domingo, 13 de fevereiro de 2011

XII - O Enforcado / XIII - A Morte.



Tudo era armado. A união das nossas famílias, a amizade, até mesmo nosso relacionamento.

Mas naquele momento, depois de tanto tempo vivendo do seu lado, minha vontade era que aquilo fosse "pra sempre", e "verdadeiramente". Minha dúvida era saber se você tinha por mim o mesmo que sentia por você.

O enforcado
Foi tudo feito no princípio da contradição, usado por experientes detetives e interrogadores. Foi um golpe baixo, e aquilo que muitos diziam que eu tinha, um talento imenso para persuadir pessoas lacrei no fundo da minha alma para nunca mais usar. Tudo depois de um único dia.

Ela mentia pra mim. Mas eu tinha que saber se era mentira mesmo.
E não apenas saber que era mentira, mas de alguma forma "esfregar" na cara dela essa verdade.
Depois saber do motivo que a levava a fazer isso.

Foi isso que fiz. Com uma ajuda de "n", claro. Todas as palavras foram devidamente medidas, ensaiadas, e cronometradas. Eu tinha cinco minutos para arrancar-lhe a verdade.

De fato, ela mentiu. Mas não sabia o porque. E provavelmente nunca mais saberei.
Naquele momento declarei tudo o que sentia. E ela, tomada por um misto de fúria e tristeza sumiu. Depois de um tempo soube que somente restou a tristeza. Ela me olhou por cima e balançou a cabeça negativamente. Pra ela eu era nada mais que um verme estúpido. De fato, eu era.

Mas mesmo assim... Mesmo assim, queria ficar ao seu lado. Queria que ela me perdoasse tanto quanto eu me senti mal. Não apenas no dia, mas desde sempre.

Eu, que tinha cinco minutos, consegui saber tudo com apenas quatro minutos e vinte e um segundos.
Dos quatro minutos e vinte e dois segundo em diante, nada mais era a mesma coisa. E nunca mais voltou a ser.


A morte
Isso foi muito tempo depois. Eu não lembro de muita coisa.
Acordei a noite, peguei uma faca e, o resto não me recordo.
Estava sozinho em casa. Tinha decidido que daria um fim na minha vida ali mesmo.
E foi o que eu fiz.


No outro dia, no hospital, vi meu braço todo enfaixado.
Um médico chegou alguns minutos depois do meu lado.

Perguntou se estava tudo bem, e que logo eu teria alta.
E por fim perguntou porque eu tinha feito isso comigo mesmo.
Não havia dito uma única palavra até então. Apenas disse:
"Acho que estava com vontade, ou entediado, sei lá".

Ficaram onze marcas no meu braço esquerdo.
Coincidentemente no lugar do corte principal hoje não tem mais nada.
Foi o único que sumiu.

Eu olhava pro meu braço, olhava pro direito que não tinha nada...
E pensava: "Que pele dura. Parece um aço".

Acho que o diabo não foi muito com a minha cara...



"Morte" significa "recomeço".
Acho que tive que morrer e reviver pra conseguir recomeçar.

Quanto a ela? Ficou no passado as lembranças felizes.
Vieram outras, e tenho certeza que virão ainda mais!
(de preferência japonesas lindas! Hahahha...)

Mas como seria bom se talvez as pessoas que não conseguissem voltar pudessem voltar da morte como eu fiz. Daquele momento em diante eu era uma nova pessoa. Não existia mais ninguém, e daquele momento em diante eu iria me esforçar em fazer o que eu nunca consegui fazer nessa vida:

Viver, e não apenas existir.
Afinal, ela está em algum lugar por aí querendo que eu faça a mesma coisa. E deve estar se divertindo, seja com os milhões de foras que eu leve, com as que eu namoro que não prestam, ou mesmo com as paquerinhas em desenvolvimento! =)

Naquele momento eu estava sozinho no hospital. Sozinho como eu sempre estive.
Mas não quer dizer que não estava feliz.

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