segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Defesa. Impotência.

"Vagabundo!"

De longe eu apenas ouvia. Parecia mais um membro perdido da família gritando com algumas crianças. O mais velho era um garoto de uns nove anos, ele defendia suas duas irmãzinhas menores com avidez.

Fiquei apenas observando de longe quando o cara avançou contra o mais velho na base dos empurrões, pegou a garota do meio e lhe deu um tapa. Na hora levantei e fui correndo ao encontro, separei a menina e empurrei o cara.

"Ei, cara. Dou a mínima pra que você fala de mim ou da minha parte da família. Você está visivelmente bêbado e bateu na minha priminha. Vamos, levante a mão contra mim para que eu possa quebrá-la agora!".

Peguei as crianças e levei para alguns tios ficarem de olho nelas. Elas sequer me conheciam, e não pareciam estar nem um pouco agradecidas. O garoto mais velho se sentia um fraco por não ter podido defender as mais novas. Peguei uma bebida e voltei pro meu canto.

Ela estava lá, como sempre, me esperando.

"Aquele ali conhecia o seu finado irmão, não?", ela disse.

"Conhecia sim. Ele não gosta da ramificação da minha. Acho que é talvez por causa daquele rolo do meu irmão".

Ela parou e ficou me fitando, mas parecia prestar atenção em um cara que ia andando para longe. Quando o cara finalmente foi ela aguardou um pouco, eu pensava que não era nada, foi quando ela virou pra mim.

"Aquele cara disse que viu a cena quase como déja-vu. Disse que parecia que era seu irmão quando te defendeu na reunião da minha família, oito anos atrás", ela disse, do jeito frio que sempre teve.

"Tolice. Se eu tenho como defender alguém, é mais que minha obrigação defender. Foi isso que ele levou a vida inteira pra me ensinar, né?"

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