sexta-feira, 3 de junho de 2011

"Me dê um abraço antes de ir embora, Al".

O sol estava forte. Mas embora estava sol, um vento frio dava um tom diferente ao clima.

Estava junto de "n" e mais dois amigos. Perto do aeroporto o taxi parou. Próximo da porta de entrada de súbito ouvi meu nome. Olhei pra trás, estava uma menininha me olhando, com os olhos marejando.

"Então é assim? Você vai embora assim?", ela argumentou.

Olhei pra trás com um sorrisinho.

"Haha... Desculpe, tem que ser assim. Acho que já fiquei tempo demais por aqui.", respondi.

"Vai me abandonar mesmo assim, desse jeito?", novamente ela questionou.

Olhei para "n". Pedi pra ele ir levando as coisas e me deixasse a sós com aquela menina. Tinha demorado a entender, mas a menina estava completamente apaixonada por mim. Mas não dava. Eu já tinha passado dos 26, e ela era apenas uma menina de 13 anos, que provavelmente não sabia descrever bem o que sentia. E eu não sou lá um grande exemplo a se seguir também...

"Pensei que a gente poderia ao menos ficar juntos, porquê? Eu não sou bonita? Não tenho bunda grande? Não sou inteligente como a sua falecida esposa?", disse ela, derrubando lágrimas e disparando perguntas.

De fato, era. Mas tinha 13 anos... Impossível.

"Mas você é bem bonita, sim! Entenda, não gosto de ficar tanto tempo assim em um lugar. Eu sou um andarilho, a vida é assim. Conhecemos pessoas, deixamos pessoas para trás, vamos para novos lugares, esse é o ciclo comum".

Os olhos da menina lacrimejavam.

"Eu sei que sou um máximo, imbatível, insuperável e uma lenda viva, hahaha!", nessa hora ela deu uma risadinha, "Viva sua vida, e se tivermos a sorte de nos encontrar no futuro, será bom. Mas seja feliz! Eu não vou poder voltar aqui por um longo tempo, duvido que pisarei aqui novamente alguma vez na vida..."

O choro dela começou a diminuir. Parecia começar a entender.

"...Provavelmente nunca mais virei aqui nesse lugar."

Disse essa última frase sério, e acho que não precisou dizer mais alguma coisa pra ela entender. Me levantei, estava me virando pra ir embora quando ela fez o último pedido.

"Pode ao menos me dar um beijo?", ela suplicou.

Fiquei abismado na hora. Pensei antes que ela tinha entendido...

"Não.", fui direto ao ponto, "Vou te dar algo melhor que isso".

Abaixei e dei um abraço forte na donzela. Apertei bastante, aqueles que parecem juntar duas pessoas num corpo só. Ouvi só a última fala dela, entre as últimas lágrimas que a vi derrubar.

"Você é escorregadio demais, Al... Demais mesmo...".

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