quinta-feira, 26 de maio de 2011

A primeira vez que se lida com a morte.

Estava vendo o vídeo lá do garotinho que chora com a formiguinha. Achei interessantíssimo. Pessoas memorizam o primeiro beijo, primeira transa, primeira paixão, mas dificilmente lembra a primeira vez que lidou com a morte.

Lembrei do Kill Bill. Tirando as referências nerds, o filme tem alguns pensamentos bacanas. Uma das cenas que mais ficaram na minha memória não foi a cena contra os 88 loucos, a luta contra a Vernita Green, o Bud enterrando a Noiva ou a luta contra a Elle Driver.

O que mais ficou na minha memória foi a morte do Emilio, o peixinho da B.B., onde Bill conversando com a Beatrix conta como é a primeira experiência de uma criança ao se deparar com algo inexorável e poético como a morte.

Embora muitos olhem o vídeo da formiguinha como algo engraçado, eu fiquei vendo com outros olhos. O garoto é novo, não entende. Viu que a formiga estava morta, sentiu pena (ele fala várias vezes "Que dó, que dó") mas o que será que o menino viu para sentir dó do pobre invertebrado?

Será que ele percebeu que depois da morte não existe volta? Acho que foi isso. Acho que essa é a primeira impressão que todos tivemos como crianças quando nos deparamos com a morte. A B.B. do Kill Bill tirou o peixe, jogou no carpete, pisou, e o viu de debatendo até o momento em que ele parou. Logo, ela teve uma noção perfeita de que os seres vivos morrem. A mesma coisa foi também com o garoto da formiguinha.

Ambos choraram. Tanto o Emilio quanto a formiguinha foram vítimas de pisoteamento.

Nenhum deles tiveram que aprender que ele estava morto. Eles entederam de alguma forma que naquele momento a vida teria acabado. E que não teria volta.

Não apenas isso, foi por uma causa, uma pisada. Uma das primeira vezes que vi alguém morrendo foi minha bisavó quando era bem pequeno. A velha não acordava, e aí me disseram que ela morreu dormindo. Desde então criei um medo tremendo de dormir, pois pensava que iria morrer. Se talvez eu tivesse tirado um peixe, jogado no chão e pisado até ele se debater, talvez eu entendesse melhor a morte.

Especialmente pois ela foi causada por um agente externo, e não por causas naturais. Tô falando complicado? Diria que isso é muito mais didático e sem muitos traumas pra criança. Entendemos que os seres vivos enquanto se mexem estão vivos, quando não se mexem mais estão mortos.

Talvez seja por isso que até hoje eu tenho um pouco de medo de dormir ainda, hahaha...

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