sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

No rain, can't get the rainbow...


...A maior lição que tirei esse ano foi dizer "sim".

Sim ao budismo no começo do ano.
Sim à academia, todo dia correndo, nadando, malhando.
Sim às corridas de rua, pelo menos uma vez ao mês.
Sim para a monografia, e ir até o final.
Sim à fotografia, senão eu nem me veria apaixonado por essa arte.
Sim ao alcool, eu que raramente tinha bebido na vida (mas isso é bom???).
Sim ao ter tentado arranjar uma namorada. Mesmo que todas elas tenham dito "não", mas ao menos tentei!

Sim ao novo recomeço. E esse recomeço nem precisa esperar o novo ano chegar.
Pode começar a qualquer hora, a qualquer tempo. O importante é recomeçar sempre que precisar.

Enfim, nada disso (e muitos outros trilhões de coisas) jamais teria conquistado se tivesse dito "não". Foi um ano complicado? Em muitas coisas foi sim. Mas em outras tantas foi excelente. Muito obrigado a todos que de alguma forma estiveram presentes na minha vida, que compartilharam comigo desse maravilhoso ano.

E que venha 2011!
No rain, can't get the rainbow.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Continue correndo.


É. Será um ano inteiro de corridas, provavelmente.
FORÇA!

Meu objetivo é, quem sabe daqui a alguns anos, isso aqui.
Cem quilômetros na Antártida. Se eu acho animal correr no interior, imagina lá?

Sonhar não custa nada!
Sonhar... Nem eu lembrava mais como se fazia isso.

domingo, 26 de dezembro de 2010

10 fatos de 2010.

Dois mil e dez. Nada melhor do que dez fatos pra ilustrar o ano. Talvez pra muita gente seja um ano que tenha passado rápido. Mas aí que acho bacana ter um blog. A gente vê que tudo não foi nem rápido, nem devagar. Tudo foi na sua velocidade. Mas não quer dizer que seja uma velocidade constante. Alguns fatos passam rápido - dá vontade de ficar mais um tempinho. Outros, parecem passar muito lentamente. Independente de bons ou ruins, são fatos, emoções. Isso enriquece o todo.

Sem mais delongas, vamos lá.


1. Budismo
Conheci a Denise (para os íntimos, Denichan. Mas eu prefiro chamar de ":Dê") em agosto do ano passado. Pensei que nunca mais a veria, e se me dissessem que eu terminaria esse ano com essa pessoa tão querida dentro do coração, jamais nem cogitaria. Entrei na Shinnyo-en em janeiro deste ano. Desde o começo sempre segui com seriedade, entrei no grupo de jovens e fiz novas amizades. Já logo vai fazer um ano, e recebi um presente muito especial. Esse presente conto em outro post.


2. Fotografia
Nunca imaginei que teria uma câmera profissional. E tampouco que as lentes dela registrariam tanta coisa bacana. A compra de uma Nikon D60 usada do Felipe, meu ex-chefe, no começo foi algo que hesitei. Hoje, tenho quase 20 GB de fotos de tudo quanto é coisa, principalmente paisagens (como essa! Foto minha!). Já gastei uma bagatela de quase quatro mil reais. E ainda não estou satisfeito! É apaixonante registrar o mundo.


3. Família
Bom, esse ano não posso negar que não vi muito a italianada. Brigas e desafensas à parte, é sempre bom ter o contato da família e ficar quieto em algum lugar, na paz. Adoro calçar o tênis e ir correndo pelas estradas vicinais sem destino certo. A paisagem é sempre algo inimaginável, a corrida sempre rende o dobro quando se corre com a natureza, os vales, as belas paisagens.


4. Corridas
Se ano passado eu descobri a natação, acho que esse ano o mérito foi da corrida. E como vicia essa merda. Em maio, em plena fase de TCC, me mandaram o convite para o Fila Night Run. Pensei comigo mesmo: "Porque não?" Indo para o sambódromo, onde seria a corrida, trombo com ninguém menos que a Verinha (foto). Desde então foram mais de dez provas, e essa garota aí que apenas trombou em mim pois estava perdida virou companhia essencial para toda corrida e uma grande amiga. Sua balzaquiana!!


5. Reprovação
Nem tudo foi um mar de rosas. A reprovação do TCC foi algo muito chato. Alguém como eu, que nunca foi reprovado nem na pré-escola, experimentar reprovação na faculdade não foi nada bacana. Foram 96 páginas, seis meses de intenso trabalho, loucura, correria, pra no final nem mesmo a chance de ir pra banca eu tive. Fui injustiçado, e tem gente que ainda faz gracinha com a minha relação com ex-orientadora. Não vou dizer que passou, porque não passou.


6. Fundação Abrinq - Save the Children
Em março, depois de uma entrevista, e exatamente um mês desempregado entrei na Fundação Abrinq. Cinco meses depois, efetivado. Muito trabalho, é verdade, mas conheci pessoas valorosas que só somaram comigo. Na foto, a Yedinha Mariana, que trabalha comigo!


7. Projeto Arrastão
Ainda na questão de trabalho, teve também a despedida do Projeto Arrastão, como dita no item anterior. Saudades de algumas pessoas, vi o que aconteceu com muitos deles depois de um ano e fiquei impressionado. Se não podemos estar juntos e parar, me sentarei sozinho e farei um brinde a vocês. Mas tive que sair, tinha algumas coisa que devia deixar lá, mesmo que me desse muita dor. Saudades!


8. Computador novo
Quando comecei a trabalhar, todo mês juntava aproximados R$500, religiosamente na poupança. Com quatro mil reais comprei um computador que até hoje valeu o investimento. 1,5 TB de HD, 4GB de RAM, processador Intel Core i7, Placa Mãe Asus, ATI Radeon 5770 e um monitor da Samsung gigantesco. Mas o Wilson, meu cãozinho que balança a cabeça, continua lá em cima do meu gabinete!


9. Aniversário
A maior benção do aniversário é juntar a galera de todas as mais diversas tribos diferentes e celebrar um ano de vida. Não quero presentes, meu maior presente é ver essa galera junta de mim, feliz da vida, compartilhando felicidade e tudo mais. Muita gente não foi (só pra variar...) mas não tenho dúvidas que estiveram presentes me mandando boas energias e felicidades. Amo a todos, do fundo do meu coração.


10. Aprovação
Se teve a reprovação, existiu também a aprovação. Chorei muito na frente da banca, um choro de desespero de um semestre inteiro que trabalhei muito, abandonei tudo pra me dedicar o TCC, virou minha obsessão passar. Criei uma pasta chamada "Rebirth", renascimento em inglês, e nela ficaram todos os arquivos importantes. Foi um renascimento, nasci de novo mesmo. 103 páginas, nota 8,5. Agora rumo ao semestre final.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Bençãos fluem da nossa capacidade de amar, e de ser amado pelos outros.


O pensamento natalino de 2010. Todo ano escrevo alguma coisa, e nesse não poderia ser diferente.

Estava aqui pensando como em momentos da vida vale muito mais a presença de um amigo do que coisas materiais. No fundo, acho que sou rico, e devo essa riqueza a todas as pessoas que de alguma forma ou de outra compartilharam um sorriso comigo durante esse longo ano.

No meu aniversário, por exemplo, disse que não queria presentes. A presença das pessoas é o importante. O maior presente que recebi foi exatamente a presença de pessoas queridas e amadas uma vez ao ano. Acredite, juntar galera de tribos diferentes, ainda mais eu que conheço tanta gente de tanto lugar diferente, e escolher os mais queridos do meu coração para partilhar de um momento especial é algo que nenhum presente por maior e mais caro que seja pode dar.

Gostaria de ter vários aniversários durante o ano pra juntar essa galera sempre. Esse é o maior presente, ter ao lado pessoas que de alguma forma partilhem e gostem da sua amizade, da presença, não importa o lugar de onde eu conheça a pessoa. Se juntar todos então, está feito tudo de melhor.

Porque no Natal não podemos nos ligar mais às pessoas também?
Parece clichê, parece fácil de falar, mas ás vezes não é. Vamos nos ligar mais nessa sensação bacana se juntar uma galera e aproveitar ao máximo a presença da família, amigos, afinal são essas pessoas com relacionamentos verdadeiros conosco que podemos a qualquer hora e local na vida poder contar com eles e acima de tudo fazê-los feliz e ser feliz também ao mesmo tempo.

Se liguem na presença! Aí vocês vão entender que presentes não são nada perto do que essas pessoas fantásticas que todos temos podem significar. Obrigado a todos que de alguma forma participaram da minha vida nesse ano, gostaria de abraça-los um a um, mas infelizmente nesse momento estou bem longe, com a família. Mas fica aqui meu sincero desejo e podem contar comigo. Amo a todos vocês do fundo do meu coração.

Tenham um natal abençoado!!
True blessings flow from our ability to love, and be loved by others

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um sorrisinho dentro do metrô.

Chácara Klabin. Linha verde. O dia havia começado bem, ela tinha me levado até ali perto da estação. Deixei o MP3 no shuffle. A diferença é que eu nunca deixo no shuffle. Mas como o dia estava bom, tinha passado o dia e noite inteiro com ela antes de alguma forma me sentia de uma forma inexplicável.

Mas estava triste. Tinha deixado ela. =(

Quando eu passo por momentos tristes ou complicados eu tento me lembrar de momentos de sensações boas. Não importa se eu não falo mais com a pessoa, se peguei bronca, ou algo do gênero. Tenho uma memória fraca, mas a sensação de felicidade eu nunca esqueço. Mesmo hoje já fazendo mais de um ano que nós terminamos, e ainda quase um ano que nem mesmo nos vemos, mas lembro dessa coisa bacana ainda com um singelo sorrisinho - mesmo hoje não existindo mais nada entre nós.

Então me imagine eufórico de felicidade, esperando o metrô pra descer na Ana Rosa, depois de um fim de semana juntinho com a minha namorada, e do nada começa a tocar "Garota Nacional", do Skank no celular em shuffle! Nem eu sabia que tinha essa música, tampouco imaginava que tocaria ali, naquela hora.

Comecei então a dançar sozinho em plena estação Chácara Klabin. Pra um lado, pro outro, esperando o trem passar. Sensação tão bacana, tão marcante. =) Hoje ao descer no metrô pra ir pro terminal tocou de novo essa música e lembrei disso e... sorri. =)

Lembrei daquela sensação e fiquei muito bem.
Foi bem legal. =D

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Quando se perde a fé.

Ontem, na academia, estava conversando com um amigo, um senhor de seus oitenta e poucos anos. Casado uma vida inteira com uma mulher, ela faleceu, e depois ele começou a conhecer novas mulheres. Já namorou quatro mulheres desde então. Todas na margem dos cinquenta anos, ele deve ter uns setenta anos. Mas como faz academia, ninguém daria mais que cinquenta pra ele. Nada de velho barrigudo, nem nada, pra idade dele, ele tá melhor que muito "moleque" de quarenta anos com barriguinha de chopp.

Estávamos falando sobre mulheres. Engraçado que o cara tinha uma visão bem bacana, não conservadora, e me disse dos últimos relacionamentos dele.
Eu sempre busquei mulheres mais velhas, pensando que elas seriam pessoas mais estáveis para construir algo bacana. As últimas tentativas me provaram que não (novidade... Senão, não estaria nem solteiro). E não vou mentir que eram mulheres, que mesmo no alto dos seus trinta anos, eram piores do que as meninas de vinte que eu imaginava. Os últimos foras que levei também, das vadias na média dos trinta anos também não foi muito bacana.

Mas pensava que fosse apenas um azar. Quem sabe meu próximo passo seria avançar pras de 40? Eu viraria um comedor de velhas.
Mas a conversa que tive com esse senhor - que tem uma vida de relacionamentos bem ativa por sinal - foi bem construtiva. Pois exatamente perdi a fé que eu tinha nas mulheres.

Primeiramente algo que me deixou muito encucado foi o fato de que elas, mesmo no auge dos seus cinquenta anos, ainda tem problemas existenciais como toda mulher tem. Que deixa nós homens fulos da vida. Um exemplo: levei um fora de uma vaca recentemente porque não queria iniciar um relacionamento sério com ninguém. O senhor também já levou um fora com o mesmo motivo. Aí eu pergunto: Se essas mulheres, adoram dizer que são sozinhas, que não tem ninguém especial na vida delas, quem são elas pra falar isso quando elas de fato não querem nada sério mesmo quando cara deixa claro que não está pra brincadeira? Não é coisa da idade isso, isso é coisa da mentalidade feminina - que ninguém jamais entenderá, parece um bicho com um sério defeito, pois adora histórias de amor de filmes, mas não concebe que algo legal assim possa acontecer com ela.

Adoram dizer que isso é poético, que é blábláblá, mas não importa a idade: vocês mulheres sempre continuam (e continuarão) umas cabeças de bagre.
Só tenho um conselho: assim como nós homens tentamos, só digo para vocês que tentem. Vocês não podem dizer que não vai dar certo sem nunca terem tentado, quem dá a chance pro cara entrar são vocês. Ninguém força a barreira, e quando um não quer, não adianta. Principalmente quando um belo dia, daqui uns dez anos, você olhará pra trás, verá que passou vários caras legais pela sua vida (como eu) e se casará com um gordo idiota careca com uma lata de skol na mão só porque tem um carro e não tem onde cair morto.

Vocês cavam sua própria cova, não importa a idade, isso que me deixou mais abismado!
Adoram falar que nosso defeito é traição, e como homem digo que isso é a coisa mais variável do mundo. A causa da solteirisse das mulheres não são fatores como "a modinha de hoje em dia de todo homem ser gay", ou "a falta de homem, já que tem mais mulher que homem" mas sim o fato de que "mesmo quando nós queremos algo sério com vocês, vocês adoram dar pra trás e nem vocês sabem o motivo disso".

Francamente? Vontade de pegar essa mulher e dar um pinto de borracha e dizer: "Pede pro pinto de beijar, ver tevê com você junto, ouvir seus problemas e te levar pro altar pra casar. Quando esse pinto de borracha fizer isso me chama, que eu darei razão total pra vocês".


domingo, 19 de dezembro de 2010

Aquele amor puro, bobinho mesmo.

Ontem, no meu templo, enquanto conversava com um rapaz japonês, percebi que uma menina ficou passando diversos recadinhos pro rapaz, dizendo que ele era bonito. Coisa ingênua, pensava. No começo não entendi muito bem, até que a menina chegou em mim. Tinha treze anos, apaixonada por um garoto de dezesseis anos - o mesmo que estava conversando comigo.


君と二人で歩いたあの頃の道は無くて
それでもずっと歩いた、何時か君と会えるのかな...

Mas não era uma paixãozinha bobinha. Era paixão mesmo. Menina mora em Uberlândia, não vem pra São Paulo direto (nove horas de viagem), mas me disse, quase num estado de lágrimas que até sonhava com o rapaz nipônico. Somente tinha o visto uma vez, conversado com ele apenas ontem, e achei isso incrível.

Digo, pra ela não importava se eles fossem crianças, ou morassem longe, provavelmente dariam um jeito nem que fosse apenas pra alguma vez sair de mãos dadas juntos na rua. Não havia barreira da língua, a menina apenas falava português e o rapaz apenas sabia japonês e inglês. O mais provável é que isso nem aconteça, mas eu ainda tenho uma pontinha lá no fundo de fé no ser humano. E gostaria de acreditar que essa paixão de crianças, quem sabe, se torne o grande amor da vida deles. Os dois estão interessados um no outro, são da mesma religião, e não se importam com raça, idade, dinheiro, nem nada.



É um amor puro.
Mas porque não podemos dizer que jovens como eles não conhecem o "amor"?
Sabe, pessoas crescem, e essa definição de amor muda. Mas eu gostaria, sinceramente, de saber como seria manter essa definição infantil, mesmo você sendo um adulto. A vida torna-se dura, você começa a levar foras inexplicáveis, pessoas não estão afim de manter relacionamentos e tampouco iniciá-los. Logo, pessoas se tornam descrentes no amor. Passam apenas algumas horas com uma pessoa, talvez para apenas trocar alguns beijos ou uma noite de sexo. Fazem isso porque a sociedade impõe que isso é o "correto", é o "bom". Sim, sou um cara idealizador, e quero mais é que essas imposições da sociedade vão pro inferno. Eu ando na maré contrária.



窓辺に一人きりで只雪を見つめてる君を思い出しながら
硝子越しに君を浮かべ最後の口付けして...

Quando a menina disse que somente o tinha visto uma vez, fiquei abismado. É chato ser adulto, eu sofria mais quando tinha esse tipo de paixão quando pirralho, mas sinto falta. Gostaria sim de ter um amor desses, uma coisa que a gente sonha com a pessoa, pensa trilhões de coisas, inventa outras tantas teorias...

Faz tempo que não escrevo sobre "amor" né? Quem é mais antigo no blog sabe.
Sei lá, acho que tou é ficando chato pra essas coisas. Tomando muitos foras, procurando amores, mas acima de tudo procurando "desculpas", acredito. Uma das desculpas é "porque não vou ficar com ela porque trabalha muito até mesmo nos finais de semana", ou a outra "porque não vou ficar com ela porque é rica demais" ou a terceira "porque não vou ficar com ela porque é uma vadia".

Vendo essa menina, pensei que eu poderia acreditar nisso. E deixar todas as desculpas de lado.
Meu julgamento é tão imparcial que nem acredito que os dois possam ficar juntos. Provavelmente você que está lendo isso também pensa a mesma coisa. Afinal a menina mora longe, sequer fala a língua dele e apenas o viu uma vez.

Mas amor talvez seja isso, né? Amor não vê limites. Não vê impossibilidades.
Não vê o "não". Apenas vê o "sim".
Apenas é isso que a gente quer acreditar.
Gostaria mesmo de acreditar nisso também.
Mas a realidade é mais amarga.





ねぇ 笑ってよ もう泣かないで
ここからずっと貴方を見ているわ

Ahhhhhh... Bonitinho, vai.
Preciso levar algumas flores à "ela". E pedir que continue lá do céu me vendo, e me abençoando.
Exatamente como ela fazia quando era viva.
Você faz muita falta, donzela.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Enough.

Chega!

Ainda tenho um semestre.
Força!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

untitled ~ L for Loser.


Eu de alguma forma sabia que seria uma das coisas mais difíceis. E foi mesmo.

Ontem, saindo da faculdade, fui até o ponto de ônibus. Em pé, com um guarda-chuva preto, estava ninguém menos que "n", no ponto. Tentei ignorá-lo, mas de qualquer forma chegou para falar comigo.

"Você continua um perdedor. Você é um lixo de pessoa, por isso jamais vai conseguir sequer chegar aos meus pés. E hoje, vendo você desse jeito, me dá ainda mais nojo de você", ele disse, sem nem mesmo dizer "oi".

Foi uma semana complicada. Meu coração se dividiu na felicidade em ver meus amigos se formando, enquanto a frustração de ver que era pra eu estar lá, com eles, se nada daquilo tivesse acontecido. Para qualquer pessoa isso pode parecer uma mera ou simples reprovação, mas pra alguém que não foi reprovado em nada durante a vida, experimentar isso não foi algo fácil. Foi deprimente, frustrante.

Sinto felicidade por todos que agora se tornaram bacharéis, mas pensei que "eu poderia estar lá também". Fico ainda procurando onde errei no semestre passado e não encontro nada. Já tinha escrito o triplo que qualquer um da sala tinha escrito no semestre. Não faltava em nenhuma orientação, mesmo que minha vontade fosse esgana-la. Entregava nos prazos, e no final as noventa e três páginas foram o tiro no meu pé que fez cair na descrença.

Na descrença do ensino. Logo eu, que tinha como meu maior sonho o de ser professor, eu desacreditei totalmente depois exatamente de ver o mais podre que havia no espírito de alguém que lecionava.

Chorei bastante. Ontem também.

Mas o tempo não volta. Hoje não me vejo no espelho como a mesma pessoa que começou 2010. Vejo alguém velho, cheio de cabelos brancos, que embora ainda tenha um carinho imenso pelos amigos, de alguma forma não os encontro. E agora então, não mais os encontrarei. Acabou os estudos. Gostaria que acordasse amanhã e recebesse meu diploma, como tudo deveria ter sido. Sem a injustiça do semestre passado.

Esses dias minha vontade era de pegar um telefone de ligar para qualquer pessoa.
Queria que alguém somente me ouvisse e balançasse a cabeça.

Sabe, alguém como aquela "pequena grande mulher" que sempre esteve no meu coração. Esses dias ela disse que eu estava muito melancólico. Embora eu seja uma pessoa sorridente, sou um palhaço com uma lágrima atrás do sorriso maquiado.

Semestre que vem tem mais. Infelizmente, ou felizmente a vida anda.
Mas será que só hoje eu posso só chorar mais um pouco? É duro. Muito duro essa coisa toda.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Dead end Symphony.

Um som de orquestra no fundo. Um copo de conhaque, um rapaz e uma mulher. O jantar ainda estava por vir, mas qualquer um que visse aqueles dois, saberia que não seria uma conversa comum.

"Vinho, comida boa, pessoas ouvindo orquestra enquanto o destino de todos que não podem estar aqui é decidido", ela começou.

"Isso tudo me cheira a merda"...

Ela deu uma gargalhada alta.

"Você sempre tão arisco. Mas se você consegue sentir o cheiro de merda, você então se separou deles", e depois de uma pausa para um gole completa, "Você conheceu o que mais de podre o ser humano tem. Mas exatamente por ter conhecido, você é a pessoa que mais ainda acredita no mesmo".

Os dois ficaram no silêncio por um tempo, e aí a mulher terminou:

"Acho que é quando você se suja que acaba purificando na verdade a todos. Afinal, as trevas não existem. O que existe é a falta de luz.", completou.
Published with Blogger-droid v1.6.5

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A estranha prisão de Julian Assange.

Continuando a novela do Wikileaks. Na verdade eu tou vendo uma galerinha tensa, com medo até de falar algo sobre o Wikileaks. Jornais obviamente não vão falar nada sobre, claro.

Primeira lição: Jornalismo é um comércio, como quase tudo nessa vida. Vamos usar um exemplo super recente: Se um avião cai, qualquer errinho de merda em aeronaves depois da queda dá audiência.

Segunda lição: Jornalismo é uma farsa. São pessoas que tem o poder da mídia, da comunicação. Se são pessoas, podem facilmente ser compradas. Empresas compram, governo compra, propagandas compram, enfim. Julian Assange está falando coisas que provavelmente todo bom jornalista já sabia, mas sempre teve medo de falar pois sabe muito bem da represália que aconteceria. Ou você pensa que esses caras que trabalham em BBC, Globo, Time da vida são funcionários santos? Que eles não tem idéia do que acontece por debaixo dos panos? Erenice Guerra está aí, um escandâlo descoberto quente, mantido em banho maria, para o belo dia que José Serra fosse candidato à Presidência.

Porém e agora com a prisão do cara do Wikileaks, o que acontecerá? Obviamente ninguém cai nessa farsa de que um cara que foi acusado de um suposto estrupo seja indiciado pela Interpol. Procurarão todas as pessoas que tem informações, e Julian Assange sequer entrará na História. Vivemos num mundo que é ditado exatamente por esses segredos do governo, de empresas e jornalistas. Vemos apenas um pedaço da realidade exatamente porque o resto nos é negado. Julian Assange asteou uma bandeira de esperança de todos nós que sabemos que o mundo não funciona assim. Que tem muita merda acontecendo que ninguém vê oficialmente.

E agora, esse sonho acabou.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Haunted Chase.

Na minha última ida ao interior resolvi dar uma corrida, indo da casa do meu avô (que é no meio do mato) até a cidade mais próxima.

Durante o caminho, existe uma casa isolada no mato. Próximo a uma subida com uma curva, uma verdadeira "curva da morte". Uma galera já morreu ali, inclusive uma tia minha. Quando estava me aproximando vi vários crucifixos na frente de um caminho de terra que dava reto com a tal casa isolada no mato.

Era estranho pois, para uma casa onde ninguém mora há dezenas de anos existir ainda um caminho tão perfeitamente desenhado no chão.

Enquanto corria, vi os crucifixos, depois o caminho no chão e foquei na casa. Foi aí que vi um homem, grande, de porte meio mulato dentro da casa. Ele caminhou na frente da porta e olhou pra mim. Estava vestindo uma calça azul escura e uma camisa laranja.

Na hora entrei em pânico, e estava no meio de uma estrada vicinal. Comecei a acelerar o passo pra fugir dali. Existia alguém naquela casa, e não parecia ser "alguém". Pois pessoas vivas dificilmente me daria medo. Normalmente esses seres tem uma aura estranha que sinto meu coração quase que parar.

De volta a casa do meu avô, comentei com ele. Descrevi o cara e ele disse que era muito similar a um rapaz que morreu de moto ali no local há alguns meses.

Inclusive a roupa. E eu nem sabia que um cara tinha morrido lá. Nem nenhum detalhe assim que causasse tantas coincidências.

Já tinha muito tempo que não via esse tipo de coisa, mas essa vez foi muito estranho.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Eles pedem minha ajuda.

Gostava muito de andar em cemitérios. Mas gostava de andar sozinho. Pra quem sempre vê coisas que ninguém vê como eu, é meio irônico se disserem que o único lugar que eu não vejo nada é quando estou no cemitério. Na verdade, acho que "eles" são mais amigos dentro de um cemitério do que se fosse em algum outro local.

Uma vez, numa das visitas que faço ao cemitério, logo na porta vi uma família chorando bastante a perda do ente querido. Estavam entrando no carro, indo embora. Embora seus olhos estivessem em lágrimas, pareciam estar envolvidos pelo sentimento de que a morte não é apenas o fim, mas a continuação. A vida continua, dava pra perceber o olhar de cada um deles na despedida.

Me sinto muito bem nesse tipo de lugar, parece que existe algo nesse local que me conforta. Me sinto estranhamente entre amigos, mas não amigos para conversar, mas de amigos que se sentem bem com a minha presença.

Uma vez me disseram que é porque tenho uma alma pura. E isso purifica os espíritos de alguma maneira, pois funciono mais ou menos como um filtro. Mas não acredito nisso. Um filtro serve pra retirar as impurezas, e me sentir mal eu nunca me senti, muito pelo contrário.

Num dos cemitérios que visitava bastante, existe um túmulo de uma garotinha, que teve uma morte trágica ainda com pouquíssimos anos. As pessoas vão ali naquela tumba pedir por milagres, e dizem que a menina é como uma santa. Realiza. Tanto que a cova dela é a mais enfeitada de todos. Pedidos de emprego, casamento, saldo de dívidas...

Pessoas dizem que crianças são anjos. Isso é um fato. Talvez se perguntam porque deles serem anjos, e muitas teorias virão. Mas acho que, determinamos crianças como anjos pois são verdadeiros poços de sinceridade. E se uma pessoa mantenha essa sinceridade, talvez ao virar adulto possa ser considerado tão puro como uma criança.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Wikileaks e o fim da cordialidade falsa.

Sabe aquele seu amigo que fez uma burrada grande com você, você fala pros seus amigos mais próximos mas o amigo que fez a burrada nunca fica sabendo pra não causar um atrito entre vocês?

O rolo da Wikileaks funciona bem assim.

Todos sabem que os Estados Unidos metem o pau em diversos países do mundo, falam mal deles, espionam, descem o couro. Porém isso é escondido muitas vezes pela cordialidade. É algo que existe apenas sobre os panos - a gente sabe que eles falam mal, mas como oficialmente eles não falam, ninguém imagina. Pra quem não sabe, esse rolo da Wikileaks é bem assim. Julian Assange, um australiano feliz resolveu divulgar em seu site cerca de 250 mil documentos interceptados de trocas de informações entre os governos. Material quente, sigiloso, e pra variar ele fez todo um esquema meio bomba-relógio, para caso dê alguma merda.

E deu, a CIA tá atrás dele, já ofereceu a cabeça dele a prêmio, e provavelmente terá uma morta rápida como um Che Guevara da vida. A CIA interceptará as outras pessoas, as torturará, e assim o mundo voltará a sua falsa cordialidade de merda.

Mas enquanto isso que é inevitável não acontece, o Wikileaks bomba. Não se fala em outra coisa. O problema não é exatamente as informações. Todos sabiam que existiam terroristas da Al Qaeda no Brasil (até a Revista Época fez uma reportagem). E todos pensam que o problema é o vazamento das informações, mas não é. O buraco é mais embaixo. Esse rolo da Wikileaks é puramente diplomático, pois uma coisa é você, Estados Unidos, achar que o Brasil não vai com a tua cara, e outra coisa totalmente diferente é ter esse pensamento divulgado para o mundo inteiro.

Assim como na vida se seu amigo falasse mal de você, provavelmente daria uma voadora nele.
Portanto, parem de pensar que o problema são as informações. O problema mesmo é ter ferido essa estranha ética, uma cordialidade bobinha entre os países que funciona similar com a cordialidade entre as pessoas.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Vovô matuta.

Esses dias estava no onibus indo pra academia e dois moleques subiram com uma garrafa de Schweppes Citrus e um pacotão de fandangos. Deviam ter uns 10 anos.

Estava eu em pé e um senhor estava ao meu lado. Bem papai-noel mesmo. O que mais me deixou abismado foi o assunto da conversa dos moleques. Estavam falando da crise economica mundial!

A discussão deles se resumia a um impasse, pois um dizia que a culpa era dos bancos, e o outro dizia que a culpa era das pessoas caloteiras.

O senhor ao meu lado me olhou sorrindo enquanto ouvíamos assustados e felizes o assunto dos garotos. Meio sem querer entrar na conversa nós entramos e de fato, os moleques não eram nada burros. Sabiam até como funcionava o sistema de juros, coisa que até hoje eu tento ver com alguma lógica e não consigo.

Desci depois do onibus matutando sobre os garotos. Molecadinha espert! Se tiver o direcionamento certo na vida, vão mandar ver!
Published with Blogger-droid v1.6.5

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Um tempo que chegará para todas.

Faz quatro ou cinco meses, uma amiga me achou numa rede social das muitas que faço parte.

De cara não a reconheci. Lembro da menina que estudava comigo, era bem pobre, várias espinhas na cara, não muito baixinha, mas muito engraçada. Na época, eu gostava dela, era uma paquerinha que não era recíproca, mas eu era apaixonadinho por ela sim por um bom tempo.

Mas quando a vi na foto, com um rapaz com cara de maridão do lado, vou admitir que levei um sustinho.

Casada, falando inglês fluentemente, deve ter um ou dois rebentos nascidos. Morando na Inglaterra, provavelmente.
Achei meio engraçado na hora. Imagina se nossos destinos tivessem se cruzado além daquela amizade, ou daquele fora que levei?
Fiquei pensando "como seria".

É foda, parceiro.
Destino, né? Esse tipo de coisa me dá um pouco de medo. Mas acho que pior do que medo em coisas que você acredita, é em coisas que você não acredita.
Por exemplo, não acredito em "destino". Acho que a gente cria nosso próprio, no máximo. E não vou negar que depois daquele fora no colégio, anos mais tarde tive minha chance de ficar junto dela. Mas aí fui eu que disse "não" pra ela.
Mas não foi um "não" com ressentimento. Foi um "não" de, "não estou mais interessado".

Por um momento fiquei pensando nesse casório, como as coisas andaram, evoluíram. Mas... já foi.
Acho que pensar no "já foi" é a coisa mais sensata e fácil de se fazer num momento como esse.

Eu tenho um hábito de trancar as pessoas. Querendo ou não. Como não sou de procurar ninguém pra manter contato, todos sempre acabam me achando.
Mundo girou, aconteceram muitas coisas comigo desde o colegial. Coisas que nem ela talvez imagine, e muita coisa que ninguém, muito menos ela, jamais irá saber.
E já vieram uma, duas, três... Vieram tantas depois dela que, essa donzela ficou trancada lá atrás. E dela, só me veem mesmo memórias de um tempo. Bem longe.


Um tempo, que chegará para todas.
Afinal todas passam, né? Tudo na vida é bem passageiro.

Arquivos do blog