quinta-feira, 14 de maio de 2009

Dilema de comediante é fazer drama.

Estava vendo ontem um dos meus filmes favoritos: Espanglês, com Paz Vega e Adam Sandler. Acho os roteiros de Adam Sandler excelentes comédias, porém sempre é ele, do mesmo jeito, do mesmo caráter sonso e bobo de sempre. Tem hora que enjoa, e mostra que ele como ator não é dos melhores, embora saiba escrever muito bem. Outro que está na minha lista de favoritos é Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, com Jim Carrey que pra mim não faz uma comédia bacana desde Todo Poderoso, em 2003...?

Engraçado que ao falar desses dois artistas remetemos logo aos filmes de comédia. E não vamos negar que sejam bons, mas aqui ambos os dois filmes são dramas, são lições de vida e muito mais do que filmes onde apenas damos risadas.

Há um tempo atrás, logo depois que eu deixei de fazer teatro, conheci um amigo que é ator, no colegial. Ele dizia que deveria ser bem frustrante nós dois atuando: pois eu quando quero ser sério, acabo sendo engraçado, e ele o contrário, quando quer ser engraçado, termina parecendo sério. É bem estranho pra alguns ver um filme com Jim Carrey onde ele resolve apagar da sua mente a menina com sérias disfunções mentais (tem alguma explicação lógica, a não ser TPM óvbio, para as decisões da Clementina no filme?) onde, pelas suas gesticulações, de um ator comediante, onde as expressões são sempre tão exageradas, e ainda prestarmos atenção.

Talvez seja por isso que muitos me acham o cara engraçado e poucos são os que vêem além do palhaço sem graça, sim?

Porque a vida tem que ter drama. Não se pode fazer apenas graça, ser carismático o engraçado. A vida tem seus dramas, suas brigas, suas felicidades, suas frustrações e suas tristezas. E mesmo que pense que apenas é isso que exista, temos que entender que é apenas um momento ruim, que tudo vai passar. Que namorados vão passar e virão outros, que carros quebrarão e virão outros, que amigos irão embora e virão outros.

Vida inteira sempre substituí pessoas. E acho que é normal, coisas são tão fulgazes... Difícil de acreditar que exista algo eterno nesse mundão, se nós, poxa... Estamos engatinhando! Só passaram só dois mil anos que um cara lá longe organizou ensinamentos de bondade, amor e compaixão, e mesmo hoje ainda estamos aprendendo, assimilando esse tipo de coisa. Tentando digerir.

Um dia você faz comédia, no outro vocês fazem um drama, depois um terror, depois uma ação. Filmes são retratos da vida: Entendemos que é uma cópia, baseado na realidade, mas nunca será de tão valor quanto a realidade, e isso é a coisa mais saudável do mundo.

Pessoas escrevem tantos livros sobre suas vidas. Veja por exemplo, Vera Fischer. Cara o que ela fez da vida? Miss Brasil na década de 1740. Viu a independência, proclamação da república, Vargas morrer e a ditadura acabar. O que a vida dela tem de interessante que a de ninguém não tenha? Poxa, eu vi o Atentado de 11 de setembro na manhã do dia, e pensei estar vendo um filme, e depois pensei: "Caraca, isso não é um filme! Mas... Peraí. Acho que esses terroristas estão é vendo filmes demais pra ter uma idéia dessas de jogar um avião num prédio!"

Briguei com pessoas, machuquei, fui machucado, adoeci, já quase morri umas três vezes, já ressuscitei umas não sei quantas, ainda choro quando ando em Moema, sinto frio na barriga ao entrar no Senac como no primeiro dia, jogo Mario ainda como um moleque de sete anos e continuo sendo o homem da casa pra matar baratas, ratos, centopéias porque até meu pai tem medo dessas coisas. Exceto aranhas, e isso por incrível que pareça ninguém em casa tem medo, exceto eu que sou aracnofóbico doentil...

E a vida prossegue. Jim Carrey (talvez) é engraçado? Possivelmente. Mas não quer dizer que ele, nem a vida de ninguém seja um mar de rosas. Porque se fosse, perderia a graça! Que dane-se o paraíso, acho que o melhor presente que Deus tenha nos feito teria sido jogar a gente nesse inferninho que é a Terra. Senão continuaríamos como o Adão, que ao ter sua primeira ereção grita pra Eva: "Afaste-se! Eu não sei que de tamanho essa coisa vai ficar!!"...

Hahahaha... Adoro essa piada. =P

2 comentários:

Anônimo disse...

'É bem estranho pra alguns ver um filme com Jim Carrey onde ele resolve apagar da sua mente a menina com 'sérias' disfunções mentais (tem alguma explicação lógica, a não ser TPM óvbio, para as decisões da Clementina no filme?'

esse trecho é pra rir ou pra
chorar?

vou te dizer, eu gosto bem da
Clementina do filme. não sei
como seria alguém daquele jeito
no 'mundo real'. mas a gente tem
de dar um desconto a ela, não?
ela vive dentro de um filme. dentro de um texto, de um roteiro q não é ela quem escreve.não bastasse isso, eh a todo momento construída e desconstruída (como massinha de modelar, tem um amigo meu q sempre diz q o passado eh q nem massinha de modelar!) pelo amante, seja dentro da cabeça dele, da memória dele (alterada ou não), seja nos desenhos q ele faz o tempo todo, desenhos q ele faz no papel, desenhos q ele faz na mente, e muitas vezes não enxerga a mulher concreta, mas os desenhos q nunca nunca nunca consegue parar de fazer. se qdo eles dois alteram a memória, o filme vai fazendo aquela desconstrução maluca, angustiante, de as 'coisas' irem sumindo atrás deles, se decompondo, antes da 'desmemorização' feita pelo cientista maluco a coisa não era melhor, pq qto maior era intimidade entre os amantes, parece q menos eles se 'viam' como nos primeiros momentos, e mais criavam imagens um do outro, desenhos 'lógicos' ou não, modelos enquadrando um ao outro e se deformando reciprocamente, até um não reconhecer mais o outro, até se perder toda a magia, até um ficar cheio dos 'defeitos' do outro. é assim q acontece, não?

eu gosto da Clementina.
não acho ela louca nem palhaça.
se vivesse fora de um filme, acho que seria triste e alegre, como de resto todo mundo é. não fugiria do inferno nem do paraíso. acho q ela só tentaria amar,muito, pq o amor dos dois lá no filme de qq maneira é forte, é bonito. acho q ela tentaria amar. e viver. tocar nele como ela pudesse, pq ele não era um cara nada fácil, tb. mas era o cara q ela queria. q queria ela.a imagem e a mulher real. mas as duas coisas não são a mesma coisa, né? uma coisa é desenhar uma porta fechada. outra coisa é fechar porta de verdade. é não responder a quem a gente gosta, pq é difícil ouvir o q tememos, o q não entendemos, o q nos deixa inseguros. mas lutar contra essa tendencia de fechar a porta real e preferir sempre tentar a outra compreensão, pela imagem, pela palavra escrita, tb é um sinal de luta, de esforço. todo mundo tem suas fragilidades, e muitas vezes elas são até o q cada um tem de melhor. mas se a gente não percebe q essa fragilidade às vezes nos faz 'inventar' o outro antes q ele tenha tempo de 'ser' pra nós, de nos mostrar quem é, vai se isolando, se perdendo... do outro e da gente mesmo.

sei lá, acho q é algo por ai.
bacana o seu blog

abs
Sandra

Sir Alain de Paula disse...

Olha só, tava com saudades desses seus comentários, hahaha.

Vi aqui e nem acreditei, dona Clara, Sandra, Ana, ou sei lá o que. Vou te chamar de "Clara", acho o mais bonito dos três, embora você sempre mude. ^^

Mas sei lá. Falou algumas coisas interessantes, mas algumas eu não concordo muito, haha. Não sei se me falta experiência ou paciência, portanto não tenho moral pra falar muita coisa. Me reservo ao direito de ficar calado.

Ganhei meu dia! hahaha. Fazia tempo que não via comentários seus aqui, e obrigado pelos elogios, como é de praxe.

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