sábado, 30 de abril de 2011

Devassa



Teve um dia que estava saindo e começou a chover. Tinha um bar e dei uma passada lá. Como a chuva não tava passando, pensei em ali mesmo tomar uma breja. Dia quente. Tinha Brahma, Artactica, Bohemia... Mas a Devassa tava em promoção. Pedi uma garrafa. Veio bem gelada, tomei ali mesmo alguns goles.

É pilsen, loura, gosto urinal clássico. Quando estava já no segundo copo acho que desceu mais fácil. Cerveja com sabor não forte, muito leve, mas a principal característica mesmo é a leveza, mas não achei igual a uma Crystal ou Itaipava da vida, onde você não sente nada ou quase nada. A Devassa é mais sutil.

Criada por dois empresários brasileiros, a cerveja Devassa nasceu com o propósito de reunir numa marca brasileira o sabor das cervejas européias com uma produção totalmente nacional. Acho complicado isso, porque cervejarias brasileiras não parecem ser lá muito inovadoras, mantém mesmo a receita básica de cervejas pilsen... Mas saiu. E existe até Devassa Ruiva, Morena, Loira, Mulata, e afins. Gostei dessa propaganda, hehe, bem bolada.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Caracu


Ok, vamos falar um pouco de cervejas brasileiras. Eu comprei uma Baden Baden recentemente, mas por conta de um resfriadinho vou adiar um pouco o dia de saborear. Muita tosse.

Quando conheci um mestre cervejeiro eu perguntei pra ele sobre cervejas brasileiras, e ele citou a Caracu, uma vez que eu disse que a Guiness foi uma das que mais gostei. Degustei no interior mesmo, a Caracu é tímida stout em um país onde as pessoas só praticamente bebem cervejas tipo Pilsen (95% do mercado brasileiro, em algumas fontes que vi por aí).

Voltando à Caracu. É forte. A Guiness desce suave, a Caracu parece que quer voltar. Mas é muito, muito saborosa. Saborosa até demais, uma garrafinha daquelas me saciou completamente, ficou um bocado pesado no estômago.

Li depois que ela tem uma quantidade grande de levedura e vitaminas, um dos motivos do seu sabor e peso marcantes.

Seu sabor é único. Sua cor também. Vou ser sincero que a figura do touro me intimida um bocado. Acho que ela foi meio um bloqueio pra saborear completamente essa ótima cerveja nacional.

domingo, 24 de abril de 2011

Kingdom Hearts

Estou jogando no PSP do meu irmão o Kingdom Hearts - birth by sleep. Eu joguei o primeiro, o começo do segundo, um pouco do 358/2 days e agora estou nesse do PSP.

É um jogo que tem referência direta à Disney. Tem o Pateta, Donald, Mickey, e outros clássicos. Esse mostra principalmente as famosas Princesas da Disney (Branca de neve, Cinderella, Bela Adormecida, Jasmine, Belle, Alice e a criada exclusivamente para a série, Kairi).

Ok, vamos começar. Pode parecer um jogo bonitinho, mas ele capta a essência básica da Disney que nós crianças não conseguimos ver: A Disney é do mal. Ele faz uma espécie de releitura dos filmes do senhor "Valdisney", começando pela Branca de Neve e os Sete Anões, o primeiro filme animado da história.

Você cai numa caverna onde os sete anões estão extraindo diamantes. Sai dela, vai pra floresta e encontra ninguém menos que... Branca de neve! Caída no chão, parece que foi estuprada. Ela, como toda boa protagonista acéfala da década de 30 pede sua ajuda pra sair de lá. Entra na casa dos anões, dorme, e os anões te chamam de mentiroso, sequestrador e tarado. Você volta pra floresta e depois que derrota um monstrengo você dá de cara com a bruxa má da Branca de Neve, ESBARRA nela e... CAI A PORRA DA MAÇÃ ENVENENADA DA CESTA DELA e seu personagem pega a maçã e devolve pra ela!

Ah, nessa parte você controla o Ventus. É um moleque idiota só, tem importância nenhuma.

Não parece ter nada demais, exceto a trombada com a velha. Como se isso não bastasse, o próximo mundo é o da Cinderella, onde a Cinderella que é workaholic não tem tempo de fazer seu vestido para o baile (sim, são umas situações meio engraçadas) e você, e o ratinho dela (Jaq?) tem que arrumar o vestido da loura borralheira. E quem te empaca? O Lucifer! O gatinho dela. Coloque no Youtube e você verá uns quarenta vídeos sobre referências satânicas ao mero gatinho que "também tem seu lado bom".

Por fim, temos a Aurora, a bela adormecida (sabia que ela tinha um nome?) onde você a encontra, dormindo como ela sempre faz, e deve entrar no castelo da Maleficient e dar uma surra nela. A parte mais bizarra é que, ela acorda, encontra o príncipe encantado e... FOGE DELE! E ele tenta ainda chamar ela pra um gratino, perguntando quando a verá novamente e tal, marcar um chopp, provavelmente nem o próprio principe tinha acreditado que ia ficar sem sua princesa naquele dia porque... Ela é uma mulher, e tem problemas mentais com relacionamentos, como qualquer outra (quem sabe ela queria roubar o Lucifer da Cinderella, vai entender! Não tente entendê-las, é impossível!).

E isso tudo é licenciado pela Disney. Mas mesmo assim parece uma história, um roteiro muito sombrio. O lado sombrio vem exatamente disso, desse esbarro na bruxa da maçã, no gatinho Lúcifer te atrapalhar e na Aurora fugir do príncipe como o diabo foge da cruz. O que será que os caras da Square tem na cabeça?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sangue e Sakê.

Um sakê sempre é bom. Se o sakê está ruim, é porque o problema está em você. Para conseguir apreciar a bebida durante o ano você tem o calor do verão, as pétalas de cerejeira da primavera, as folhas do outono e a branca neve do inverno. Somente isso você precisa que entre em você para que essa bebida crie significado mais profundo.

Porém quanto mais bebia aquilo, menos sentia o sabor.

Parecia ruim. Um gosto amargo. Parecia um pouco sangue.

Pessoas entravam e saiam daquele estabelecimento. Uma donzela sentou exatamente atrás de mim, numa mesa. Pediu uma garrafa. Foi aí então que, depois do garçom entregar, três homens chegaram e tomaram a garrafa dela.

"Mulher, sirva-nos!"

Ela olhava com aqueles olhos frios e os ignorava. Talvez inconscientemente ela sabia que não devia estar fazendo aquilo. O silêncio tomou, e seu silêncio foi a negativa ao pedido deles. Ela levou o sakê na sua taça e bebeu calmamente.

"VOCÊ É UMA VADIA!! SOMOS DO FEUDO LOCAL, SE NÃO FOSSE POR NÓS VOCÊS JAMAIS TERIAM PAZ AQUI PRA BEBER ESSE SAKÊ!! ME SIRVA LOGO!!"

"Idiota. Vocês são rendidos ao Tokugawa. São do tipo que põe o rabo entre as pernas e correm dos monarquistas..."

O silêncio tomou conta do local. Aqueles segundos de silêncio foi quebrado depois pelo próprio arruaceiro.

"QUEM DISSE ISSO??"

Foi aí que eu me levantei e me aproximei dele.

"Deixe esse donzela em paz. Se quiser resolver alguma coisa, estou te esperando lá fora."

E dei as costas, e saí do recinto.

A garota, que sequer falou comigo, ou sequer conhecia, confessou algum tempo mais tarde que soava como um verdadeiro paladino da justiça. Ela foi atrás de mim, para agradecer. Mas quando encontrou me viu no centro de uma chuva.

Tudo era tingido de vermelho, uma chuva de sangue.

"Pessoas usam a palavra 'chuva de sangue' quando se referem a uma tragédia, não? Pelo visto, o senhor realmente faz chover. Uma chuva de sangue".

Eu havia sido encurralado pelos dois desordeiros, e o sangue que tingia aquela noite era dos próprios espadachins já assassinados.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Comoção é algo reservado a poucos.

Aconteceu antes de ontem, eu acho, pertinho de casa. Vi apenas uma notícia perdida no Destak. Uma mãe matou um filho de 15 anos após mantê-lo em cárcere privado sem comida e sem nada.

Talvez eu possa fazer uma referência direta a um caso famoso de um pai que arremessou sua própria filha do prédio direto na zona norte paulistana. Cruel? Ambos foram. Acho que até esse perto de casa teve um sadismo maior, afinal morte por fome é, na minha opinião, uma das mortes mais brutais que um ser humano pode cometer.

Mas onde está essa notícia no Jornal Nacional? E o melhor, onde estará aquela comoção nacional, que fez com que as pessoas fossem na casa do Nardoni e quisessem linchar o carequinha? Obviamente o caso dos Nardoni só existiu aquela comoção porque houve uma imprensa no meio. Houve o sentimento de que a justiça fosse feita. E isso foi implantado nas pessoas.

Cara... Assassinatos acontecem sempre, e em todos os lugares. Hoje foi perto de casa, amanhã pode ser na sua.

O que não gosto é como essa galera (jornalistas, novamente, meus inimigos preferidos) gosta de vender sua notícia com o intuito de tornar as pessoas mais "humanas", criando a comoção nacional. Imagina se vivêssemos num século XIX, sem jornalistas, em plena idade média onde nosso trabalho limitasse a plantar batata, comer nossas esposas e obedecer a um senhor feudal.

Pessoas são assassinadas de qualquer jeito no século XIX. Mas nem sempre todos sabiam. O trabalho de alguém que divulga isso é o de aproximar as pessoas do acontecimento, mas será que as pessoas que lêem sobre não viram reféns? Será que você sabe consumir uma informação de maneira apropriada? Será que você depois que leu já tentou questionar o autor usando o próprio texto dele?

Qual a diferença entre a senhora que matou o filho acorrentado de fome e o outro que arremessou a menina do apartamento? A resposta é: NENHUMA. Todos foram assassinatos com requintes de crueldade e totalmente desumanos.

Porque um não tem o destaque, assim como tantos outros que são nos mesmos moldes dos Nardoni, e só o da menina que caiu da janela e não criou asas que ficam martelando?

Não quero dar a resposta. Na verdade eu acho é que dei muitas pistas da "resposta", se é que tem alguma pra isso. Reflitam.

domingo, 17 de abril de 2011

O discípulo tolo. Parte III

"Vou ensinar pra ele a técnica da frieza na luta", o mestre começou, falando sobre o primeiro discípulo dele.

"Uau. Já?"

"Já sim. Ele inclusive vai ter o primeiro discípulo".

"Bom. Bom pra ele! Ele é bom, não tenho dúvida que vai conseguir. Mas você disse que essa técnica é pra na hora da luta manter a frieza e a racionalidade. Você disse que eu sou sentimentalista... Provavelmente nunca vou conseguir né?", eu questionei.

"Não sei. Você é meio frio... Eu acho que essa técnica é perfeita pra você. Você disfarça seus sentimentos muito bem, e mesmo que passe por algum problema você continua sorrindo como se nada tivesse acontecido. Isso engana muito bem o oponente, ele não te manipula, nem te controla."

"Certo. Então quando começa esse treinamento?".

Uns minutos passaram sem resposta dele. Aí ele concluiu:

"Acho que nem precisa. Tenta usar isso numa luta. Se você conseguir, eu não tenho mais nada a lhe ensinar, caro discípulo tolo".

"Ah, você não bota fé em mim mesmo né?"

"Hahah! Quando eu deixar de te chamar de discípulo tolo, quem sabe? Continua um discípulo tolo, teimoso igual uma criança e idealista idiota!"

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Finanças.

Que coisa estranha. Fui demitido e estou devendo nada a ninguém. Mas isso não é algo que vejo com os outros. Tenho amigos que estão e vivem endividados até o talo. Sempre tive em mente que poderia ser demitido a "qualquer momento", por isso o que eu mais fazia uso era exatamente da... poupança!

Estranho alguém da minha idade ter noções financeiras. Conheço gente que já passou dos trinta e vive no aperto, daquelas mesmo que joga o dinheiro para os pombos comerem, gastam milhões em aluguel, bebidas, baladas, e no final do mês não tem nem dez pratas pra pagar um mísero sorvete.

Desde criança meus pais me ensinaram o valor de poupar. Sempre em casa vivemos no aperto, até hoje, e por um lado penso que isso é bacana. Não temos muita coisa, vivemos num péssimo lugar, mas não devemos nada a ninguém.

98% das coisas que comprei com meu salário foi à vista. E obviamente, chorando um belo dum desconto. A primeira coisa que comprei a crédito na vida foi um frequencímetro pra eu correr, e fiz isso não porque não tinha dinheiro, mas porque queria saber como funciona.

Fico imaginando se eu estivesse endividado agora e desempregado. Graças a Deus tudo que comprei já paguei. Meu computador, por exemplo fiquei um ano juntando dinheiro de uma bolsa de estágio de R$600. E dei, na lata, 4 mil reais nele. Idem minha câmera, meu MacBook, meu band hero bundle, entre outras coisas menores (como o Nintendo DS!).

Será que conseguirei manter essa ordem bonitinha quando morar sozinho? Quando me casar? Sei lá, aumento de custos e tal, isso nunca é algo muito prazeroso. Gostaria mesmo era de começar a fazer uns investimentos, começar primeiro com coisa pequena e sólida, como o Tesouro Direto e depois no futuro, quem sabe?

Eu era uma pessoa mais feliz quando não tinha dinheiro.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Primeiro disse não. Depois disse sim.

Esses dias estava de bobeira no Orkut e resolvi fazer algo que não fazia há alguns anos. Espiar o profile das pessoas. Lembrei dessa estorinha.

Tinha um amigo, há uns oito anos, que era completamente apaixonado por uma amiga. Eles tinham namorado um tempo já, coisa de alguns meses. Mas aí eles terminaram, e ela resolveu engatar um namoro via internet com um cara de Tangamandápio. Eles mal se viram pessoalmente, não me pergunte o PORQUÊ.

Lembro que na época o coitado ficava me desabafando: "Cara, porque ela escolheu ele que está a quilômetros daqui e eu aqui, do lado dela?". Vai entender. Cabeça feminina não é algo que dê pra entender, tudo farinha do mesmo saco. E como o Victor, um camarada de oitenta anos que conheci na academia disse, nem a idade traz pra elas maturidade pra não agirem com tamanha infantilidade e inconsciência...

Resumindo: Meu caro amigo homem, esqueça, mulheres não vão mudar, e podem querer terminar com você pelo motivo mais IDIOTA possível. Elas são mais instáveis de urânio enriquecido. Afinal, taque a primeira pedra quem nunca sofreu ou viu algo do gênero antes.

(eu já, diversas vezes, mas não vou comentar isso aqui)

O que aconteceu? Coisa de quatro meses depois dela engatar esse namoro via MSN Messenger eles terminaram. Quase um ano depois ela voltou com esse meu amigo. Passaram uns quatro anos de namoro eles casaram! E estão bem. E felizes.

Que coisa bizarra é essa coisa de vida. Provavelmente quando terminou com ele pela primeira vez nem imaginava que os dois terminariam casados. Sei lá, só um relato pra se pensar nisso.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Eu e Achalanatha.

Eu raramente falo de religião aqui. Quero falar um pouco.

No meu trabalho antigo tinha como wallpaper do meu PC a figura do Achala (foto), o japonês Fudo myo-o. A galera tinha muito medo, afinal ele não tem cara de grandes amigos. Lembro que o vi pela primeira vez no Rurouni Kenshin, quando o Sanosuke luta contra o monge penitente Anji e na tradução brasileira acho que transformaram o Achalanatha em "demônio budista", quando ele não é.

Na minha ramificação budista veneramos bastante o Achala, como sendo o rei da sabedoria que diz respeito à persistência, e também temos o Avalokitesvara, o nipônico Kannon (sim! aqueles que os Yakuza sempre tatuam nos corpos) o bodhisatva da compaixão.

O Achala sempre é acompanhado do fogo. Significa aquela energia que você tira do fundo da sua alma pra fazer um esquema difícil. Algo sobre você nunca desistir. Seu mantra principal (preste atenção no vídeo quando aparecer escrito "Fudo Myouo") parece um verdadeiro grito de guerra, é uma coisa que entra na minha alma, mesmo que na Shinnyo-en o recitamos com uma melodia diferente das dos outros budistas (com todo respeito, prefiro a original, embora tenha um significado bem forte essa mudança de entoação).

Vou contar uma estorinha. Quando fui efetivado no meu ex-trabalho, fui ao banheiro, lavei o rosto, e entooei o Fudo Myo-o ali mesmo, só pra mim.

No fundo queria força. Queria energia pra continuar em frente. Era um passo importante, estava sozinho, e sabia que seria um caminho cheio de pedras. Ganhei a vontade de não desistir, e ao mesmo tempo meu coração ficou em paz. Acho que naquele momento de perdição, que me vi sozinho e pensando no pior, o maior impulso pra eu continuar foi mesmo ter um pouco de paz no coração, a certeza que conseguiria dar o meu melhor.

Paz. Quem diria que o próprio Achala, com essa cara de quem chupou limão, me daria naquele momento.

terça-feira, 12 de abril de 2011

O discípulo tolo. Parte II

(eu não sei porque diabos me deu vontade de desenterrar isso, já faz tanto tempo, mas...)

Seu nome era Vincent. Não me conhecia há muito tempo, e a tutelagem não durou muito tempo. Seu estilo de luta era inimitável e impossível de se bater. Tinha uns dez discípulos. Acho que eu era o quinto deles. Tínhamos diversas conversas, e achava impressionante a capacidade daquele homem em traçar um perfil da pessoa com apenas algumas conversas. Aprendi muito com ele.

Numa das conversas mais interessantes ele citou algumas coisas interessantes. Sobre mim. Que nem eu tinha percebido.

"Você nem sempre sorri porque está feliz, não é?", ele começou.

"Como assim?", questionei.

"Você, fica aí com um sorrisão, enquanto enfrenta trocentos problemas. Eu não tenho tanto saco, e acho que se passasse por metade das coisas que você passa, eu não teria tanto saco".

"Ué... Mas não é nada demais. Conheço gente em situação muito pior".

"Sim, mas o que mais me incomoda é que você fica andando por aí, sorrindo para as pessoas, até mesmo quando você quer ser uma pessoa má, você pratica o mal sorrindo."

"Ainda acho que não tem nada a ver. E que papo é esse de eu 'praticar o mal'? Já me viu brigado com alguém?".

"Não."

"E então? Eu sou assim, cultivo minhas amizades. Você está inventando..."

"Discípulo tolo... Você não deve ter emoções.", o mestre encurtou o caminho que queria chegar.

"Não tenho emoções? Outra coisa sem sentido. Sou o homem mais chorão da face da terra".

Naquele momento fiquei sério. E vi que ele percebeu isso.

"Olha só, agora estou vendo o seu verdadeiro ego, da tradução literal mesmo, o seu 'eu interior e verdadeiro', porque você sorri pra disfarçar sua raiva, sorri pra não chorar, sorri pra evitar mesmo sorrir verdadeiramente. Eu sei o que aconteceu com você.", ele lançou com um ar de sabedoria bizarra.

"Definitivamente não sei onde você quer chegar com isso...", eu retruquei.

"Quero dizer que você pegou todos os seus sentimentos, a tristeza por ver seu irmão mais velho traído pelas pessoas em que mais confiava, a frustração de ver a garota que era o amor da sua vida falecer nos seus braços, a raiva de viver em uma família que vivem brigando e discutindo, a cólera em ver que o mundo não aceita você do jeito que você é... Tudo. Todos esses sentimentos você guardou no fundo da sua alma..."

Fiquei calado, apenas ouvindo. Ele prosseguiu.

"E por isso você apenas sorri. Demonstra a felicidade, não quer que ninguém toque em assuntos como infância, amores passados, família... Mas o problema não é as pessoas saberem o que aconteceu. É exatamente o contrário.", ele concluiu o pensamento.

"E qual é o problema?", eu perguntei.

"O problema vai ser quando alguém especial pra você vier lhe oferecer ajuda. Como você reagiria a isso?", ele fechou o assunto.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Em resposta à Soninha.

Li a postagem do blog da Soninha Francine. Gosto muito dela, ela é uma pessoa que, na minha opinião, divide muitos dos meus valores para uma boa cidade, como mais bicicletas, prioridade total no transporte público sobre o particular, além de ser uma das únicas políticas numa democracia de merda como a nossa que eu faço questão de votar nela, sempre, nem que seja pra ser síndica de prédio.

Leia primeiro depois volte aqui. O do dia 8 de abril.

Tou falando sério, clica aqui, cara.


Leu mesmo? Tem certeza? Não me engana.

Vai lá e lê. Eu espero...





Pronto, agora presumo que você tenha lido. Muito bem! Vamos começar.

1) Esbarramos na bendita psicologia. Eu fico pensando na utilidade da psicologia. Psicopatas enganam fácil qualquer psicólogo. Assim como não existe cura pra psicopatia, não existe uma maneira de se diagnosticar antes que aconteça. Muito porque acredito que todos temos sim um bocado de psicopatia dentro de nós. Mas o caso de explodir como foi no caso do Wellington, é a coisa mais aleatória do mundo. Pode ser eu, você, a vizinha gostosa ou mesmo aquele vovôzinho que adora dar milho pros passarinhos. É trágico? Vou falar pela milésima vez: SIM. Previsível? Muito, muito, muito difícil. Qualquer um que estuda psicopatia sabe como isso é uma bomba-relógio.

2) Desarmar a população não é a questão. E os bandidos terem arma, também não é a questão. Alguém já comprou muamba no Paraguai? A coisa mais fácil de se conseguir uma arma é por lá. Embrulha, traz na sacolinha, passa a Ponte da amizade e já era. Você traz uma .32 fácil e entra no país com uma arma que você pode... Matar pessoas! Então todos falam em desarmar se o problema do Wellington não foi o desarmar, foi o de conseguir fácil assim como qualquer pessoa nesse país consegue. Não adianta você colocar leis (ou um comercial engraçadinho) pra botar medo nas pessoas se você pode ir ai do lado e pegar uma arma facinho.

3) Bullshit. Já viram o Impostor do Pânico? Não existe lugar impenetrável. Eu já disse isso num post recente. Porque você acha que você está protegido fechando sua porta? Fechar a porta é nada mais que um signo que diz as pessoas que dali elas não podem passar. Mas um signo desses pode ser facilmente derrubado com um chute bem dado, você invade, e faz o que quiser. Podem colocar o exército, a guarda papal, os Rangers americanos, a Task Force 141 na escola, o cara consegue entrar.

Eu só ando lendo opiniões femininas, e acho que elas sempre se deixam levar bastante pela adrenalina da situação. Pensem um pouco antes e deixem a emoção de lado. Esse tipo de coisa acontece. Existiu o Maníaco do Parque, o sequestrador do ônibus 171, o Lindenberg que matou a Eloá Pimentel, o Bandido da Luz Vermelha e outros trilhões de exemplo.

Prever um ataque psicótico é uma tarefa impossível. Pode ser comigo, com você, com o Silvio Santos ou com o Karol Wojtyla. Entendam isso, um cara com esse quadro psicológico, se estiver decidido em jogar um avião em um prédio ele vai fazer. E ninguém vai impedir isso pois se tentassemos impedir isso nos tornaríamos seres mais paranoícos do que somos.

domingo, 10 de abril de 2011

É terrorismo ou não? É louco ou não?

Lembro até hoje quando acordei naquele 11 de setembro de 2001. Liguei a televisão e vi um avião se chocando contra um prédio. Eu no começo pensei que fosse aqui. Na minha mente modesta de jovem imaginei que era no Centro Empresarial São Paulo, ali perto do Terminal João Dias. Mais tarde falaram de um tal de Osama Bin Laden, Al Qaeda e que aquilo era um tal de terrorismo.

Fazendo um salto de pouco mais de nove anos, cá estou eu. E vendo o que a galera anda falando sobre o homicídio em massa no colégio do Realengo, no "Rîdijanero". Não achei interessante o acontecimento, achei interessante os comentários que foram tecidos e ver a reação das pessoas. Quatro pessoas me falavam de "terrorismo".

A três dessas eu respondi. Disse que isso não foi terrorismo, pois embora tenha vitimado muitas pessoas, não tinha um caráter ideológico, governamental ou religioso por detrás. Talvez até tenha um caráter religioso, mas em um país como o Brasil, com grande maioria cristã, você acha que alguém teria coragem o suficiente de dizer que um "terrorista cristão" teria chacinado "vítimas cristãs"? Acho difícil, embora que dê pra se levantar essa hipótese por meio da carta do tal assassino que nunca comeu ninguém.

Mas não será levantada essa hipótese. Sabe porquê? Porque as pessoas têm medo disso. Começarão a dizer que aqueles crentes que derrubam pessoas no meio dos cultos podem vir a se tornar eventuais terroristas por acreditarem que o mundo está perdido porque todos estão se comendo uns aos outros antes do casamento, praticando a famosa "fornicação". Igual ao que o Wellington Menezes de Oliveira disse em sua carta.

Imagina se eclode uma espécie de "Contra-Reforma do século XXI" em pleno território tupiniquim? Por isso ninguém cogita. Mesmo que tenham falado por aí que ele era Testemunha de Jeová. Afinal estamos no Brasil, onde (na teoria) não temos preconceito com a religião nem etnia de ninguém.

Mas, tomando como fatos que são publicados, e a maneira com que são publicados, foi terrorismo, tio Alain? A resposta é... NÃO! O maluco não queria derrubar governo, nem explodir Mecca, nem tampouco defender os direitos dos negros matando gente. Ele apenas tinha uma arma, vontade de matar e fez.

Foi horrível? Foi, oras, isso não estou negando. Matar pessoas nunca é o correto, e crianças menos ainda.

Ponto.

Próximo assunto: o cara era maluco? Pelo visto, era. Fazia até tratamento psicológico. Começaram a aparecer assuntos sobre bullying nos jornais. Eu não sei, muita gente fala que bullying é besteira. Mas a todos que me falavam isso tenho certeza que eram os mauricinhos ou patricinhas da época da escola. Eu sofri bullying, eu era o típico gordinho da sala, poucos amigos, que ninguém achava engraçado.

Sou meio desiquilibrado? Sem dúvida nenhuma que sim! E sou feliz do jeito que sou. Saio matando pessoas por aí? Isso jamais.

Mas tio Alain, se você é foi vítima de bullying, porque não mata pessoas em escolas igual o Wellington?

Primeiramente, eu tenho princípios. Não acredito nem que se deve punir pessoas para ensinar coisas, muito menos matar. Durante a vida profissional tive que ouvir de inúmeras (muitas mesmo!) pessoas coisas do gênero: "o mundo coorporativo não está nem aí pra você e seus problemas". E isso foi muito contra os meus princípios, pois sempre estive disposto a ajudar e dar uma mão a todos - sem exceção. É correto? O mundo diz que é. O que Wellington Meneses de Oliveira fez é correto? Óbvio que sim. Na visão de mundo dele.

Viram só a diferença? São os valores de cada um. O cara entrou pra matar, achava que matar crianças era o que tinha que ser feito e o fez. Eu acho que isso é errado, você acha que isso é errado (provavelmente) e muitos acham que isso é errado. A única coisa que não concordo é o cara virar um mártir. Se for pra virar mártir, prefiro que vire um terrorista.

Aí fico vendo mó galera nas ruas com medo de qualquer pessoa que pareça meio desmiolada. Ficam pensando que a qualquer momento uma pessoa bizarra pode chegar e matar uns quarenta. Esquecem que existem algo chamado bandido, ou você acha que uma pessoa que ameaça sua vida, ou até a tira de você, seja uma pessoa de valores "comuns"? Assim como Wellington, que praticou esse crime, os bandidos vivem na perspectiva de que não tem nada a perder, afinal eles pensam que não tem nada. Porque a tevê diz que eles não têm nada. Porque a sociedade diz que eles não têm nada. Porque o mundo coorporativo diz que eles não têm nada.

E assim caminha a humanidade. Permanecessemos reféns de um sistema podre de sociedade, que acaba com os sonhos, com nossas vidas e tudo mais. Somos uns covardes que abaixamos a cabeça pra tudo. Até que chega um Wellington, um Lindenberg, um Nardoni (tantos nomes chiques que até me sinto em Miami!) e nos tira desse hipnotismo diário.

Depois eles saem, pessoas esquecem, e voltamos a nossas vidinhas medíocres esperando chegar uns filhos, um emprego novo, filhos, o chefe chato, e assim caminha a humanidade para o seu fim. Simples assim. E não podemos fazer nada porque você acredita que nada pode ser feito, mesmo tempo o poder para tal.

Ponto final.

sábado, 9 de abril de 2011

O discípulo tolo. Parte I

Ele parecia magnânimo. Estava eu caído no chão, meio agonizante. Na minha frente via aquela poeira e um homem andando em minha direção. Eu não podia fazer nada. Inevitável.

Seu caminhar era decidido, e apenas o som de seus passos era o bastante pra impor respeito. Uma pessoa experiente, anos mais velho que eu. Eu estava derrotado, mas sabia que ele apenas estava fazendo aquilo pelo meu bem. Para eu me defender. Para que eu aprendesse a lutar. O tempo estava acabando, e ele se aproximava cada vez mais de mim.

Sua aparência era de alguém... Imponente!

Levantei me esforçando bastante e fui pra cima dele. Ele apenas desviou e me segurou pelo braço. Me empurrou e pressionou o local do hematoma que eu tinha levado. Caí no chão agonizando de dor.

Foi aí que ele chegou e disse: "Discípulo tolo! Você cai muito fácil..."

E eu fitava ele e me arrastava pelo chão me distanciando dele. Mas aí um momento eu parei, e fiquei apenas olhando pra ele. Pensava na minha cabeça quando que eu conseguiria superá-lo, e como eu faria isso. Parecia impossível derrotá-lo, aquilo parecia um cenário de um massacre. Todos os discípulos caídos no chão, e eu, exatamente eu, o mais fraco era o único que ainda parecia estar lutando.

Foi aí que ele me alcançou e se agachou na minha frente. Continuava olhando-o com firmeza. Foi aí que ele comentou algo que eu nunca esqueci:

"Esses seus olhos... Tem fogo, tem coragem, e você nunca se rende, não importa a pancada que leva. Parece que brota do seu olhar, não entendo isso. Você não desiste? Não vê que você é o mais fraco de todos, mas mesmo assim está tentando?"

A única coisa que pude falar naquele momento foi: "Eu... Não desisto... Nunca!"

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Até mais, moçadinha!


Quando saí do Projeto Arrastão foi um chororô só. Mas saí na paz. Uma semana antes já estava com saudades da galera. No dia então, não aguentei chorar enquanto me despedia das pessoas. Saí do lugar por vontade própria. Exatamente um mês depois já estava embarcando em outro estágio, na Fundação Abrinq.

Hoje, acabou! Um ano e um mês depois, muitas emoções, muito aprendizado, algumas amizades e poucas inimizades. Mas isso é meio inevitável.

Quando entrei, lembro de ter levado já várias comidas de rabo por conta do horário. Antes pra ir pro Campo Limpo trabalhar eu acordava tranquilamente às 8h da matina. Já pra ir pro Itaim Bibi tinha que acordar ás 6h. E enfrentar a hora do rush paulistana.

Pensava eu que nunca ficaria muito tempo por lá. Que não aguentaria. Passaram-se quatro meses e assumi como designer do local (antes eu era só auxiliar e estagiário) e em mais um mês, fui efetivado, no meu primeiro emprego da minha vida. Que acabou ontem precisamente às 18h04.

Pra quem queria sair com um mês de lá, ficar um ano foi demais. Muitas emoções, muitas pessoas passaram pela minha estadia, algumas deixarão saudades, mas, enfim, é isso. Faz parte.

Na última vez que fui ao interior, meu avô estava conversando comigo. E falava das lembranças que tinha dos amigos de trabalho que tinha há muito tempo. Muitos nem estão vivos, mas de alguma forma ele guarda uma boa lembrança de todos os que ainda permeiam na sua mente. Acho isso incrível, e uma prova de amizade incondicional. Pretendo guardar na memória todos vocês, todos os que vieram, passaram e tudo mais. Obrigado por tudo, sinto orgulho de ter participado da área de marketing (a.k.a. SUPER AMKT!) e espero encontrá-los alguma outra vez na vida. Se não encontrá-los, tenham em mente que guardarei a todos dentro do meu coração.

Tudo de bom, e... BORA PARTIR PRA OUTRA!
(arranjar um emprego é difícil, mas pra mim é mais fácil que arranjar uma namorada! hahaha!)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Como as pessoas caem no blog?


Tava analisando as palavras-chave do Analytics e saiu isso (clique pra ampliar). Como por uma pesquisa desses termos no Google as pessoas caem aqui no blog? Alguém procurou coisas sobre bloqueios mentais e caiu. Outro era tarado por japonesas trepando e caiu aqui também. O outro procurava a Clair Cooper, que aliás, diga-se de passagem, o meu post sobre o Miss Universo de 2009 continua até hoje bombando.

Agora "pleisteichon 2"... Ouch!

Francamente... Acho engraçadíssimo isso. E só estou citando os 16 mais novos!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Trânsito.

Se hoje de manhã não tivesse registrado um recorde em São Paulo, eu teria ficado mais puto. Três horas no transporte público. Saindo de casa ás 7h, chegando ao trabalho quase ás 10h, com uma hora de atraso.

Sabe aqueles momentos que você está puto da vida porque não come ninguém há mais de um ano, porque seu dinheiro está acabando, porque mora no orifício anal de São Paulo, porque está em fase de fazer sua monografia, e não sai com alguém que preste há pelo menos um mês?

Normalmente um trânsito desse não me deixaria puto, mas... Tirei o dia hoje pra ficar puto mesmo. O que não suporto é essa galera vindo me encher o saco pra me "animar" quando não vê que não tem nada no mundo que me anime. Familia, amigos, etc. Ao menos por hoje, deixa eu ficar de mal humor? =D

Cambada de...!

sábado, 2 de abril de 2011

Guinness



Quando um amigo disse que a Guinness tinha um gosto parecido com café eu não acreditei. E quando bebi, nem achei o tal do café na bebida.

Guinness é uma stout. Uma cerveja feita com uma porcentagem do seu malte torrado. Por isso que tem essa corzinha de merda depois de ir no rodízio de carne. Não compare com a Caracu (embora eu curta também!), pois essa Guinness desce redondo. E como desce.

Vem numa latinha perfeita de 500 ml, alta, magrinha. Deixei gelando e um sábado de pizza em casa me deu vontade de abrir. A minha sorte que comigo foi paixão à primeira vista. Aquela suavidade, a espuma na medida, aquele sabor amargo... Eu salivo só de lembrar.

Enfim. Tem que provar. Essa é difícil demais pra botar em palavras.
E de brinde vem uma bolinha de plástico, que ela fica dentro da latinha pra conservar o gás na medida, mais ou menos isso!

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