quinta-feira, 30 de junho de 2011

Overture - Parte II - Daqueles que acordam ao lado de quem amam.

Os primeiros raios do dia invandiam a persiana. No seu rosto o jovem via o amanhecer. Estava nu na cama com a donzela. Não sabia direito que se passava, tinha uma leve dor de cabeça.

No chão, preservativos usados ainda pareciam sujar o chão. Do outro lado da porta via o gato de estimação da sua mulher. Parado, olhando atentamente para ele. As roupas estavam espalhadas em todos os cantos, parecia que tinha passado um furacão no quarto, mas era apenas um ninho de amor. Ao virar pro lado via as costas da sua dama, brancas, com algumas estranhas cicatrizes parecendo listras.

Deitou e a abraçou, encostando sua testa na sua nuca. Ela acordou tranquilamente. No relógio via a data e a hora. Era manhã do dia 20 de julho. Ainda era o meio daquele ano que não parecia passar. 1986. Um ano de muito trabalho, mas também um ano importante pois ele se sentia não mais um menino. Se sentia um homem. E sabia que tudo isso era também graças aquela que ele abraçava com tanta ternura.

"Le miel, il est temps de réveil...", ela disse, despertando-o, pois ele parecia começar a cochilar.

"Il est 8 heures du matin, laissez-moi dormir!", ele respondeu, num francês impecável pra quem apenas aprendeu em um ano.

Aquela mulher era alguns anos mais velha que ele. Corajosa, não negou ter um relacionamento com ele. Mesmo com a barreira da língua, dos costumes, da rivalidade dos países ou da idade. Ele a rejuvenescia, deixava ela feliz e ela gostava de exibi-lo por aí como um troféu. Já para ele, ela tinha sido algo muito maior. Ele criara responsabilidade, cresceu pessoalmente, amadureceu e tinha virado um homem. Não era mais as paquerinhas de bucetinhas rosadas que ele pegava no colégio. Aquilo era uma mulher, uma mulher que havia transforma-o em um homem.

Ele, um jovem enamorado de 18 anos. Ela, uma mulher de 25 anos que havia redescoberto o amor. Dentro daquele mesmo ano os dois teriam uma surpresa, feliz para um, desagradável para o outro. O irmão mais novo dele, dez anos mais novo, iria se mudar para sua casa. Um garoto de oito anos, tímido, franzino, gordo e chato. Sua missão seria como irmão mais velho educá-lo e treiná-lo. Mas ele mal sabia que aquele momento em diante seria o mais marcante da sua vida.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Trajetória até chegar aqui. - Parte I

Bom, quero iniciar uma série de posts que já estava pensando há um tempo em fazer. Quero começar por um conceito simples, que é o da influência. Vivemos numa sociedade, e num local onde muitas pessoas são em grande partes "iguais", buscamos o "diferente", algo que seja uma antítese nossa do que achamos que seja "comum".

Usei as aspas pra me proteger de generalismos. Nem tudo que é igual é igual pra todo mundo, por isso uso o "igual" entre aspas, belê?

Falei difícil? Consideramos que o mundo não é essa esfera azulada enorme que vemos do espaço, muito pelo contrário. É muito menor. O planeta não passa de diversos pequenos mundos que convivemos, com realidades, valores, pessoas, influências, muitas coisas diferentes que nos atingem durante a vida e reagimos a elas, ignorando, convivendo, adicionando, enfim. Nosso mundo é limitado as pessoas que conhecemos ou que iremos conhecer.

Para tanto, essa série de posts é um exercício de buscar dentro de mim o que me fez ser assim hoje. Quem me influenciou, o que eu uso como antítese minha ou quem eu simplesmente aceito, mas não sigo. Acho que é um bom exercício, e lembrando que isso é feito por mim, não pedi opinião de ninguém.

Muitas pessoas conhecem muitos outros "eus", e acho interessante isso, enriquecedor. Talvez não conhecessem algumas coisas que dou valor ou outras que tenho desdém.

Vamos dizer que é como traçar um perfil. Vamos lá.

Michael Jackson posso citar como alguém que é responsável por grande parte do que sou hoje. Muitas pessoas conhecem apenas a faceta do Michael cantor. Outros, só conhecem o cantor mais pedófilo. Mas quem é fã mesmo do cara vai atrás da vida pessoal, e descobre muitas coisas. Algumas coisas nos fazem ficar frustrados, mas Michael por mais que entrasse na sua Terra do Nunca, mais ficava maravilhado com aquilo, e queria ser igual.

O rei do pop chegou em um ponto tão elevado que viu o mundo lá de cima e viu que as pessoas são egoístas, são mesquinhas, são imbecis. Eu sempre tive uma visão muito pura das coisas, e sempre tratei as pessoas com sinceridade pois acredito que é assim que as coisas boas são construídas. Ser uma pessoa bondosa, amiga, atenciosa. Michael me ensinou a ser assim, e que sendo assim seria possível construir muita coisa bacana.

Também sempre me considerei meio um Peter Pan perdido. Não tive um infância das mais interessantes, e se teve um momento da vida que mais quero distância hoje é exatamente essa fase de infante. Mas hoje, converso com crianças normalmente, brinco com elas, enfim. Eu sonho em ter filhos e dar a eles uma infância feliz que eu não tive, e a infância de Michael, infelizmente, é 90% igual a minha. Muitas responsabilidades, cobrança do pai, insegurança, perseguições na escola, não gosto de lembrar dessas coisas.

Jean Valjean, um personagem fictício do livro Os Miseráveis, de Victor Hugo é uma faceta mais melancólica minha. Valjean é uma pessoa que expia sempre seus pecados. Embora eu seja um pouco Michael Jackson em tratar as pessoas com sinceridade, carinho e dignidade, qualquer pessoa tem uma ou outra coisa que fez e se arrependeu. Alguma bobagem. Eu tenho umas cinquenta que fiz.

Algumas coisas ruins, que não merecem ser citadas. Jean Valjean era uma pessoa pobre, que por conta de um roubo de um pão pra dar de comer a sua sobrinha mais nova passa 19 anos numa prisão, e depois que sai, descrente na bondade do ser humano, tenta roubar um bispo, que era uma pessoa extremamente boa, que mesmo sendo vítima de um roubo o defende, que o faz acreditar que é necessário fazer o bem, principalmente às pessoas que menos acreditam que um ser humano possa ser bondoso. Assim como o Valjean tem o Javert, eu também tenho o meu, que é um cara que fica olhando cada minúsculo erro que faço para ter uma chance de acabar com a minha vida.

Eu era uma pessoa um bocado maldosa. Mas foi porque algumas pessoas que estiveram na minha vida e que foram bondosas comigo que essa luz que elas me emitiram me fez ver além daquelas sombras que eu estava. E é meio que pra ser uma luz para a vida de outrém - assim como Valjean depois de expiar seus pecados, quando ajuda Fantine e a Cosette - é que continuo trilhando em frente. Nunca acreditei que abandonar pessoas seria o correto. Se eu acreditasse nisso, seria o mesmo que dizer que o nosso destino é algo que não podemos mudar.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cruzando uma cidade infernal.


Teve um vídeo que eu fiz, já tem um tempinho, sobre o problema clássico do transporte público na cidade de São Paulo. Porém, só fui finalizá-lo esses dias. É esse que está acima (eu estou sem barba, me acho tão estranho cara... Fico perguntando quem é esse aí).

Bom, eu gostaria de falar alguma coisa, mas vou ficar devendo. Quero exemplificar com um local longe pra se comparar. Vamos começar pela Inglaterra, que é o que eu mais conheço. Considerando que um empregado assalariado mínimo inglês ganha por volta de 720 libras esterlinas por mês, convertendo no real (hoje) daria 1800 reais, eles pagam por volta de 1,20 libras por passagem de ônibus.

Isso porque teve um aumento. Resumindo, as pessoas inglesas pagam por ônibus basicamente o que nós pagamos. Dá mais ou menos 3 reais. Mas eles pagam 3 reais por uma linha de transporte público desse tamanho. Não deste como é aqui.

Eu sei lá, uma coisa que me intriga é como a molecada hoje tá cagando e andando pros problemas que tão rolando ao seu entorno. Eu sempre fui um adolescente muito revoltado, e queria, sei lá, tacar uma bomba na prefeitura ou na câmara dos vereadores, estilão Guy Fawkes mesmo.

Pensava eu que me chamariam de maluco de primeira, obviamente, me levariam à forca, mas depois usariam a minha "máscara", assim como foi com o Fawkes. E lembrariam de um ato e questionariam, o que é democracia, o que é um governo que luta pelo povo e o que o povo pode fazer já que esse governo não trabalha por ele.

Mas cresci e, err... Agora não dá mais. Mas não quer dizer que preciso ficar quieto. Não tenho nenhuma preferência política, e um problema básico desse país é que as pessoas tenham uma noção equivocada que precisa ter um partido político pra se melhorar esse país. Com a salada de frutas bagunçada que é os partidos políticos do Brasil, acho tolice isso.

Dá pra fazer algo sem partido, e acho que a primeira noção é fazer algo do gênero, incitar o povo a pensar.

sábado, 25 de junho de 2011

Posse.

"Signore Altieri... é italiano? Então viemos do mesmo lugar. Olha só onde eu estou, nessa prisão fria, paredes pretas, e aposto que esses espelhos estão aí porque deve ter muita gente atrás...", o homem começou.

"Me diga uma coisa, porque fez isso? Vamos! Eu não tenho o dia todo. Você sabe o que lhe espera depois daqui", questionei.

"Ahhh, sim, eu sei. Esse nome é um nome falso, com certeza, mas... Eu não entendo porque mereço ser condenado a um crime que eu não fiz. Não vejo nada de errado", ele afirmou.

"Como não? Você foi acusado de diversos roubos, assaltos, a bancos, grandes lojas, e a diversas pessoas que foram suas vítimas! Eu estou aqui apenas cumprindo ordens, preciso de sua resposta a algumas perguntas", prossegui.

"Esse mundo é mesmo um lixo. Eu já disse, não acho que o que fiz é errado. A lei dos homens é baseada na comunhão. Se essa sua calça jeans é azul, todos entendem porque fizeram um acordo de falar que essa cor é azul. Ninguém questiona. A mesma coisa se diz da posse. Um cidadão compra e se apropria, e os outros entendem que ele é o dono de tal artefato, mas a minha questão é outra...", ele pausou depois de sua fala.

Esse homem, atado à cadeira levantou seu rosto em minha direção. Aquela luz em sua cara fez suas pupilas dilatarem. Ele prosseguiu:

"...A questão é que ninguém é dono de nada. O ar que respiro não tem dono, ele enche meus pulmões, está em todo lugar. A posse desvirtua o homem. Tudo nesse mundo é de todos ao mesmo tempo, por isso digo que apenas o comprar não te faz ser dono de tal objeto. Esse objeto nasceu da terra, da mesma terra que é minha, sua, de todos nós. É a ideia de posse do homem que cria a violência, e a concordância dele em cima dessa lei estúpida que faz com que convivamos com essa diferença", o homem concluiu sua teoria.

Segundos mais tarde, fixou o olhar em mim e concluiu:

"A posse não é um tipo de violência tal cruel quanto o furto ou o roubo? Vamos signore, ouvi falar bem de você, cresceu num ambiente hostil, conheceu o mais podre do ser humano, sei que existe aí dentro um cérebro pensante, e não apenas alguém para seguir ordens. Vamos! Qual a sua opinião?", ele desafiou.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Overture - Parte I - Daqueles que se vêem nos olhos.

O ano de 1985 foi um ano de diversas mudanças. A antiga União Soviética dava seus últimos suspiros, o mundo parecia caminhar rumo à globalização e os países pareciam cada vez mais firmar suas bases sólidas. Nem mesmo um mês havia passado do terrível desastre de Bradford. Mas para aquele jovem, isso pouco importava. Ele cagava e andava pro mundo.

No alto dos seus dezessete anos, ele não queria saber de incêndio, de crises, na mudança que estava rolando no mundo, nem nada. Tinha uma grande inteligência, uma capacidade de insight que intrigava a todos daquele meio. Ele tinha um talento inegável no campo da inteligência. Era um mestre.

Todos os dias pegava metrô. Na volta, sempre no mesmo vagão, via uma menina sentada, pele branca e bochechas rosadas, olhos e cabelos negros, estes cortados num delicado corte chanel. Não tinha nenhuma maquiagem, exceto um batom de cor vermelha bem destacado nos seus lábios, que não eram tão grandes, mas aquele vermelho despertava aquele jovem um tesão imenso e fazia florescer aquela juventude hormonal e louca. Era apenas um adolescente entrando na vida adulta, isso é natural. Ele era louco pra comer ela, e só de ver aquela garota ficava excitado a tal ponto que não sabia como esconder.

Um jeito meio moleque, preguiçoso, irresponsável. Se não fosse o gênio que fosse, dificilmente continuaria no emprego.

Todos os dias via aquela donzela francesa no mesmo vagão, pontualmente. Um dia, depois de tanto despejar olhares libidinosos, foi puxar conversa com a dama.

"Oi? Eu sempre te vejo aqui... Posso te falar uma coisa? Te acho linda!", disse ele, direto.

"...", ela respondeu com silêncio, olhando para ele e entortando levemente o lábio.

Ele prosseguiu. "Sério! Escuta, quer tomar café comigo, depois, sei lá, ir na minha casa, ou na sua, abrirmos um vinho, e...", ele percebeu que ela não estava de brincadeira.

Uma mulher séria, um garotão crescido, isso tudo teria para acabar ali, com aquele jovem inglês e a garota francesa. Porém essa cantada escrota seria o primeiro passo de algo muito grande que cresceria a partir daquele momento.

Duas engrenagens na mesma velocidade e encaixe, que a partir daquele momento girariam juntas numa velocidade insana, até o momento em que uma das duas quebrassem.

Maio de 1985.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Marcas como uma religião

Eu estou começando a me interessar bastante por marketing. Estou lendo bastante por conta própria alguns livros. O último que me interessou foi The Culting of Brands: When Customers Become True Believers, de Douglas Atkin (não achei ele em português).

Ele faz um panorama de como marcas não são apenas reverenciadas por um determinado tipo de público, mas como ela também vira um elemento de comportamento, de ideologia e uma espécie de "motivo de viver" para algumas pessoas. Um dos primeiros exemplos (é claro) é a relação dos Applemaníacos, que repudiam completamente a Microsoft, têm Steve Jobs como uma espécie de Messias, e divulgam sua marca como a de pessoas descoladas, antenadas, responsáveis e certinhas com a camisa pra fora da calça.

Pessoas "maneeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiras". Algo assim.

Ele dá outro exemplo como Harley-Davidson, com uns malucos que pregam o estilo de vida de passear pelo mundo a bordo de uma moto, fazem um clube disso, uma sociedade e tornam isso imperativo e necessário para novos integrantes. Interessante.

Mas como todo bom livro, não é interessante você ir absorvendo tudo o que um retartado lhe diz. Tem que ler, e tem que raciocinar em cima. E acima de tudo fazer umas perguntas ao autor.

Depois pretendo mergulhar mais nisso, mas uma vez eu li, quem escreveu foi um judeu maluco chamado David Plotz, na Revista Época, que a religião e os cultos estavam no cerne da sociedade. Que ela só existe como é hoje porque as pessoas reverenciavam uma divindade a tal ponto que esses mesmos elementos estão tão grudados ao nosso jeito de agir, de pensar e de nos comunicar que não conseguimos nos desvencilhar disso.

Para tanto, o autor dizia que era inútil fugir da religião, pois de alguma forma ela está presente nas leis, no comportamento, na ética, nos valores, nas nossas escolhas e em tudo mais. O fato que ele queria dizer é que a religião estava centrada no homem, logo era inútil tentar separar uma coisa da outra pois uma depende da outra.

Complicado, né? A questão que queria colocar é: será que é apenas na religião que conseguimos fazer uma referencia ao consumismo? Acho que praticamente tudo que o homem faz é possível ver uma referência à religião, inclusive quando ele tenta se desgrudar dela.

Depois falo mais disso. =P

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Minhas três Moiras.



Acho que estou num momento saudosista, ahaha. Depois de anos que pintei o quadro resolvi fazer uma homenagem maior. Tirei uma foto bem melhor (dessa vez com a Nikon D60 e com uma luz apropriada) e resolvi orná-lo dentro deste layout.

Saiu isso! Me baseei no Michelangelo pra fazer essa estrutura, em especial na Capela Sistina. Cortou tudo do quadro, é verdade, mas o que vale é a intenção. Nem dá pra ver o fio da primeira, da Átropos! Quem quiser ver o quadro inteiro, tem nesse link aqui.

Acho interessante usar um bocado de referência clássica. Hoje em dia as pessoas tem medo de voltar ao renascimento, barroco, neoclassico, etc... Eles são nossos amiguinhos também, pessoal. Não vamos deixar essa riqueza artística morrer lá atrás, vamos ressuscitá-la também que faz bem. =)

E acho que talvez seja um dos únicos layouts com nomes em português. Sempre foi inglês, até em francês e um em japonês (hã? Verdade, o Sakura no Nie, em 2007!), mas em português não lembro de ter feito nenhum. Seja bem vindo, versão Minhas três Moiras.

Once upon a time...

Era uma vez um príncipe, que vivia num castelo sozinho. Tinha medo do mundo lá fora, mas acima de tudo era muito egoísta e mesquinho. Achava que nunca encontraria uma princesa como todos seus amigos tinham achado, logo decidiu ficar enclausurado na sua torre, não porque alguém o havia ameaçado. Mas por simples vontade ou descrença no amor.

Um dia ele percebeu alguém invadindo seu castelo, e se deparou com uma princesa magnífica, dentro de uma carrugem, trajando um vestido rosado, cabelos cor de beringela, um sorriso tímido e olhos negros. O príncipe logo se apaixonou por aquela donzela, e percebera que tinha sido salvo por ela por de alguma forma.

Pois naquele mesmo momento aquele castelo não era mais cinza. Havia vida lá dentro, e não apenas uma mente solitária negando tudo o que acontecia ao seu redor. O principe não percebia, ou então percebia sim, que havia encontrado o que a vida mais tinha de bom: uma companhia para espantar a sua solidão.

Alguém para ver com ele as nuvens no céu, ficar juntinho na lareira, abraçá-lo e acima de tudo ser feliz. A felicidade que ele nunca imaginara que encontraria na vida, de alguma forma tinha encontrado quando aquela princesa havia adentrado seu solitário castelo. Ele era feliz e sabia disso.

Um dia a princesa sumiu. O príncipe moveu todos seus subordinados pra saber onde ela estava. Como que um dia eles estavam tão felizes e de súbito ela simplesmente abriu a porta e saiu? O príncipe questionava, mas nunca encontrou tal resposta. E mesmo se tivesse feito alguma coisa, queria encontra-la e pedir desculpas por ele ter sido um idiota para eles voltarem a ser felizes. Por mais que pensava, nunca encontrara tal resposta.

Passados alguns meses, o principe obteve algumas informações. Aparentemente ela teria resolvido voltar para seu amor antes do príncipe, e escolhera exatamente isso: deixar o príncipe de lado, de súbito. Porém, esse amor do passado havia falecido numa terra distante há muito tempo.

Ela então marcou um encontro com o pobre príncipe numa ponte, e de lá, após dar um último beijo no seu amado príncipe ela se jogou para cima de uma carruagem que vinha, que a atropelou.

E naquele momento em que o pobre príncipe a pegou pelos braços, chorando, ela pediu pra que ele jamais chorasse por nada nesse mundo. Pois as lágrimas do príncipe faziam aquela princesa triste. E sempre que ele parecia um pouco triste ela fazia de tudo para alegrar aquele pobre príncipe frustrado.

Ele prometeu que não choraria por nada nesse mundo.

Desde então aquele príncipe lacrou no lugar mais fundo do seu coração a tristeza, junto com ela. Ele apenas sorria para as pessoas, as divertia, e deixou aquele lado mais sério em algum lugar na sua alma.

E aí sim, alegrar aquela que uma vez fora a pessoa mais importante na sua vida, que lhe ensinara a ser feliz, quando ele era mais triste...

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Alguns anos se passaram. Montado em seu cavalo, com sua capa, o príncipe estava na frente de um novo castelo. E com uma nova princesa estava na sua frente.

"Desculpe, mas eu não sinto nada por você, príncipe. Acho que não daríamos certo. Não quero viver feliz para sempre do seu lado", a princesa disse, sem jeito.

"Haha, tudo bem. Eu sou um príncipe cuja princesa o abandonou há muitos anos. Estou em busca de uma nova princesa, mas tudo bem, sua alteza sabe em que direção fica o próximo castelo?", ele perguntou.

"O senhor príncipe já passou por muitos castelos?", a princesa que o rejeitou perguntou.

"Já sim. Já perdi a conta de tantos castelos! Estou aqui para salvar as princesas, assim como fui salvo por uma, há muitas primaveras atrás. Mas nenhuma delas querem ser salvas. Ou talvez não queiram ser salvas por mim", o príncipe replicou.

"Pobre príncipe. O próximo castelo fica a três dias de viagem daqui naquela direção. Espero que tenha mais sorte nele, e que ache uma princesa pra você", a princesa indicou.

O príncipe então colocou seu chapéu, subiu em seu cavalo com um sorriso, deu uma piscadinha pra princesa e disse:

"Então é pra lá que eu vou! Cuide-se, princesa, e boa sorte!", ele disse enquanto guiava seu alazão branco.

E aí o príncipe continuou no seu galope, sorrindo enquanto passava pelos grandes vales, florestas, perigos, dragões, salvava um número incontável de princesas que não queriam viver feliz para sempre com ele.

E continuava por todos os cantos do mundo a galopar, procurando por alguém que ele pudesse substituir aquela pela qual foi um grande amor da sua vida.

Sabia que lá do céu aquela princesa o olhava feliz, pois ela era feliz quando ele estava feliz. O príncipe continuou a levar rejeições atrás de rejeições de outras princesas pelo mundo...

...Mas sem perder o sorriso, jamais!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Dawn of a new day.

Acabou! Ahhhhhhhh...
Um amigo meu dizia que é difícil por em palavras como a mente fica depois de um TCC apresentado. Fica vazia, sem preocupações, sem correria. Enfim, estou tão leve que acho que se for hoje pra academia e me pesar eu devo ter perdido uns 50 kg.

Bom, contava com a presença de algumas pessoas, mas infelizmente não deu. Talvez seja o horário de bosta, ou a distância, ou sabe lá Deus o quê. Mas fiquei feliz com as pessoas que compareceram. Meus pais, meu irmão mais novo e meu primo. Gostei muito de ver o Geraldo Picareta, um grande amigo, fiquei MUITO feliz em vê-lo novamente, ver que está bem, continua engraçado e um grande amigo. Infelizmente nem deu pra gente conversar muito, ele sempre saiu "à francesa", rapidinho e sem ninguém ver. Como sempre!

O Emerson Silvio, amigo sempre presente também, desde o começo disse que iria e foi. O Mateus também, cabulando aula estava lá, o Ricardo Japonês, camarada de reprovação (que também foi aprovado, com nota 9) e a minha grande amiga Naiara, que deu uma escapadinha do trabalho e deu um pulo lá.

Bom, esse post acho que vai ser meio grande, mas vamos lá:

Um TCC faz a gente perder muita coisa. Foram dois anos de muita dedicação. Tudo começou lá atrás projetando a monografia, o sétimo semestre que sofri a reprovação (e não, não engulo até hoje, não adianta!), e as duas aprovações no sétimo e no oitavo. Foram dias que eu chegava do trabalho, nem tomava banho e já começava a escrever, escrever, escrever, escrever.

E mesmo assim esses quase dois anos não foram o suficiente pra sair um trabalho 100% como eu queria. Mas isso são outros quinhentos.

Dedicação mil. As 96 páginas na reprovação, as 103 na aprovação do sétimo, as 97 na aprovação final do oitavo. Perdi emprego, pois chegou a um ponto que o gerente dizia que minha produção tinha caído pelo cansaço do TCC e fui descartado, perdi amizades, pois ficava muito tempo sem conversar com eles e eles "nem sabiam mais quem eu era", perdi namoradas e paquerinhas por motivos obvios ("Alain, quer sair comigo?", "Ah... Desculpa, esse sábado não dá, eu tenho que fazer o TCC..."), perdi finais de semana, noites de sono, me estressei ao extremo, enfim. Dedicação ao milhão.

Algumas pessoas me diziam que eu estava me dedicando demais. Outras diziam que um superior não ia trazer merda nenhuma pra minha vida. Outros torciam pra que eu me desse mal. Uma das coisas que eu disse na apresentação era que esse TCC não iria me trazer grandes ambições. É um projeto social, uma rede para incentivar melhorias públicas para a região do Capão Redondo. Uma região que nasci, que vivo até hoje, que é castigada e se eu, que sou designer e vivo lá, não tiver coragem pra fazer algo por essa galera, quem vai? Não sou assistente social, nem político e nem médico. Mas acho que, dentro das minhas possibilidades, poderia sim ajudar essa galera.

E cara, eu odeio isso, mas Deus escreve certo em linhas tortas:

Se eu não tivesse entrado no meu emprego e conhecido o Felipe Martins e ele me ensinado inDesign, eu duvido que teria diagramado tão bem o TCC.
Se eu não tivesse sido demitido do jeito que eu fui e não recebido as indenizações, seguro desemprego, etc, eu teria que dar meu cu pra pagar o TCC na gráfica.
Se eu não tivesse sido demitido justo na reta final eu jamais teria conseguido ter terminado a tempo, pra entregar dia 5 de maio. O site tava muito atrasado no calendário!
Se eu não tivesse entrado nesse emprego também não saberia como enviar coisas certas pra gráfica.
Se a Cris não tivesse terminado antes de mim, ela não conseguiria fazer a revisão do último capítulo. Ela estaria no TCC dela correndo também.


Cara, teve uma hora que eu pensava: tudo se encaixou na hora certa, magicamente!

Não sei se isso tem uma explicação, mas... Funcionou. Tava fuçando aqui, e acho interessante compartilhar o post sobre a reprovação no sétimo semestre e a aprovação no sétimo semestre. A mulher que fez a quiromancia em mim antes de eu começar a faculdade disse que seria um caminho árduo e difícil. Todos os semestre foram, e nem mesmo em meus piores pesadelos pensava que o TCC seria tão dificil.

Mas gente, depois de tanta dificuldade, tanto estresse, tanta melancolia a gente vê que escalou uma montanha. E no topo dessa montanha tem uma paz de espírito tremenda. Vê o mundo aqui de cima, vê que valeu a pena tudo isso só pra ver essa paisagem. Lembra o quanto foi complicado ter feito isso, lembra de toda a escalada, centímetro por centímetro. Sorri, e... fica feliz e vê que, embora pros outros pareça uma tarefa fácil, só você sabe o quanto ralou até chegar aqui.

Fica feliz! Uma coisa tão simples. Uma coisa tão enriquecedora. Uma coisa tão... Merecida. Então se eu mereci a felicidade, a única escolha que eu tenho é... de ser FELIZ! =)


E que os anjos digam amém.






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Obviamente eu queria muito mais pessoas, mas, paciência. Um conjunto de fatores desencadearam isso, hahaha. Mas achei que foi até bom não ter ido tanta gente. Porém, esperava a presença de alguns e fiquei muito frustrado ao ver que não vieram.

Algumas pessoas que tinham que ver, a gente fica triste, mas tem relevar né? Tanta coisa que a gente é obrigado a relevar nessa vida...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

É hoje.

Dia 15 de junho de 2011. Enfim chegou a tão esperada data. Hoje será a minha banca final.

Quando começou a minha espera por esse dia?

Será que foi no momento que em 2006 eu deixei a arquitetura e resolvi entrar em design?
Será que foi no momento em que eu terminei o colegial e pensava que não conseguiria terminar uma faculdade?
Será que foi no momento que em que pisei no Senac, no dia do trote?
Será que foi quando tive metodologia da pesquisa e um professor disse pra ir pensando no TCC?
Será que foi no sexto semestre, há quase dois anos, quando resolvi pesquisar esse tema?
Será que foi naquela reprovação, que me custou um semestre, a auto-estima, a segurança e acima de tudo a crença de que não deveria desistir jamais?
Será que foi no momento em que eu enxuguei minhas lágrimas depois de ter sido aprovado na banca em outubro do ano passado?

Eu não sei. Estou nervoso? Estou sim! Hoje é um dia que esperei por dois longos anos. O que me espera na frente? Não sei. O que será de mim nos dias depois que enfim terei concluido meu nivel superior? Também não sei.

Tudo o que vejo na frente são interrogações. Muito mais interrogações do que eu via quando terminei o colegial. Bom, agora é a batalha final. O jeito é pegar e ir em frente.

E hesitar, jamais!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Slogans são ruins ou publicitários são ruins?

Esses dias fui no supermercado e vi uma balança da Filizola com o seguinte slogan: "Há mais de um século pesando a vida". Como já foi provado que as pessoas não prestam atenção no que as outras dizem, fiquei pensando o que diabos ele quer dizer com pesar a vida há mais de um século?

Como tenho uns contatos, uma vez vi um publicitário falando que tentou levar um slogan pra um canal rural um tanto reformista, algo como "Tem boi na linha!" na hora do leilão de bovinos. Bem bolado eu pensei, mas o cliente não aceitou, queria o clássico: "Ligue agora".

Mas quando vi o da marca de balanças com o verbo "pesar" e com objeto direto "vida", fiquei pensando, COMO ASSIM PESAR A VIDA PORRA? Algo como "Ah, eu quero 2kg de amor, uma gostosa pra casar de 55 kg, dois pirralhos de 30kg cada, um carro de algumas toneladas e...??".

Eu não acredito que o problema seja nos coitados dos publicitários, mas na visão limitada de uns outros, hehe. Criatividade não está em extinção, talvez ela apenas esteja tímida, andando por aí. =P

domingo, 12 de junho de 2011

Weltenburger Hefe-Weissbier Hell

 
Tive uma surpresa quando a vi na geladeira. Mal esperava pra experimentar.

Primeiro o nome eu tinha esquecido, mas o sabor não. Sabor tem história. Parece que é a cervejaria de monges mais antiga da história. Sim, existiu um tempo em que os monges não faziam só pãozinho pra ser vendido no metrô São Bento. Eles faziam cerveja. E BOAS cervejas!

Cremosa, levemente ácida, encorpada, com uma belíssima cor e uma textura um pouco pesada e marcante. Achei um pouco doce também, mesmo com um tiquinho de acidez.

Mas o que mais impressionou não foram esses fatores. Mas ela ser uma weiss! Tem trigo nela, abriu muito meu apetite e... é escura! Uniu minhas duas favoritas em uma só. Já entrou pra lista das especiais!

sábado, 11 de junho de 2011

Daria certo. Se não fosse...

Lembro-me até hoje a primeira vez que a vi. Era uma audiência pública, via aquela mulher forte, imponente, falando com homens na mesma altura. Não era aquelas pseudo-feministas que queimam sutiã sem entender. Ela era naturalmente assim. Tinha um charme de carioca, cabelos um pouco mal cuidados, magra e 37 anos.

E eu, 21 na época.

Mas aquilo me fixou o olhar de tal maneira que comecei uma amizade com essa dama. Dezesseis anos de diferença, daria pra ela ser minha mãe. Talvez a visão política um pouco diferente da minha seria um encalço, o fato dela deixar claro que nunca faria sexo "de quatro" pois acha que é uma submissão idiota feminina talvez seria dificil, ou o fato dela ser um tanto fria e desligada me fez colocar na cabeça que aquele tipo de mulher era o que talvez eu precisava.

Desde então fui atrás das mais velhas, pensando que estaria mais seguro longe das futulidade das menininhas de 20 aninhos, na faze que só pensam em sexo, que perdem tempo em ciúme, cor do esmalte, tinta de cabelo e depilação pubiana.

Um dia estava com "n" conversando e comentei sobre ela. "A gente teria dado super certo, se não fosse a idade e a distância", eu disse.

Talvez minha busca seria por uma mulher assim. Não o peito, nem bunda. Mas uma cabeça no lugar. Eu sempre procuro o mais difícil, né? Os atributos físicos viriam em segundo lugar. Acho que se nós não falarmos com pessoas que de alguma forma nos enriqueçam, não temos porque termos nem mesmo uma amizade com tal pessoa. Sempre levo minha vida assim. E acho que poderia aplicar nos relacionamentos.

Ao menos essa seria uma das coisas mais primordiais pra mim. Uma mulher com cabeça no lugar. O comentário do "n"? Só isso:

"Então se joga da ponte, cara. Assim como elas só querem um cara com um carro, dinheiro e pinto grande, se você achar uma mulher com a cabeça no lugar me fale, que talvez eu começarei a acreditar em fábulas como Jesus Cristo". Minha mãe ouviu, e deu risada na hora, hahaha.

O cara não perdoa uma. =P

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Entre iCarlys e Hannah Montanas

Como estou na amargura do desemprego, estou assistindo a programação da tevê. Volta e meia assisto dois seriados muito estranhos, Hannah Montana e iCarly. Tudo bem que um é da Disney e o outro é da Nickelodeon, mas os personagens têm muito a ver.

Não sei se isso é um retrato do real comportamento dos jovens anglo-saxônicos, mas o show parece uma espécie de stand-up comedy feito por crianças de 21 anos. Eles têm umas tiradas bravas uns com os outros, piadas inteligentes, e nessa idade normalmente a pessoa é meio débil mental, tá ligada a modismos adolescentes e não entende porque tá crescendo pelo no saco ou na xoxota.

Ok, vai, eu já fui pirralho e sei que é foda os adultos tratarem eu como um debilóide, pensando que não percebemos, que não éramos inteligentes e nem que víamos o mundo a nossa volta talvez bem melhor do que vemos hoje. Mas isso eu achei demais, talvez o roteirista tenha uma visão meio estranha dos "teenagers", fica um humor inteligente demais pra quem se preocupa em baixar o mais novo album do Restart.

Alias, eu nunca pensei que encontraria em vida um fã de restart. Ao menos não os veria pessoalmente. Estava no metrô e entre as estações Giovanni Gronchi e Santo Amaro da Linha Lilás passa ao lado do Credicard Hall. Tinha duas meninas na minha frente, e as duas eram fãs de Restart. Estavam comentando que queriam ir no show dele, que eram super fãs e que seria no Credicard Hall. Deviam ter uns sete ou oito anos no máximo.

Isso sim parecia um comportamento de crianças de verdade!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

DaDo Bier Lager

 
Meu pai me trouxe essa meio do nada. Outra brasileira, só pra verem que não sou uma pessoa de preconceito, haha.

Primeira microcerveja do Brasil, feita lá nos pampas. Relativamente nova, mas tem que pensar que tudo nesse país é novo porque o Brasil tem um delay de dois milênios com o resto do mundo. Enquanto hoje o mundo inteiro está com um iPhone, no Brasil somente teremos em 4011, daqui uns dois mil anos com muita sorte.

Mas nem por isso quer dizer que, quando o esquema chega ela seja ruim. Gostei bastante dessa lager. Muito leve, não espere uma cerveja forte, desce fácil e tem um sabor no ponto. A vantagem é que vem numa garrafona grande.

Sabe o que é melhor? O site deles tem dicas de pratos pra se apreciar com essa cerveja. Ponto pra eles! Uma das melhores cervejas brasileiras que já provei.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Como assim um "líder espiritual"?

Saiu no meu último sesshin (uma meditação que fazemos no meu templo budista, onde um médium chega e, com auxílio de espíritos, nos dá "dicas" de como caminhar em direção à iluminação) que eu deveria me esforçar nas três práticas (dízimo com coração e quando puder, falar do ensinamento para outros e trabalho voluntário) para no futuro me tornar um... líder espiritual.

Ok, médium até me assusta, mas eu até aceito, mas será que "líder espiritual" não é um troço muito forte e pesado? Cara, quem sou eu, hahaha... Sou um cara simples, que acabou de pagar seu jazigo no cemitério pra ter um lugar onde cair morto e não acredito que eu seja alguém exatamente louvável. Já fiz tanta merda por aí, omito tantas coisas...

Também não é um esquema "pra amanhã", mas a possibilidade de isso um dia ser verdade é tão... Estranho. E os médiuns parece que sempre falam isso no final. Quando disse pra eu alcançar a mediunidade disse apenas exatamente no finalzinho da consulta. E agora líder espiritual também.

É bicho, é engraçado, hahaha.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Cinco anos de sexual.DISGRACE!


Há cinco anos atrás fiz um trabalho na faculdade que me orgulhei bastante. Início de faculdade nova, disciplina de fotografia, a idéia seria fazer um vídeo com o tema "Auto-retrato".

Porém, isso abre um gigantesco espectro de opções! Resolvi focar em uma característica minha na época, uma espécie de narcisismo. Foram alguns meses de trabalho, várias fotos e edições mil de imagens. O resultado é esse acima! Que me orgulhou bastante.

Na época o the GazettE tinham acabado de lançar a música que toca nesse vídeo, a Filth in the beauty, e a idéia era mostrar e questionar a mim mesmo, se esse tipo de beleza era o correto, algo assim. Auto-retrato reflexivo, talvez?

Ficou uma coisa bem básica, feita no Windows Movie Maker. Só fiquei meio triste porque nem todos se esforçaram tanto na sala pra fazer. E o dia que a professora de fotografia reservou pra mostrar eu tinha ido esperando quase ver uma sessão pipoca, mas teve alguns que ficaram um tanto meia boca, sei lá. Acho que nem todos se empolgaram tanto quanto eu.

Ia rolar uma continuação, com a música CLEVER SLEAZOID, do Dir en grey. Cheguei a rascunhar alguma coisa, ia ser um troço mais pesado, mas... não saiu do papel, e já tem uns cinco anos. Mas, quem sabe?

sábado, 4 de junho de 2011

O último episódio da saga do TCC.

Ae, ae, ae, ae, ae, ae.

As vezes eu acho que tem uma conspiração por detrás. Não são poucas pessoas que disseram que isso daria um filme! Hahah. A última foi o horário, me passaram, quase certo que seria dia 10/6 às 19h. Perfeito, eu pensei. Sexta-feira, dia de depois esticar no bar, encher a cara...

E aí, uma bela manhã a orientadora manda um e-mail dizendo que não vai ser possível. E eu já havia mandado o convite pra todo mundo.

Ai meu Deus! Me liberta disso que eu não aguento mais! 1 ano e meio, isso é torturante, povo.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

"Me dê um abraço antes de ir embora, Al".

O sol estava forte. Mas embora estava sol, um vento frio dava um tom diferente ao clima.

Estava junto de "n" e mais dois amigos. Perto do aeroporto o taxi parou. Próximo da porta de entrada de súbito ouvi meu nome. Olhei pra trás, estava uma menininha me olhando, com os olhos marejando.

"Então é assim? Você vai embora assim?", ela argumentou.

Olhei pra trás com um sorrisinho.

"Haha... Desculpe, tem que ser assim. Acho que já fiquei tempo demais por aqui.", respondi.

"Vai me abandonar mesmo assim, desse jeito?", novamente ela questionou.

Olhei para "n". Pedi pra ele ir levando as coisas e me deixasse a sós com aquela menina. Tinha demorado a entender, mas a menina estava completamente apaixonada por mim. Mas não dava. Eu já tinha passado dos 26, e ela era apenas uma menina de 13 anos, que provavelmente não sabia descrever bem o que sentia. E eu não sou lá um grande exemplo a se seguir também...

"Pensei que a gente poderia ao menos ficar juntos, porquê? Eu não sou bonita? Não tenho bunda grande? Não sou inteligente como a sua falecida esposa?", disse ela, derrubando lágrimas e disparando perguntas.

De fato, era. Mas tinha 13 anos... Impossível.

"Mas você é bem bonita, sim! Entenda, não gosto de ficar tanto tempo assim em um lugar. Eu sou um andarilho, a vida é assim. Conhecemos pessoas, deixamos pessoas para trás, vamos para novos lugares, esse é o ciclo comum".

Os olhos da menina lacrimejavam.

"Eu sei que sou um máximo, imbatível, insuperável e uma lenda viva, hahaha!", nessa hora ela deu uma risadinha, "Viva sua vida, e se tivermos a sorte de nos encontrar no futuro, será bom. Mas seja feliz! Eu não vou poder voltar aqui por um longo tempo, duvido que pisarei aqui novamente alguma vez na vida..."

O choro dela começou a diminuir. Parecia começar a entender.

"...Provavelmente nunca mais virei aqui nesse lugar."

Disse essa última frase sério, e acho que não precisou dizer mais alguma coisa pra ela entender. Me levantei, estava me virando pra ir embora quando ela fez o último pedido.

"Pode ao menos me dar um beijo?", ela suplicou.

Fiquei abismado na hora. Pensei antes que ela tinha entendido...

"Não.", fui direto ao ponto, "Vou te dar algo melhor que isso".

Abaixei e dei um abraço forte na donzela. Apertei bastante, aqueles que parecem juntar duas pessoas num corpo só. Ouvi só a última fala dela, entre as últimas lágrimas que a vi derrubar.

"Você é escorregadio demais, Al... Demais mesmo...".

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Um tal de PLC 122.

Volta e meia esses assuntos de crucificar as pessoas que agridem um determinado grupo aparecem. Veio gente até no meu orkut oferecendo pra eu apoiar uma tal de PLC 122. Francamente não sabia o que era, fui atrás. Achei este site.

Como estou sem namorada, não vou dizer que apoio. Porque da última vez que eu resolvi apoiar alguma coisa pro público gay e eu estava sem namorada, um bando de corno veio me taxar de "viado". Então, se eu tiver uma namorada, eu apoio vocês, beleza? Nada contra! Estou apelando mesmo...!

Mas estava pensando, será que um projeto de lei realmente mudaria alguma coisa?

O Brasil é um país engraçado, e ele paga caro pela falta de educação. Não digo pela questão de falta de cognição, pelas pessoas dementes mentais na rua. O governo, com o apoio das leis, que têm que "educar" o povo.

Vou dar dois exemplos: se, desde criança, fôssemos educados a não bebermos e dirigir, não teríamos tanta gente morrendo aí nas ruas. Pessoas teriam noção que mesmo que bebessem um pouco teriam responsabilidade na hora do volante, ou você acha que em outros países as pessoas não bebem uma brejinha antes de pegar no volante? Claro que bebem! Mas têm noção de limites, do perigo, etc.

Se as pessoas fossem mais educadinhas, não iriam pra balada e comeriam 2, 3, 4 sem camisinha. Depois ficam aí chorando pelos cantos pensando que tão devendo na praça, aí um belo dia pega uma tuberculose e descobre que foi agraciado com o HIV porque pensou que uma gozadinha com aquele "loirinho da balada" não rolaria nada.

Pra primeira tem uma lei, pra segunda não. Não existe uma lei que impede que sua xereca fique molhadinha ou minha pica fique dura. Mas ambos dependem de educação do povo.

Voltando aos papos gays: desde criança sempre tive amiguinhos mais "gays" (éramos crianças, não se tem muita noção disso), mas nem por isso eu me tornei um. E muito menos por isso eu desrespeito algum. Claro que tem uma brincadeirinha aqui e ali, mas que graça teria de eu tirasse sarrinho de um amigo viado se ele não tirasse um sarro de mim, sei lá, porque não comi nenhuma mulher há quase dois anos (é, situação tá dura, nem as amigas tou conseguindo nem um carinho...)?

Pergunta: Se as pessoas tivessem direito a uma opinião, conhecesse, pesquisasse, tivessem mais leitura e desligassem mais a tevê, resumindo: tivessem mais educação, será que seria necessário que o governo agisse como uma babá dizendo o que pode e o que não pode?

Quando uma potiguar que ganha 930 diz que chega na sala com um giz e dizem pra ela salvar a pátria como tem gente que ainda fala "Aham Claudia, senta lá"...??

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Com um pé novamente na filosofia.

Criei coragem, fui num sebo (desemprego!) e comprei um Aristóteles. Eu, que sou apaixonado pela dupla Sócrates e Platão, devo dizer que estou um tanto impressionado com as primeiras coisas que li sobre o filósofo que gostava de pensar no mundo enquanto caminhava.

Tinha bastante esse hábito também, de ficar pensando na vida enquanto andava. Hoje, não sei, sinto que perdi um pouco. Minha vontade era voltar a ler filosofia depois do TCC. Como já sei mais ou menos quando vou apresentar, me dei o luxo de voltar a um dos estudos que eu queria ter feito no lugar de design: filosofia (e isso sem contar história, artes, fotografia e tantas outras vontades).

Li o Poética, do mestre de Alexandre Magno, o Aristóteles. Achei interessantíssimo, algumas passagens me chamaram mais a atenção:

De acordo com ele, no começo as peças teatrais eram nada mais que monólogos. Se você pensa que esses caras que ficam em pé no palco falando sozinho por quase duas horas é novidade, não é. Aristóteles fala que essa é uma espécie de versão primitiva de teatro, e depois o troço evoluiu para duplas e grupos, surgindo a retórica teatral.

Sensacional, eu diria. Sabe, acho que o twitter no fundo mostra que somos eternas pessoas presas num monólogo. Falamos com muitas pessoas, ninguém nos responde, alguns nos ouvem mas ninguém nos entende. Digo isso porque já passei da marca dos 8 mil tuítes, e se na faculdade me chamavam de tuiteiro, acho que agora podem é me chamar de um grande escritor de monólogos. Faz sentido fazer essa associação com os dois? Acredito que seja bem válido sim. No fundo aqueles 140 caracteres são nosso palco, a diferença é que enquanto encenamos, vemos encenação de outros também.

Um outro quesito que me chamou a atenção foi quando ele cita a origem da linguagem. Sou um admirador de Ludwig Wittgenstein e seus devaneios sobre a linguística, e justo no Aristóteles vi um pouco disso. Letra, sílaba, conectivo, articulação, nome, verbo, artigo, flexão, frase. Muita coisa pra explicar, só lendo mesmo!

Por fim, a imitação. Ele cita muito Homero, grande poeta grego, e diz que as artes nada mais são do que imitações da realidade. São apenas coisas maqueadas, não se compara com a realidade. Diferente do seu mestre, Platão, que puxa o saco pra música, Aristóteles parece ter uma quedinha pelas epopéias.

Agora me empolguei no Aristóteles, embora o segundo livro seja mais complicado. Filosofia, tá aí outro negócio que queria ter feito também.

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