quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O que diabos eu curto ouvir?

Hoje na vinda ao trabalho me deparei com mais um dos milhares de questionamentos internos que tenho. Eu ouço todo raio de música, dos mais diferentes estilos, países, ritmos ou gêneros. Sei cantar desde Luan Santana até Frank Sinatra.

Não me considero consumidor voraz de músicas (daqueles que tem meses de duração de músicas no iTunes), mas sou um cara sem preconceitos, gosto de pensar no "lado bom" de todos os estilos, desde o rock, até Calypso. E acredite! Até Calypso tem seu lado bom.

Fiquei pensando o que eu como indivíduo gosto. Primeira opção, óbvio, foi meu grande ídolo Michael Jackson, que me acompanha desde pirralho. Suas músicas ainda embalam bastante a minha vida, e acho que ele entraria bastante em uma eventual trilha sonora minha.

Gosto muito dos japoneses do Dir en grey, metal pesado, gritando contra a sociedade e tal. Gosto de pessoas questionadoras, de preferência fora das "modinhas", como Zé Ramalho, grande filósofo paraibano! Gosto do romantismo de Roberto Carlos, que tem algumas letras que, pasmem, me fazem chorar (destaque pra "As canções que você fez pra mim").

Brasileiros que encabeçam a lista, fico com o vozeirão de Maysa, a perspicácia de Nara Leão, a musa da Bossa nova, os tropicálias Tom Zé, Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil, gosto muito da Elis Regina também, uma mestra e Cássia Eller, que também tem algumas letras que me emocionam profundamente.

Sou fã dos Beatles, mas vou ser sincero: amo ainda mais Elvis Presley. Consigo imitar muito o tom de voz dele! Prefiro o John Lennon do que o viadinho do Paul McCartney. Ainda nos orientais, gosto da Ayumi Hamasaki, BoA e Jolin Tsai, japonesa, koreana e chinesa respectivamente.

Sou fã de muitos mortos, como Jim Morrison do The Doors, Jimi Hendrix, Amy Winehouse e Janis Joplin. Gosto do Geraldo Vandré (e não! Ele não canta apenas "Pra não dizer que não falei das flores"!). E por aí vai.

Acho que valeu o exercício de reflexão!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O fim do mundo ficará pra 2014.



Quando estava voltando do Festival do Japão, lá na fila pra pegar o Terminal Capelinha no metrô Jabaquara, vi uma menina conversando com alguém no telefone, dizendo que estava no metrô Jabaquara, e que nunca tinha ido lá.

Pensei eu: Onde diabos essa menina mora se nunca esteve no Jabaquara? Deve ser na Zona Leste, Carapicuíba ou Tangamandápio, só pode! Puxei conversa com ela e descobri que ela morava no Capão Redondo, e ia pegar o Capelinha exatamente por que o terminal é no Capão.

Fiquei abismado com isso. Morar na zona sul e não conhecer o Jabaquara. Continuei a conversa e ela disse que só estava lá porque nunca tinha andado de metrô também. NUNCA, e ela parecia ter uns 25 anos, no mínimo.

Li agora pouco que depois que as novas estações da linha amarela foram inauguradas vai aumentar bastante o número de usuários, mais 250 mil a mais pra pequena malha metroviária paulistana. Pensei eu com meus botões: imagina só quando inaugurarem o resto da linha lilás? Só naquele pedaço de Jd Angela, São Luiz, Capão Redondo e Campo Limpo devem ter 1 milhão de pessoas pra apenas três ou duas estações na região.

E com o transito cada vez pior, a melhor opção será o metrô - mesmo que entupido de gente.
Pois é, o Pandemônio será em 2014, quando inaugurarem o resto da linha lilás, e não em 2012!

sábado, 27 de agosto de 2011

Ali era apenas eu e você.

E lá estavamos nós. Todos já tinham ido embora. No carro apenas nós dois, conversando, andando pelo centro de São Paulo, noturno, deserto.

Rua Senador Feijó. Do lado direito o Anhangabaú, do lado esquerdo a 23 de maio. O carro havia parado bem no cruzamento, na frente da velha escola de direito. Tentamos puxar algum assunto, mas era tarde demais. O silêncio imperou, nossos rostos se aproximaram e nos beijamos.

Éramos só nós dois, um garoto e uma garota, despertando para a vida os amores, as paixões. Naqueles minutos em que ficamos o mundo lá fora não importava, e mesmo aquele centro da cidade velho, podre e fedido se transformava facilmente no cenário mais romântico de todos dentro daquele carro.

Mas não por causa dos fatores externos, mas porque naquele momento era algo tão simples, tão inocente, tão puro que naquele momento nós dois tínhamos tudo o que precisavamos na nossa frente: apenas nós dois.

Nada de planos futuros, de estabilidade, de dinheiro, de carro do ano ou um apartamento na esquina do trabalho. Um sentimento nascido da coisa mais simples, o desejo de amar do ser humano, e de ser amado.

Dentro alguns dias isso já vai fazer uns seis anos que aconteceu.
Tanta coisa mudou, certo?

Acho que nem somos mais os mesmos de seis anos atrás.
Mas ficou a boa lembrança, acho digno. =)

Momento de recaída? Não! Apenas estou sendo saudosista.
Essas lembranças cultivadas que nos fazem ver que não passamos desapercebidos pelo mundo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Passeata pela paz.

Acabei de ler uma notícia intrigante. Moradores da região do Morumbi estão organizando uma "passeata pela paz", pois sua região recentemente anda sendo alvo da violência que temos todos os dias.

Eu sou uma pessoa que acredita que violência não se combate com violência. O que os moradores mais reclamaram nesse artigo foi, primeiramente da falta de policiamento, afinal a polícia tem que repreender, dar segurança e prender meliantes, na concepção deles.

A segunda coisa é que os imóveis estão desvalorizando, e as pessoas que moram lá não querem trocar de residência exatamente por terem pago o triplo de um imóvel médio paulistano. Logo, a ideia deles é exatamente fazer uma passeata pela paz, cujo cartaz é esse.

Sabe, é lindo dizer que quer fazer uma passeata pela paz quando de um lado temos pessoas vivendo em condomínios de luxo e do outro temos Paraisópolis, uma das maiores favelas da capital. Ambas as pessoas trabalham dia após dia, têm que matar um leão por dia, mas um continua miserável enquanto o outro consegue subir na pirâmide social do consumo e glamour.

Eu não tenho dinheiro, mas fico pensando o que essa galera faz com seu dinheiro. Aposto que, se alguns desses moradores elitistas do Morumbi quisessem, juntavam um pouco de cada, e bancavam uma urbanização de Paraisópolis por eles mesmos. A ganância de uns se prova como o fator que faz com que eles acabem sendo alvo da mesma violência que praticam. Algo como: nós podemos viver nesse prédio luxuoso, vocês não. Mas esses "vocês" podem praticar a (talvez única) violência de volta que seja isso.

E aí a resposta é exatamente essa, a droga da passeata que mudará nada. Alguém cobrou as autoridades, ou fez algum multirão, ou deu alguma ideia que de fato irá mudar a situação de miséria do povo das favelas? A resposta é... NÃO! Porque gasta dinheiro (quem tem dinheiro não gasta!), porque gasta tempo (suas empresas valem bilhões), porque usar repressão contra violência parece uma solução cabível pra eles, quando a solução NÃO é essa!

Custa muito uma vida digna? Custa a sua segurança, moradores do Morumbi.
Sem mais, meretíssimo!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ainda ontem, chorei de saudades... de novo!


Como eu sou um lixo sentimental! Puta que o pariu, nem pareço homem chorando desse jeito! Merda.

Cheguei em casa a Meggie, a cachorrinha filhotinho chegou pulando em mim de saudades como de costume. Fiquei o dia inteiro preocupado com ela, afinal não haveria ninguém em casa o dia inteiro. Minha mãe já estava aqui.

Peguei um livro e fui ao banheiro, e lá chorei pra caramba. Mas não sei o motivo, simplesmente chorei. Fui sentindo um peso enorme indo embora, mas ainda me pergunto da onde veio tamanho sentimento. Comecei hoje num novo emprego, mais perto, sem precisar andar de roupa social, num local bacana... Não teria motivos pra chorar.

Não sabia da onde vinha as lágrimas, e comecei a buscar dentro de mim da onde vinha. Acho que achei.

Acho que pintou uma saudade do emprego antigo, na Fundação Abrinq. Uma saudade estranha, afinal fui demitido no começo de Abril, e já estamos na porta de setembro e parece que só agora que "caiu a ficha", sei lá. Novas amizades, novos desafios, muita vontade de dar certo mas mesmo assim... Sem aquela galerinha pra dividir as emoções e anseios do dia-a-dia. E meio que só "reparei" dessa falta hoje.

Deve ser falta de costume. Logo logo passa, já senti um alívio imenso depois dos copos de lágrimas que deixei no banheiro. É isso aí galera, a vida continua. Afinal, já passei por isso antes, deve ser apenas uma coisa do momento.

Full stream ahead!!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Os muitos "eu".

Quando estava na sétima série uma professora tinha se espantado com o que sabia fazer. Dança, teatro, desenho, além de ser impecável em todas as matérias (menos Educação física).

No meu trabalho antigo o pessoal brincava dizendo que eu era a única pessoa com capacidade de fazer o trabalho de qualquer pessoa do prédio e, as vezes, até possivelmente melhor, devido a um "vasto conhecimento" que eu tinha, uma vez que eu conseguia conversar dos mais diversos assuntos com as mais diferentes pessoas.

E mais recentemente, uma grande amiga do templo, me fez uma pergunta: "Alain, o que você NÃO sabe fazer, já que você faz tudo?".

Fiquei pensando, e respondi que não sabia fazer tricô. Via sempre minha mãe com uma habilidade incrível no tear, e nunca entendia como um punhado de fios virava uma manta, apenas por estarem entrelaçados num formato específico!

Eu, desde pirralho, sempre tive uma visão meio estreita das coisas, uma visão superficial. Por exemplo: Sabia que os aviões voavam, mas não entendia porquê  ele andava rápido na pista e empinava do nada. Pensava que dentro da gente era uma bolsa de sangue grandona, nunca imaginei que existia órgãos.

Não sei se todas as pessoas eram assim, mas quando descobria a verdade sobre uma coisa, aquilo me fazia memorizar aquilo de tal maneira para que eu nunca mais tivesse essa dúvida.

Foi assim que hoje entendendo coisas como: "Como aviões voam?" ou "Pra que servem os órgãos?".

Mas não acho que seja lá uma pessoa tão "sabida" como meus amigos sempre brincaram. Ainda estou engatinhando, e é um círculo vicioso que me deixa inquieto, me sinto uma pessoa doente. Não consigo ficar com uma dúvida, e quanto mais dúvidas eu sanar, mais questionamentos aparecem, e como não consigo ficar em dúvida vou atrás e aí continuo preso nesse círculo vicioso a vida inteira, sobre os mais diversos assuntos, e inclusive sobre coisas que dificilmente farão alguma relevância na minha vida!

Por exemplo, onde diabos vai ser importante pra minha vida saber que, sei lá, o funcionamento de amplitudes de ondas, desde raios beta até raios-x? Mas sei lá, eu sei como funciona.

Mas quanto mais dúvidas eu tiro, mais eu vejo que sei de nada. Parece clichê copiado de Sócrates, mas é verdade, quanto mais eu busco respostas, menos respostas eu acho e mais perguntas eu me faço.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma presença feminina para minha mãe.


Mamãe sempre foi rodeada de homens. Ao menos na minha geração, 90% somos todos homens. Irmãos, primos, tios, filhos... Minha mãe sempre conviveu bem numa casa onde até mesmo os cachorros eram machos.

Porém, mesmo minha mãe sempre preferido ter tido filhos homens, ela nunca teve alguém do sexo feminino da família para que ela criasse e desse carinho. Até que chegou a Meggie.

Tudo bem que é uma cachorrinha, filhote, mas dá pra ver a felicidade da minha mãe em encontrar e tentar ser amiga de alguém que é feminina como ela. Esses dias comprou um vestidinho para ela, coisa simples, a decorou como uma princesinha, e chamou-a de "princesinha da mamãe".

Não vou negar. Como somos todos homens, ela se acostumou a alguns machismos que são até inocentes, como nunca perceber que pintou/cortou/penteou o cabelo, se vestir rápido, esquecer a tampa do vaso, entre outras coisas, mas quando a vejo junto da Meggie, ela a tratando como uma filha que ela nunca teve, me faz pensar se, talvez se tivessemos uma irmã de verdade mesmo, ela talvez se encontrasse em algum momento.



Mamãe é piscina. Quer alguém mais feminina que alguém nascido sob o signo de peixes?

Claro que somente ter filhos homens foi bom pra ela em muitos quesitos, mas acho que poderia balancear, pois o carinho de menina que ela tem pela cachorrinha é muitas vezes similar ao da menina que ela nunca teve. Acho lindo isso!

sábado, 20 de agosto de 2011

Por uma arte mais humana e talentosa.

Estou retomando meus estudos sobre arte aos poucos. Como eu adoro revivals, fiz uma coisa que nunca fiz na vida: começar a estudar arte do começo. Lá fomos nós de volta ás cavernas de Lascaux, passar pelo Egito, Mesopotâmia, Creta e Micenas e Grécia.

Na verdade eu sou um grande fã da arte bizantina/romanesca, exatamente na temida "Era das trevas" que muitos dizem que foi um período sombrio da História da Humanidade. Bullshit. Na Idade Média teve uma produção excelente, de grande qualidade, e isso porque era um período cabuloso (compreende desde a queda do Império Romano, em 476 até o renascimento, por volta de 1400).

Algumas coisas a gente reflite. Primeiramente é que se a gente for estudar a fundo a democracia ateniense e a república romana, existem muitas coisas similares aos dias de hoje. Tanto hoje como antes vivíamos numa sociedade do sexo, da miséria de muitos e riqueza de poucos, cenários de guerras, chacinas urbanas, a coisa não mudou tanto. As vezes até piorou.

Mas a parte que eu mais gosto de estudar era o declínio do Império Romano. Como um império tão forte sucumbiu de uma maneira tão desastrosa, fazendo com que toda a arte, pesquisa, evolução tecnológica, filosofia e valores fossem simplesmente jogados ao lixo e empurrados depois com a barriga pro feudalismo. Vamos lembrar que as pessoas viviam nas imensas cidades romanas, viviam bem, aí um belo dia ocorrem saques, massacres e tudo o de ruim, fazendo com que seus líderes e mais ricos se refugiassem no mato, criando os feudos. Logo, toda essa riqueza cultural foi perdida.

Quando eu era moleque pensava se isso seria possível acontecer nos dias de hoje. Na verdade esse perigo está bem próximo de nós, só ver a Revolução Cultural de Mao Tsé-tung na República Popular da China. Mandar matar todos seus grandes pensadores e formadores de opinião fez o país retroceder demais, e talvez até hoje eles paguem o pato por isso. Imagina só, se a Revolução Cultural não tivesse acontecido, provavelmente a China já teria se tornado uma potência há muito tempo.

Enfim, algo para se pensar! Mas quando eu comecei a estudar História a fundo (isso em 2006), pensava nessas possibilidades.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Patrícia



Nome estranho pra uma cerveja boa mas... Estranha.

Surgiu em meados dos anos 50 no sul de Minas, pela empresa Salus. "Salgada" é a melhor definição para uma cerveja dessas. Tem uma cor bonita, uma espuma interessante, mas depois de beber fica um gosto ferroso na boca.

Antes que alguém diga que sou contra cervejas brasileiras, bullshit! Eu bebo todas, e a Dado Bier e Baden-Baden superam e muito as marcas conhecidas lá de fora. Combina com churrasco, eu achei. Talvez exatamente por esse gosto seco do final. Mas desce bem, parece até um pouco docinha, mas o lúpulo é meio forte.

Mesmo assim, vale o copo! Excelente.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Raiders of lost job

Bom, já que o Parceiro do SP não deu em nada, vamos lá que a vida continua. Desde que recebi a notícia na quinta, peguei e enviei pra trilhões de lugares meu currículo e portfólio. Só pra vocês terem uma idéia da minha caixa de e-mails enviados.


Tenso! Obviamente esses que estão censurados não são e-mails pra emprego. Isso tudo foram vagas, isso sem contar meu cadastro na Catho, em outros sites de emprego. Vamos lá, vamos ver no que vai dar...

Sério mesmo, 20 empresas foi pouco, eu acho, no total. Não foi tudo por e-mail, teve algumas por sites e isso porque ainda estou me cadastrando numa porrada aqui. Bora na correria, manolo!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pobreza como elemento isolatório.



Estava esses dias pensando que grandes cabeças pensantes, que conseguiram divulgar seus pensamentos ao mundo, tinham alguma grana.

Na verdade a grana pode usar usada para manter e divulgar sua filosofia entre o mundo. Isso desde Sócrates, Maquiavel ou Locke. A pobreza pela pobreza em si talvez não traga uma riqueza de espírito tão grande quanto se ela tivesse. Logo, o dinheiro poderia comprar sabedoria? Depende. Se você tem dinheiro e não usa ao seu mérito, dificilmente chegará lá sozinho.

Uma vez no ônibus, há muito tempo, vi um casal lendo e discutindo Foucault. Eles faziam bem o estilo que queria, uma vida mais simples, mas bem atrelada ao conhecimento. Eu queria entrar na conversa, mas percebia que eles estavam muito além de mim. E não pareciam ter dinheiro, parecia que tudo o que tinham no mundo cabia naquela grande mochila de acampamento que eles pareciam carregar pra cima e pra baixo.

Mas mesmo assim, será que essa vontade em ler Michel Foucault e conhecer tão bem a obra dele veio de um ímpeto, de um insight? Dificilmente. Com certeza alguém comentou com eles. E esse alguém era alguém mais letrado, mais hábil.

Fico pensando nessa molecada daqui da onde moro, na periferia. Suas vidas muitas vezes se resumem a buscar uma "mina", ter uma moto, um emprego como operador e só. Eles não tem alguém nessa vida que os faça ter sede pelo conhecimento, pela sapiência, pela clareza. Sócrates dizia que a filosofia poderia servir a todos de alguma maneira, mas somente uma pessoa não pode ser eventualmente a carroça que puxa a todos. É muita carga em cima de uma única pessoa.

Não é porque se é pobre que deve ser acomodado. Mas sair dessa zona de conforto depende de fatores externos, de pessoas que não estejam na zona de conforto e de alguma forma plantem uma semente nessas pessoas, que a façam começar a refletir o seu mundo.

Vamos comparar a periferia londrina com a periferia paulistana. Lá existem as mesmas coisas, polícia para todos os negros, as vezes usa de uma abordagem um pouco agressiva, pessoas vivem isoladas e com emprego difícil, e quando conseguem tem que conviver com outras dificuldades, porém o londrino que mora no subúrbio médio tem muito mais estudo que talvez até mesmo um brasileiro alto tenha. Quero dizer que, entre os milhares de habitantes da periferia londrina, algumas centenas conseguem esse "despertar" e olhar e refletir sobre seu entorno.

Enquanto na periferia paulistana, dificilmente isso acontece. E essas pessoas organizam mesmo manifestações, depredam locais, batem em policiais e instauram um período de reinvidação do que querem.

Veja as manifestações quando políticos corruptos fazem algo. Quem manifestou? Ricos. Grande parte dos comunistas são o que? Ricos. Entre outros tantos exemplos de pessoas que usam seu dinheiro para buscar uma cultura que ia além do isolamento do seu meio, ia atrás de um conhecimento que causasse uma reflexão deles para explicar o mundo a sua volta.

Por isso que, uma periferia paulistana vive em situações muito piores que a da inglesa, mesmo assim, dificilmente age com manifestações. Muito errado isso.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Crença no amor.

Essa conversa aconteceu há alguns meses, foi com um amigo meu.

"Eu estava esperando o momento certo, mas não rolou...", ele disse.

"Entendo. Mas o que seria esse momento certo? Vocês nem mesmo ficaram sozinhos nunca?", eu perguntei.

"Até ficamos. Mas eu queria algo romântico, uma situação com isso estaria perfeita", ele respondeu.

Por um tempo fiquei olhando pra ele, depois olhei pro horizonte. Fiquei refletindo. Não sei porque diabos eu me vi como era há um tempo atrás. Naqueles tempos de adolescente, que eu era apaixonadinho pelas menininhas. Naquele tempo tinha um amigo, que era um grande comedor, mas tinha a cabeça no lugar.

Ele dizia que sentia falta do tempo em que ficava sonhando com a garota, pensando em planos, o que ela estaria fazendo. E naquele época ele me via assim com as garotas e dizia que sentia falta desse sentimento.

Dessa vez, os papéis haviam se invertido. Eu que sempre repudiei a visão dele na época, agora eu era mais frio, sem essa crença no amor.

"Olha cara, eu não acredito em romantismo não. Mulher não gosta de romantismo, isso é um mito que inventaram em filmes. É algo que é idealizado por elas, mas elas nunca vão dar bola pra um romantico, isso é um mito. Digo isso porque eu já fui já um romântico, e sempre quando dava flores, era educado e atencioso, nunca rolava nada. Jamais. E amigo não dá beijinho, nem come a bundinha", eu respondi, seco.

"Nunca?", ele olhou pra mim, com um resquício de esperança.

"Nunca, desencana", eu disse.





Pausamos por um minuto.

"Escuta... Você acredita em amor?", ele perguntou.

"Não", respondi sem hesitar.

Mas naquele momento fiquei pensando. Vi ele cabisbaixo, parece que sua moral com as mulheres estava caindo quando contei pra ele a verdade sobre "homens românticos". Eu acho que na verdade queria que alguém tivesse me falado isso antes, como eu estava fazendo com ele. Mas enquanto falava essas coisas pra ele eu via que provavelmente não era isso que queria.

De alguma forma queria conviver com aquela minha verdade e seguir a vida. Não queria que alguém me desse um chacoalhão desse jeito. Foi um baque. Vendo que ele estava mudo depois, continuei:

"Escuta... É difícil acreditar em alguma coisa que você nunca tenha visto. É como Deus, sei que você é ateu, mas a gente precisa sentir Deus com a gente pra acreditar. Mesmo que todos os outros falem que ele existe, eu só passei a acreditar quando senti ele junto de mim algumas vezes. Amor é a mesma coisa, eu nunca senti na vida, não tenho como dizer como é, se é bom, se é isso ou aquilo", completei o pensamento.

"Mas nem nos filmes, cara?", ele persistiu.

"Filmes só focam em paixões. Filmes só mostram que o objetivo do cara é dar um beijo na mocinha, mas o 'E viveram felizes para sempre...' que vem depois que é o verdadeiro amor, que nunca é mostrado. Talvez porque esse amor mesmo seja uma coisa muito grande, impossível de ser mostrada num filme porque...", ele interrompeu.

"...Porque dura um grande tempo", ele completou o pensamento.

"Na verdade... Eu queria dizer que as vezes independe do tempo. Pode ser muito intenso e parecer que durou uma vida inteira", fechei a reflexão.

domingo, 14 de agosto de 2011

Licença poética.

O filme 007 contra GoldenEye foi o primeiro de James Bond que vi. Embora não seja lá o meu favorito, tem um espaço grande no meu coração. Acho que o assisti umas duzentas vezes, e não estou exagerando! Sabia os diálogos de cor, era engraçado.

Normalmente para uma adaptação de games, o filme deve ser adaptado para o game. Vou me basear no filme (GoldenEye) e em dois jogos homônimos para o Nintendo 64 e Wii (1997 e 2011), chamado GoldenEye 007.

Primeiro, vamos a cena da Facility do filme GoldenEye, de 1995 (considere até os 4m, depois é outra fase).


Depois, vamos ao jogo GoldenEye 007, produzido pela Rare, lançado em 1997 pro Nintendo 64. A mesma cena.



Por fim, a última adaptação, o remake (remake totalmente diferente é ainda um remake?) para o Wii, produzido pela Activision (a mesma do Call of Duty) e lançado em 2011.



Diferente, né? A versão pro Nintendo 64 tinha até que algumas cenas a mais, mas não saía muito da ordem do filme. Já o remake pra Wii fez algo bizarro, inverteu a ordem, colocando Bond conhecendo o Alec/Janus antes dele entrar no trem pra matar o Ourumov e salvar a Natalya (se você viu o filme e lembra dele, não vai estranhar isso).

Porém, acho que o que é mais válido é a poética de todos eles. Veja bem os diálogos como rolam, a fluidez dos acontecimentos e das cenas, e cada vez mais os games roubam a cena dos filmes (embora os filmes tenham um charme também, diferente dos games, mas ainda têm um charme).

Ah, eu terminei GoldenEye 007 pra Wii e pra N64. Gostei de todos!

sábado, 13 de agosto de 2011

Parceiro do SP não deu em nada! =/

Haha! Eu odeio como algumas coisas aparecem na minha vida parecendo roteiro de filme pastelão!

Dia 15 de junho terminei o TCC. Apresentei, e na carona de volta pra casa fiquei pensando. Pensei sobre várias coisas, como seria a vida a partir daquele momento, com um curso superior e principalmente, como seria o próximo emprego. Foi o tempo de chegar em casa, abrir o e-mail, e ver lá a convocação pra primeira etapa do processo seletivo pro Parceiro do SP.

E fui, afinal, custava nada tentar, certo? Mas nem eu pensava que iria tão longe. Passei na primeira prova de conhecimentos gerais, depois fui pra uma dinâmica em grupo que também passei, logo depois disso rolou a entrega de um vídeo (que eu entreguei esse) que foi bem aceito e por fim uma entrevista individual lá na própria Globo.

Entre os 5 mil inscritos, fiquei entre os 5 finalistas. Já me achava um vencedor por ter chegado tão longe!

Fiquei aguardando, aguardando, aguardando e nada. Empresas até estavam me chamando pra trabalhar, mas pedi um prazo pra elas que... Acabou hoje! Recebi hoje a informação que não deu pra entrar na Globo, infelizmente!

Ah, paciência. Fiquei muito triste, quase chorei. Ainda estou digerindo isso (estou escrevendo isso no dia, mas foi hoje, dia 11 de agosto que recebi, mas vou postar isso mais tarde) mas a vida é assim. Seria um sonho ser o porta-voz da minha comunidade, trazer melhorias, mostrar a cara dele pro resto da cidade ou quem sabe para o mundo. Mas... Não deu! Ficamos na vontade.

Mas obrigado a todos pela força e pela torcida! =)
Agora, bora mandar curriculos!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Metrô é realmente a solução?



Eu adoro me contradizer. Sério! Prefiro eu me contradizer do que outra pessoa (tô brincando!).

Meu último vídeo de cobrança das autoridades do nosso Brasil diz respeito ao mito urbano de que metrô é o método definitivo de se andar em São Paulo. Saí do metrô Capão Redondo e meu alvo era a região da Liberdade. Só que o desafio era apenas ir de metrô.

Pode parecer rápido, mas levei 1h43m pra cruzar essa cidade de merda que eu tenho tanto ódio de viver preso aqui. =(

Foram nada mais, nada menos que 20 estações. Será que o metrô realmente ajuda? Algo questionável. Considerando que levei 1h43 pra chegar no centro de São Paulo, e metrô não pega trânsito, esse tempo seria praticamente sempre o mesmo todos os dias.

Mas cara, são duas horas pra ir, duas pra voltar. E eu ainda moro dentro da cidade! Esse tempo pra alguém que mora no ABC, ou em Mogi, ou em Caieiras, até entendo... Mas São Paulo exclui demais as pessoas desse jeito. Isso é inclusão social, coisa básica, e o transporte coletivo tem papel fundamental aí.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Redes entre mais redes.



Redes sociais é uma febre que continua forte. Eu demorei bastante pra entrar no Orkut, pensei eu que não gostaria de demorar na mais nova empreitada da Google, o Plus.

A internet acaba sendo um grande conglomerado de coisas pequenas, e poucos grandes monopólios. Google, por exemplo, como no vídeo acima tem um grande domínio em grandes serviços. Difícil dizer quem não vive com uma conta Google. Era como nos tempos de Hotmail, onde havia o chat, comunidades e e-mail. E todos achavam o máximo ter "aquilo tudo de graça".

Ao mesmo tempo quando falo isso, estou também na perspectiva de um designer. Afinal, muita gente ainda nem mesmo tem um Gmail, usa a internet apenas pra acessar o Orkut, ou coisas mais simples. Ou, ás vezes na correria do dia-a-dia, nem mesmo isso.

Usar mesmo, ainda estou apenas no Twitter e Facebook. Estou indo pro Plus pois gostei bastante dele, e... Veja só, ele tem espaço para crescer e aprimorar, coisa que o Facebook não tem. Virou um canteiro de joguinhos. O que no começo dele era a maior novidade, hoje já meio que cansou. Claro que muita gente acessa e joga, mas as pessoas cansam das coisas, cedo ou tarde.

Mas ao mesmo tempo que tem um público ávido por novidades, existe também o público que é mais conservador. Uma prova é a aceitação negativa do novo Orkut, desenvolvido por brasileiros. Muita gente que conheço usa aquele orkut no visual antigão, com menuzinho aqui e acolá. Eu sou um grande defensor do novo redesign do orkut, mesmo que ele dê muito pau. Porém, assim como o Facebook estacionou nos joguinhos, o Orkut quando foi redesenhado parecia algo próspero, pronto a decolar.

O que aconteceu? Se encheu de aplicativos 'inúteis', pra baixar filmes, músicas ou falar que você torce pra algum time de sexta divisão do futebol nacional. Só. Uma pena! Eu gostava do Orkut.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Superação.

Bom, pode parecer clichê... Mas não é!

Que subimos montanhas sempre, mas todos nós somos heróis por prosseguir no dia-a-dia.

Cada um do seu jeito, na sua capacidade, a gente acaba renascendo, revivendo, reinventando e seguindo em frente. Acreditamos num futuro melhor e trabalhamos no presente pra conquistá-lo.

E mesmo passando por dificuldades a gente raramente fala sobre elas, certo?

Esconder nossos problemas a gente acha que é difícil. Mas, mais difícil ainda é falar sobre os seus problemas. Isso sim pra se fazer tem que ser forte. Muito mais forte do que alguém que esconde, é alguém que tem coragem de falar sobre.

Portanto, está registrado minha torcida por você, cara Katia Gama na sua luta contra o câncer! Você vai conseguir, tenha empenho, estamos torcendo por você!

E segue aqui o depoimento dela. Vale dar uma lida.

E quem puder, divulgue. Não precisa ser pessoas que estejam passando pelo mesmo, acho que é válido pra qualquer pessoa, mandando boas energias.

Uma vez li um livro do Dráuzio Varella, livro chamado "Por um fio". Nele, tem uma passagem do livro que ficou memorizada na minha cabeça. Vou dividir aqui rapidinho:

A questão é: como eu, como ser humano, vou ser feliz hoje o suficiente pra não precisar passar por uma doença pra dar valor a essas coisas pequenas no tamanho e grandes no coração? Esse é a grande questão que o Dr Drauzio levanta no livro.

Dar valor ao hoje, viver um dia de cada vez.

Algo pra se pensar.
Katia, estamos contigo nessa luta! =)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Crianças precoces.

Uma vez no meu curso de inglês, eu lá, com meus 17 anos, os alunos todos com essa média de idade. O professor tinha uns 35 anos, outra geração, outra criação e outro mundo. Estávamos fazendo um exercício no livro, e não lembro como, mas perguntamos pra cada um quando deu o primeiro beijo, quando teve a primeira namoradinha.

Fiquei abismado, pois quase todos disseram que deram seu primeiro beijo aos sete anos. Garotos e garotas! E falaram que foi tudo mesmo, beijo de língua, andando junto, indo ao cinema junto, e todas essas coisitas mas.

Estranho... Comigo sempre foi muito tarde, mas era porque eu era um moleque hiper-nerd. Meu primeiro beijo foi aos 14, e foi engraçado, hehe. Ninguém queria saber do nerd gorducho na escola, as pessoas tinham medo até de encostar e se impregnar com a "nerdice", como se fosse contagiosa.

Mas sete anos... Nossa, todos já estavam se pegando e eu não sabia de nada? Como eu era inocente. Lembrei disso hoje. Será que nessa cultura do sexo, que incentiva as pessoas a fazerem cada vez mais e "melhor" não acaba incentivando as crianças (não adolescentes, tou falando de seres onde os hormônios não deviam estar tão acesos, crianças) a se iniciarem tão cedo assim?

Afinal, é no beijinho que começa a mãozinha aqui, o abrir o zíper e o "só vou por a cabecinha". Só a cabecinha não funciona, pinto não tem ombros!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Heineken



A patrocinadora oficial da Liga dos Campeões da Europa. Bom, aqui em casa nunca deixam faltar Heineken e Stella Artois. Ainda bem! Bom, eu não bebo muito, as seis garrafinhas de cada duram um mês sussegado.

Amarga. Mas pra uma Lager é mais raro ter um lúpulo tão forte. A Stellinha (para os íntimos, como eu) é beeem mais leve, gosto de comparar as duas e bebo uma ou outra de acordo com meu humor no dia. E ambas são Lager.

Mas o que eu mais gosto da Heineken é que ela é muito refrescante, mesmo sendo bem mais amarga. O amargor some na boca e depois fica uma sensação de frescor que dificilmente se encontra em outra cerveja. Uma cerveja que não dá vontade de parar de beber, logo depois que acaba uma tenho que me segurar pra não ir abrindo outra, mais outra, mais outra, mais outra...

Diga-se de passagem, fabricada no Brasil. Com a receita original! E quero destacar a latinha, com textura. Coisa única. Também a garrafinha de vidro tem vários detalhes, adesivos transparentes. Ao menos o designer da Heineken merece meus parabéns!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Scarlett O'Hara.

Scarlett O'Hara de "O Vento Levou" sempre me fascinou. Acho que é uma semi-vilã que dificilmente é vista uma igual no cinema clichê de hoje em dia. Um dos filmes clássicos que fiz questão de comprar foi exatamente o "E o vento levou...", clássico do tempo da carochinha.

Chamo ela de vilã porque Scarlett é malévola por natureza. Mas ela é malévola porque é uma mulher idealizadora, que pensa que sabe o que quer, quando no fundo não sabe. Quando eu vi mesmo esse filme foi na adolescência, e essa personagem ficou de alguma forma gravada na memória pelo que poderia fazer.

Digo isso porque cinemas são cheios de estereótipos. Bucetinhas sempre são bucetinhas, mas a Scarlett é Mulher com "M" maiúsculo. O amado dela, Rhett Butler acaba sendo um homem médio, comportamento e modos operandi comum. O destaque mesmo é pra Scarlett.

Mimada, chata, exigente e mal humorada. Além de tudo com uma dose estranha de sadismo. Uma coisa que ainda me deixa fascinado nesse filme é que o antagônico da O'Hara não é o Rhett, e sim a... Mammy! A empregada negra. Veja bem a construção da linguagem dos diálogos entre a Scarlett e a Mammy. Verá como as duas se balanceiam perfeitamente, e parece que a única opção seria se eventualmente o porte forte da Mammy estivesse no corpo do Rhett. Caso isso acontecesse não seria "E o vento levou", e sim "Casablanca".

Mas acima de tudo a lendária atriz deu vida ao personagem, o que é muito difícil. Eu gosto de comparar com as atrizes de novelas. Por exemplo, eu não vejo as personagens da Mariana Ximenes, ou da Déborah Secco. Elas sempre fizeram dois tipos de personagens na tevê, a primeira o papel da santinha que fica revoltada, e a segunda sempre papel de pobre querendo fama, sucesso e dinheiro.

Porém, eu não vejo a Vivien Leigh por detrás da Scarlett O'Hara. Eu vejo a Scarlett O'Hara em pessoa, viva. Mesmo que na pele de outra pessoa, mas lá, viva. O'Hara foi a primeira personagem feminina com vida própria no cinema. Digo isso pelos seus atos, pelas suas caretas, pelo seu tom de voz irônico e imperativo, por tudo. Um tanto masculinizada, enquanto o objetivo das mulheres acaba sendo um namorado, Scarlett foi além. Queria o mundo.

Mesmo que esse mundo seja limitado.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A sorte de quem morava pra cá da ponte.

Teve esses dias aí A Liga especial sobre o Capão Redondo. Ontem, vi esse filme.

Pobreza nunca deve ser motivo de orgulho. Pobreza traz violência, traz falta de núcleo familiar, traz desigualdade. Moro aqui, mas não me canso de ver coisas sobre - mesmo que eu continue dizendo que é complicado morar aqui. Mas mesmo assim, a gente mora. Como disse o Mano Brown, o mundo andou 300 quilômetros, nós só andamos 3.

A coisa pode melhorar.

Independente disso, várias coisas vieram na minha cabeça. E no final das contas me vi um cara sortudo. Não tão sortudo quanto um que more numa Vila Mariana, que tenha seu pai te dando um carro pra andar, um emprego grande numa empresa, mas de alguma forma sortudo.

Sortudo por ter conseguido terminar uma faculdade, por ter uma vida boa embaixo de um teto e nunca ter precisado trabalhar quando moleque, por ter uma família estruturada e educação, independente dos percalços que tenham acontecido no meio tempo.

E pensei: o que eu posso fazer? Sei lá, fiz um TCC sobre a região, estou ainda nesse começo de vida acadêmica e de trabalho, mas o que está dentro das minhas possibilidades para que eu consiga ajudar ainda mais pessoas a serem tão sortudas como eu? Será que só eu mereço, ou nossos quase meio milhão de habitantes também merecem?

Obama e Kubitschek.

Vi agora a nova do dia: Aniversário de Obama, comemorado numa lanchonete com as pessoas que o ajudou a aprovar o novo pacote de medidas para negociação da dívida ianque.

Terminei de ler ontem o livro Juscelino Kubitschek - O presidente bossa nova. Não sei porque diabos mas quando vi o Obama com a galera, lembrei do... JK! Juscelino era de fato uma pessoa simples, com um grande carisma, mas não apenas isso. Afinal, o presidente Lula também tinha muito carisma. Mas Obama se une ao JK na questão da resolução de problemas, e grandes problemas, mesmo que sacrifique outras coisas, sempre pensaram na maioria.

Afinal, tinha que ser muito maluco mesmo pra jogar a capital pro meio do país, ajudar a trazer a tevê pra américa latina e conquistar a primeira copa do mundo tudo num só mandato. Só não sei se Obama é comedor como o JK era, mesmo casado com a estonteante Michelle Obama (que no começo parecia muito antipática, mas agora, tá loco! Que saúde, meu Deus!).

Talvez nos tempos de hoje somente carisma não ajuda. Não estou dizendo que JK foi mil maravilhas no governo, faltou investimentos na educação e a grande inflação que seu governo trouxe. Assim como de longe o Obama também não está sendo um mar de rosas, mas essa preocupação com os mais pobres, o magnetismo pessoal e tudo mais parece muito igual.

Curiosamente depois do JK veio Jânio Quadros, um político muito mais sério. Assim como depois do Lula veio Dilma Rousseff, que dispensa comentários. E depois do Obama, o que virá?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mais uma crítica ao transporte público paulistano.


Parece que o governo faz de propósito. Tira os ônibus nos finais de semana pra gente ficar assistindo o Gugu no domingo. Acho que só assim pra péssima programação do fim de semana vingar: as pessoas não têm escolha.

Eu quero fazer um vídeo apontando soluções também no futuro. Por enquanto é esse que tenho pra mostrar. Eu fico puto quando pessoas não querem metrô perto de suas casas, por exemplo. A futura linha laranja, por exemplo, toda subterrânea, bonitinha, parabéns moradores de Brasilândia! Vocês merecem, um metrô é uma conquista. E parabéns pra moçada de Paraisópolis pela linha ouro!

Muita gente fala que os problemas do trânsito e transporte público em São Paulo acabam sendo os ônibus hiper-lotados, a linha vermelha (que é a mais cheia) que competem com carros onde pessoas ficam sentadas - mesmo que estejam tão paradas no trânsito quanto os ônibus. Afinal, corredores de ônibus NÃO funcionam.

Existe esse vídeo interessante, mostrando o Japão, no início da década de 90 quando era entupido os trens. Sabe uma medida que ajudou a melhorar a lotação no horário de pico? Adotarem a jornada flexível, onde nem todas as pessoas precisam trabalhar na jornadinha feijão com arroz de 9h às 18h. Claro, essa foi apenas uma delas, mas isso depende de vontade empresarial, e remodelamento da cultura do brasileiro.

Brasileiro gosta de sair do trabalho às 18h e chegar em casa às 20h pra assistir o final da novela e ao Jornal Nacional, e depois a novela das oito. Eu adoraria um emprego que eu não precisasse fazer esse horário, porque a diferença no trânsito, na lotação dos trens e em tudo mais é MUITO contrastante. Foi uma das coisas que ajudaram o Japão? Uma das. Mas pouca gente lembra que essa opção pode ser o diferencial aqui.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O que sinto na hora da corrida.

Esses dias uma amiga me perguntou porque eu corro, se desgasta tanto, cansa tanto. Na hora respondi que a melhor coisa é cruzar o pórtico de chegada. Pensando bem isso é importante, mas não é a única coisa!

Participei esses dias da Corrida Noturna da Caixa. Como ainda está fresco na memória, acho que dá pra dividir. Foram oito quilômetros, fiz em aproximadamente uma hora. Uma hora correndo, sem parar.

First things first! Corrida sempre as pessoas são mais maleáveis pra se conversar. Todos sentem-se os atletas. Bom, somos atletas, amadores, mas somos. Conversamos com as pessoas antes da corrida, vemos as bundinhas durinhas das meninas naquelas leggings (até as japinhas ficam bundudas! Perfeito!) e eu normalmente fico no pelotão do fundo, junto aos sexagenários. Motivo? Eu corro porque eu gosto, não porque quero diminuir meu tempo, ou algo do gênero. Sou um cara bem fair-play, meigo e sincero. Só me falta uma boa esposa.

Quando a corrida começa, normalmente os primeiros pelotões vão na frente correndo e dificilmente alguém começa a correr antes de cruzar o pórtico de largada. No começo a gente vai no embalo, eu fico sempre de olho no frequencímetro. Comecei a corrida margeando 75-80% batimentos cardíacos.

Muitas pessoas junto, todas correndo, isso desconcentra muito. E quando chega na marca do primeiro quilômetro acho que é o pior momento da corrida. As vezes dá um desânimo, coisa leve, por já estar um pouquinho cansado. Isso é meio psicológico, por isso dá pra ver muitas pessoas caminhando nesse momento. Nessa hora a gente segue em frente e continua!

Tinha um circuito de duas voltas. Como larguei no último pelotão, logo aquele mundaréu de gente some. Foi tranquilo dos 2km até os 4km, quando voltamos pra entrada e vai pra segunda volta. Fotógrafos fazendo seu job, tirando umas fotos, sempre ficam nessa parte da chegada.

Essa corrida especialmente ventou bastante e choveu. Eu odeio chuva. Eu transpiro muito, essas coisas dry-fit nunca funcionam comigo. E água não sai fácil do corpo, fica pesado. O peso incomoda muito, tem que se concentrar bastante. Quando cruzei a marca dos 6 km eu vi um sinalizador da ambulância ao fundo. Olhei para aquilo e pensei comigo mesmo: vou correr até chegar nele. Ele estava na outra ponta da avenida.

Sabe, corrida é assim. A gente fica humilde. Mesmo a gente que anda de ônibus, ou de carro percebe o quão nós seres humanos somos pequenos nesse mundo. Andamos a 6 km/hora. Corro entre 8,5 até 9km/hora. Um profissional não passa de 17km/hora, mesmo assim. Um carro - mesmo num congestionamento leve - anda mais rápido que isso.

A gente percebe que as coisas demoram, e não vem fáceis. Tem que ficar minutos, horas correndo pra vencer os quilômetros. E não pode desistir no meio! Tem que ter concetração daquelas de tartaruga, que mesmo que você esteja correndo, você está devagar. E devagar e sempre você vence. Vence um, dois quilômetros, vence oito, vence 21, ou 42 de uma maratona.

Marca um pontinho lá no fundo, pode ser um poste, uma árvore, um prédio e fala mentalmente: vou correr até chegar nele. Fita, se concentra, e nesse momento nada passa pela sua cabeça. Você nem sente mais as pisadas, o esforço, as dores, o suor e... nem mesmo a chuva! Essa corrida foi especial porque eu me concentrei tanto que senti que voava, que não estava mais "naquele corpo". Foi uma sensação transcedental, me senti o Jack Dawson em "I'm the king of the world!!".

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

No way to stay.

"Bom, né. É hora de ir", ela disse, suspirando.

"É! É sim, verdade", eu respondi.

Pele branca, ligeiramente bronzeada, cabelos negros e longos, uma donzela alta, que de salto mediano conseguia chegar ao meu tamanho. Esguia, segura, voz calma e um pouco grave, pernas magras.

"Parece que será uma viagem longa. Eu tava pensando esses dias. Será que a gente vai se ver de novo? É muito longe...", ela perguntou.

"Bom, não conte com minhas ligações, haha! Acho que você me entende, né?"

"Ai, ai!", ela olhou pra baixo, dando risada, "Escorregadio como sempre. E agora vai fugir de mim desse jeito? Puxa... Eu fico triste. Tou te vendo agora, mas não sei quando será a próxima vez", ela disse, se aproximando de mim. "Quero te ver até me cansar, e nem uma foto sua eu tenho...".

"Olha só, parece que o próximo ônibus é o seu, o motorista logo logo vai fechar a porta".

"Verdade..."

Um silêncio daqueles que parecem demorar horas se instalou entre nós, que olhavámos um ao outro.

Ela chegou, se aproximou de mim, colocou a mão sobre meu peito e me deu um selinho na boca.

"Você... Porque não podemos ter uma segunda chance juntos?", ela perguntou, olhando sensualmente pra mim.

"Eu não dou segunda chance. Pra ninguém. E nem mesmo você. A gente tentou, não deu certo, a gente tem que seguir a vida, você vai conhecer outros outros caras, eu vou conhecer outras..."

"Você vai se esquecer de mim?".

Naquela hora eu parei, olhei ela no fundo dos olhos e ouvia o barulho do ônibus ligando. Não ouvia mais os passos das pessoas, a euforia da rodoviária, nem o vento que passava por nós naquele momento. Os raios de sol tímidos daquele fim de tarde lentamente davam lugar para as luzes da cidade. O crepúsculo estava no fim. A luz da plataforma se ligou na nossa frente, iluminando nossos rostos.

Os olhos dela lacrimejavam. Mas não derrubaram uma lágrima. Uma mineira bonita e muito forte.

"Não. Jamais vou te esquecer", respondi.

E ela subiu no ônibus e foi embora. Senti um peso de toneladas saindo das minhas costas. Pra não dizer que não a vi de novo, trocamos mais uns e-mails. E só. Mas já tem anos que não tem mais nada. Ficou melhor assim. Sem retorno.

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