domingo, 16 de agosto de 2009

Impotência. Defesa.

O recado viera pelo correio. Sobre uma reunião familiar, e meu irmão mais velho por ser casado com um membro daquela família tinha que ir. Ele escapara de todas, mas essa parecia séria. Eles não gostavam dele, dizia que vinha de uma família desequilibrada, diferente dos costumes. Deixei a carta numa mesa e fui me trocar, depois saí em direção ao casarão onde estariam reunidos. Parecia algo relacionada a uma herança, não sei.

Chegando no local, entrei calmamente. Vi um monte de homens em pé conversando, inclusive chamaram minha atenção. Virei na hora, assustado, afinal era uma criança que veio apenas explicar e pedir desculpas pessoalmente pela ausência do irmão mais velho, inventar uma doença, qualquer coisa valia. Mas não foi tão fácil. "Ei, garoto! Aqui não é lugar de crianças! Papo de adulto, saia já daqui!"

"Desculpe, senhor", disse eu tremendo de medo por todos os cantos, "Vim apenas dar um recado, que meu irmão não vai poder vir hoje, peço desculpas!". Eles pararam por um momento. A esposa do meu irmão estava lá, observando tudo, sem mexer um músculo. Definitivamente os Blain não tinham lá muita descência.

"Seu irmão, aquele merda! Nunca vem em nossos encontros de família. Parece que repudia só pela nossa nacionalidade! Diga pra ele que, se ele não vier hoje não virá mais...!", na hora eu o interrompi, exclamando "Não, senhor! Meu irmão é uma pessoa nobre, é bondoso e gentil, apenas está doente e não poderá vir!".

O velho deixou sua bebida com um amigo do lado, era possível sentir o hálito etílico forte nele. Enquanto resmungava "Não vai vir, não vai vir, não vai vir, não vai vir...". E então ele se virou pra mim, dei um passo pra trás pelo susto e quando percebi sua perna estava vindo pra cima de mim, um violento chute e de súbito sentir meu corpo sendo puxado pra trás por alguém, enquanto o pé, que não havia me acertado, com o impulso fez o homem tropeçar.

Atrás de mim uma voz conhecida, seus braços me abraçavam e me protegiam. Dizia em alto e bom som "Espere um pouco, você. Não dou a mínima pras asneiras que você fala de mim, mas não perdôo essa sua perna que quase acertou meu irmãozinho. Vamos, coloque ela aí novamente pra que eu possa torcê-la!".

"Ora, então você... Você chegou!", disse o homem, já bem alterado. Achei engraçado que a esposa de meu irmão ficou no mesmo lugar, sem mexer um único músculo. Não gostava de mim, nem eu dela. "Idiota! Cala essa sua boca, fique caladinho seus paspalhos!", na hora ele me levou pra sentar, porém o velho não cessou os xingamentos e ordens para se calar.

Foi nessa hora, depois que eu já estava sentado e bem mais calmo que meu irmão não aguentou, virou no impulso e deu um chute bem forte no velho. Ele não era forte nos braços, e assim como eu tinha pernas grossas e bem fortes, podem ter uma noção da dor pois o velho ficou quase inconsciente. Depois ele disse algo que dei bastante risada.

"Ops, foi mal. Você disse pra eu calar a boca, mas não disse nada sobre meus pés. Coisa de instinto sabe, eles ás vezes falam pelos cotovelos!".

Bem feito.

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