domingo, 25 de janeiro de 2009

Não sou conduzido, conduzo.

455 anos! Que beleza. São Paulo de riquezas, de desigualdades, de péssimos prefeitos, mas com moradores que mesmo diante dos problemas jamais deixariam de morar aqui, e não trocariam aqui por nenhum lugar do mundo.

Lembro que quando estudei arquitetura nós víamos muito sobre a História dessa grande metrópole, e pesquisando também na época fui descobrindo muitas coisinhas que as pessoas de fato não sabiam, ou apenas tinham ouvido falar. Uma das coisas que me atraiu, e até hoje eu gosto bastante, é a famosa Estação da Luz, que no começo era bem diferente da atual. Mas foi reconstruída com material vindo inteiro da terra de David Beckham, navios inteiros transportaram quase que um quebra-cabeças e trouxeram linhas ferroviárias que ajudavam o comércio, o monopólio inglês das ferrovias (que até hoje o governo morre de medo de perder, tanto que estatiza e segura o máximo pra não precisar vender) e é claro, até a Globo revitalizar há mais ou menos cinco anos e ali criar um dos museus mais modernos do mundo (se alguém falar que é a Pinacoteca eu darei um tabefe!).

Um bairro que eu estudei bastante nos tempos da arquitetura, e que inclusive lá na UNIb tinha um grupo de estudos voltado apenas para ele foi a Barra Funda. Poucos sabem por exemplo que o atual Parque da Água Branca era parte da secretaria de agricultura da cidade, e que desde os seus primórdios guardava um pequeno zoológico (hoje com um aroma muito peculiar de... Você sabe o que, hehe) e até cinema mudo e veterinária. Isso sem contar que foi localizado na Barra Funda que de hoje, só que agora uma escola muitíssimo cara na Alameda Glethe e oficialmente situado no bairro dos Campos Elíseos, próximo alí do Terminal Princesa Isabel, ainda existe esse instituto educacional que foi um edifício construído pelo mesmo arquiteto do Museu do Ipiranga.

Sem contar que a Barra Funda sofreu uma intensa revitalização muito recentemente, graças a muita parte pelo Terminal Verde Gigante, ou Terminal da Barra Funda, que liga Tangamandápio até o Polo Sul, com linhas de ônibus que vão até pra outros estados. O Memorial da América Latina, local onde foi no início do século XX o Largo da Batata, reduto de sambistas paulistanos, também é conhecido como grande elefante branco inútil, agraciado por nós por um dos muitos que irão para a listinha dos "prefeitos que jamais conseguiremos esquecer", Orestes Quércia. Sem contar que a tradição ferroviária do bairro não é a toa, pois a primeira linha de bondes da cidade tinha como ponto final lá naquele local.

Passeando de trem ainda entre as estações Barra Funda e Água Branca por exemplo ainda se pode ver muitas construções abandonadas de antigas estações que ligavam o interior até o porto de Santos. E claro, muitas chaminés gigantescas abandonadas, herança do finado império Matarazzo. Pesquisei muito na época sobre essa família de irmãos imigrantes também, hehe... Entre um dos fatos curiosos era que Francesco Matarazzo, o patriarca da família, foi a primeira pessoa a ter um automóvel no Brasil. Isso, no início do século XX, onde nem na Europa eles tinham direito. E digam-se de passagem, na época todo o lucro das Matarazzo era equivalente a um terço, ou metade do PIB do Brasil na época, mas infelizmente acabaram por falir pouco depois da Segunda Guerra por falta de qualidade dos produtos, devido ao "boom" da qualidade no setor de comércio.

Hahaha... Caraca, pior que revendo os arquivos aqui eu vi que pesquisei muita coisa sobre esse lugar, que pouco é lembrado pelos paulistanos, que na época de aniversário sempre falam da Sé, República ou Liberdade, mas que tem tantas histórias bacanas como qualquer outro.

Essa é São Paulo, com cada bairro, cada cidade da Grande São Paulo com histórias, contos e fatos que cada dia mais intrigam os moradores loucos dessa cidade igualmente louca e corinthiana. Non dvcor, dvco.

1 comentários:

::gabi:: disse...

São Paulo é o exemplo perfeito do amor e do ódio. Diz-se que às vezes o ódio é tnao grande que acaba virando amor e vice-e-versa, para você ver como os sentimentos são parecidos (eu meio que discordo disso, mas vá lá..). Eu adoro essa cidade e não consigo imaginar outro lugar onde poderia estar. Estou em casa, dali a 20min estou na Av. Paulista, mais 20min e estou na Liberdade e eu AMO isso, até quando eu tenho que despencar do meu fim de mundo pra ir a outro fim de mundo achar o SENAC ali na beira, quase caíndo, hehehehehehe. Só não vou falar do trânsito se não estraga =P. É...ali onde eram as indústrias Matazzo virou um lugar para eventos se eu não me engano...nunca estive lá pra ser bem sincera, nunca me convidaram! Huahuahuahuahuahua!
Beijos!

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