quarta-feira, 29 de junho de 2011

Trajetória até chegar aqui. - Parte I

Bom, quero iniciar uma série de posts que já estava pensando há um tempo em fazer. Quero começar por um conceito simples, que é o da influência. Vivemos numa sociedade, e num local onde muitas pessoas são em grande partes "iguais", buscamos o "diferente", algo que seja uma antítese nossa do que achamos que seja "comum".

Usei as aspas pra me proteger de generalismos. Nem tudo que é igual é igual pra todo mundo, por isso uso o "igual" entre aspas, belê?

Falei difícil? Consideramos que o mundo não é essa esfera azulada enorme que vemos do espaço, muito pelo contrário. É muito menor. O planeta não passa de diversos pequenos mundos que convivemos, com realidades, valores, pessoas, influências, muitas coisas diferentes que nos atingem durante a vida e reagimos a elas, ignorando, convivendo, adicionando, enfim. Nosso mundo é limitado as pessoas que conhecemos ou que iremos conhecer.

Para tanto, essa série de posts é um exercício de buscar dentro de mim o que me fez ser assim hoje. Quem me influenciou, o que eu uso como antítese minha ou quem eu simplesmente aceito, mas não sigo. Acho que é um bom exercício, e lembrando que isso é feito por mim, não pedi opinião de ninguém.

Muitas pessoas conhecem muitos outros "eus", e acho interessante isso, enriquecedor. Talvez não conhecessem algumas coisas que dou valor ou outras que tenho desdém.

Vamos dizer que é como traçar um perfil. Vamos lá.

Michael Jackson posso citar como alguém que é responsável por grande parte do que sou hoje. Muitas pessoas conhecem apenas a faceta do Michael cantor. Outros, só conhecem o cantor mais pedófilo. Mas quem é fã mesmo do cara vai atrás da vida pessoal, e descobre muitas coisas. Algumas coisas nos fazem ficar frustrados, mas Michael por mais que entrasse na sua Terra do Nunca, mais ficava maravilhado com aquilo, e queria ser igual.

O rei do pop chegou em um ponto tão elevado que viu o mundo lá de cima e viu que as pessoas são egoístas, são mesquinhas, são imbecis. Eu sempre tive uma visão muito pura das coisas, e sempre tratei as pessoas com sinceridade pois acredito que é assim que as coisas boas são construídas. Ser uma pessoa bondosa, amiga, atenciosa. Michael me ensinou a ser assim, e que sendo assim seria possível construir muita coisa bacana.

Também sempre me considerei meio um Peter Pan perdido. Não tive um infância das mais interessantes, e se teve um momento da vida que mais quero distância hoje é exatamente essa fase de infante. Mas hoje, converso com crianças normalmente, brinco com elas, enfim. Eu sonho em ter filhos e dar a eles uma infância feliz que eu não tive, e a infância de Michael, infelizmente, é 90% igual a minha. Muitas responsabilidades, cobrança do pai, insegurança, perseguições na escola, não gosto de lembrar dessas coisas.

Jean Valjean, um personagem fictício do livro Os Miseráveis, de Victor Hugo é uma faceta mais melancólica minha. Valjean é uma pessoa que expia sempre seus pecados. Embora eu seja um pouco Michael Jackson em tratar as pessoas com sinceridade, carinho e dignidade, qualquer pessoa tem uma ou outra coisa que fez e se arrependeu. Alguma bobagem. Eu tenho umas cinquenta que fiz.

Algumas coisas ruins, que não merecem ser citadas. Jean Valjean era uma pessoa pobre, que por conta de um roubo de um pão pra dar de comer a sua sobrinha mais nova passa 19 anos numa prisão, e depois que sai, descrente na bondade do ser humano, tenta roubar um bispo, que era uma pessoa extremamente boa, que mesmo sendo vítima de um roubo o defende, que o faz acreditar que é necessário fazer o bem, principalmente às pessoas que menos acreditam que um ser humano possa ser bondoso. Assim como o Valjean tem o Javert, eu também tenho o meu, que é um cara que fica olhando cada minúsculo erro que faço para ter uma chance de acabar com a minha vida.

Eu era uma pessoa um bocado maldosa. Mas foi porque algumas pessoas que estiveram na minha vida e que foram bondosas comigo que essa luz que elas me emitiram me fez ver além daquelas sombras que eu estava. E é meio que pra ser uma luz para a vida de outrém - assim como Valjean depois de expiar seus pecados, quando ajuda Fantine e a Cosette - é que continuo trilhando em frente. Nunca acreditei que abandonar pessoas seria o correto. Se eu acreditasse nisso, seria o mesmo que dizer que o nosso destino é algo que não podemos mudar.

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