segunda-feira, 18 de outubro de 2010

"Não, Alain. Você está confundindo as coisas".

Essa historinha já faz um bom tempo.

Suado, cansado. A fadiga dominava meu corpo. Olhava pro céu, estava um céu lindo abrindo, sol da manhã, raios de sol daqueles que bronzeiam a pele mesmo. Ponte Estaiada, Roberto Marinho. Estávamos na avenida, indo embora. Me sentia um frouxo, todos diziam que estava tudo pronto entre nós dois, tudo feito. Só precisava eu chegar ao ponto final, e começarmos um relacionamento.

De um lado eu, na época, um garoto. Ela, sete ou seis anos mais velha aparentemente nunca viu isso como um empecilho. Erro meu.

Tinha dado um belíssimo presente de aniversário pra ela em agosto daquele ano, estávamos juntos conversando há meses. Trocávamos indiretas românticas, parecia uma paquera. Daquela bem pura, bonita. De fato, tudo indicava que era uma paquera, que o que sentíamos era dividido. Erro meu.

E aí, de volta ao dia em que estávamos juntos indo embora, cansados e suados, abri o jogo com ela e me aproximei. Fui empurrado e ainda recebi um tapa na minha mão. Ela me olhou com uma cara de raiva, e me senti um lixo naquele momento. Ela me olhou com desprezo, disse que eu estava confundindo as coisas, e que ela jamais sentira algo por mim. Nada mais que amizade.

Ela estava "presa" a um outro. Nunca imaginei isso, pensei que pela idade ela fosse uma mulher pronta pra encarar um relacionamento, e mesmo que fosse "presa" a um babaca qualquer, seria madura o suficiente para se dar uma nova chance. Dar uma chance pra mim. Erro meu, novamente.

O que falar num momento desses? Nada. Apenas fui franco. Não foi culpa minha me apaixonar, quando eu percebi, já era muito tarde. Na verdade em um mundo onde cada vez mais a entrega a um relacionamento é algo raro, ser alguém que é "apaixonadinho" por alguém é como ser cego numa terra onde todos enxergam. Todos sentem pena de você, e acham sua condição "bonitinha", mas ninguém está afim de compartilhar isso que você sente. Logo, você jamais será capaz de se relacionar com ninguém, pois todos estão nesse estranho mundo.

Fui embora refletindo, naquela época. Acho que deve ser normal se gastar tanta energia, dinheiro e sentimentos. É quase como andar no escuro, você não sabe onde está, mas uma hora você encontrará em algum canto, algo que verdadeiramente te dará uma "luz".

Só sei que, todos os conceitos que tinha sobre mulheres foi mudado. Eu não sabia mais o que era o correto, o que era errado e nem tampouco quando esse tipo de coisa poderia acontecer. Sabe aqueles momentos da vida em que tudo parece estar bem, parece encaminhado e aí tudo desmorona de uma vez só?

Foi assim que me senti. Coisa de pirralho.

1 comentários:

Carla disse...

Coisa de pirralho não, coisa de ser humano.
Parabéns pelo texto e, se for realmente experiência própria, comemore: ao menos você já tem alguns parâmetros.

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