quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Nada importa se nada não preencher a alma.

Invólucro sem um conteúdo, sem um estofo. Amar é uma coisa que não importa em que idade você esteja, sempre agirá da mesma maneira como agia quando sentia esse real sentimento aos quinze, ou até antes. Daquela forma bem boba mesmo. Nascemos sós, apenas nós por nós mesmos, e durante muito tempo crescemos nessa mesma base. Fazemos nossas amizades, círculos que convivência que incrementam nossa alma, e inclusive muitas pessoas são completas apenas com isso. Para um grande número de outros, ainda falta algo.

Não apenas hoje, mas sempre o ser humano teve necessidades, e para suprir essas necessidades corremos atrás de algo que sane isso, mesmo que seja temporariamente. Talvez seja por isso que tantas pessoas acabam em vícios, sejam por drogas ou narcóticos, ou viciados por relacionamentos rápidos um atrás do outro, trocando de ficante como de troca as calças. É exatamente essas pessoas, das que a cada dia experimentam um novo, ou nova, que dizem ser os mais solitários e os mais melancólicos. Na teoria, se tem tantos e com tanta frequencia, porque ainda sentem-se assim? Existe sim uma maneira se caso tivermos a necessidade de um beijo, conseguir com alguma mulher, ou um carinho ou quem sabe algo mais. Esse aspecto porém é temporário, é líquido.

Mesmo que a vontade saia ainda existe o fator de 'não mais com aquela pessoa', ou que jamais a veremos novamente. Porém continuamos invólucros para se guardar a alma sem exatamente o essencial: a alma.

Pode haver beijos de desconhecidos, abraços forçados, carinhos mentirosos mas isso nunca será o que nos preencherá por dentro. Ter um amor de verdade é além disso, mas acima de tudo é ter alguém do seu lado, nem que seja pra ficar quietinho vendo televisão do seu lado num dia frio envolto por cobertores. É olhar pro lado e ver que tem alguém, e que tem alguém que mesmo longe está pensando em ti. Isso preenche nos como um todo, e nos dá o que chamamos de "alma", nos faz sermos humanos acima de tudo.

Nem que estejamos errados, que esteja sempre lá achando que tudo o que fazemos é o sempre bom com aquela falsidade que adoramos, mas se fazemos algo ruim também nos goste o bastante para dizer que podemos melhorar e fazer certo da próxima vez... Sentir falta de alguém que mande a gente calar a boca e corrermos beijar essa pessoa exatamente pois a magoamos e queremos ser perdoados, que ache as nossas tristezas e melancolias como as coisas maiores do mundo, e em prática não são, mas pra nós são infinitas e essa pessoa jamais te achará um babaca por ter esse tipo de coisa.

Todos os dias falo com ela, e quando falo até mesmo o silêncio é bom. Fim de semana não nos falamos, mas percebi que conto as horas pra passar e encontrar com ela novamente na segunda. Antes de ontem por exemplo não podemos nos falar, e ontem foi tão rapidinho que nem deu pra falar direito. Amar também é um vício, mas que dosado faz muitíssimo bem. Nos preenche, nos faz ter mais amor pela vida, nos faz ver as coisas coloridas e melhora até o humor e tira cabelos brancos. Cair de cabeça no abismo não vou, apenas o mesmo erro cometemos duas vezes porque queremos, mas sabe como é né? Esse tipo de coisa sempre é inexplicável.

Sentir-se novamente amando daquela forma pura e ingênua da infância, das primeiras paixões. Esse sentimento permanecer vivo dentro nós e de fato ver ele acontecendo mais e mais vezes... Esse é um estofo, afinal somos mesmo grandes invólucros, e paixão é uma das coisas que nos preenchemos daquela forma única, sim?

Imagem - Nezha, divindade Tao/Budista conhecida pela sua frieza, e também por ter nascido "sem alma".

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