sábado, 4 de dezembro de 2010

Eles pedem minha ajuda.

Gostava muito de andar em cemitérios. Mas gostava de andar sozinho. Pra quem sempre vê coisas que ninguém vê como eu, é meio irônico se disserem que o único lugar que eu não vejo nada é quando estou no cemitério. Na verdade, acho que "eles" são mais amigos dentro de um cemitério do que se fosse em algum outro local.

Uma vez, numa das visitas que faço ao cemitério, logo na porta vi uma família chorando bastante a perda do ente querido. Estavam entrando no carro, indo embora. Embora seus olhos estivessem em lágrimas, pareciam estar envolvidos pelo sentimento de que a morte não é apenas o fim, mas a continuação. A vida continua, dava pra perceber o olhar de cada um deles na despedida.

Me sinto muito bem nesse tipo de lugar, parece que existe algo nesse local que me conforta. Me sinto estranhamente entre amigos, mas não amigos para conversar, mas de amigos que se sentem bem com a minha presença.

Uma vez me disseram que é porque tenho uma alma pura. E isso purifica os espíritos de alguma maneira, pois funciono mais ou menos como um filtro. Mas não acredito nisso. Um filtro serve pra retirar as impurezas, e me sentir mal eu nunca me senti, muito pelo contrário.

Num dos cemitérios que visitava bastante, existe um túmulo de uma garotinha, que teve uma morte trágica ainda com pouquíssimos anos. As pessoas vão ali naquela tumba pedir por milagres, e dizem que a menina é como uma santa. Realiza. Tanto que a cova dela é a mais enfeitada de todos. Pedidos de emprego, casamento, saldo de dívidas...

Pessoas dizem que crianças são anjos. Isso é um fato. Talvez se perguntam porque deles serem anjos, e muitas teorias virão. Mas acho que, determinamos crianças como anjos pois são verdadeiros poços de sinceridade. E se uma pessoa mantenha essa sinceridade, talvez ao virar adulto possa ser considerado tão puro como uma criança.

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