sábado, 30 de julho de 2011

Nárnia.


Lembro como se fosse ontem as duas primeiras coisas que comprei com meu primeiro ordenado de estagiário. Um foi o ingresso do show do Dir en Grey, no Maquinária Festival, em 2009. O segundo foi o livro As Crônicas de Nárnia, um compilado de quase 800 páginas com todos os livros da série.

Dois anos depois e dois empregos depois, enfim terminei essa birosca!

Vamos lá ao nosso review vagabundo: Gostei de todos.

Incrível como Lewis escreve, mesmo sendo uma linguagem um bocado elaborada pra uma criança ler. Acho que as páginas tinham um sonífero, porque perdi a conta de quantas vezes eu dormi lendo-os. Não estou dizendo que é ruim, eu costumo dormir muito lendo coisas e é por isso que eu demorei tanto. Ler, dormir e voltar do começo. Era essa a rotina.

Os personagens são muito bem explorados, suas características, trejeitos, manias. Eu gostei muito da Jill Pole, que aparece nos últimos livros, talvez pelo seu misto de covardia e imensa coragem. Pelo menos a Cadeira de Prata, o penúltimo dos livros, foca muito nela.

Todo mundo adora fazer a referência entre Aslam e Jesus Cristo, e isso já cansei de ouvir. A verdade seja dita, Nárnia é um livro que bebe de fontes clássicas, com todos aqueles elementos antigos que se tem.

Mas não é superficial. Dá pra se ver muitas alegorias, desde o fato das crianças entrarem no guarda-roupas (brincadeiras infantis e crianças usando a imaginação), Caspian querer tirar o poder do seu pai (Cronos e seu pai, Urano), o país de Aslam que eles chegam no Peregrino da Alvorada (Paraíso, ou alguma idealização de Campos Elíseos), a prisão do príncipe Rillian (ditaduras ou propagandas políticas), Tash (satanás) e até mesmo a percepção do mundo (mímese de Platão) entre outros.

Acho que aí que reside a mágica toda do Lewis. Crianças gostam de mistérios, gostam de alegorias, mesmo que não entendam todas como nós adultos. Mas farão assimilação mais pra frente em suas vidas, o que torna um livro de leitura obrigatória para qualquer criança.

Eu espero ler para meus rebentos Nárnia, e espero que gostem tanto quanto eu gostei! (espero não dormir lendo de novo...)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Afrodite.


Ainda tem algo meio estranho nela que só consigo ver de longe, hahaha. Acho que exagerei na escápula. Acho muito sensual o osso da escápula, mas ficou desproporcional, deixou ela "gordinha".

Mas quando vê grande, não fica tão estranha. Mas de longe aqui, tá meio zuadinho. Bom, já fiz a Demeter e Athena, essa é a Afrodite. Ela não foi exatamente alguém que tava exatamente apaixonado, embora eu quisesse algo com ela na época.

Ela encarnava essa beleza indomável, que todos tentavam, poucos conseguiam, mas ninguém conseguia mantê-la.

Além de seus dotes físicos e sua beleza natural, claro. Não vi ninguém que a conheceu que não queria levar ela pra cama. Loira, peituda, branquinha, carinhosa... Dureza!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Os mosqueteiros do rei.

Um livro recente que li e não me arrependi foi Os três mosqueteiros, um clássico de Alexandre Dumas. Resenhar um livro clássico é complicado, afinal um clássico é um clássico, é difícil de achar um defeito muito chamativo.

Dumas escreve com uma grande maestria. Não é um romance visto por apenas um ponto de vista. De fato, o foco é a vida de D'Artagnan e sua ascenção até virar um mosqueteiro. Mas ela corta bastante para a Milady de Winter e Athos, outro dos mosqueteiros várias vezes. Isso é útil para se desenhar a trama em diversos outros pontos de vista.

Outro ponto interessante é a personalidade explorada dos personagens, mesmo que o foco fique mais em Athos e D'Artagnan. Existe alguns capítulos em que eles focam apenas nos outros dois (Porthos e Aramis) e até mesmo na vilã (a Milady) e até mesmo nos criados dos mosqueteiros, Planchet, Bazin, Grimaund e Mousqueton.

Foram quase 800 páginas que me prenderam a uma trama muito bem construída. E parabéns também aos tradutores da versão brasileira, que mantiveram desde os termos até mesmo o sotaque dos suíços! Simplesmente perfeito, parabéns e esse livro está já na minha listinha dos meus favoritos.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sexo e amor.

Uma vez quando fazia arquitetura uma colega falou do livro Porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor, de Allan e Barbara Pease. Depois de seis anos resolvi tirar a dúvida e enfim ler essa birosca.

Terminei de ler e fiquei refletindo. Livros de auto-ajuda sempre têm como foco o público feminino. Dificilmente você que tem um pênis vai achar uma linguagem voltada para homens, isso é natural. Comprei pensando ser um livro que discuta com arbitrariedade as diferenças entre homens e mulheres, mas vi uma versão muito mais puxada para o aspecto feminino.

Algo como "Homens são assim e deveriam ser mais compreensíveis por isso, isso e aquilo". Obviamente não fala nesse sentido, mas esses tipos de livros que adoram colocar a culpa em nós que fazemos xixi em pé são os que mais me dão vontade de vomitar.

Não apenas a sociedade é machista, mas a organização humana é puramente machista. O mundo é machista. Mulheres se maquiam não pra se sentirem melhor, pois se elas estiverem bem para os homens, elas estão bem. Mulheres querem gozar no sexo porque isso é uma necessidade masculina, e não que elas se excitam com outra coisa a não ser a penetração. O livro tenta colocar na cabeça que os homens que têm que mudar, mas o mundo - felizmente ou não - tem uma organização focada no homem. Há milênios.

Mulheres até meados do século XX não existiam, eram apenas seres de procriação. Homens que trabalhavam, que faziam arte e que conquistavam o espaço. Pode parecer meio machista, mas é só refletir em cima que fará sentido.

Não achei interessante a teoria de que homens que na hora da fecundação receba mais hormônio femino seja necessariamente gay. Vou explicar o esquema: Homens nascem da conjunção XY, mulher do XX (lembra da biologia?). O livro afirma que, se quando um XY receber uma dose mais de hormônio feminino o homem fica com cérebro feminino e corpo masculino, logo ele é gay. Acho que não necessariamente, e achei isso, digamos, "heterofóbico".

Conheço muitos caras que "entendem a alma feminina", são caras que dormem e comem muito mais mulher que qualquer nego que vi por aí e são meio afeminados. Não digo pelos gestos, mas digo pelo raciocínio.

Na época do colégio, por exemplo, aqueles garotos que adoravam ficar conversando com as meninas e não com os meninos eram os que primeiro conseguiam beijar e perder a virgindade com onze, doze anos. O que no começo era zuado como membro do clube da Luluzinha, foram os primeiros a praticar o bom e velho sexo e serem venerados pelos outros mais tarde exatamente porque brincavam de boneca com elas enquanto nós queríamos ser Power Rangers.

Por essas e outras, livros de auto-ajuda ficam na estante ou no lixo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Amy Winehouse


No meu aniversário rolou um atentado na Noruega e um dia depois Amy Winehouse morre. Que coisinha complicada, huh?

Eu gostava muito dela. Inclusive numa entrevista recente de emprego falei sobre ela, que a admirava, mesmo com seu jeito de ser infelizmente autodestrutivo, era alguém genial na música.

Depois da morte de Amy muitas pessoas vieram falar sobre a questão das drogas, como se elas fossem o único mal apenas. Muitas pessoas que usam drogas que já conheci na vida não queriam ajuda. Sentiam aquela sensação forte depois de se drogar, e depois essa sensação passava, e depois lá estavam eles de novo, e de novo, e de novo.

Amy em sua música dizia que não queria um tratamento, queria um amigo.

Essas pessoas que em geral acabam se envolvendo com drogas muitas vezes não tem muitos amigos. Talvez amigos tenha um efeito similar às drogas - não estou sendo demagogo - e poderiam, quem sabe, sobrepujar esse uso de químicos. Um amigo pode te dar uma força, conversar contigo, você fica mais leve, mais confiante, e tudo isso apenas com simples relação humana.

Vejo Amy muito similar ao Michael Jackson, que tinham problemas similares aos problemas das pessoas atualmente.

Numa sociedade onde trabalhamos em empresas que estão defecando e andando pra gente, que amigos somente conversam com a gente pra fazer uma média ou que nossas namoradas nos deixam no momento em que não tivermos mais um carro, bem... Talvez falte mesmo isso que o ser humano sempre teve desde a sua essência: o contato humano.

As drogas não foram o mal de Amy. Talvez se ela tivesse crescido num meio bacana, e mesmo quando adulta tivesse contato com boas pessoas, com amigos, companheiros, bons colegas. Ela era apenas uma pessoa sensível. Tem pessoas que aguentam comidas de rabo de outras, mas nem todo mundo tem essa capacidade. Não estou dizendo que ela seja fraca, e deveria deixar de lado assim como a sociedade que preza apenas os mais fortes. Mas será que um pouco de humanidade seria pedir demais? Compreensão?

Talvez isso teria ajudado a Amy.
Vá em paz, grande cantora.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Análise de apps - 3



Estava em busca de um player decente pro meu Android. Como sou um dos únicos do mundo que ainda usam o Android 1.5, e enquanto não arrumarem e me dêem garantias de atualizações pros próximos Androids que eu tiver, ainda não vejo vantagens em trocar o meu ainda.

Logo, a maioria dos apps já não têm mais atualizações para o Android 1.5. Precisava de um bom player de música para meu Android. O player nativo dele é péssimo, principalmente porque eu gosto de ouvir na ordem as músicas. E ele pega e coloca na ordem alfabética. Lastimável pra mim.

Já tentei o Mixzing e Meridian. Esse último fiquei um bom tempo com ele, mas das últimas atualizações pra cá ele começou a fechar sozinho, ficou péssimo.

Dando uma olhada no Android Market, sem compromisso, achei um player que se entitulava apenas pelo número 3. Baixei, vi que tinha boas recomendações e testei. Uma interface totalmente diferente, é um cubo, por isso o número 3 elevado (lembra das aulas de equação do segundo grau?).

Excelente. Sem as propagandas chatas dos outros, não dá problema, só é meio lerdo pra criar a biblioteca. Ele as vezes não toca a próxima música sozinho, tem que apenas apertar o de destravar a tela (não precisa acessar e dar play), mas tirando isso a interface dele é muitíssimo bem construída. Por meio do cubo você navega pelos albuns, artistas e tudo mais. Vale a pena ser baixado.

domingo, 24 de julho de 2011

Ashby



Dia 17 fui ao Festival do Japão, e lá tinha um chopp que me chamou muito a atenção. Estava num trailerzinho, tinha nas três "cores". Loira (Lager), Preta (Porter, uma espécie de Stout) e Ruiva (California Cooler, que é com vinho).

Pensando agora fiquei com dó de não ter provado a preta e a com vinho. Tava muito quente, logo eu virei um litro de larger com gosto. Cerveja levíssima, dá pra sentir a pureza e a refrescância dela. Tem um amargor delicioso, sabor sem surpresas e não deixa a gente empafuzado. Simplesmente deliciosa, um chopp muito além da média, qualidade incrível.

Nasceu em 1993 na região de Amparo, interior paulistano, próximo de Serra Negra, Campinas. Outra brasileira muito boa, só pra fugir daquelas clássicas que a gente só vê propagandas imbecis, como Skol, Brahma, Antartica e etc.

sábado, 23 de julho de 2011

Overture - Parte VI - Aquele que não estava ali.

A chuva naquele dia caía na forma de gotas negras. O céu estava de luto pela morte de um inocente. No velório aparecera o único parente do falecido, seu pequeno irmão de dez anos invandia o local com raiva, gritando e ofendendo a todos que chamavam ele de "irmão do traidor".

Na sua frente estava um grande esquife, com um pano branco por cima. Ao puxar o pano havia percebido: não havia ninguém. Corpo desconhecido. Agarrara o pano e começava a chorar desesperadamente.

Schutz aparecera para ajudá-lo, consolar o pequeno garoto, mas ele não queria ninguém. Queria apenas seu irmão de volta.

Na saída, lá estava Émilie. Tinha se recusado a entrar. Mas por algum motivo a esposa compareceu para não levantar muitas suspeitas.

O pequeno Al, mesmo sendo um garoto de dez anos, ao vê-la despertou em fúria e correu atrás dela. Deu um salto e a derrubou no chão, agarrando-a pelo pescoço, tentando enforcá-la. Um segurança o separou. Ele gritava e chorava de fúria olhando para o rosto de Émilie, impassível, erguendo-se e arrumando o cabelo.

"Insolente!!", ela disse, "O que pretende?"

Schutz apareça logo atrás, com seu estilo de andar manco.

"Você... Foi culpa SUA! Foi você que matou o meu irmão!! Eu te odeio!!", Al pausou e tomou ar para gritar: "EU TE ODEIO, SUA PUTA!!".

Embora os dois seguranças que estivessem segurando Al se assustassem com o grito que o garoto deu, Émilie permanecia imóvel na frente. Inabalável.

"Você ainda tem muito a crescer, garoto. Você não sabe como o mundo funciona ainda. Não era muito dinheiro, mas era de grande influência.", ela tirou um cigarro da bolsa e acendeu, "É uma selva lá fora. Estamos todos matando uns aos outros pra sobrevivermos, quando você crescer, vai me entender. Ouça bem o que quero dizer: o mundo lá fora é um lugar muito inóspito para se viver. Se você não atacar os outros, será atacado".

Ela virou de costas e saiu. Al se debateu firme para ir atrás da algoz, mas não tinha mais forças. Nem mesmo o rosto morto do seu irmão conseguiu ver novamente.

Émilie sumiu, mudando de identidade, assumindo-se como uma belga chamada Linda R. Gauthreaux e a partir de meados de 1995 nunca mais se teve notícias dela, seu atual paradeiro é desconhecido. Schutz ensinou várias coisas para Al, falecendo de causas naturais em idade bem avançada, aos 99 anos, sete anos depois da morte de Arch.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O que havia de especial naquele céu?

Ao longe eu via aquele sol se pondo. O anoitecer de um dia.
O dia fica azulado, em seu ápice desde cedinho até a noite. E a noite, de repente, o azul vai perdendo a cor, vai escurecendo, aquele sol branco fica vermelho e vai indo embora. É um momento tão único isso, passa tão rápido e logo anoitece e tudo fica preto. Escuro. Pra depois de algumas horas voltar tudo de novo.

Muitas vezes quando eu chegava do trabalho, ou da faculdade, olhava pro céu a noite, quando abria o portão.

Se não estivesse nublado, dava pra ver uma ou outra estrela lá em cima.
Uma nuvem passando.
A lua.

Como a gente é pequeno! E como é um espetáculo grandioso o dia.
Odiava ficar enclausurado num escritório onde as pessoas fechavam a janela. Tem um espetáculo gratuito ocorrendo lá fora, que dificilmente um ser humano fará igual. Deixe ele acontecer e engrandecer nossa tão fugaz vida!

No fundo nossa vida é como o dia. Nascemos, chegamos na nossa manhã, alcançamos nosso meio dia, passamos pela tarde, chegamos ao poente, anoitecemos e madrugamos.

Porque então nossa vida não pode ser considerada um espetáculo como é o passar do dia? =)
Vamos nessa, que eu ainda tenho algumas horas desse meu dia!

O que havia de especial naquele céu?
Nada! Todos os dias ele é especial. Só ninguém que repara.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Overture - Parte V - Aquele que tinge de ébano o passado.

Um helicóptero. Homens pulando dele em cordas. Gritos. Um garoto e seu irmão mais velho foram levados. A sua esposa não estava lá. O garoto foi liberado, um homem grande, loiro e barbudo foi buscá-lo.

Um dia depois encontraram o paradeiro de Arch.

"Mano! Mano! Você está bem? Vamos, vamos sair!"

Arch se espantou quando viu. Estava todo ferido, tinha perdido seu olho esquerdo, seu corpo estava cheio de hematomas e seu braço esquerdo quebrado.

"Al...! Saia daqui, garoto! Isso não é lugar para uma criança ficar!", ele disse, repreendendo-o.

As lágrimas começaram a cair dos olhos do pequeno Al. Suas lágrimas eram um misto de felicidade por ver seu irmão mais velho vivo e tristeza por ele estar naquela situação. Ele foi uma das vítimas da liberdade, pessoas que tinham tanto poder que acabaram por serem traídos exatamente pelos quais protegiam. Vítimas mais anônimas que aquelas de ditaduras. A diferença era que a lei estava lá para apagar sua existência, sua identidade, seus valores e seus preceitos também. Vítima silenciosa da democracia.

"Ora, Al não veio sozinho, caro amigo. Eu estou aqui também. Sabe que 'eles' não gostam de pessoas rebeldes, mas parece que a situação no seu caso está preta", disse Schutz, que estava junto de Al, protegendo-o.

"Senhor Schutz... Eu não me arrependo de nada. Somente me prometa uma coisa, se alguma coisa acontecer comigo, cuide do Al", suplicou Arch, também derrubando algumas lágrimas.

"Pode deixar. Esse garoto vai ser forte, tão forte como você é. Se você confia em mim esse irmão que você trata como um filho, e não com sua esposa é porque você sabe de tudo...", o senhor Schutz interrompeu um momento.

Os dois ficaram se olhando por um momento. Al olhava para os dois tentando desvendar o que tinha acontecido. Mas mesmo assim, não entendia. Depois de quase um minuto em silêncio - que passou como se fosse uma hora, Arch concluiu:

"Foi a Émilie. Foi ela que inventou isso tudo sobre mim. E por isso que parei aqui", assumiu Arch.

Traído por sua esposa, por aquela pessoa que mais amou na vida. Alguém que era especial no seu coração. Arch deu um singelo sorriso quando disse o nome de sua esposa. Nesse momento seu paradeiro era desconhecido, havia simplesmente fugido durante a noite, antes de invadirem sua residência. Todas suas posses estavam no nome dela.

O pequeno Al ouviu aquilo atônico. Não entendia, ou não queria entender. Porque justo Émilie tinha feito aquilo? O garoto sofria com os milhões de vozes que chamavam seu irmão de traidor. E agora tinha entendido era tudo tudo mentira. Tudo armação de uma mente maligna por detrás.

Mas Arch ainda sorria quando falava de Émilie. Era óbvio que ele ainda a amava, e a amava muito. Al segurou firme nas grades. Alguém parecia chegar próximo da porta, e o senhor Schutz agarrara o garoto, para desprendê-lo da grade e os dois saírem dali logo.

Mas o garoto não largava as grades, chorando alto, gritando e pedindo para seu irmão mais velho pegar na sua mão. Por uma última vez.

Arch permanecia imóvel. Cabisbaixo. Parecia não ouvir os gritos do seu irmão. Era simples, era apenas tocar sua pequena mão. Schutz, já com idade avançada, achou uma dificuldade imensa em desgrudar o garoto dali.

Subindo a escada, sendo levado pelos braços de Schutz, Al viu pela última vez seu irmão vivo...




No dia 21 de julho daquele ano Arch foi executado. Seu corpo nunca foi encontrado.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Amizade.

Achei essa foto velha! Olha como eu era jovem!
Essa foto tem lá seus... DOIS anos (mentira, deve ter uns oito anos...)!


Aniversário dela! Naiara! Ficamos com a mesma idade durante hoje, amanhã e depois. Depois eu fico mais velho de novo! Uhuuuuu!

Eu não sei, não curto muito pessoas pentelhando minha vida. Pra 95% das pessoas eu não gosto de falar de coisas do passado, aspectos pessoais e esse tipo de coisa. Quando eu a conheci, não sei o que diabos tinha em mim, mas minha algo em minha mente falava "Pode confiar".

E já se passaram tantos anos, certo?

Quantas e quantas coisas passamos juntos, tantas estórias, dificuldades, momentos bons também, quando emprestamos o ombro amigo um para o outro e tantas estórias...

E a gente se conheceu justo depois daquele triste acidente. Foi sem dúvida alguém enviado dos céus, no momento correto. Me sinto uma pessoa honrada e muito, muito sortudo.

E naquele dia você disse: "Chega de cabelo vermelho, vamos tingir de preto de volta!" e eu voltei a ser como eu era. E o cabelo está é ficando grisalho!
E quando você me servia de apoio naqueles anos em que fiquei brigado com meu pai?
E quando você me ajudava com todas as garotas que eu paquerava? (mesmo não rolando nada em 90% dos casos!)
E quando aparecia aqueles momentos em que eu não entendia o que acontecia, e você sabia exatamente o que fazer pra me ajudar? Eu consigo ajudar as pessoas, mas a única pessoa desse mundo que pode me ajudar é você.

Se você pular, eu pulo logo atrás, lembra? =)

Obrigado por ser insubstituível na minha vida.
Obrigado por me aturar todos esses anos.
Obrigado por continuar sendo sempre a mesma pessoa em todas as oportunidades que nos encontramos.
Obrigado por toda a compreensão.
Obrigado por fazer minha vida menos solitária.
Obrigado por me ouvir.
Obrigado por ajudar a resolver meus problemas.
Obrigado por estar lá sempre que precisei.

Viver não é apenas o sinônimo de respirar. Viver é mais!
Muitas felicidades não apenas hoje, minha amada amiga, mas pra sempre!

Te adoro do fundo do meu coração.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Um tal de mascarado polêmico.

Estava no Facebook e vi um vídeo no mínimo para se refletir. Um tal de mascarado polêmico disse poucas e boas sobre o kit gay, influência da mídia, e educação. Bom, como eu era gordo na escola, me senti dentro do vídeo, haha. Segue:


Na verdade fiquei pensando o porquê de um cara, que é apenas uma voz se colocar por detrás de um assunto tão forte. Não vejo Felipe Neto ou algum outro nessa mesma atitude, e ele fala de coisas tão polêmicas quanto. Que existem fenômenos da internet como os mamilos polêmicos é verdade, mas acho que não precisava esconder o rosto. Eu não escondo o meu, heheh.

Gostei bastante. Fala algumas coisas verdadeiras, como a influência da mídia sobre as pessoas. Mas tirando o fato do homossexualismo, é bem verdade sobre a falta de atenção na educação, que precisa de mais destaque, e que valores devem ser passados pelos pais. Talvez se os pais tivessem sido educados antes, não precisariam.

Mas os direitos dos homossexuais o problema não são os políticos. Entenda que políticos, na teoria, obedecem as necessidades do povo. Entenda que a massa homossexual e simpatizantes é ser crescente no Brasil, porém eles dão de frente com outra massa crescente: a dos evangélicos.

E embora na sociedade homossexuais sejam relativamente fortes e na política sejam fracos (o mais forte a favor deles é Jean Wyllys apenas, infelizmente), os evangélicos têm partidos fortes, e fazem parte de uma massa fortíssima também de pessoas. Um bom exemplo são os políticos que foram eleitos exatamente pelas suas igrejas, posso citar uns vinte aqui facilmente.

Quer ver um exemplo? Na minha época vinham crentes falar de Deus na minha sala de aula. Será que escolher a religião do seu filho não diz respeito a não apenas ele, mas aos seus pais? Se o garoto fosse judeu?

E religião não é garantia de que a pessoa não vá cair na marginalidade. Digo isso porque muitos dos garotos que cantavam comigo músicas como evangélicas como "Palácios" terminaram por se juntar ao crime e morrer com minha idade. Por isso, será que esse kit é realmente eficaz?

E pra contrastar, vale a pena dar uma olhada nessa grande entrevista da Marília Gabriela, no seu programa. Ninguém menos que Jean Wyllys. Um gênio.

domingo, 17 de julho de 2011

Diário de Fotógrafo #9 - Festa Junina (Shinnyo-en)

Esse último final de semana foi ótimo. Dia 10 teve uma festa junina na Shinnyo-en, o templo budista que frequento. Como fotografia é uma prática, nada como ir para exatamente... praticar!

Com festas o mais interessante é captar as pessoas de modo expontâneo, então o esquema é só ir clicando as pessoas. De 300 e poucas fotos sobraram umas cento e poucas bacanas. Segue aqui as melhores:
















sábado, 16 de julho de 2011

"Pai".

Bom, quero aproveitar o momento. Talvez você tenha uma figura paterna calma, timida, que lhe dá coisas quando vc precisa sem pestanejar entre outras vantagens. Aqui é bem diferente.

Nesse momento estou na minha cama. Meu pai começou uma briga por causa do refrigerante que acabou. Mas não é apenas uma briguinha simples, mas ele sempre exagera, diz que é maltrado por uma familia que ele diz que não o ama, que ele trabalha de segunda a sabado e não damos valor ao dinheiro dele. Isso é só um exemplo dessa visão deturpada das coisas que ele tem.

Cara... Não quero discutir as razões dele, mas essa é uma cruz que carrego a vida inteira. A vida é difícil demais pra se viver em paz? Será que eu ja não tenho punição suficiente de ter a voz dele dentro da minha mente? Quanto e quanto tempo terei que viver com isso?
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Why do you blog?

A moçadinha do Blogger Buzz perguntou: Porque você bloga?

Talvez todo blogueiro tenha uma resposta. Bom, eu tenho uma também. Blog é uma instituição sem fins lucrativos, e querendo ou não, eu perco um tempinho nele. Um "tempinho" que dura desde 2005, com em média uns 10 posts por mês (estou organizando eles aqui também, aos poucos, é muita coisa).

Bom, eu comecei em meados de 2005 quando terminei o colégio. Aquele momento era uma virada na minha vida, e sinto basicamente o que sinto agora. Vejo um caminho na minha frente, cheio de resoluções e possibilidades, medo do que está por vir, dúvidas, enfim.

Eu era apenas um garoto que queria morrer. Não mudou muita coisa pra hoje em dia, enfim...

Questionamentos existenciais à parte, eu blogo pra ver o tempo passar. Gosto de navegar em posts de meses, anos atrás, ler todas as coisas que escrevi, o que pensava na época, os acontecimentos. Em dezembro de 2005 quando eu por impulso criei na (extinta) Weblogger do Terra queria criar um registro pra que eu não visse o tempo passando de forma rápida sem eu ver.

O blog é como um livro de história. A minha história. Faço uma retrospectiva dos fatos que acontecem na minha vida durante os anos (em 2010 e 2009 eu fiz) e depois vou relembrando. Ver como as coisas passam é uma tarefa satisfatória. Não vejo o tempo passando rápido ou devagar. Vejo ele hoje na medida certa.

Por isso continuo blogando, e espero continuar sempre. E dividir com vocês essa passagem, mesmo minha vida hoje não sendo tão excitante como fora antes, mesmo assim vale o registro. =)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Overture - Parte IV - O único dia fácil... Foi o de ontem.

Os tempos pareciam prósperos. Quanto mais tempo Arch passava com o pequeno Al, mais Émilie sentia-se deslocada daquela realidade. Era janeiro de 1988.

Falando com sua mãe no telefone parecia que não sentia mais uma paixão por Arch. Mas não queria deixar sua nova vida confortável para trás também. Os dois mudaram-se para uma pequena casa na Clyde Road, que hoje não existe mais no local. Aquele passado - que não era miserável, caso Émilie não tivesse tantas mordomias - estava definitivamente para trás.

Mas Arch ainda a amava muito, e sentia-se bem ao lado dela. Emotivo como o irmão mais novo, sempre mostrou um lado companheiro e amigo a todos. Nunca foi uma pessoa rica, militar ou calígrafo, mas sempre fora bondoso com as pessoas. Com todos. O governo bancava ele para protegê-lo, e ele usava seu conhecimento para tal.

"O senhor Schutz conversou comigo hoje", ele começou a conversa com Émilie, "Parece que um dos malucos desertou. Conheci o cara, parecia alguém forte, com personalidade. Fiquei pensando o que seria mais valioso. Essa vida que temos, ou o que eu acredito".

Émilie arregalou seus olhos, se assustou com o que ele dizia.

"Não, você não pode nem pensar nessa possibilidade. 'Eles' te dão tudo o que você quer!", ela afirmou, erguendo a voz.

"Eu sei querida, eu sei. Mas será que estamos realmente certos? Não existe diferença entre criminosos e policiais. A única diferença é que um deles tem a lei por detrás. E a lei permite que a eles caçar qualquer um que não esteja dentro dos seus preceitos. Eles usam a violência da lei para combater a violência fora da lei. E achamos isso correto. Organizações tentam fazer alguma coisa, mas são muito pequenas. Não conseguem mudar a mentalidade de milhões, bilhões de pessoas e países.", ele concluiu.

Émilie ficou calada. Dentro de si dava pra ver que suava frio e tremia. Cabisbaixa, não entendia o porquê daquela conversa.

"Isso que eu faço é a única coisa que sei fazer da vida. Mas e se eu acredito em outra coisa? Se eu não acredito em violência, em punição e impunidade, será que conseguirei lutar pelo que acredito? Porque tanta violência por todos os lados se o mundo jamais melhora?".

Al ouvia tudo quieto, fingindo estar tirando um cochilo no sofá.
O pequeno garoto de nove anos já naquela época refletia: Qual será o motivo que move as coisas e as pessoas pelo mundo?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O que cada um deixa dentro de nós.

Hoje estava com a mão doendo pacas, graças a umas dores da montagem de festa junina de domingo. Ontem fui desencravar uma unha do pé que fiquei uns dois meses sem cortar e não consigo pisar no chão direito. Meu tornozelo tá meio zoado também, fui inventar de correr com uma unha machucada, mudei o passo e me fodi. Resumindo: tive que ficar em casa. O jeito foi procurar algo...

Coloquei na TV Cultura, e assisti o filme A Janela da Frente (La finestra di fronte), um grande exemplar de cinema europeu que mais gosto. Desconhecido por essas bandas (embora o diretor seja fudido), é da listinha de filmes que não dividiriam espaço com blockbusters.

Digo isso porque filme bom dificilmente cai no gosto do público, exceto que seja abraçado muito por uma tribo. Isso inclui desde Blade Runner pelos nerds até mesmo Kill Bill pelas feministas.

No filme, Giovanna, divide olhares com um rapaz que mora no prédio da frente, porém tudo muda quando encontra um senhor desmemorizado na rua, sobrevivente do Holocausto que após contar sua história de vida mostra que as pessoas que passam pelas nossas vidas sempre deixam algum tipo de marca - uma vez que ele sofreu tanto com isso na época da Grande Guerra, de pessoas que iam embora e deixavam algo em sua alma.

Depois que o filme termina, Giovanna se pergunta que sensação é essa, das pessoas que depois de participarem da nossa vida saem, e deixam não apenas um grande vazio, mas nos moldam naquele momento, nos influenciam.  E mesmo que estejam longe, carregamos algo delas dentro de nós, e não nos sentimos sozinhos. Achei até a cena final aqui, mas tá tudo em italiano.

Muitas pessoas passam pelas nossas vidas. Pessoas dos mais diferentes valores, energia, preceitos. Eu não sei... Já tantas já passaram pela minha, que não sei como encaro novas. Verdade que com grande parte das pessoas acabo tendo uma relação não muito forte, mas os que eu tenho e por ventura acabam ficando longe... Aí percebo como essas pessoas fazem uma falta. E mesmo que estejamos longe fisicamente, carregarei a todos dentro do fundo do meu coração.

Não sei porque, lembrei disso que escrevi. Ai, ai!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Um mês formado.

Não é exatamente um mês. O dia 15 de junho ficará marcado na minha memória pra sempre.

Em março, quando fui pro interior, em pleno carnaval com um Mac na mão, e na outra livros pra fazer meu TCC, decidi ali que seria o último dia que faria a barba. E deixaria ela crescer até que tudo da monografia acabasse. Ontem depois do banho, me olhei no espelho, peguei o prestobarba e tirei ela fora.

Nem eu lembrava mais como eu era sem barba. Cinco meses barbudo.
Também não sei porque resolvi tirar fora justo ontem. Tanta coisa passou, não?

Não deu nem mesmo um mês e tenho dois grandes questionamentos. O primeiro é: Será que vou ficar burro sem ir pra uma faculdade?

Já trabalhei com muitos retardados com pós graduações. Pessoas encostadas, jovens afim de apenas ganhar dinheiro e achavam que tinham estudado demais. Gostaria de ser um Heródoto Barbeiro, com umas 40 faculdades nas costas. Não pelo currículo, não pra exibir. Mas pelo simples prazer que o conhecimento traga.

Eu via essas pessoas, muito burras e com um diploma em mãos e pensava se eu seria assim no futuro. Se me acostumaria a ganhar algum salário comum, se acostumaria a ver o tempo passar e meus filhos crescerem, se ia ter preguiça de aprender algo novo ou dar um update na carreira. Independente dos motivos que venham a aparecer como pedras no caminho.

O segundo é: o que o futuro me reserva?

O que vejo é um mar de dúvidas, de interrogações. Não que nunca foi assim antes, mas agora é mais. Tanta coisa passou, tantas pessoas passaram e foram embora, tantas outras apareceram e muitas aparecerão. Deixar a barba crescer foi apenas um símbolo de um pedaço da minha vida, um pedaço frustrante, difícil mas ao mesmo tempo recompensador.

Como será que estarei daqui a, sei lá, dez anos? Quando terminei o colegial tive essa mesma dúvida. Hoje vejo que exatamente a mesma sensação voltou hoje. Quando olho pra trás, vejo tanta coisa que aconteceu, tantas pessoas que conheci, que não imaginava que tanta coisa aconteceria em seis anos.

Tenho muitas dúvidas acerca dos anos que virão, e por mais que tentei encontrar uma resposta, somente encontro uma: Siga em frente, e veja o que irá acontecer com meus próprios olhos.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Enfim, o portfólio!

Ah... É um saco fazer portfólio. Ficar arrumando tudo de coisa bacana que se tenha feito há anos e organizar tudo. Fazer as imagens pequenas, as ampliações, tirar screenshots, achar arquivos naqueles backups que são mais velhos que a vovózinha...

Mas, saiu!
Visitem.

(na parte de webdesign tem todos os 32 layouts do blog! PORRA, nem eu imaginava que já tinha passado dos trinta!)

Overture - Parte III - Aquele que bate a porta.

A campainha havia tocado. Émilie foi atender. Viu um garoto, com um cachecol preto maior que ele, uma boina preta, vestindo roupas por causa do frio e muitas malas. Um carro estava indo embora, parecia um táxi. Os dois se entreolharam por um instante, tentando entender quem era quem.

"Pardon?", disse a donzela, "Nous ne donnons pas l'aumône pour les enfants!!".

Talvez acima de sua superioridade francesa pensasse que aquele garoto era apenas um pedinte. O garoto permanecia parado olhando pra ela sem entender uma palavra que dizia. Passou alguns segundos e Arch desceu as escadas.

"Al! Enfim chegou, garoto! Entra aí, nossa, como você cresceu. Vamos, saia do frio.", ele disse, todo empolgado erguendo o garoto que permanecia com cara séria, "Émilie, préparer une soupe pour nous? Puxa, estou tão feliz em vê-lo novamente! Me conte, como vão as coisas do outro lado do mar? Como foi a viagem? Papai e mamãe estão bem?".

Os dois começaram a ter altos papos na sala. Arch, empolgado. Al, por sua vez, respondia tudo com monosílabos, sério, sem expressão.

Não era uma casa de ricos - a vida real é bem menos glamurosa que nos contos. Émilie vinha de uma família abastada, já Arch mal tinha onde cair morto. Mesmo assim os dois se davam bem, mesmo Émilie tendo gostos e anseios que iam muito além do que a conta no final do mês suportava. Não tinham uma mansão, mas tinha um teto para dormir. Émilie sempre tinha que pedir uma ajuda ou outra pra sua família, que sempre reprovava o seu relacionamento com o rapaz.

Enquanto isso o trabalho de Arch ia melhorando cada vez, ganhando prestígio e sendo reconhecido pelas mais altas organizações do país. Eles queriam ele lá, 24 horas por dia, 7 dias por semana, e ele teria que abdicar de tudo. Porém ainda tinha Émilie, e agora, Al.

Esse era o maior medo de Arch. Sozinho, longe de família, de amigos, de todos, ele conseguiu reconstruir sua vida, e exatamente aquilo que ele menos dava valor quando adolescente - que era a família - agora via que estava dentro de uma. Da sua família, junto com a mulher da sua vida e seu irmão mais novo. Tudo parecia encaixar-se bem, as engrenagens unidas juntas estavam em uníssono. Mas... Até quando?

sábado, 2 de julho de 2011

"Paz" não é um conceito nascido no ser humano.

Estava jogando Metal Gear Solid - Peace Walker, pra PSP, estou levando uma surra (o jogo é difícil!) e existe uma personagem no jogo chamada Paz Ortega, uma menininha de cabelos louros e olhos claros, de ascendência espanhola, que é pacífica - não apenas no nome.

Em uma das cenas do jogo ela diz que a paz não é um estado natural do ser humano. Ela deve estar na vontade do ser humano para que ela exista, pois o natural do homem é batalhar, matar, ferir o outro.

Para atingir a paz, devemos criá-la dentro de nós mesmos. É o que ela diz nessa cutscene.

Acho que talvez não seja apenas um característica do ser humano ou da sociedade, mas sim de qualquer ser vivo. Guerrear, machucar o outro é algo imperativo para a natureza de qualquer ser humano, aparentemente.

Provavelmente ao falar na palavra "violência" pensamos instantaneamente em bandidos, em criminalidade. Mas ao mesmo tempo tratamos eles com violência, afinal taque a primeira quem nunca quis "matar" alguém que o tenha assaltado. Nem que seja dar-lhe uma surra, ou dar um sermão. Criamos prisões, achamos que trancá-los dentro de uma prisão é o correto, queremos mais polícia nas ruas quando eles acabam sendo vítimas da sociedade humana, que é violenta, que acaba com sonhos, com anseios e com uma vida digna.

Algo como, assistem um filme da Disney que diz pra acreditar no sonho, e vêem que quase ninguém consegue atingir sonhos, que isso é utopia, impossível, e esse é um tipo de violência também... só que legalizada. Manipulando vontades, criando estereótipos de comportamento enquanto observam que a realidade em torno de si mesmos seja totalmente diferente.

Talvez assistem na tevê aquela pessoa que vai dar depoimento por ter saído das drogas, da violência e vencido na vida e vê que pra ele talvez isso esteja muito longe. Será que esses exemplos podem ser considerados ao mesmo tempo uma violência também?

Estou com uma cachorrinha de alguns meses de vida em casa, ainda é uma filhotinha. Ela morde a todos, de brincadeira. Afinal, o que seria a mordida, mesmo as engraçadas, como um ato de violência, uma violência que foca a sobrevivência. Pense bem, observe aquele assaltante que rouba sua bolsa na terça-feira, e veja o gerente do local onde você trabalha que despede a pessoa na quinta-feira. Você vê alguma diferença?

Uma luta pelo mais forte, a lei da floresta, o ser humano tenta ser um bicho pensante mas... não consegue jamais negar sua natureza de bicho do mato. Criamos carros com tecnologias incríveis, mas ao mesmo tempo ainda acreditamos que bandidos merecem ficar encarcerados igual animais, ou então que deveríamos nós mesmos dar uma lição deles na base de safanões.

Abaixamos a cabeça para a intolerância e para a tolerância, achamos que os bancos nos cobrarem juros altíssimos é correto, pensamos que o método que colocamos nossos representantes no poder seja o melhor, pedimos paz para Israel e a Cisjordânia enquanto brigamos com o cara que está te encoxando no ônibus.

Paz não é um estado pleno do ser humano. Ela deve ser criada. Mas pra ela ser criada, o ser humano deve deixar sua parcela de animal de lado. Mas será que isso é possível?

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