quinta-feira, 30 de setembro de 2010

apenas... Sozinho.


Hoje, depois de chegar do serviço, tomar um banho e ver um pouquinho do horário político, estava eu indo tomar uma dipirona - depois do estressante e, não vou negar, desestimulante dia de trabalho - quando minha mãe virou pra mim e disse: "Você quer ajuda pro seu TCC?"

Ela demorou pra perguntar.

Muitas pessoas sabem que eu sou a primeira pessoa a estender a mão quando alguém precisa de mim, mas sou o último a pedir ajuda. Isso não faz parte de orgulho, mas acho que é mais uma coisa dela que mesmo depois de falecida continua em mim: a vontade de sempre mostrar frieza em todos os momentos, que tudo está sobre controle, e que não precisa de ajuda.

Tenho vinte e seis dias pra entregar a monografia, e pra variar, aparecem problemas de última hora. Coisas imprevisíveis, uma pesquisa pra um comitê de ética de merda da faculdade que provavelmente tirará todo o mérito da minha pesquisa. E esse é um dos menores problemas, se parar pra pensar nos outros.

Mas quando minha mãe ofereceu ajuda, pensei que como eu me vejo deslocado e sozinho nesse mundo. Talvez seja por isso que escolhi ser designer, afinal, estamos acima de Deus e o diabo, podemos fazer qualquer coisa, em qualquer lugar, sob qualquer circunstância. Aí o tempo começa a pesar, estou há três meses trabalhando loucamente no trabalho absolutamente todos os dias, desde agosto todos os dias dormindo tarde pelo TCC, escrevendo sozinho e encarando tudo sozinho.

A ponto de em um feriado de sete de setembro eu sentar num degrau e simplesmente chorar. Chorar por estar cansado fisicamente, psicologicamente, sendo pressionado como nunca antes fora na minha vida e ter que ouvir das pessoas que isso é "normal", que são "coisas da vida". Mas cada um sabe o peso da cruz que carrega, e enfie no seu cu a sua cruz e seja feliz e não critique a minha.

Chorei mesmo. Um choro de desespero.

Tem uma hora que aquele meu orgulho começa a me questionar, será que vale a pena ser o melhor, conseguir ser o mais independente possível, se quando nos momentos em que mais preciso de ajuda não sou capaz de pedir nada a ninguém? O que será que vou ganhar a não ser cabelos brancos? O que estou perdendo com isso?

No fundo, sou incapaz de querer ajuda de alguém, mesmo todos oferecendo. Mas sou capaz de ajudar qualquer um sempre quando quiserem. Mesmo até que esse auxílio que eu dê custe muito.

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