpes na cabeça (inclusive em três pontos era possível ver o cérebro danificado) e o deixa dessa forma. Estranho.

Dentro de uma caixa de maços para fumo, uma coisa que inclusive o abade dificilmente usaria pois de acordo com relatos odiava o cheiro de cigarro, uma folha de papel escrita "Viva Angelina", a única possível pista que o ladrão deixou. Inclusive foi bastante metódico, não deixou nenhum tipo de pistas ou evidências, exceto esta. Até hoje o caso está sem solução.

Minha primeira suposição seria ignorar totalmente os laudos da perícia. Policiais são seres humanos, e não apenas no Brasil, mas eles podem se corromper em qualquer parte do mundo. Ninguém garante que teve apenas estas pistas, e se as pistas foram manipuladas para o laudo apenas constar as de menor caráter. Sim, estávamos no final de século dezenove, então não adianta pedir pro povo do CSI ir atrás e tampouco da época a perícia disponha de tanta capacidade de inteligência e tampouco de ferramentas de investigação apuradas. Segundo: alguns dizem que a palavra "Viva Angelina" em árabe a pronúncia significa algo como "Estou no jardim". Gelis havia escrito em seu journal seis anos antes dizendo que ele havia descoberto uma tumba, e naquela noite havia chovido. Seria essa a tal coisa que estaria no jardim que seria tão importante?

Chuva normalmente significa emoções, emoções fortes. Provável que a tumba tenha sido encontrada nas proximidades de Rennes-Le-Château, uma cidade que guarda estranhos fenômenos sobrenaturais. Equipamentos eletrônicos dificilmente funcionam bem na cidade, que aparentemente é um vilarejo normal sem nada diferente. Pessoas dizem que lá tem uma magia estranha no ar que ninguém explica. Mas isso, é pra um outro dia.

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