segunda-feira, 30 de março de 2009

Medo. Paixão.

Engraçado como são exatamente os homens que mais escrevem e descrevem melhor o que é paixão, amor, sentimentos.

Mas porquê? Qual será o motivo de Shakespeare mostrar suas filosofias para o mundo, mudando conceitos? Reflito bastante sobre. Como homens que ao mesmo tempo tratam mulheres como um pedaço de carne com seios e bunda e ao mesmo tempo conseguem refletir coisas com tanta maestria sobre sentimentos entre duas pessoas? A matéria-prima está aqui, só falta dar uma moldada e achar o significado.

Tinha um amigo na época do colegial que uma vez ele chegou em mim e disse: "Cara, queria voltar a amar como antes, sabe? Coisas bobas mesmo, como se enquanto tivesse almoçando, estaria pensando nela, e o que ela estaria fazendo, entre outras coisas idiotas de romanticos, mas que dão um tempero todo especial." Pra ser sincero pensava eu que seria uma regra absoluta, mas não é bem assim.

Homens podem ser mais fortes fisicamente que as mulheres, porém são seres fracos com a dor. Ah, a dor! Quando caímos ou estamos doentes ficamos piores que crianças. Quando temos uma unha encravada nem conseguimos andar, pegamos aquela dor mesmo que seja uma coisa suportável, ampliamos e exponenciamos. Homens ao sentir dores multiplicam a sensação, e como somos seres com apenas um foco, acho que o problema está bem aí: "A dor pode parecer uma coisa simples, mas nós multiplicamos".

Por isso mulheres são tão fortes. Para se falar verdade, muitas vezes temos que perscutir até o fundo das almas, bem fundo do poço mesmo, aí tudo fica um bocado mais claro. Por isso paixão soa como doença para esse tipo de homem. Paixão é quase um medo. A menina pode ter 1m50, mas falar com ela deixa-nos tremendo e com o coração saltitante, como se estivéssemos próximo da morte, algo do tipo. Por isso homens apaixonados nunca nada conseguem e os malvados facilmente conseguem uma.

O homem pega a dor da paixão e a multiplica como se fosse uma doença. E ao fazer isso, declara uma espécie de morte. Nenhuma garota irá dar atenção a esses sentimentos, pelos quais ele terá que carrega-los consigo pelo resto do tempo. Talvez até o ponto de que ele consiga ter mais os pés no chão, e conseguir herdar a questão da realidade, não idealização. Conhecer a pessoa, fazer as coisas acontecerem, terem uma relação bacana e tudo mais. Simples. Perde-se um pouco da magia, das estrelinhas, mas ganha-se confiança e alguma maneira de não sentir-se um inútil.

Na época pensei que esse meu amigo estaria virando exatamente a pessoa fria. Hoje vejo que isso veio a partir de amadurecimento, embora a realidade nunca tenha tanto romance quanto a idealização.

1 comentários:

Natalia Alvim disse...

(...) mas falar com ela deixa-nos tremendo e com o coração saltitante, como se estivéssemos próximo da morte, algo do tipo. Por isso homens apaixonados nunca nada conseguem e os malvados facilmente conseguem uma.

Você matou a charada, por isso aquela discussão do "bonzinho só se ferra" , o apaixonado perde o método da conquista, fica desarmado desaprende a jogar, o pegador, não, ele está lá pelo jogo e joga com método por isso ganha. E as mulheres embora delicadas e sutis, não conseguem perceber que atrás de um comportamento bobo pode estar escondido um apaixonado desajeitado ( e desajeitado posto que apaixonado ) ela pode facilmente se encantar com o jogador que aparente segurança, determinação, bravura etc...mas que esteja tão somente jogando.

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