quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Divinity in motion.


Uma delas é uma mulher já. Sempre disse que era rodada, que tinha o desejo de ter um homem ao menos por semana pra dar uma comida. No começo, nunca achei nada demais, francamente. Não critiquei, não achei estranho, nem nada. Com o tempo percebia que quando nossos olhares se cruzavam, eu via uma pessoa totalmente diferente daquela que se dizia da boca pra fora. Via alguém pra ficar ao lado, dar boas risadas, mas acima de tudo alguém que parecia que lá dentro tinha muito amor pra dar. Não parecia a mesma pessoa que dizia as coisas libidinosas de outrora. Me parece sempre alguém sozinha e triste, e que talvez naqueles poucos segundos que a gente se olhe fixamente, a gente se encontra. E sinto ás vezes que eu a "curo" desse mal.

A outra é também uma mulher crescida já. Acho impressionante como o olhar dessa é bem penetrante. Tudo bem que é oriental, o que já é uma grande vantagem pra mim, mas ainda é minha favorita, minha campeã. Uma pessoa séria, mas também engraçada, com um corpo lindíssimo para uma oriental, altura não me incomoda tanto. Sempre a encontrava nos fins de semana, e devo dizer que o tempo sempre voou quando estávamos juntos. Seus olhos me olhavam de baixo - pela sua altura, mas pareciam que eram maiores que eu. De alguma forma eles me atraíam e me empurravam, sempre me pareceu alguém simplesmente ótima. Uma pessoa completa, não vou negar, em todos os quesitos.

Já esse outro olhar me lembra por causa das risadas. Sempre falando sorrindo, seu próprio olhar passava essa alegria, essa vontade de viver, essa capacidade em ver todas as coisas bonitas do mundo. Nunca entendi como nós, inclusive no mesmo signo, fôssemos tão diferentes nesse quesito. Talvez seu olhar tingisse de colorido o mundo, chamasse todas as cores quando eu estava enxergando tudo em cinza. Mesmo quando ficava séria, seu olhar parecia feliz, engraçado até. Arregalava os olhos de uma maneira única. Uma vez, numa balada, vi seu olhar cheio de felicidade se tornar um olhar de mulher mesmo enquanto dançávamos. Podia ser mais velha que eu (diga-se de passagem, todas sempre são mais velhas) mas aquele jeito de menina, quando mostrava seu lado de mulher, nada eu tinha pra fazer, a não ser abrir um sorriso - meio sem graça até - mas um sorriso meu por ter visto aquela mutação grandiosa.

Não sei o que esse outro olhar tem. Tem as artes dramáticas até mesmo impregnadas na sua expressão. Arregala os olhos, prende eles em você, e mesmo quando desvia rapidamente, volta tão rápido quanto. Quando você fala, você percebe que ela está realmente prestando atenção. Arregala os olhos, balança a cabeça positivamente, parece acompanhar cada movimento do lábio. Tem um dos sorrisos mais belos também, um pouquinho de sangue italiano, como ela diz. É coisa do nosso sangue. Mas acima de tudo parece um par de olhos que te puxa e te prende, mas parece te torturar. Mas é uma tortura deliciosa, porque mesmo que você se afaste, esse olhar me puxa de volta. Mas não me engole, me deixa sempre nessa tênue linha.

Talvez essas quatro mulheres, tão diferentes, as quatro sequer se conhecem. Mas traduzem bem... Divinity in motion.

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