segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Pegue as coisas, feche e porta e vá embora pra nunca mais voltar.

Bom dia. Pegue seus pertences e vá embora. Carregue seus sentimentos para um lugar distante e os abandone.

Ouvi o barulho de alguém chegando. Estava envolto por uma manta, deitado no sofá. Sequer tinha notado, já passavam das sete da manhã, o dia já tinha raiado. Ela entrou e deu logo de cara comigo. Estava ela com cabelo bagunçado, roupas desengonçadas, mas isso das roupas era sempre. Parecia estar levemente maquiada. Me fitou com um ar surpreso, já questionando: "Ei, o que você tá fazendo aí? Por acaso ficou me esperando a noite inteira?"

"Claro que não". Mentira. Não estava conseguindo dormir, de alguma forma a sua não-presença me dava medo. Mal ouviu a minha resposta, outra interrogação surgiu: "Espero que não esteja cobrando fidelidade de mim. Nossa relação é arranjada, não sinto nada por você e somente tenho que conviver com você, nada mais que isso. Apenas de fachada".

"Cala essa boca. Saí com duas ontem". Outra mentira. Talvez não seja tantos pelos laços, mas naquele momento percebi que algo crescia em mim. Cheguei a fraquejar, gaguejar um pouco na resposta. Meu pulso acelerou e ela se dirigiu até o banheiro.

Naquela hora, não sei porque meus olhos se encheram de lágrimas.

Traição é uma coisa tão triste. Se homens soubessem como é triste você gostar de alguém e saber que ela some repentinamente ou então simplesmente te troca, te abandona, não sente nada por você mesmo você ainda sentindo. É algo que machuca tanto a gente, tanto quanto mulheres. Acredito que se muitos homens que sentissem na pele isso jamais iriam dar em cima de qualquer outra garota com sua namorada do lado. Mesmo.

Mas depois que o ato é consumado, nada mais temos a fazer a não ser sentar. Desistir de tudo, largar tudo, inventar mil e uma coisas. Pode ser também de você ser a pessoa mais desprezível do mundo e aceitar dar uma nova chance pensando em "redenção", ou simplesmente porque "ama".

Quando porém essa segunda chance existe, a gente percebe que ama muito mais o outro que a si próprio. Percebe que sua alma é doentia, embora exista sim uma nobreza invejável. Que a pessoa não sai da sua cabeça, que quer perdoar e ao mesmo tempo não quer. Acredita sim que existem bilhões de mulheres no mundo, mas sua mente teima em crer que existe apenas uma. E você se fecha.

E cai num precipício.

Não se olha mais no espelho.

Dá segundas, terceiras, quartas e infinitas chances. E ela erra segundas, terceiras e quartas até infinitas vezes uma atrás da outra.

Naquela hora ela voltou, saindo do banheiro. Limpei o rosto quando percebi a maçaneta girando. Ela caminhou com aqueles passos perdidos até a cozinha, olhou pra mim de súbito e disse: "Você mente muito mal". Não fiz nada. Me senti um lixo de pessoa, e embora fosse apenas um jovem na época, parecia estar com aqueles sérios problemas de adultos tardios.

Mudo. Até a respiração estava controlando. Sentia meus batimentos mais fortes. Até que o silêncio foi quebrado por uma sentença dela "Você é bonzinho demais. Você acredita nas pessoas, acredita em amor, em Deus, em justiça, honra e se alguém especial está perdido você corre ao seu encontro".

Na hora não aguentei e falei em tom alto "VAI SE FUDER! Tá aí me humilhando, chamando de miolo mole? Vá cuidar da sua vida e da gente da tua laia!".

"Não. Não foi isso que quis dizer", e depois ela concluiu, calma e fria como toda boa aquariana "Apenas é seu estilo. Não faz tanto o meu, mas sem dúvida é algo louvável".

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