sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Wikileaks e o fim da cordialidade falsa.

Sabe aquele seu amigo que fez uma burrada grande com você, você fala pros seus amigos mais próximos mas o amigo que fez a burrada nunca fica sabendo pra não causar um atrito entre vocês?

O rolo da Wikileaks funciona bem assim.

Todos sabem que os Estados Unidos metem o pau em diversos países do mundo, falam mal deles, espionam, descem o couro. Porém isso é escondido muitas vezes pela cordialidade. É algo que existe apenas sobre os panos - a gente sabe que eles falam mal, mas como oficialmente eles não falam, ninguém imagina. Pra quem não sabe, esse rolo da Wikileaks é bem assim. Julian Assange, um australiano feliz resolveu divulgar em seu site cerca de 250 mil documentos interceptados de trocas de informações entre os governos. Material quente, sigiloso, e pra variar ele fez todo um esquema meio bomba-relógio, para caso dê alguma merda.

E deu, a CIA tá atrás dele, já ofereceu a cabeça dele a prêmio, e provavelmente terá uma morta rápida como um Che Guevara da vida. A CIA interceptará as outras pessoas, as torturará, e assim o mundo voltará a sua falsa cordialidade de merda.

Mas enquanto isso que é inevitável não acontece, o Wikileaks bomba. Não se fala em outra coisa. O problema não é exatamente as informações. Todos sabiam que existiam terroristas da Al Qaeda no Brasil (até a Revista Época fez uma reportagem). E todos pensam que o problema é o vazamento das informações, mas não é. O buraco é mais embaixo. Esse rolo da Wikileaks é puramente diplomático, pois uma coisa é você, Estados Unidos, achar que o Brasil não vai com a tua cara, e outra coisa totalmente diferente é ter esse pensamento divulgado para o mundo inteiro.

Assim como na vida se seu amigo falasse mal de você, provavelmente daria uma voadora nele.
Portanto, parem de pensar que o problema são as informações. O problema mesmo é ter ferido essa estranha ética, uma cordialidade bobinha entre os países que funciona similar com a cordialidade entre as pessoas.

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