sexta-feira, 11 de junho de 2010

Abstrações infantis

Esses dias estava no ônibus, voltando pra casa pra fazer o bendito trabalho de metadesign. Estava do lado do motorista, e um garoto - com sua mamãe - ficaram do meu lado, uma vez que o ônibus estava cheio, e não tinha como passar da catraca.

Estava morrendo de sono no dia, aí do nada o menino disse para a mãe: "Olha mãe, parece uma boca!!".

Não entendi direito e olhei pra onde o garoto apontava. A traseira do ônibus tinha um orifício que, de fato, lembrava uma boca sorrindo.

Comecei a então bater um papo com o garoto e a mãe. Não gosto de tratar crianças como doentes mentais fazendo mimos exatamente porque era moleque e odiava ser chamado de "o queridinho da titinha cuti-cuti" e sentia que todos me tratavam como um retardado mental. E crianças, por incrível que pareça têm uma clareza de mundo incrível. Só os adultos que não acreditam nisso.

Achei bacana porque o garoto provava muitas daquelas coisas que via na faculdade. Ele via rostos nos carros, desde o olhão do fusca até a cara emburrada do Civic.
Não era apenas eu o pirralho que via isso, e ainda vê. A mãe dele, óbvio, se divertia. Até mesmo a pinta da Sabrina Sato ele via nos traseiros dos ônibus.

Ele dizia, aliás, que adorava o pânico. Garoto tinha apenas oito anos, não mais que isso, poderiam dizer que a mãe era uma descuidada em deixar o garoto ver esse tipo de programa, mas ele sabia os bordões de todos os personagens. Até mesmo o do Serginho, do BBB, satirizado no pânico (alôka!). E o mais legal, o garoto não tinha preconceito por ser um personagem gay. Dava risada dele normalmente. Achei MUITO bacana isso. Eu tinha uns amiguinhos meio bichinhas, mas respeitava e eles me respeitavam sem problemas, sem preconceito. Mas eu era o único, todos linxavam esse amigo bichinha (e eu, por ser amigo dele, mesmo eu não sendo).

O preconceito contra gays é forte até nas mulheres. Sou hétero, e não tenho problemas em conversar com pessoas assim, talvez porque eu não tivesse esse tipo de preconceito que todos na minha época tinham. E ver esse garoto assim, já é um começo. Óbvio que provável que esse preconceito nele nasça na adolescência com os hormonios, mas já é um começo que quando ele pirralho consegue ter essa consciência, né?

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