quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

untitled ~ L for Loser.


Eu de alguma forma sabia que seria uma das coisas mais difíceis. E foi mesmo.

Ontem, saindo da faculdade, fui até o ponto de ônibus. Em pé, com um guarda-chuva preto, estava ninguém menos que "n", no ponto. Tentei ignorá-lo, mas de qualquer forma chegou para falar comigo.

"Você continua um perdedor. Você é um lixo de pessoa, por isso jamais vai conseguir sequer chegar aos meus pés. E hoje, vendo você desse jeito, me dá ainda mais nojo de você", ele disse, sem nem mesmo dizer "oi".

Foi uma semana complicada. Meu coração se dividiu na felicidade em ver meus amigos se formando, enquanto a frustração de ver que era pra eu estar lá, com eles, se nada daquilo tivesse acontecido. Para qualquer pessoa isso pode parecer uma mera ou simples reprovação, mas pra alguém que não foi reprovado em nada durante a vida, experimentar isso não foi algo fácil. Foi deprimente, frustrante.

Sinto felicidade por todos que agora se tornaram bacharéis, mas pensei que "eu poderia estar lá também". Fico ainda procurando onde errei no semestre passado e não encontro nada. Já tinha escrito o triplo que qualquer um da sala tinha escrito no semestre. Não faltava em nenhuma orientação, mesmo que minha vontade fosse esgana-la. Entregava nos prazos, e no final as noventa e três páginas foram o tiro no meu pé que fez cair na descrença.

Na descrença do ensino. Logo eu, que tinha como meu maior sonho o de ser professor, eu desacreditei totalmente depois exatamente de ver o mais podre que havia no espírito de alguém que lecionava.

Chorei bastante. Ontem também.

Mas o tempo não volta. Hoje não me vejo no espelho como a mesma pessoa que começou 2010. Vejo alguém velho, cheio de cabelos brancos, que embora ainda tenha um carinho imenso pelos amigos, de alguma forma não os encontro. E agora então, não mais os encontrarei. Acabou os estudos. Gostaria que acordasse amanhã e recebesse meu diploma, como tudo deveria ter sido. Sem a injustiça do semestre passado.

Esses dias minha vontade era de pegar um telefone de ligar para qualquer pessoa.
Queria que alguém somente me ouvisse e balançasse a cabeça.

Sabe, alguém como aquela "pequena grande mulher" que sempre esteve no meu coração. Esses dias ela disse que eu estava muito melancólico. Embora eu seja uma pessoa sorridente, sou um palhaço com uma lágrima atrás do sorriso maquiado.

Semestre que vem tem mais. Infelizmente, ou felizmente a vida anda.
Mas será que só hoje eu posso só chorar mais um pouco? É duro. Muito duro essa coisa toda.

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