terça-feira, 10 de março de 2009

Moleque com mais de duas décadas.

Fala aí se depois que ficou pronto não deu um super orgulho? Hahaha... Mas como tive que ir na pedicure (leia-se minha tia) tratar meu dedão que vive com "pele" e sempre ela tira muitos "bifes", o tênis apertou até demais. Mas poxa, o que levaria um cara nos seus *piiiiiiiiiii* anos a usar um All Star?

Sei lá. =P

Nunca usei. Uma porque nunca tive muitas condições pra comprar um quando era pirralho. As coisas melhoraram um pouco então resolvi me dar um, mas o desenho da personalização demorou um pouquinho a sair e consequentemente o uso do mesmo também.

Mas quase todos usam, sei lá, pra eu parecer mais ter menos anos resolvi adotar. Ok, essa desculpa não colou.

Olha só que coisa interessante. Acho que deve ser complexo, isso sim. Mas talves um complexo que traga alguma vantagem por mais estranho que pareça. Não tive uma infância comum igual a todas as crianças, sempre tive muitas obrigações e proibições desde cedo. Fui criado pra ser um cara bonitão que troca de namorada a cada mês, inteligente e com cabelo pra trás de siciliano, esportista e bem alto, trabalhador e bem resolvido. Só o inteligente tenha ficado, embora a coisa vai bem além de apenas inteligência. Altura acho que passou até um pouco além, mas o resto foi bem diferente. Até o cabelo, certo?

Tem um casal de crianças, que acredito eu moram ali pelas bandas do Guarapiranga e os vejo de vez em quando nas linhas do Term Jd Angela ou Guarapiranga. O menino é meio surrado mesmo, é o mais velho, mas a menininha, nossa... Toda vez que eu a vejo meus olhos lacrimejam mesmo. A menina tem as bochechas manchadas sempre, seja de sujeira, chocolate, etc. Tem o cabelo até a cintura e castanho claro pra louro. A mãe deles parece que talvez goste mais da pequena, porque embora sejam roupinhas meio sujas ela sempre tá bonitinha. Com alguma coisa em cor-de-rosa, nem que seja uma presilha.

Ambos vendem doces em ônibus. E de noite, o que é ainda mais perigoso.

Uma vez eu vi a mãe deles. Diga-se de passagem, parecia muito a comparação infame entre Fantine, a mãe pobre e mal-vestida que perdeu o namorado que a engravidou e Cosette, a filha de Fantine que a mãe a enchia de roupas bonitinhas de seda e via nela a mulher que nunca foi. Ambos de "Os Miseráveis", escrito por um porco francês, mas esse é respeitável, Victor Hugo. Não vejo a menina nunca com um brinquedo, nunca com um sorriso no rostinho e isso porque ela tem no máximo uns seis anos.

Moleque homem até vai, eles sabem pular, pegar carteiras e fazer adultos de trouxa. Mas menina, poxa vida... Só peço que Deus proteja de coração essa menina pra não cair num mal caminho, o que vai ser bem difícil. E que saia dessa vida também.

Lugar de criança é com brinquedo. Obrigação de criança é brincar. Fui bem privado disso e sei como é horrível ver os amiguinhos todos esfolados porque caíram, rasparam os joelhos e cheios de arranhões ou literalmente pretos por ficarem soltando pipas. Pode parecer péssimo nos olhos de adultos mas é tudo que uma criança quer ao ver todos os amiguinhos brincando, é se esfolar, de machucar mas acima de tudo se divertir bastante, certo? Afinal sempre quis e não pude fazer nada daquilo. =\

Por isso quando tiver meus pirralhos uma das obrigações que eles terão comigo como papai é de sempre brincarem, além de estudos, obediência e honra, óbvio. Coisa tão simples. Vai que um dia quem sabe ficamos com menos moleques crescidos como eu no futuro, e quem sabe será menos triste pra esses mesmos? =)

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