sábado, 12 de fevereiro de 2011

XVI - A Torre.



25 de maio.

A neblina dominava a noite, as luzes pareciam desfocadas, dificilmente era possível ver algo mais à frente. O encontro estava marcado, era tarde da noite e naquela ponte os carros passavam por nós numa velocidade insana. Alguns metros a frente uma pessoa estava na frente me esperando.

Vestindo uma camisa preta,  uma calça curta preta e o cabelo cor de beringela inconfudível.
Aquilo ficou memorizado de uma maneira muito peculiar na minha mente.

"Porque você teve que fazer isso?", ela começou, questionando com lágrimas nos olhos.

"Desculpe, eu... Eu sei que fui um idiota. Sei que não foi o jeito correto de ter te perguntado isso, que te machuquei, mas me desculpe".

Ela deu alguns passos na minha direção, falando ainda com um tom de sermão.

"Você foi um idiota, você quebrou meu coração! Eu também te achava uma pessoa especial, eu que sempre me preocupei com você, eu que mesmo na época em que sentia nada por você continuei do seu lado e agora você faz desmoronar todo o castelo que construímos juntos com aquela conversa que tivemos?".

Nesse momento ela estava bem perto de mim. Eu não tinha palavras.
Estava lá, pedindo desculpas. Desde o momento que ela fugiu fiquei desesperado atrás dela. Não dormia, não comia mais nada. Minha vida se resumia a uma vista, uma passagem de pessoas, e naquele momento eu não conseguia fazer absolutamente nada.

Meu desejo era abraça-la. E sei que de alguma forma aqueles seus olhos que não desgrudavam dos meus pedia a mesma coisa. Seu olhar falava muito mais alto do que sua voz, me dava medo e ao mesmo tempo me conformava.



Quanto tempo fazia que não a via mesmo?
Apenas vê-la... Só aquilo me fazia me sentir tão feliz...
Mas se eu não tivesse ficado apenas parado, poderia vê-la mais tantas vezes.



"Vá embora. Nunca mais fale comigo. Pra mim você é um perdedor, uma pessoa ordinária, eu te odeio do fundo da minha alma. Nunca mais fale comigo, nem me olhe e nem mais pense em mim. Você é desprezível!!".

Ela correu. Fiquei parado, em lágrimas.

Alguns passos na frente, eu a vi parando. Nenhum carro. Um silêncio fúnebre dominou. Embora eu a visse apenas como um borrão, por conta da neblina, suas palavras ecoavam perfeitamente até meus ouvidos.

"Ache uma outra pessoa que te ame. Nossa história termina hoje. Não quero te ver triste, pode ser que numa outra vida seremos juntos felizes. Mas nessa vida, não dá mais. Mas me prometa que, se algum dia nos encontrarmos, seremos felizes do jeito que merecemos..."

Fui me aproximando e... vi duas luzes se aproximando de maneira insana. E ela, andando calmamente até o meio delas.

"...A verdade maior é que, eu... te... am..."

O carro freou a tempo. Porém não deixou de bater nela. Seu corpo foi jogado pra frente, na minha direção. Ela já caída no chão a agarrei pelos meus braços, mas ela já não estava mais consciente. Minutos mais tarde uma ambulância chegou na ponte, tentaram de tudo para reanima-la por foi em vão.

O pânico se instaurou em mim. Gritos, lágrimas, aquela ponte toda dominada pela névoa, tarde da noite, nem mesmo uma alma viva no local.

Ela se foi.
E nem tinha me falado as palavras que eu sempre esperei ouvir.

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