domingo, 27 de fevereiro de 2011

Meia maratona de São Paulo.

Hoje fui correr na Meia Maratona de São Paulo. Onze mil inscritos, e me chamou a atenção o fato de que as pessoas em grande parte estavam com o número de peito branco. As pessoas que tinham o número de peito branco significa que estão correndo os 21 quilômetros da meia maratona, e os números de peito laranja são os que correm seis quilômetros.

Inspirante, sem dúvida. Achei uma prova complicada, eu não treino durante o dia, então quando vou numa corrida com sol eu normalmente sofro bastante com o calor. Perco líquidos muito rápido, as dores ficam mais fortes, e dependendo do trajeto fica sempre mais difícil.

O mais legal é que pouco depois que eu cruzei a linha de chegada (com um tempo de 47 minutos correndo seis quilômetros, péssimo tempo) veio logo atrás de mim ninguém menos que Marilson Gomes dos Santos vence e crava um novo recorde na prova.

Digo, enquanto eu me matei correndo seis quilômetros em 47 minutos ele fez quatro vezes mais a distância no mesmo tempo.

Algo inspirante! Problema é que tou um tempo sem treinar, ao menos no TCC vou diminuir bastante o ritmo por causa da monografia. Queria poder treinar bastante assim, sem dúvida deve ser uma sensação incrível aquilo que o Marilson fez, e na minha frente!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Padrões.

Esses dias estava vendo toda essa mobilização no mundo islã. Jovens revoltados contra os governos, os costumes e todo aquele blábláblá. Muita gente acha uma coisa boa, mas eu adoro questionar essas coisas. Hoje quero falar de padrões.

Um padrão nada mais é do que algo que é repetido. E seguir esse padrão faz você estar na normalidade. Mas será que estar na normalidade é o mais correto?

Vamos começar pelo começo. O que mais de primordial todas as sociedades têm em comum. Podemos tomar como padrão mais primordial a alimentação e procriação. Todas as sociedades produzem comida e fazem muito sexo. Todas as sociedades também têm linguagens, dialetos, e uma grande maioria inventou a escrita própria.

Os gregos tinham um conceito interessante. Diziam que uma sociedade perfeita seria uma sociedade homogênea, sem diferenças, sem contrastes, padronizada. Embora usamos exemplos distantes há pouco, vejo que o mundo inteiro é muito parecido um com o outro.

Vamos tomar como exemplo uma sociedade comum americana. Pessoas moram em casas de alvenaria, têm ruas asfaltadas, carros, comem em pratos, talheres, tem uma rotina consumista, entre outras coisas. O Japão, que teve sua cultura toda subjulgada por americanos, por exemplo, hoje têm uma vida totalmente diferente daquela que diferenciava tanto na idade média da sociedade européia da época.

Não passa de um Estados Unidos, só que com pessoas com olhos puxados. Eles mantém um ou outro costume, mas a estrutura é a mesma que eu citei acima.

Será que é dificil pensar uma sociedade diferente?
Parece algo simples, mas não é. Isso é o bendito padrão. Pessoas acreditam que esse é o jeito correto de fazer a coisa, e fazem. Acreditam que esse padrão é o mais correto, mas ninguém raramente têm coragem de seguir esse padrão que conceituariam.

Por exemplo, quem disse aos jovens seguidores do Corão lá do Egito que derrubar ditaduras quase que teocráticas é necessário? Óbvio, mais um exemplo da imposição massiça da cultura americana, que cativou os jovens, e causou o que causou. O que será que eles querem? Consumismo? Liberdade (ao menos a democracia republicana comum?)? Um mundo igual ao que eles vêem nos filmes?

Afinal, quem disse que esse padrão de construção de uma sociedade é a mais correta? Pessoas pregam que o único caminho para a liberdade é a democracia. E se você for contra isso, algum jornalista retardado vai falar merda.

Será que o único caminho que dizem que é correto é o da democracia mesmo?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Vai que precisa, né?

Fui a um treinamento de brigada de incêndio do prédio aonde eu trabalho. Fomos primeiro pra uma aula teórica há uma semana atrás e hoje fui aula prática, numa chácara, apagando incêndios.

Não sou uma pessoa que nega conhecimento. Acho que quanto mais melhor, mesmo que seja algo que pareça inútil. Fiz até um salvamento no treinamento. Óbvio que tudo armação, claro, mas foi com tudo, até extintor. Gostei bastante.

Aí a gente começa a sacar como o bombeiro tem respeito pela sociedade. E meu respeito por eles aumentou ainda mais. Um deles fazia suporte a rodoviárias, e dava alguns números alarmantes e dados muito bacanas. 90% dos acidentes em estradas são causadas por - pasme - ingestão de alcool. Quer dizer que nove entre dez acidentes são causados por motoristas que pegam seus carros bebâdos e vão na fé.

Uma coisa que ele comentou além disso é que a sociedade é tão crente que alcool não faz mal às pessoas que esquece isso. Tudo por mera e simples propaganda...

Talvez pareça um trabalho complicado, ver pessoas morrendo ou à beira da morte praticamente todo dia requere aí um bom estômago, mas o que realmente percebi é que talvez essas pessoas que exatamente convivem com isso todos os dias são as que mais aparentemente acreditam na capacidade e fé do ser humano. Mesmo que tudo pareça que vá contra.

Algo para se pensar!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Nosso mundo é muito limitado.


Estava fazendo a barba agora e pensando. Tem muita gente nesse mundo. E embora hoje em dia tenhamos coisas como internet, que interliga todas as pessoas sem a necessidade delas estarem no mesmo espaço para conversarem, parece que nosso mundo ainda assim é muito limitado.

Afinal, o mundo não é o que vemos no mapa, ou naquele globo que simula a Terra. Nosso mundo é muito limitado, e se resume às pessoas que conversamos, que mantemos contato, que ao menos vimos uma vez na vida, ou que veremos num futuro. Pode ser 100, 200, 500, 1000 pessoas que você se lembre. Mas será que você seria a mesma pessoa se não tivesse interagido com essas pessoas?

Fiquei abismado quando abri meu orkut e vi que tinha pessoas que eu nem mais fazia idéia de quem seria. E olha que ali tem aproximadamente 200 pessoas.

Nem fazer idéia de quem seja é complicado. Não é nem o papo de "ah, conversei com essa pessoa duas ou três vezes", não. São pessoas que de fato eu tenho idéia de quem seja.

Uma vez no trabalho fui cobrir um evento, que tinha entre palestrantes, muita gente boa na área da educação, saúde e direito penal. Como eu era do staff, alguns deles tive o privilégio de bater um papo no almoço, afinal eles não conheciam São Paulo e tive que levá-los para almoçar.

Se eu não tivesse trabalhando onde trabalho, não tivesse os conhecimentos que tenho, enfim. Tudo foi como uma espécie de tijolo sobre tijolo, provavelmente eu nem teria idéia que eles existiam, tampouco bater um papo com gente tão inteligente. Não estou dizendo do fato do conteúdo desse bate-papo, mas apenas o fato de ter a chance de conversar com os mesmos.

Eu ás vezes fico observando as pessoas na rua, nos pontos de ônibus, em qualquer local. Se não é uma oriental magnífica que eu devo estar babando ou tentando puxar conversa pra conseguir alguma coisa, fico pensando como seria bacana se eu chegasse na pessoa e falasse: "Ei, quer conversar um pouco?".

Provavelmente sairiam coisas bem bacanas. Nem se fosse só pra ficar ouvindo, sei lá.
Talvez um desejo imenso de conhecer cada vez mais pessoas. Meio bizarro, mas sei lá, é uma possibilidade!

Meros transeuntes.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

...Se você está no carro, parado na hora do rush...


 ...Entenda que você está sentado. Não está como essa galera que tá tão parada no trânsito como você, mas estão todos dependurados em ônibus em pé, apertados, meio sem ar, e tudo mais.

Não reclame da vida, meu caro! Sempre a coisa pode piorar.
Hoje, ás 17h, na frente da prefeitura uma manifestação contra o aumento da tarifa. Será que as pessoas, mesmo depois de tantas mudanças no transporte de ônibus ainda merecem uma cena dessas? Tirei essa foto ontem aqui do trabalho. Eu vejo a galera do ponto de ônibus e quase entro em pânico em ver de cima uma cena dessas.

Afinal, a gente tá "acostumado", né?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ayumi Hamasaki muda tudo. Ainda bem.

 Os últimos dois álbuns da cantora j-pop Ayumi Hamasaki foram dois grandes fiascos, na minha opinião. NEXT LEVEL e Rock 'n Roll Circus foram dois álbuns que eu ouvi uma vez, não curti e deixei de lado. Tinham uma ou duas músicas legais. Eram fórmulas já estagnadas, e achava que a Ayumi Hamasaki, que eu elegi como melhores álbuns Secret e (miss)understood tinha caído muito o nível. Até que veio Love Songs no ano passado.

Mas o que ele tem? Um som com uma nova técnica, umas letras de músicas mais inovadoras, mais silicone nas peitcholas da japonesa? Não! Apenas que ele soa mais experimental. Mais ousado. Não parece a fórmula usada antes.

A começar pela primeira música, Love Song. Ela usa uns agudos incríveis, que nunca pensei que a donzela Hamasaki conseguiria fazer. É uma passagem muito afinada do grave pro agudo muito rápida, a música não se parece com nada que ela cantou antes. Sem contar os sons de fundo que têm um destaque também. O ritmo então, não parece nada que ela tenha produzido até então.

A canção crossroad também vale a pena. Segue um pouco o jeitão comum da Ayumi mas não enche tanto o saco porque é mais lentinha. Não tem aquela guitarra pesada de "bucetinha revoltada" que a cantora tem, colocando sons bens graves com sua voz infinitamente aguda e irritante. Isso me irritava profundamente. Vale ouvir.

Existe uma faixa de transição chamada insomnia que é hipnotizante. Muito bem pensada.

Gostei bastante de Do it again (essa também ficou bem experimental, especialmente o coro), a November (tem uns sons de fundo muito bem bolados) e outras que chamam embora sejam boas não me chamaram tanto a minha atenção.

Será que ela ouviu minhas críticas e arriscou algo novo? Sempre achei que ela conseguiria, ela tem uma equipe grande e forte, gente que manja muito de música.

Mas aqueles peitos... Nunca vou achar que aquilo tudo seja natural, porque não é nem fudendo!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

XII - O Enforcado / XIII - A Morte.



Tudo era armado. A união das nossas famílias, a amizade, até mesmo nosso relacionamento.

Mas naquele momento, depois de tanto tempo vivendo do seu lado, minha vontade era que aquilo fosse "pra sempre", e "verdadeiramente". Minha dúvida era saber se você tinha por mim o mesmo que sentia por você.

O enforcado
Foi tudo feito no princípio da contradição, usado por experientes detetives e interrogadores. Foi um golpe baixo, e aquilo que muitos diziam que eu tinha, um talento imenso para persuadir pessoas lacrei no fundo da minha alma para nunca mais usar. Tudo depois de um único dia.

Ela mentia pra mim. Mas eu tinha que saber se era mentira mesmo.
E não apenas saber que era mentira, mas de alguma forma "esfregar" na cara dela essa verdade.
Depois saber do motivo que a levava a fazer isso.

Foi isso que fiz. Com uma ajuda de "n", claro. Todas as palavras foram devidamente medidas, ensaiadas, e cronometradas. Eu tinha cinco minutos para arrancar-lhe a verdade.

De fato, ela mentiu. Mas não sabia o porque. E provavelmente nunca mais saberei.
Naquele momento declarei tudo o que sentia. E ela, tomada por um misto de fúria e tristeza sumiu. Depois de um tempo soube que somente restou a tristeza. Ela me olhou por cima e balançou a cabeça negativamente. Pra ela eu era nada mais que um verme estúpido. De fato, eu era.

Mas mesmo assim... Mesmo assim, queria ficar ao seu lado. Queria que ela me perdoasse tanto quanto eu me senti mal. Não apenas no dia, mas desde sempre.

Eu, que tinha cinco minutos, consegui saber tudo com apenas quatro minutos e vinte e um segundos.
Dos quatro minutos e vinte e dois segundo em diante, nada mais era a mesma coisa. E nunca mais voltou a ser.


A morte
Isso foi muito tempo depois. Eu não lembro de muita coisa.
Acordei a noite, peguei uma faca e, o resto não me recordo.
Estava sozinho em casa. Tinha decidido que daria um fim na minha vida ali mesmo.
E foi o que eu fiz.


No outro dia, no hospital, vi meu braço todo enfaixado.
Um médico chegou alguns minutos depois do meu lado.

Perguntou se estava tudo bem, e que logo eu teria alta.
E por fim perguntou porque eu tinha feito isso comigo mesmo.
Não havia dito uma única palavra até então. Apenas disse:
"Acho que estava com vontade, ou entediado, sei lá".

Ficaram onze marcas no meu braço esquerdo.
Coincidentemente no lugar do corte principal hoje não tem mais nada.
Foi o único que sumiu.

Eu olhava pro meu braço, olhava pro direito que não tinha nada...
E pensava: "Que pele dura. Parece um aço".

Acho que o diabo não foi muito com a minha cara...



"Morte" significa "recomeço".
Acho que tive que morrer e reviver pra conseguir recomeçar.

Quanto a ela? Ficou no passado as lembranças felizes.
Vieram outras, e tenho certeza que virão ainda mais!
(de preferência japonesas lindas! Hahahha...)

Mas como seria bom se talvez as pessoas que não conseguissem voltar pudessem voltar da morte como eu fiz. Daquele momento em diante eu era uma nova pessoa. Não existia mais ninguém, e daquele momento em diante eu iria me esforçar em fazer o que eu nunca consegui fazer nessa vida:

Viver, e não apenas existir.
Afinal, ela está em algum lugar por aí querendo que eu faça a mesma coisa. E deve estar se divertindo, seja com os milhões de foras que eu leve, com as que eu namoro que não prestam, ou mesmo com as paquerinhas em desenvolvimento! =)

Naquele momento eu estava sozinho no hospital. Sozinho como eu sempre estive.
Mas não quer dizer que não estava feliz.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

XVI - A Torre.



25 de maio.

A neblina dominava a noite, as luzes pareciam desfocadas, dificilmente era possível ver algo mais à frente. O encontro estava marcado, era tarde da noite e naquela ponte os carros passavam por nós numa velocidade insana. Alguns metros a frente uma pessoa estava na frente me esperando.

Vestindo uma camisa preta,  uma calça curta preta e o cabelo cor de beringela inconfudível.
Aquilo ficou memorizado de uma maneira muito peculiar na minha mente.

"Porque você teve que fazer isso?", ela começou, questionando com lágrimas nos olhos.

"Desculpe, eu... Eu sei que fui um idiota. Sei que não foi o jeito correto de ter te perguntado isso, que te machuquei, mas me desculpe".

Ela deu alguns passos na minha direção, falando ainda com um tom de sermão.

"Você foi um idiota, você quebrou meu coração! Eu também te achava uma pessoa especial, eu que sempre me preocupei com você, eu que mesmo na época em que sentia nada por você continuei do seu lado e agora você faz desmoronar todo o castelo que construímos juntos com aquela conversa que tivemos?".

Nesse momento ela estava bem perto de mim. Eu não tinha palavras.
Estava lá, pedindo desculpas. Desde o momento que ela fugiu fiquei desesperado atrás dela. Não dormia, não comia mais nada. Minha vida se resumia a uma vista, uma passagem de pessoas, e naquele momento eu não conseguia fazer absolutamente nada.

Meu desejo era abraça-la. E sei que de alguma forma aqueles seus olhos que não desgrudavam dos meus pedia a mesma coisa. Seu olhar falava muito mais alto do que sua voz, me dava medo e ao mesmo tempo me conformava.



Quanto tempo fazia que não a via mesmo?
Apenas vê-la... Só aquilo me fazia me sentir tão feliz...
Mas se eu não tivesse ficado apenas parado, poderia vê-la mais tantas vezes.



"Vá embora. Nunca mais fale comigo. Pra mim você é um perdedor, uma pessoa ordinária, eu te odeio do fundo da minha alma. Nunca mais fale comigo, nem me olhe e nem mais pense em mim. Você é desprezível!!".

Ela correu. Fiquei parado, em lágrimas.

Alguns passos na frente, eu a vi parando. Nenhum carro. Um silêncio fúnebre dominou. Embora eu a visse apenas como um borrão, por conta da neblina, suas palavras ecoavam perfeitamente até meus ouvidos.

"Ache uma outra pessoa que te ame. Nossa história termina hoje. Não quero te ver triste, pode ser que numa outra vida seremos juntos felizes. Mas nessa vida, não dá mais. Mas me prometa que, se algum dia nos encontrarmos, seremos felizes do jeito que merecemos..."

Fui me aproximando e... vi duas luzes se aproximando de maneira insana. E ela, andando calmamente até o meio delas.

"...A verdade maior é que, eu... te... am..."

O carro freou a tempo. Porém não deixou de bater nela. Seu corpo foi jogado pra frente, na minha direção. Ela já caída no chão a agarrei pelos meus braços, mas ela já não estava mais consciente. Minutos mais tarde uma ambulância chegou na ponte, tentaram de tudo para reanima-la por foi em vão.

O pânico se instaurou em mim. Gritos, lágrimas, aquela ponte toda dominada pela névoa, tarde da noite, nem mesmo uma alma viva no local.

Ela se foi.
E nem tinha me falado as palavras que eu sempre esperei ouvir.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

XIV - A Temperância.


A palavra "rivalidade" nos resume bem. Mas a verdade é que temos um vínculo tão grande, quase que um gato e um rato, que duvido que um viveria sem o outro.

"n" tem tudo o que não tenho. E eu, tenho tudo o que ele não tem.

Não consigo imaginar o que se passava em sua mente quando viu ela correndo, histérica, chorando pelo corredor. Ao abrir a porta ele me viu lá, sentado, com os cotovelos nos joelhos e cabisbaixo. Meus olhos lacrimejavam, mas nenhuma lágrima sequer caiu. As minhas palavras teriam ferido mais do que qualquer coisa no mundo.

Será que ela ainda sim sentia medo de mim? Porque não queria mais me ver? Não falava mais comigo? Não queria mais sequer sair comigo, negando todos os pedidos, me enrolando, me deixando esperando? Porque isso, se nos dávamos tão bem? De uma hora pra outra...

"n" e eu começamos uma corrida imensa para descobrir essa resposta. Porém eu não tinha a capacidade incrível de insight que ele tinha. Eu que tirava sempre notas boas na escola, somente perdia para ele. Enquanto eu passava noites a fio estudando, ele conseguia tirar uma nota melhor sempre com menos esforço.

Sua última ligação pra mim foi: "Eu já descobri tudo. Era exatamente o que você imaginava. Vou abrir o jogo com ela". Naquele momento, no telefone, a única coisa que eu disse foi: "Entendo. Mas acho que eu sou a única pessoa que pode fazer isso".

Porque onde me faltava paciência, nele faltava atitude. Separados éramos iguais aos melhores, mas juntos, nós éramos os melhores. E ninguém jamais poderia nos superar.



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Era medo.
Talvez dentro de nosso casamento forçado ela nunca imaginara que um dia poderíamos realmente nos amar. Como um casal comum. Foi uma das piores declarações de amor, que resultou no que resultou.

Quem sabe poderíamos ser felizes. Mas esse tipo de felicidade, somente eu via como possível. E uma das minhas últimas palavras pra ela foi: "Eu... te amo, *********".
E nesse momento ela correu. E nunca mais voltou.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ah, mas pelo menos estou tentando!

Essa estorinha já tem um tempo.


Estava no carro com meu pai, voltando pra casa. Ele me perguntou:

"Ah, então é essa a menina que você tá afim?".


"É. O que achou dela? Gostou?"


"Sim, acho que faz bem o seu tipo. Meio calminha, mas parece ao mesmo tempo um tanto fria. Você gosta de mulheres bem frias, né?"


"Fria? Não, acho que ela esconde os sentimentos. Ou então não deve sentir nada por mim, além da amizade".


"É, é uma possibilidade".

O silêncio percorreu o carro por um tempo.

"Porque acha que não tem muita chance com ela?"


"Sei lá. Ela curte pessoas que tocam música, etc. Eu nem tamborzinho sei tocar. E ela é tão fria, não mostra o que sente, ás vezes acho que ela me trata de uma maneira muito 'institucional', não demonstra sentir nada por mim, nunca..."

Mais uns dois minutos de silêncio.

"Vai com calma com ela. Acho que você consegue".

Quando estávamos ja a 10 minutos de casa, ele me disse sorrindo:


"Fico muito feliz em ver isso. Você está tentando superar, seguir em frente, mesmo depois de tudo. Filho, me sinto muito feliz por você, você merece encontrar uma menina especial na sua vida".


"É... Hahhaa. Elas que não querem nada comigo, pai. É engraçado".


"Ah, mas pelo menos você tá tentando!".

Mas sem saber de nada fica complicado né? Amor platônico sempre foi uma merda.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mais uma vez, monografia.


Hoje fim ao Senac, entrei tranquilo, vi um mundaréu de gente e fui pro Laboratório Geral. Ninguém.

Nenhuma alma viva por enquanto por aqui.
Isso é bom? Sei lá...

Me lembra do meu primeiro dia de aula no semestre passado. Esse eu não matei a aula. Mas saí daquela aula com o sentimento de parar tudo, templo, academia, corridas, paqueras... Tudo pra me dedicar exclusivamente ao TCC.

Hoje ao entrar vi um amigo do semestre passado. De fato, não esperava encontrar uma alma conhecida. Vi como o peso de um semestre é diferente entre duas pessoas. Ele formado, da minha sala, e eu não.

Bom, mas espero sinceramente que seja só uma questão de tempo, né? Mais um longo semestre. E provavelmente será o mais longo de todos, mais longo até mesmo que o último.

Vontade de jogar tudo pra cima e mandar tudo para aquele lugar. Largar o emprego, a familia, me isolar numa ilha deserta com livros onde eu teria contato apenas com a minha orientadora. Mas não dá, né.

Espero que nesse semestre dê.
Não o esquema de me isolar. Mas a bendita monografia.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

XV - O Diabo.


Francesca Vittorio*. Italiana, nascida no início da década de cinquenta. Uma pessoa com a qual eu costumava andar muito, mas nunca soube qual era suas reais intenções. Maquiavélica e manipuladora. Por um certo momento se passou inclusive por "n" há muitos anos atrás. Pensava que ela fosse o "n" também, como se ele fosse uma personagem criada por ela. Uma pessoa que sabe muito bem onde está pisando, e pensa bem antes de dar qualquer passo. Talvez seja por isso que nunca obteve uma única falha em vida.

Nenhuma falha. Até a hora que eu apareci.

Mais tarde fiquei sabendo que a união de nossas famílias foi algo imposto por ela. Talvez numa conversa você não a reconheceria, e com muito esforço talvez apenas algo estranho dela. Consegue mentir muito bem, mas raramente quando ela mente dá pra perceber a orelha esquerda dela fazendo um leve movimento. Talvez seja por isso que desde que descobriu essa única falha decidiu tampar sua orelha com seus longos cabelos de italiana levemente enrolados.

No começo ela conseguiu até manipular bem. E talvez a gente pense que um rato, eu no caso, ao receber comida do gato não entenda que existe um motivo pro gato alimentar o pequeno rato. O deixará lerdo, gordo, e acima de tudo o deixará saboroso quando o gato vier pro abate. Era uma pessoa terrível, fazia isso com todos. Não se sabia a hora que iria abater, apenas se sabia que "sempre estávamos em sua mira".

Morreu de câncer, aos trinta e tantos anos. Bebia e fumava como uma condenada, e levou consigo alguns segredos bem cabeludos, os quais consegui obter de "n" algumas confissões interessantes.

Talvez apenas as quatro pessoas não tenham se deixado abater pela sua lábia, é verdade.
E hoje pensar que grande parte das coisas começou por um mero "conselho" dela.
Talvez esteja no inferno se debatendo como tantas pessoas ela manipulou e ferrou com a vida. Ou talvez esteja dando risada por mesmo depois de morta ainda sofremos todos com as barbaridades que essa mulher fez na vida de todos nós.

Uma mulher que obteve êxito em tudo. Até eu aparecer na sua vida e arruinar seus planos. Porém antes, ela arruinou minha vida.



* - Nome fictício

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Uma barreira para o feminismo?

AVISO
Antes de ler o texto, se você é uma pessoa que é a favor do homossexualismo, ou simpatizante do movimento, NÃO dê uma de ignorante. Isso é uma teoria, eu NÃO sou homofóbico, nem nada do gênero. Se puder, nem leia, espera que amanhã tem outro post.

Esses dias estava discutindo com um camarada meu, e comentei algo que vi, que um jornalista soltou uma piadinha do gênero: "Homossexualismo tá tão na moda que eu vou sair desse país antes que seja obrigatório!", resolvemos então imaginar um mundo totalmente homossexual. E a partir dessa teoria, tentar definir as coisas.

Primeira referência que temos foram os gregos. O povo grego era um povo machista, com deusas meio machos (Athena, é o maior exemplo) e uma sociedade onde relações entre homens e mulheres eram tratadas como coisas que focavam apenas na procriação da espécie. Afinal, se um homem fosse amar alguém, deveria ser um outro homem.

É difícil hoje em dia imaginar uma sociedade machista e homossexual. Talvez porque hoje as pessoas tenham uma imagem de que as pessoas gays são afeminadas, e logo que defenderiam o interesse feminino, mas acho que talvez o apoio ao homossexualismo tenha na verdade um resultado diferente do que as mulheres têm procurado durante séculos: sua emancipação.

O que há séculos as pessoas que tentam defender os direitos do público gay mudou. Hoje parece que é obrigatório você agasalhar um croquete para ter o respeito na sociedade, ser cool. E o pior é que nem é a coisa de sair do armário, pessoas ficam fazendo pesquisas de estranhos "lados gays" das pessoas, e se você não é começam a te olhar torto, como se você fosse o errado da sociedade.

Onde ficam as pessoas como eu e tantos outros que adoram um par de seios, bumbum arrebetidado e xoxota?

Estranho. Mas sobre o feminismo, acho que é uma teoria bem palpável.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Entre gírias e neologismos.

Tem um koreano lá no meu templo, recém chegado no Brasil. Esses dias estava conversando com o cara, em português, e ele disse que no começo não entendia gírias do Brasil. Disse que a galera vinha nele dizendo: "E aí cara, tudo beleza?" e ele não entendia o sentido. Disse que entendia algo do gênero: "E aí rosto, tudo bonito?".

Algo como, pensava que estavam perguntando se a sua cara estava bonita. E não uma versão alternativa da expressão: "Olá, tudo bem?".

Isso aí me fez pensar de como funciona as gírias aqui. Vamos dar o exemplo. Esses dias estava ouvindo Dangerous, do Michael Jackson, e no álbum tem a música She drives me wild. Em uma tradução mais direta, significa  "ela deixa ele de pau duro e dá vontade de comer ela todinha!". Em uma tradução mais polida, signfica "ela me deixa maluco!".

Mas drives, é dirigir. Então numa tradução literal é "ela me dirige selvagemente!". Demorei anos pra sacar.

Outro exemplo é a expressão pissed up, como "I'm pissed up with you because you won't go out with me" (sem indiretas!). Piss é mijar, não significa que você "mijou pra cima", mas que você "ficou puto".

Sempre esqueço de perguntar pro cara como funciona as gírias lá no país dele. Se tem esse tipo de neologismo na língua koreana ou algo do gênero. Vou tentar me lembrar. =P

(ah, eu sou um grande fã do filósofo Wittgenstein. Por isso gosto de estudar a linguagem!)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

da Sabedoria.

Estou lendo Aforismos, do Bruce Lee. Não estava levando muito a sério quando no prefácio diz que normalmente as pessoas acabam amando o livro depois que lêem, mas agora que estou lendo ele a fundo tou vendo que será um dos meus livros de cabeceira.

Acho que o mais legal é que o livro serve pra filosofia básica como filosofia avançada. Bruce Lee divaga entre pensamentos de filósofos dos mais diversos locais, crenças, ideologia, tempos e estilos. Vou escrever um pouco sobre o que eu li, e completar algumas coisas que expus num post muito velho. Se puder leia primeiro, e depois volte aqui.

Quando eu estava no colégio, e via que tinha muita facilidade com matemática, achava que eu era inteligente. Mas a inteligência que eu tinha era uma capacidade apenas de assimilação. E isso é nada menos que um exercício de memória, um cachorro assimila o comando "Sentar" com a ação de sentar. Somos seres humanos, somos movidos por signos, e esses signos, e a quantidade que conseguimos assimilar que nos fazem "inteligentes".

Mas hoje eu pergunto: inteligência só é necessário?

E se eu disser que, para você aprender mais, você deve antes de qualquer coisa deixar pra trás tudo o que você sabe? É como um copo d'água, você tem aí um copo cheio de coisas que você sabe, mas para aprender mais, algo novo você deve esvaziar esse copo. E começar do zero.

E fazemos isso sem querer. Design por exemplo, pensava que sabia, me achava porque sabia abrir um Photoshop e fazer a praia virar algo psicodélico. Porém, na faculdade, tive que abandonar tudo o que sabia (ou pensava que sabia sobre design) pra hoje chegar onde cheguei. Eu, que pensava que design fosse apenas algo ligado à utilidade ou beleza da coisa, hoje tenho uma definição mais ampla.

Uma vez estava falando com uma amiga que ás vezes sentia que professores atrapalhavam o que queria aprender e mexer. E ela disse que teria alcançado o que toda faculdade deveria te dar, mas que muitas não o fazem, pra que as pessoas não saíssem da linha de produção de conhecimento que existe no sistema. Chegou um momento em que os professores que me deixaram aonde estou estavam na verdade atrapalhando o caminho que eu queria tomar por exatamente estarem presos aos seus dogmas ultrapassados.

Do que adianta aprender se você não seguir seu caminho? A sabedoria é algo muito mais denso que o conhecer. Conhecer depende de um tempo, mas a sabedoria é o conjunto de todas as experiências que você teve na sua vida. E essas experiências te moldam de alguma forma, e você começa a acreditar do que faz sentido pra você baseado em toda a inteligência que uma vez você tivera.

Muito denso, né?

Mas caiu como uma espécie de dilema. Será que se Monet e Renoir não tivessem tido noção o suficiente não teriam criado o Impressionismo e mudado a arte até hoje? É um exemplo básico, mas se eles estivessem presos aos dogmas da arte clássica será que teriam arriscado e mudado todo o conceito de arte e servido de base para artistas até de hoje?

Trilhar um caminho de sabedoria pelos seus próprios feitos. Isso é algo que vai além da inteligência.

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