terça-feira, 2 de agosto de 2011

O que sinto na hora da corrida.

Esses dias uma amiga me perguntou porque eu corro, se desgasta tanto, cansa tanto. Na hora respondi que a melhor coisa é cruzar o pórtico de chegada. Pensando bem isso é importante, mas não é a única coisa!

Participei esses dias da Corrida Noturna da Caixa. Como ainda está fresco na memória, acho que dá pra dividir. Foram oito quilômetros, fiz em aproximadamente uma hora. Uma hora correndo, sem parar.

First things first! Corrida sempre as pessoas são mais maleáveis pra se conversar. Todos sentem-se os atletas. Bom, somos atletas, amadores, mas somos. Conversamos com as pessoas antes da corrida, vemos as bundinhas durinhas das meninas naquelas leggings (até as japinhas ficam bundudas! Perfeito!) e eu normalmente fico no pelotão do fundo, junto aos sexagenários. Motivo? Eu corro porque eu gosto, não porque quero diminuir meu tempo, ou algo do gênero. Sou um cara bem fair-play, meigo e sincero. Só me falta uma boa esposa.

Quando a corrida começa, normalmente os primeiros pelotões vão na frente correndo e dificilmente alguém começa a correr antes de cruzar o pórtico de largada. No começo a gente vai no embalo, eu fico sempre de olho no frequencímetro. Comecei a corrida margeando 75-80% batimentos cardíacos.

Muitas pessoas junto, todas correndo, isso desconcentra muito. E quando chega na marca do primeiro quilômetro acho que é o pior momento da corrida. As vezes dá um desânimo, coisa leve, por já estar um pouquinho cansado. Isso é meio psicológico, por isso dá pra ver muitas pessoas caminhando nesse momento. Nessa hora a gente segue em frente e continua!

Tinha um circuito de duas voltas. Como larguei no último pelotão, logo aquele mundaréu de gente some. Foi tranquilo dos 2km até os 4km, quando voltamos pra entrada e vai pra segunda volta. Fotógrafos fazendo seu job, tirando umas fotos, sempre ficam nessa parte da chegada.

Essa corrida especialmente ventou bastante e choveu. Eu odeio chuva. Eu transpiro muito, essas coisas dry-fit nunca funcionam comigo. E água não sai fácil do corpo, fica pesado. O peso incomoda muito, tem que se concentrar bastante. Quando cruzei a marca dos 6 km eu vi um sinalizador da ambulância ao fundo. Olhei para aquilo e pensei comigo mesmo: vou correr até chegar nele. Ele estava na outra ponta da avenida.

Sabe, corrida é assim. A gente fica humilde. Mesmo a gente que anda de ônibus, ou de carro percebe o quão nós seres humanos somos pequenos nesse mundo. Andamos a 6 km/hora. Corro entre 8,5 até 9km/hora. Um profissional não passa de 17km/hora, mesmo assim. Um carro - mesmo num congestionamento leve - anda mais rápido que isso.

A gente percebe que as coisas demoram, e não vem fáceis. Tem que ficar minutos, horas correndo pra vencer os quilômetros. E não pode desistir no meio! Tem que ter concetração daquelas de tartaruga, que mesmo que você esteja correndo, você está devagar. E devagar e sempre você vence. Vence um, dois quilômetros, vence oito, vence 21, ou 42 de uma maratona.

Marca um pontinho lá no fundo, pode ser um poste, uma árvore, um prédio e fala mentalmente: vou correr até chegar nele. Fita, se concentra, e nesse momento nada passa pela sua cabeça. Você nem sente mais as pisadas, o esforço, as dores, o suor e... nem mesmo a chuva! Essa corrida foi especial porque eu me concentrei tanto que senti que voava, que não estava mais "naquele corpo". Foi uma sensação transcedental, me senti o Jack Dawson em "I'm the king of the world!!".

0 comentários:

Postar um comentário

Arquivos do blog