segunda-feira, 6 de abril de 2009

Ame, do mesmo jeito que dança.

Amar é como respirar. É uma coisa que vem nos nossos genes. Talvez até existam aquelas teorias infundáveis sobre nós sempre procurarmos uma parceira, mas convenhamos: por mais frio ou calculista que você seja, em algum ponto na vida teve alguém que fazia seu coração bater mais freneticamente. Não é uma necessidade, como disse, é algo que precisamos pra viver tanto quanto respirar. Nem que seja apenas uma vez, seja com dez anos quando seus pais diziam que você não sabe o que é amor, ou então aos mais de sessenta quando você imaginava não mais encontrar ninguém.

Estava ouvindo uma composição meio rara de Edvard Grieg, chamada I love you. Pra ser sincero não conheço. Aliás, nem gosto de ficar sabendo tanto de estórias por detrás de histórias. Tira ás vezes um pouco da magia das coisas.

Feche os olhos e seja embalado pela música, magnífico. Não me venha dizer que isso são palavras de velho senil que fica sentado na poltrona com a vitrola rodando antigos LPs. Música é uma coisa tão única, que pra mim só perde para as artes plásticas e arquitetura.

Sinto uma verdadeira dança. Primeiro sons leves, depois sons graves. Podem ser até conflitantes, mas eles andam magicamente juntos, compõe e pra nós é deixado esse som. Vemos indo até lá em cima, descendo, mas sempre na mesma calmaria de sempre. Amor, como aquela coisa que nós deixamos nos levar, e sabemos que mesmo que isso aconteça irá trazer de alguma forma uma sensação de prazer pra nós, independente de terminar bem ou não. Algo que preencha nossas almas. Uma síntese do caos e da paz, um vício que nos livra das dores do mundo, e por aquele ínfimo momento nos faz crer que exista algo melhor. Algo melhor e maior que vai além de tudo isso.

Temos que amar do jeito que dançamos.

Pessoas dizem que o homem conduz, uma lenda. Estaria então nós homens como seres responsáveis pela felicidade de ambos? Dançar não precisa que ninguém tenha o comando, mas é muito mais uma questão de harmonia do que subordinação. É a questão do homem ter ao mesmo tempo a leveza e a firmeza, e a mulher harmonia e confiança. Ambos se misturam, e nunca uma dança é feita apenas pelo homem.

Homem é sempre aquele que muitas vezes é um observador, onde sempre na valsa a mulher com toda sua majestade é a que mais prende a atenção. O homem é o protetor, que tem nas mãos um ser de porcelana, uma amada que pra ele tem a delicadeza de uma flor, logo seu anseio é tratá-la e cortejá-la de tal forma pelo salão que todos de alguma forma vejam toda a graça daquela que está não na sua frente, tão pouco atrás, mas ao seu lado. Mostrar ao mundo que aquela é sua escolhida, a sua parceira de dança, assim como parceira no amor.

Mulher por sua vez confia no homem, aceita-o como uma espécie de guia, que a leve por locais onde ela possa girar e encantar a todos. Com ela fica toda a questão do movimento, da coreografia, da verdadeira beleza e singularidade da dança. Carrega a pureza nos movimentos e a expressão através do corpo. Caminha entre giros, encantando a todos. Olha pro seu amado protegendo suas costas, assim como é protegida. Seus olhos, normalmente mais baixos que o homem fazem a tarefa das mais complicadas, confiança nos atos do parceiro, mostra sua majestade.

Como sons graves e acordes agudos são tão explendorizamente expressados? Dance!

Dança como harmonia. Harmonia essa, presente no amor. Dance a dois, e deixem juntos serem enviados às profundezas da alma humana. Imagem: Quadro de Pierre Auguste Renoir, na minha opinião maior gênio do Impressionismo, na tela entitulada Baile em Bougival.

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