quarta-feira, 13 de abril de 2011

Eu e Achalanatha.

Eu raramente falo de religião aqui. Quero falar um pouco.

No meu trabalho antigo tinha como wallpaper do meu PC a figura do Achala (foto), o japonês Fudo myo-o. A galera tinha muito medo, afinal ele não tem cara de grandes amigos. Lembro que o vi pela primeira vez no Rurouni Kenshin, quando o Sanosuke luta contra o monge penitente Anji e na tradução brasileira acho que transformaram o Achalanatha em "demônio budista", quando ele não é.

Na minha ramificação budista veneramos bastante o Achala, como sendo o rei da sabedoria que diz respeito à persistência, e também temos o Avalokitesvara, o nipônico Kannon (sim! aqueles que os Yakuza sempre tatuam nos corpos) o bodhisatva da compaixão.

O Achala sempre é acompanhado do fogo. Significa aquela energia que você tira do fundo da sua alma pra fazer um esquema difícil. Algo sobre você nunca desistir. Seu mantra principal (preste atenção no vídeo quando aparecer escrito "Fudo Myouo") parece um verdadeiro grito de guerra, é uma coisa que entra na minha alma, mesmo que na Shinnyo-en o recitamos com uma melodia diferente das dos outros budistas (com todo respeito, prefiro a original, embora tenha um significado bem forte essa mudança de entoação).

Vou contar uma estorinha. Quando fui efetivado no meu ex-trabalho, fui ao banheiro, lavei o rosto, e entooei o Fudo Myo-o ali mesmo, só pra mim.

No fundo queria força. Queria energia pra continuar em frente. Era um passo importante, estava sozinho, e sabia que seria um caminho cheio de pedras. Ganhei a vontade de não desistir, e ao mesmo tempo meu coração ficou em paz. Acho que naquele momento de perdição, que me vi sozinho e pensando no pior, o maior impulso pra eu continuar foi mesmo ter um pouco de paz no coração, a certeza que conseguiria dar o meu melhor.

Paz. Quem diria que o próprio Achala, com essa cara de quem chupou limão, me daria naquele momento.

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